{"id":3422,"date":"2007-11-02T13:54:43","date_gmt":"2007-11-02T13:54:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3422"},"modified":"2007-11-02T13:54:43","modified_gmt":"2007-11-02T13:54:43","slug":"direitos-humanos-ruanda-busca-se-mas-nao-se-encontra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/africa\/direitos-humanos-ruanda-busca-se-mas-nao-se-encontra\/","title":{"rendered":"DIREITOS HUMANOS-RUANDA:: Busca se mas n\u00e3o se encontra"},"content":{"rendered":"<p>CIDADE DO CABO, 02\/11\/2007 &ndash; \u2013 Para a cabe\u00e7a de F\u00e9licien Kabuga oferece se uma recompensa de v\u00e1rios milh\u00f5es de d\u00f3lares. Ele encabe\u00e7a a lista de fugitivos do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, e conseguiu escapar da justi\u00e7a durante muitos anos. <!--more--> A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estabeleceu este tribunal, conhecido pelas suas siglas em ingl\u00e9s ICTR, na localidade setentrional tanzaniana de Arusha em 1995. <\/p>\n<p>O objetivo do tribunal \u00e9 de procesar os perpetradores do genoc\u00eddio de 1994 na Ruanda, um pa\u00eds do centro de \u00c1frica noqual entre 800.000 e um milh\u00e3o dos membros da minoria \u00e9tnica tutse e dos membros moderados da comunidade maiorit\u00e1ria hutu foram assassenados durante um peri\u00f3do de cem dias.<\/p>\n<p>Alega se que o Kabuga, que \u00e9 fabulosamenete rico \u00e9 respons\u00e1vel para a autor\u00eda intelectual do genoc\u00eddio. Diz se que ele usou o seu dinheiro para importar a grande escala as enxadas, os machetes, as p\u00e1s e as armas de fogo utilizados para as mass\u00e1cres. <\/p>\n<p>O Kabuga tamb\u00e9m era o propriet\u00e1rio do Radio T\u00e9l\u00e9vision Libre das Mille Collines (Radio e Televis\u00e3o Livre das Mil Colinas), que animou o \u00f3dio dos tutsis, aosquais se refer\u00eda como &#8220;baratas&#8221;. <\/p>\n<p>Os boatos persistentes asseguram que o Kabuga vive luxuosamente na Qu\u00eania, protegido pelos ex funcion\u00e1rios altos do governo do ex presidente Daniel Arap Moi (1978-2002). <\/p>\n<p>O governo queniano atual, a cargo do presidente Mwai Kibaki, tem muitas vezes declarado o seu compromisso com o ICTR para ajudar de todos os modos posseveis a ubicar a Kabuga, que \u00e9 tamb\u00e9m considerado um grande mestre do disfar\u00e7amento. <\/p>\n<p>Os outros boatos dizem que ele est\u00e1 na regi\u00e3o oriental da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, uma zona vasta e an\u00e1rquica aonde foram muitos dos perpetradores do genoc\u00eddio quando as for\u00e7as insurgentes do ent\u00e3o presidente Paul Kagame tomaram a cidade de Kigali, o capital ruand\u00eas. <\/p>\n<p>Entre os assassinos figuram os hutus extremistas conhecido de Interahamwe, que significa &#8220;aqueles que ficam juntos&#8221;. <\/p>\n<p>O Departamento de Estado dos Estados Unidos oferece uma recompensa de at\u00e9 cinco milh\u00f5es de d\u00f3lares para quem d\u00e1 informa\u00e7\u00e3o que conduzir\u00e1 a deten\u00e7\u00e3o do Kabuga. <\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 pouco, o ICTR estava a buscar 18 fugitivos. Quatro deles foram detidos nos \u00faltimos meses. <\/p>\n<p>O portavoz do ICTR o Tim Gallimore informou que o Augustin Ngirabatware foi detido n\u00e3o dia 17 de setembro pelos membros alem\u00e3os de uma equipa de investiga\u00e7\u00f5es do Tribunal. <\/p>\n<p>O Ngirabatware, que foi o ministro de Planeamento do gobierno hutu em poder quando o genoc\u00eddio come\u00e7ou, era accionista de Radio T\u00e9l\u00e9vision Libre des Mille Collines. A sua deten\u00e7\u00e3o foi a primeira de um fugitivo do ICTR na Alemanha. <\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas de outubro, o Dominique Ntawukurireaeo \u2013 um ex alto funcion\u00e1rio e o genro de Kabuga\u2014foi detido no sul da Fran\u00e7a. Esta deten\u00e7\u00e3o foi um resultado da coopera\u00e7\u00e3o entre a Pol\u00edcia Internacional (Interpol) e o governo franc\u00eas&#8221;, disse o Gallimore a IPS. <\/p>\n<p>Dois outros acusados para o genoc\u00eddio, o Laurent Buceibaruta e o Wenceslas Muneesheaka, foram detidos mas depois foram libertados sob a supervis\u00e3o judicial pelo ICTR dois vezes este ano, por causa de disputas sobre o tribunal onde deveriam ser julgados. <\/p>\n<p>O Muneesheaka \u00e9 um sacerdote cat\u00f3lico que, segundo os boatos, assassinou muitos tutsis na sua igreja. O Buceibaruta, outrora funcion\u00e1rio superior na zona meridional ruandesa de Gikongoro, est\u00e1 acusado da incita\u00e7\u00e3o direita e p\u00fablica a cometer o genoc\u00eddio. <\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se estes suspeitados viajaram a Arusha. O Muneesheaka e o Bucebaruta, que vivem na Fran\u00e7a