{"id":340,"date":"2005-02-23T00:00:00","date_gmt":"2005-02-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=340"},"modified":"2005-02-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-23T00:00:00","slug":"estados-unidos-europa-as-relaes-complicadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/estados-unidos-europa-as-relaes-complicadas\/","title":{"rendered":"Estados Unidos-Europa: As rela&ccedil;&otilde;es complicadas"},"content":{"rendered":"<p>Miami, 23\/02\/2005 &ndash; Observadores otimistas nas duas margens do Atl&acirc;ntico expressaram sua satisfa&ccedil;&atilde;o pelos confortantes resultados na estr&eacute;ia da nova secret&aacute;ria de Estado, Condoleezza Rice, durante sua viagem ao Oriente M&eacute;dio e &agrave; Europa, em prepara&ccedil;&atilde;o ao giro europeu do presidente George W. Bush. Em contraste com a pauta anterior do presidente de ignorar a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia em seus discursos desde o 11 de Setembro, com a exce&ccedil;&atilde;o de uma isolada refer&ecirc;ncia no discurso de posse de seu segundo mandato, Rice se referiu &agrave; UE nada menos do que tr&ecirc;s vezes em sua entrevista em Paris. Foi um apoio t&atilde;o apropriado quanto o endosso que deu ao projeto de uma Europa mais unida, durante sua viagem a Bruxelas, quando se reuniu com &quot;quem &eacute; quem&quot; da UE.<br \/> <!--more--> <br \/> Por isso, s&atilde;o compreens&iacute;veis as altas expectativas quanto &agrave; viagem de Bush. Mas um setor muito influente do establishment pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico norte-americano considera que uma Uni&atilde;o Europ&eacute;ia mais supranacional, dotada de uma expl&iacute;cita e aut&ocirc;noma pol&iacute;tica exterior (tal como modestamente se delineia no Tratado Constitucional) &eacute; err&ocirc;nea, fr&aacute;gil e custosa. Tamb&eacute;m considera que sua execu&ccedil;&atilde;o a colocar&aacute; em competi&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos. E mais: &eacute; interpretada como hostilidade desleal. Esta percep&ccedil;&atilde;o est&aacute; atualmente experimentando a mesma sensa&ccedil;&atilde;o que a percebida no in&iacute;cio do processo de aprofundamento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia que desembocou na aprova&ccedil;&atilde;o do Tratado de Maastricht e na ado&ccedil;&atilde;o do euro com moeda comum. Supunha-se que os dois projetos falhariam e que os europeus mais uma vez seriam incapazes de por ordem em sua casa.<\/p>\n<p> Enfrentando a evid&ecirc;ncia, esse setor norte-americano adotou uma atitude de fuga para mais adiante se colocar a par dos acontecimentos. Depois do 11 de Setembro, a evolu&ccedil;&atilde;o pelo nervosismo causado pelo progresso da UE virou preocupa&ccedil;&atilde;o, e depois, p&acirc;nico. De uma poss&iacute;vel causa de guerras europ&eacute;ias, o euro passou a ser apontado como o culpado pela perda do valor do d&oacute;lar. A press&atilde;o de Washington para que os europeus se responsabilizassem mais por sua defesa se transformou em um grito de protesto quanto a Europa levou a competi&ccedil;&atilde;o a s&eacute;rio. O incentivo entusiasta &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia nos anos 50 e 60 e o apoio da Otan se deterioraram, sendo substitu&iacute;dos por desinteresse, desd&eacute;m e preocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Esta sensa&ccedil;&atilde;o teve seu precedente quando se enfrentava a &quot;Fortaleza Europ&eacute;ia&quot; no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90.<\/p>\n<p> Apesar disso, Washington respondeu com competi&ccedil;&atilde;o leal e contribuiu para o desenvolvimento de esquemas de livre com&eacute;rcio sob sua influ&ecirc;ncia na Am&eacute;rica Latina (Nafta, Alca) e no Pac&iacute;fico. Mas a atmosfera nublada que inaugurou o novo s&eacute;culo deu lugar a uma atitude mais agressiva com rela&ccedil;&atilde;o ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia. O 11 de Setembro e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias intensificaram a miss&atilde;o autopropulsada de dominar o mundo que os Estados Unidos se arrogaram depois do final da Guerra Fria. De apoiar a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, a atitude norte-americana se transformou em uma pol&iacute;tica err&aacute;tica de &quot;desagrega&ccedil;&atilde;o&quot;. A oportunidade pol&iacute;tica da ambiciosa amplia&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia foi manipulada. A &quot;nova Europa&quot; inventada por Donald Rumsfeld foi favorecida como oposta a de Bruxelas. O sens&iacute;vel tema da entrada da Turquia se converteu em uma arma de press&atilde;o.<\/p>\n<p> Muitas dimens&otilde;es da UE s&atilde;o consideradas prejudiciais para os interesses dos Estados Unidos. S&eacute;rios desacordos subsistem: Kioto, China, Boeing-Airbus, Microsoft, leis extraterritoriais, bananas. Mas estes desacordos s&atilde;o insignificantes se considerar-se que representam uma porcentagem m&iacute;nima em um universo not&aacute;vel de conflu&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. O problema &eacute; mais fundo e faz com que a frase de Calvin Coolidge ganhe novo sentido: o que &eacute; bom para a Europa &eacute; ruim para a Am&eacute;rica.<\/p>\n<p> Bush deve aproveitar a oportunidade de sua viagem &agrave; Europa e corrigir a pauta atual, for&ccedil;ado por limita&ccedil;&otilde;es de poder militar e econ&ocirc;mico, e tamb&eacute;m n&atilde;o s&oacute; pela eros&atilde;o do poder &quot;brando&quot; e da influ&ecirc;ncia moral, mas por seu eventual total desaparecimento. Atrav&eacute;s do reconhecimento da conveniente alian&ccedil;a com uma UE mais forte, a brecha no Atl&acirc;ntico pode diminuir consideravelmente. Entretanto, depender&aacute; da profundidade e da subst&acirc;ncia do reconhecimento de uma aut&ocirc;noma pol&iacute;tica externa da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e da coordena&ccedil;&atilde;o de miss&otilde;es comuns, em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; atual pol&iacute;tica unilateral formada na &quot;coaliz&atilde;o de volunt&aacute;rios&quot; que hoje prevalece. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico Jean Monnet e Diretor do Centro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia da Universidade de Miami (jroy@miami.edu).<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, 23\/02\/2005 &ndash; Observadores otimistas nas duas margens do Atl&acirc;ntico expressaram sua satisfa&ccedil;&atilde;o pelos confortantes resultados na estr&eacute;ia da nova secret&aacute;ria de Estado, Condoleezza Rice, durante sua viagem ao Oriente M&eacute;dio e &agrave; Europa, em prepara&ccedil;&atilde;o ao giro europeu do presidente George W. Bush. Em contraste com a pauta anterior do presidente de ignorar a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia em seus discursos desde o 11 de Setembro, com a exce&ccedil;&atilde;o de uma isolada refer&ecirc;ncia no discurso de posse de seu segundo mandato, Rice se referiu &agrave; UE nada menos do que tr&ecirc;s vezes em sua entrevista em Paris. Foi um apoio t&atilde;o apropriado quanto o endosso que deu ao projeto de uma Europa mais unida, durante sua viagem a Bruxelas, quando se reuniu com &quot;quem &eacute; quem&quot; da UE.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/estados-unidos-europa-as-relaes-complicadas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}