{"id":3426,"date":"2007-11-05T19:59:07","date_gmt":"2007-11-05T19:59:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3426"},"modified":"2007-11-05T19:59:07","modified_gmt":"2007-11-05T19:59:07","slug":"iraque-mais-soldados-menos-tranquilidade-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/politica\/iraque-mais-soldados-menos-tranquilidade-no-iraque\/","title":{"rendered":"Iraque: Mais soldados, menos tranq\u00fcilidade no Iraque"},"content":{"rendered":"<p>Baquba, Iraque, 05\/11\/2007 &ndash; O t\u00e3o anunciado \u201caumento\u201d de efetivos norte-americanos nesta cidade iraquiana causou mais problemas do que solucionou os existentes, segundo moradores locais. Baquba, capital da central prov\u00edncia de Diyala, 65 quil\u00f4metros a nordeste de Bagd\u00e1, \u00e9 h\u00e1 muito tempo uma cidade inst\u00e1vel, muito violenta e onde domina o caos administrativo. <!--more--> Em janeiro deste ano, o governo do presidente George W. Bush anunciou o envio de 20 mil soldados adicionais para Bagd\u00e1 e as prov\u00edncias de Diyala e al Anbar (oeste da capital) para melhorar a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos agora t\u00eam no Iraque 169 mil soldados, o maior n\u00famero desde a invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds no Oriente M\u00e9dio em mar\u00e7o de 2003. h\u00e1, al\u00e9m disso, cerca de 180 mercen\u00e1rios contratados por Washington e entre 50 mil e 70 mil soldados de pa\u00edses aliados dos Estados Unidos. Mas, apesar da dimens\u00e3o desse contingentes, Diyala est\u00e1 sob controle de quadrilhas, combatentes da resist\u00eancia, outros insurgentes e simpatizantes da organiza\u00e7\u00e3o terrorista Al Qaeda, e, somente \u00e0s vezes, com agora, por for\u00e7as norte-americanas. Com todos esses grupos armados em atividade resulta imposs\u00edvel levar uma vida normal.<\/p>\n<p>Em um ambiente de medo e viol\u00eancia, as ruas est\u00e3o vazias, inclusive sem efetivos da pol\u00edcia e do ex\u00e9rcito. \u201cNo come\u00e7o, todos meus vizinhos aplaudiram o aumento do n\u00famero de soldados norte-americanos na cidade\u201d, disse \u00e0 IPS Jabbar Kadhim, um comerciante local. \u201cN\u00e3o temos nenhuma esperan\u00e7a no governo iraquiano. Os soldados se apropriaram de toda a cidade e bloquearam as estradas\u201d. Devido \u00e0 grande presen\u00e7a militar norte-americana, a seguran\u00e7a, no momento, parece ter melhorado. Mas, pelas restri\u00e7\u00f5es de movimento e o alto desemprego, os moradores temem que volte a viol\u00eancia indiscriminada quando os soldados se retirarem.<\/p>\n<p>\u201cNos sentimos mais seguros ao ver o ex\u00e9rcito dos Estados Unidos, mas sabemos, e os norte-americanos tamb\u00e9m, que os rebeldes voltar\u00e3o \u00e0 cidade quando eles partirem\u201d, disse um morador que n\u00e3o quis se identificar. Outros disseram que o aumento de efetivos trouxe seus pr\u00f3prios problemas. T\u00eam motivos para pensarem assim. A popula\u00e7\u00e3o local desconfia de todos os movimentos. \u201cPara ter um motivo para ficar no Iraque, as for\u00e7as da coaliz\u00e3o criam um inimigo e o combatem\u201d, afirmou Mudhafer Razq, um comerciante que perdeu seu neg\u00f3cio. \u201cEmpurram os insurgentes para destruirem a cidade e depois v\u00eaem combat\u00ea-los. Desta forma, a popula\u00e7\u00e3o recorre \u00e0s for\u00e7as da coaliz\u00e3o em busca de ajuda\u201d, explicou. Esse tipo de desconfian\u00e7a \u00e9 recorrente.<\/p>\n<p>Outra pessoa contou que viu um grupo de insurgentes matar um taxista em um falso posto de controle que armaram, \u201cenquanto um helic\u00f3ptero dos Estados Unidos sobrevoava sobre eles\u201d. O caminhoneiro Mohammed Jabur contou uma hist\u00f3ria semelhante. \u201cPassei por um falso posto de controle armado por um grupo de rebeldes. Todos tinham o rosto coberto e portavam armas. Vi um helic\u00f3ptero sobrevoando o local. \u00c9 dif\u00edcil o piloto v\u00ea-los? Todos sabem que os insurgentes t\u00eam algum tipo de apoio das for\u00e7as da coaliz\u00e3o\u201d, acrescentou. nem mesmo a relativa melhora da seguran\u00e7a \u00e9 tranq\u00fcilizadora.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, as pessoas continuam preocupadas com a volta dos grupos rebeldes. Em segundo lugar, com o aumento de soldados norte-americanos a vida di\u00e1ria fica distorcida\u201d, disse Bashir Mutasher, analista residente em Baquba. \u201cOs moradores podem se deslocar apenas pela rua principal da cidade, cheia de postos de controle. Todos os outros caminhos est\u00e3o fechados\u201d, disse. \u201cTodos os autom\u00f3veis s\u00e3o revistados em todos os postos de controle. N\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tico revistar milhares de ve\u00edculos por dia. Por isso, as pessoas s\u00e3o obrigadas a ir a p\u00e9 para o trabalho ou para casa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos nos mover nem ir para nosso trabalho\u201d, disse \u00e0 IPS o eletricista Tariq Bidaa. \u201cTivemos de ficar um m\u00eas em nossas casas. Minha fam\u00edlia precisava de tantas coisas, mas n\u00e3o havia dinheiro\u201d. Por outro lado, h\u00e1 mais dificuldades ainda. \u201cEm Baquba h\u00e1 tr\u00eas pequenas pontes que ligam os dois lados da cidade. Duas delas s\u00e3o usadas apenas pelo ex\u00e9rcito norte-americano, por isso toda a popula\u00e7\u00e3o local deve utilizar o terceiro. Pode-se chegar a esperar durante uma hora para cruzar a ponte\u201d, disse \u00e0 IPS Sadeq Hazber, professor de 44 anos. Como se n\u00e3o bastasse, \u201ctem uma grande quantidade de postos de controle. Um a cada 500 metros, ou menos\u201d, acrescentou. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 ruim, mas pode piorar se os insurgentes regressarem. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baquba, Iraque, 05\/11\/2007 &ndash; O t\u00e3o anunciado \u201caumento\u201d de efetivos norte-americanos nesta cidade iraquiana causou mais problemas do que solucionou os existentes, segundo moradores locais. 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