desde h\u00e1 uma d\u00e9cada, se apresentar\u00e3o perante um tribunal do pa\u00eds europeo no dia 21, a data noqual os casos deles ser\u00e3o re examinados. <\/p>\n<p>As \u00faltimas deten\u00e7\u00f5es s\u00e3o consideradas como uma ensagem forte ao restante dos fugitivos algures que as rodas da justi\u00e7a v\u00e3o girando no ICTR, apesar da lentid\u00e3o. <\/p>\n<p>Contudo, com 13 meses antes do fim do prazo estabelecido para acabar com os processos no Tribunal, o que ser\u00e1 dos suspeitados detidos, no pr\u00f3ximo ano. Certos processos t\u00eam sido concluidos em poucos meses, mas h\u00e1 outros que levaram muitos anos. <\/p>\n<p>E que o acontecer\u00e1 com os que ainda estar\u00e3o a fugir depois de 2008? <\/p>\n<p>O fiscal principal do ICTR, o Hassan Bubacar Jallow, disse em junho no Conselho da Seguran\u00e7a da ONU que a Ruanda era o &#8220;principal destino possivel&#8221; para quem j\u00e1 estava na cust\u00f3dia do ICTR, assim como para a maior\u00eda dos fugitivos. <\/p>\n<p>O Kabuga \u00e9 um dos fugitivos que n\u00e3o ser\u00e3o transferidos a Ruanda. Os outros s\u00e3o o Protais Mpiranea, o ex comandante da guarda presidencial, o Augustin Bizimana, o ex ministro de Defesa, o Callixte Nsabinamana, o ex ministro de Assuntos Juven\u00eds, o Augustin Ngirabatware, o ex ministro do Planeamento, e o Idelphonse Nizeeimana, um ex oficial militar. <\/p>\n<p>Estes homens enfrentar\u00e3o a justi\u00e7a internacional porque se considera que t\u00eam a responsabilidade particular para as matan\u00e7as. <\/p>\n<p>Se os fugitivos continuem a andar soltos pelos finais de 2008, o tribunal &#8220;precisar\u00e1 da orienta\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a sobre como tratar destes casos. As solu\u00e7\u00f5es podem incluir uma extens\u00e3o da autoridade do ICTR para al\u00e9m de 2008, ou remitir os casos a um outra jurisdic\u00e7\u00e3o nacional &#8220;, disse o Jallow. <\/p>\n<p>A Ruanda j\u00e1 tem nas suas cadeias milhares de suspeitaos de genoc\u00eddio que ainda devem ser julgados, e as autoridades t\u00eam recorrido aos procedimentos antigos tradicionais para aliviar a carga sobre o sistema judicial regular j\u00e1 sobrecarregado. <\/p>\n<p>A Amnist\u00eda Internacional e as outras organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos tamb\u00e9m exprimiram a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no pa\u00eds, e temem que os perpetradores do genoc\u00eddio n\u00e3o ter\u00e3o as possibilidades de acceder o julgamento justo num pa\u00eds liderado pela minoria tutsi. Uma outra preocupa\u00e7\u00e3o era a possibilidade de que os perpetradores fossem condenados a morte, mas o governo aboliu este ano a pena capital. <\/p>\n<p>As autoridades tamb\u00e9 construiram um novo centro de deten\u00e7\u00f5es para alojar os que est\u00e3o a ser transferidos do ICTR. Para al\u00e9m disso, o tribunal participa ativamente na forma\u00e7\u00e3o do pessoal judicial ruand\u00eas, ao fim de prep\u00e1-lo para os processos de genoc\u00eddio. <\/p>\n<p>Os pa\u00edses africanos nosquais o ICTR est\u00e1 a solicitar a celebra\u00e7\u00e3o das audi\u00eancias n\u00e3o t\u00eam mostrado a vontade de fazer isto. Certos analistas alegam que os governos como os da \u00c1frica do Sul e Botswana s\u00e3o cautelosos agora de assumir os casos que a Ruanda se sente capaz de manejar ela mesmo.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses europeios tamb\u00e9m se mostram reticentes a oferecer os seus servi\u00e7os.Embora que a Noruega fosse investigada como uma sede possivel dos processos futuros, as leis do pa\u00eds n\u00e3o eram adequadas para tratar dos casos de genoc\u00eddio. Mas um caso foi transferido a Holanda, onde o Tribunal Penal Internacional para a Ex Yugoslavia est\u00e1 sedeado<\/p>\n<p>Segundo as estat\u00edsticas publicadas no site web do ICTR, j\u00e1 se completou 27 casos desde que o tribunal come\u00e7ou a trabalhar, e tr\u00eas suspeitados foram absolividos. Vintenove casos est\u00e3o em curso, enquanto que nove pessoas est\u00e3o a espera do processo. Num caso pioneiro, o ex prefeito da comuna ruandesa de Taba, o Jean Paul Akaeesu, foi condenado a cadeia perp\u00e9tua em 1998 por uma variedade de acusa\u00e7\u00f5es inclundo as ligadas ao estupro e as outras formas da viol\u00eancia sexual. <\/p>\n<p>Isto mar\u00e7ou a primeira inst\u00e2ncia noqual o estupro foi reconhecida e castigada como um delito de genoc\u00eddio pelo tribunal internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIDADE DO CABO, 02\/11\/2007 &ndash; \u2013 Para a cabe\u00e7a de F\u00e9licien Kabuga oferece se uma recompensa de v\u00e1rios milh\u00f5es de d\u00f3lares. 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