{"id":3411,"date":"2007-10-30T16:37:47","date_gmt":"2007-10-30T16:37:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3411"},"modified":"2007-10-30T16:37:47","modified_gmt":"2007-10-30T16:37:47","slug":"egito-gas-natural-na-industria-melhora-o-ar-da-capital-egipcia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/africa\/egito-gas-natural-na-industria-melhora-o-ar-da-capital-egipcia\/","title":{"rendered":"EGITO: G\u00e1s natural na ind\u00fastria melhora o ar da capital eg\u00edpcia"},"content":{"rendered":"<p>Cairo, 30\/10\/2007 &ndash; A contamina\u00e7\u00e3o a\u00e9rea na capital eg\u00edpcia chega a tal ponto que para cada um de seus 18 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 como se fumasse 20 cigarros por dia. <!--more--> Mas uma mudan\u00e7a no processo de fabrica\u00e7\u00e3o de tijolos reduziu substancialmente as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade assegurou que cada morador da cidade do Cairo est\u00e1 exposto a mais de 20 vezes a quantidade aceit\u00e1vel de contamina\u00e7\u00e3o. Um informe de 2002 do Banco Mundial tamb\u00e9m calcula que a contamina\u00e7\u00e3o causa danos ambientais no valor de US$ 2,4 bilh\u00f5es ao ano, cerca de 5% do produto interno bruto do Egito.<\/p>\n<p>A culpa por este dano ambiental, em parte, \u00e9 da ind\u00fastria. Os piores geradores de contamina\u00e7\u00e3o s\u00e3o as fabricas, que para obter energia queimam mazot (nome do \u00f3leo pesado que resta depois que combust\u00edveis mais valiosos s\u00e3o extra\u00eddos do petr\u00f3leo). Com essa queima s\u00e3o emitidas quantidades substanciais de gases causadores do efeito estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento do planeta. O minist\u00e9rio de Meio Ambiente continua prometendo novas medidas para responsabilizar os culpados das ind\u00fastrias pela contamina\u00e7\u00e3o do ar, mas n\u00e3o consegue fazer com que sejam cumpridas. Por\u00e9m, h\u00e1 sinais de esperan\u00e7a em outras partes. Um grupo de empres\u00e1rios canadenses e fabricantes eg\u00edpcios passaram do combust\u00edvel pesado para o g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>Essas f\u00e1bricas habitualmente trabalham alinhadas, o que leva a uma concentra\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, com graves efeitos sobre o meio ambiente e a sa\u00fade das comunidades vizinhas. Mudando para o g\u00e1s natural, a experi\u00eancia reduz drasticamente a contamina\u00e7\u00e3o e as emiss\u00f5es de carbono pelas f\u00e1bricas, com os benef\u00edcios que isso implica. A convers\u00e3o para o g\u00e1s natural foi iniciada pelos propriet\u00e1rios da f\u00e1brica eg\u00edpcia. Eles precisavam de assist\u00eancia t\u00e9cnica e financeira para concretizar a mudan\u00e7a, e se aproximaram da canadense Richard Szudy, ent\u00e3o l\u00edder em projeto Climate Change Initiative (CCI-Iniciativa sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica), em busca de ajuda.<\/p>\n<p>A CCI \u00e9 um programa financiado internacionalmente que busca reduzir as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa no Egito. Seu pedido foi atendido no ano passado, quando a governamental Ag\u00eancia Canadense de Desenvolvimento Internacional financiou um programa-piloto para converter 50 fabricas de tijolo alimentadas com g\u00e1s natural. A ind\u00fastria de tijolos \u00e9 uma das mais antigas do pa\u00eds. Desde a \u00e9poca dos fara\u00f3s, os tijolos elaborados a partir do barro, s\u00e3o principal material da constru\u00e7\u00e3o no Egito, e sua fabrica\u00e7\u00e3o mudou muito pouco nos \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria ainda usa uma metodologia onde barris cheios de mazot s\u00e3o colocados na parte superior dos fornos abrasdores, com uma tubula\u00e7\u00e3o que se estende at\u00e9 uma pilha de tijolos. O mazot sai do cano e \u00e9 aceso, cozendo os ladrilhos. Introduzir uma nova tecnologia nestas condi\u00e7\u00f5es era \u201cperigoso\u201d, disse Szudy, agora diretor da Idea Egypt, uma empresa