{"id":3420,"date":"2007-11-02T12:44:40","date_gmt":"2007-11-02T12:44:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3420"},"modified":"2007-11-02T12:44:40","modified_gmt":"2007-11-02T12:44:40","slug":"pena-de-morte-zimbabue-a-luta-para-a-abolicao-continua-apesar-de-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/africa\/pena-de-morte-zimbabue-a-luta-para-a-abolicao-continua-apesar-de-tudo\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE-ZIMB\u00c1BUE:: A Luta para a aboli\u00e7\u00e3o continua apesar de tudo"},"content":{"rendered":"<p>HARARE, 02\/11\/2007 &ndash; Os Defensores dos deireitos humanos est\u00e3o a continuar com a campanha para abolir a pena capital no Zimb\u00e1bue, apesar da repress\u00e3o policial e dos problemas que a sociedade enfrenta por causa da profunda crise econ\u00f3mica no pa\u00eds. Para j\u00e1, a popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 trata de sobrevivir. <!--more--> &#8220;Agora est\u00e1 muito dif\u00edcil conseguir a autoriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia para realizar as reuni\u00f5es&#8221;, queixou se o John Chinamurungu, o presidente do cap\u00edtulo local da orgaiza\u00e7\u00e3o internacional de direitos humanos a Amnist\u00eda Internacional, com a sua sede em Londres. <\/p>\n<p>&#8220;A polic\u00eda considera todos os nossos intentos de reunir a gente como atos pol\u00edticos. Assin, \u00e9 muito dif\u00edcil lan\u00e7ar a campanha&#8221;, acrescentou ele. <\/p>\n<p>A Amnist\u00eda e a Associa\u00e7\u00e3o para a Preven\u00e7\u00e3o do Delito e para a Rehabilita\u00e7\u00e3o de Delinquentes de Zimb\u00e1bue (Zacro) trabalham juntas para conseguir o apoio para a aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte e colocar o assunto na agenda pol\u00edtica. <\/p>\n<p>A nova incorpora\u00e7\u00e3o de Zacro vem depois de uma coluna de um dos membros dele publicada em janeiro no di\u00e1rio estatal The Herald. A\u00ed anunciou se o ini\u00e7io da campanha, cujos detalhes foram logo explicados a IPS pelo Edson Chiota, o coordenador nacional da associa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O plano incluiu usar grandes quantidades de afichas e folhetos para difundir a mensagem para a aboli\u00e7\u00e3o entre os mais de 13 milh\u00f5es de cidad\u00f5es. <\/p>\n<p>Mas a campaha tem sido muito tocada pela agudeza da crisie econ\u00f3mica. <\/p>\n<p>Em janeiro, a infla\u00e7\u00e3o anual estava a 1.600 por cento. Em setembro chegou a 7.982,1 por cento, segundo as chifras do Escrit\u00f3rio Central da Estat\u00edstica. E agora se especula que est\u00e1 a cerca de 25.000 por cento. <\/p>\n<p>O papel e a gasolina, que s\u00e3o fundamentais para uma campanha nacional deste tipo, est\u00e3o quase impossiveis a conseguir. <\/p>\n<p>Agora a popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 se interessa a sobrevivir. Em Harare, \u00e9 normal ver as bichas compridas para comprar o p\u00e3o. <\/p>\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas, o ministro da Agricultura declarou que o trigo recolhido foi s\u00f3 dois ter\u00e7os do que \u00e9 necess\u00e1rio para satisfazer a demanda nacional. Um pouco depois disto, o pre\u00e7o do p\u00e3o aumentou de 300 por cento. <\/p>\n<p>&#8220;Milh\u00f5es de pessoas no Zimb\u00e1bue precisam de doa\u00e7\u00f5es alimentares&#8221;, indicou em agosto o Richard Lee, do Programa Mundial de Alimenta\u00e7\u00e3o (PMA) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). <\/p>\n<p>Estimou se ent\u00e3o que umas 3,3 milh\u00f5es de pessoas iam precisar da assist\u00eancia da ag\u00eancia para poder sobreviver nos pr\u00f3ximos meses. <\/p>\n<p>As autoridades responderam a toda a manifesta\u00e7\u00e3o com a pol\u00edcia anti motim, o que contribuiu a criar uma clima de medo e intimida\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Apesar da cat\u00e1strofe econ\u00f3mica, a Amnist\u00eda e Zacro n\u00e3o ficaram intimidadas nem adiaram os workshops deles da sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre a pena capital. <\/p>\n<p>O vicepresidente da Amnist\u00eda Zimb\u00e1bue, o Francis Mweene, foi um participante \u00fanico por ter sido ele pr\u00f3prio um condenado a morte. <\/p>\n<p>Ele foi condenado a pena m\u00e1xima na Rodesia, como se denominava o atual Zimb\u00e1bue antes