com sede no Cairo. \u201cTivemos que selecionar uma tecnologia suficientemente robusta para manejar essa atividade t\u00e3o dura, e suficientemente simples para a capacidade rudimentar de muitos dos trabalhadores, que em boa parte s\u00e3o analfabetos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A \u00e1rea industrial de Arab Abu Sayed, a alguns quil\u00f4metros do centro do Cairo, tem a maior concentra\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de tijolos no Egito: quase 200. A \u00e1rea tamb\u00e9m tem uma popula\u00e7\u00e3o entre 80 mil e cem mil pessoas, 45% delas crian\u00e7as. O CCI analisou os efeitos da queima de mazot nesta regi\u00e3o durante a fase-piloto. Quase 60 produtos qu\u00edmicos liberados pela queima foram identificados em amostras de ar e solo, muitos deles agressivos cancer\u00edgenos presentes em quantidade muito superiores \u00e0s permitidas em n\u00edvel nacional. \u201cCada criatura viva desta a\u00e9rea est\u00e1 sofrendo\u201d, assegurou Hatem El-Bassyouni, gerente de projeto da Idea Egypt.<\/p>\n<p>Apesar destas importantes descobertas, os donos de f\u00e1bricas foram mais influenciados pela efici\u00eancia do g\u00e1s natural e pela economia resultando no custo do combust\u00edvel, disse Zudy. \u201cEles n\u00e3o est\u00e3o fazendo isso pelo meio ambiente. Muitos poucos em qualquer parte do mundo realmente far\u00e3o investimentos apenas pelo meio ambiente\u201d, disse. A efici\u00eancia permitiu aos propriet\u00e1rios recuperar o custo de mudar para o g\u00e1s natural no prazo de um ano e continuar com uma economia anual de US$ 20 mil. Al\u00e9m disso, o processo do g\u00e1s cria um tijolo de qualidade muito superior ao elaborado com base na queima de mazot.<\/p>\n<p>Deixando de lado as inten\u00e7\u00f5es dos propriet\u00e1rios, a qualidade do ar no entorno circundante tamb\u00e9m melhorou substancialmente. Espera-se que cada convers\u00e3o de uma f\u00e1brica de tijolos reduza anualmente em 37% &#8211; ou duas mil toneladas \u2013 os gases causadores do efeito estufa. Ter 50 f\u00e1bricas funcionando com base no g\u00e1s sup\u00f5e uma economia equivalente a retirar 300 mil autom\u00f3veis das ruas do Cairo, uma cidade com tr\u00eas milh\u00f5es destes ve\u00edculos. A passagem para o g\u00e1s tamb\u00e9m criou uma diferen\u00e7a vis\u00edvel. Antes, as dezenas de chamin\u00e9s em Arab Abu Said apenas podiam ser vista a meio quilometro da \u00e1rea, porque o ar estava carregado de smog. Com um quarto das f\u00e1bricas usando g\u00e1s natural, agora elas sai vis\u00edveis a v\u00e1rios quil\u00f4metros de distancia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do sucesso do projeto de convers\u00e3o logo se expandiu e outros propriet\u00e1rios de fabricas pediram para serem inclu\u00eddos. O que come\u00e7ou como um projeto de desenvolvimento evoluiu at\u00e9 se converter em uma empresa financiada com fundos privados e administrada pela Idea Egypt com investimentos canadenses. Atualmente, h\u00e1 311 fabricas dispostas a fazer a convers\u00e3o, o que reduzir\u00e1 as emiss\u00f5es de carbono ao equivalente a retirar quase 1,9 milh\u00e3o de carros das ruas da capital eg\u00edpcia. Os funcion\u00e1rios do projeto tamb\u00e9m esperam que o empreendimento seja aprovado como iniciativa do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).<\/p>\n<p>O MDL \u00e9 um dos v\u00e1rios processos estabelecidos no Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, perante a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a clim\u00e1tica para ajudar a reduzir os gases causadores do efeito estufa. O mecanismo permite que as na\u00e7\u00f5es industrializadas cumpram objetivos estabelecidos para a redu\u00e7\u00e3o desses gases investindo em projetos que reduzam suas emiss\u00f5es em pa\u00edses em desenvolvimento. A aprova\u00e7\u00e3o do MDL dar\u00e1 \u00e0 Idea Egypt Redu\u00e7\u00f5es Certificadas das Emiss\u00f5es, que podem ser comercializadas internacionalmente com cr\u00e9ditos de carbono. At\u00e9 agora, apenas quatro projetos neste pa\u00eds se prepararam para come\u00e7ar a vender cr\u00e9ditos de carbono.<\/p>\n<p>Segundo Szudy, os projetos do MDL s\u00e3o de risco e os ganhos podem ser muito vari\u00e1veis: Idea Egypt apenas espera ingressos procedentes dos cr\u00e9ditos de carbono no terceiro ano do projeto. Embora o pre\u00e7o desses cr\u00e9ditos variem dia a dia, os ganhos totais para esta empresa a partir do com\u00e9rcio de emiss\u00f5es poderiam chegar a US$ 90 milh\u00f5es na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Se os pa\u00edses n\u00e3o estenderem suas obriga\u00e7\u00f5es sob o Protocolo de Kyoto depois 2012, o projeto poder\u00e1 gerar apenas o valor de tr\u00eas anos de vendas de cr\u00e9ditos de carbono. O custo total do projeto \u00e9 de US$ 46 milh\u00f5es, sendo que US$ 30 milh\u00f5es s\u00e3o de investidores.<\/p>\n<p>Mas, alterar a cara da ind\u00fastria de tijolos \u00e9 lago mais do que transfer\u00eancia de tecnologia e redu\u00e7\u00e3o de gases que causam o efeito estufa. \u201cSeria uma vergonha nos centrarmos apenas nesses gases. Isso \u00e9 valioso em todo o mundo, claro, mas o que queremos conhecer \u00e9 o impacto final sobre a comunidade local\u201d, explicou Szudy. Durante o projeto-piloto, Idea Egypt fez entrevistas com trabalhadores das f\u00e1bricas e colheu informa\u00e7\u00e3o extensa sobre suas duras condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho.<\/p>\n<p>Eles vivem no mesmo lugar onde a f\u00e1brica est\u00e1 instalada. \u00c0s vezes, s\u00e3o 12 em uma casa de apenas um quarto. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam assist\u00eancia m\u00e9dica nem acesso a primeiros socorros, nem a educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel ou ao saneamento. \u00c9 uma qualidade de vida terr\u00edvel\u201d, enfatizou El-Bassyouni. Durante o projeto-piloto, Idea Egypt trabalhou com uma ag\u00eancia eg\u00edpcia para o desenvolvimento a fim de dar aulas de educa\u00e7\u00e3o informal a adolescentes que trabalham nas f\u00e1bricas. Um \u00f4nibus os recolhia nas f\u00e1bricas para que pudessem assistir \u00e0s aulas na hora do almo\u00e7o. \u201cFoi uma oportunidade para que fossem crian\u00e7as e simplesmente brincassem\u201d, disse Szudy. Comumente, mais de 80 crian\u00e7as assistiam \u00e0s aulas no edif\u00edcio escolar de apenas uma sala.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do projeto-piloto, Idea Egypt insistiu para os investidores financiarem aulas de educa\u00e7\u00e3o informal bem como outros tipos de programas sociais para a pr\u00f3xima onda de convers\u00f5es de f\u00e1bricas. Durante uma visita feita pela IPS \u00e0 Arab Abu Said, os moradores s\u00e3o r\u00e1pidos em se referir ao ar mais limpo. E durante uma aula para os jovens trabalhadores na hora do almo\u00e7o pode-se ver os efeitos deste projeto em suas vidas. Pouco depois de chegarem, parecem ter redescoberto sua inf\u00e2ncia. Seus rostos cansados se transformavam enquanto cantavam em voz alta e, de modo impulsivo, se abra\u00e7avam. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p> * Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (siglas em ingl\u00eas de Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais)<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cairo, 30\/10\/2007 &ndash; A contamina\u00e7\u00e3o a\u00e9rea na capital eg\u00edpcia chega a tal ponto que para cada um de seus 18 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 como se fumasse 20 cigarros por dia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/africa\/egito-gas-natural-na-industria-melhora-o-ar-da-capital-egipcia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1784,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8],"tags":[],"class_list":["post-3411","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1784"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3411"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3411\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}