da sua independ\u00eancia em 1980, que era governada por brancos. <\/p>\n<p>&#8220;Para mim foi uma grande surpresa ter tido a possibilidade de continuar a viver. Foi gra\u00e7as a Amnist\u00eda Zimb\u00e1bue que defendeu o meu direito a vida&#8221;, explicou ele a IPS, recordando como os contatos dessa organiza\u00e7\u00e3o tiraram-no das garras da morte. <\/p>\n<p>&#8220;Parece me que atrav\u00e9s dos testemunhos se pode sensibilizar a gente e fazer que percebesse por qu\u00ea estamos contra a pena de morte&#8221;, sustentou ele. <\/p>\n<p>O fato do Mweene ser o primeiro a divulgar a sua hist\u00f3ria constitui uma grande dificuldade para as autoridades intervenir e proibir as reuni\u00f5es dele. <\/p>\n<p>O presidente do Zimb\u00e1bue, o Robert Mugabe, liderou a guerra de independ\u00eancia contra o governo do Ian Smith e poderia ele mesmo ter sido um dos condenados a morte como o Mweene si o tinham capturado. <\/p>\n<p>Para al\u00e9m de organizar as reuni\u00f5es, a Amnist\u00eda tamb\u00e9m distribui os t-shirts com lemas contra a pena de morte. <\/p>\n<p>Em julho Zacro tentou conseguir o apoio para a campanha do Conselho de Chefes, aproveitando da reuni\u00e3o anual dos l\u00edderes tradicionais em Harare e nas Cataratas Victoria. <\/p>\n<p>Os chefes podem levar o assunto ao parlamento, noqual foram designado 10 representantes. <\/p>\n<p>Mas, segundo uma variedade de fontes, os pol\u00edticos interviram para evitar que o Conselho tratasse do assunto. <\/p>\n<p>&#8220;Esparavamos come\u00e7ar com os chefes que podem levar o assunto a Assembleia e tratar de conseguir uma entrevista com o chefe de Estado&#8221;, disse o Chakanyuka a IPS. <\/p>\n<p>O interesse de Zacro nos chefes fazia parte da ofensiva inicial da campanha, que sustentava que a pena de morte era &#8220;estrangeira e contr\u00e1ria aos conceitos e as cr\u00ean\u00e7as tradicionais de justi\u00e7a&#8221;. <\/p>\n<p>Mas a reuni\u00e3o mostrou que a opini\u00e3o dos chefes sobre o castigo m\u00e1ximo estava dividida.<\/p>\n<p>&#8220;Deves receber uma senten\u00e7a que convem com o delito que cometeste. Se mataste uma pessoa de maneira deliberada, ent\u00e3o deves morrer&#8221;, disse o chefe Makoni, segundo o peri\u00f3dico Financial Gazette. <\/p>\n<p>Os chefes n\u00e3o t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de ficar ligados a um assunto t\u00e3o pol\u00e9mico nem de apresentar o tema ao presidente por medo de perder os privil\u00e9gios deles, pois o governo paga os \u2018sal\u00e1rios\u2019 deles. <\/p>\n<p>&#8220;Antes da pr\u00f3xima eleic\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 posibilidade nenhuma de voltar a falar com os chefes &#8220;, indicou o Chakanyuka, visivelmente decepcionado. <\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais, legislativos e locais realizar\u00e3o se dentro de seis meses. <\/p>\n<p>Zacro pretende difundir por todo o pa\u00eds um apelo para a aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte. <\/p>\n<p>&#8220;Queremos apresentar a peti\u00e7\u00e3o ao Mugabe, pois ele \u00e9 que foi investido com o poder de decidir se uma pessoa deve ou n\u00e3o ser pendurada a forca &#8220;, indicou o Chakanyuka. <\/p>\n<p>O Mugabe tem resistido todos os pedidos de derogar o castigo m\u00e1ximo, desde o periodo colonial e durante os seus 27 anos de governo, e \u00e9 pouco prov\u00e1vel que h\u00e1 de mudar de pensamento agora na \u00e9poca crepuscular do seu poder. <\/p>\n<p>Ao ligar o Mugabe com a conserva\u00e7\u00e3o da pena de morte e realizar a campanha neste contexto, os organizadores esperam que uma das primeiras medidas do sucessor dele ser\u00e1 a aboli\u00e7\u00e3o do castigo m\u00e1ximo. <\/p>\n<p>Zacro tamb\u00e9m espera motivar a popula\u00e7\u00e3o a impulsar as maiores reformas penais no futuro. <\/p>\n<p>A \u00faltima execu\u00e7\u00e3o no Zimb\u00e1bue foi em 2004. Sete pessoas foram penduradas a forca desde 1999, segundo Zacro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HARARE, 02\/11\/2007 &ndash; Os Defensores dos deireitos humanos est\u00e3o a continuar com a campanha para abolir a pena capital no Zimb\u00e1bue, apesar da repress\u00e3o policial e dos problemas que a sociedade enfrenta por causa da profunda crise econ\u00f3mica no pa\u00eds. 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