{"id":3442,"date":"2007-11-13T18:58:53","date_gmt":"2007-11-13T18:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3442"},"modified":"2007-11-13T18:58:53","modified_gmt":"2007-11-13T18:58:53","slug":"energia-riqueza-eolica-sopra-com-forca-no-alasca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/ambiente\/energia-riqueza-eolica-sopra-com-forca-no-alasca\/","title":{"rendered":"Energia: Riqueza e\u00f3lica sopra com for\u00e7a no Alasca"},"content":{"rendered":"<p>Saint Louis, EUA, 13\/11\/2007 &ndash; Oitocentos quil\u00f4metros a oeste de Anchorage, no Estado norte-americano do Alasca, na costa da ba\u00eda de Kangirlvar, est\u00e1 assentada a comunidade esquim\u00f3 Yup\u2019ik da localidade de Toksook Bay, que concentra 110 resid\u00eancias, uma escola e uma pista de pouso. <!--more--> Seus habitantes ganham a vida com a pesca comercial, o trabalho na escola e o governo local e com a ca\u00e7a de subsist\u00eancia. A linha do horizonte \u00e9 relativamente plana em torno de Toksook Bay, mas h\u00e1 pouco surgiram alguns elementos novos acima da tundra.<\/p>\n<p>No ano passado, tr\u00eas turbinas e\u00f3licas de 100 quilowatts, cada uma com 33 metros de altura, come\u00e7aram a fornecer energia a esta comunidade de 600 habitantes. Hoje, cerca de 20% da eletricidade local procede do vento, segundo Brent Petrie, gerente de contas da Cooperativa el\u00e9trica de Aldeias do Alasca (Avec), que possui e opera o projeto. A centenas de quil\u00f4metros de qualquer parte, as mercadorias chegam a Toksook Bay, e a mais de cem outras aldeias e povoados localizados fora do sistema rodovi\u00e1rio, por navio ou avi\u00e3o. A maioria destas comunidades obt\u00eam a eletricidade a partir de geradores alimentados a diesel, fonte energ\u00e9tica cada vez mais dif\u00edcil de custear.<\/p>\n<p>\u201cEm 2002, nossa conta de combust\u00edvel foi de US$ 1,5 milh\u00e3o. No ano passado chegou a US$ 4,3 milh\u00f5es\u2019, disse Brad Reeve, gerente-geral da Associa\u00e7\u00e3o El\u00e9trica de Kotzebue (KEA), uma cooperativa sem fins lucrativos que fornece energia aos 3.100 habitantes de Kotzebue, 41 quil\u00f4metros ao norte do C\u00edrculo Polar \u00c1rtico. No Alasca rural a eletricidade custar entre 40 e 50 centavos de d\u00f3lar por quilowatt \u00e9 algo comum. Em compara\u00e7\u00e3o, em Anchorage esse pre\u00e7o est\u00e1 mais perto dos 12 centavos por quilowatt. Enquanto outras aldeias como Toksook Bay buscam alternativas, n\u00e3o surpreende que estejam se voltando \u00e0 energia e\u00f3lica. Aproximadamente cem comunidades do Alasca, especialmente as que se localizam na costa, t\u00eam fortes recursos e\u00f3licos.<\/p>\n<p>O Alasca j\u00e1 tentou antes aproveitar o potencial do vento. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, quando o Estado tinha dinheiro em abund\u00e2ncia derivado do petr\u00f3leo, cerca de 140 projetos e\u00f3licos floresceram em todo seu territ\u00f3rio, mas, gerando pouca energia, por culpa de um mau planejamento e de uma tecnologia imatura. Reeve citou o exemplo de uma turbina destinada a Kotzebue que nunca foi instalada porque suas bases foram feitas ao lado de uma pista de pouso. Hoje, projetos melhor organizados demonstram que a energia dos fortes ventos costeiros do Alasca pode ser aproveitada economicamente. Reeve est\u00e1 instalado turbinas e\u00f3licas, poucas por vez, fora de Kotzebue, desde 1997.<\/p>\n<p>Incluindo a instala\u00e7\u00e3o este ano de tr\u00eas novas turbinas, a fazenda e\u00f3lica da Associa\u00e7\u00e3o El\u00e9trica de Kotzebue agora abriga 17 turbinas, o que a converte na maior unidade desse tipo no Estado. Entre 5% e 7% da eletricidade do povoado s\u00e3o gerados a partir do vento. Em um ano t\u00edpico, isso representa 350 mil litros de diesel que a Associa\u00e7\u00e3o deixa de comprar. Esses n\u00fameros deveam aumentar na medida em que as tr\u00eas novas turbinas come\u00e7arem a funcionar. Com o diesel a US$ 2,50 por quase quatro litros, o pre\u00e7o citado por Reeve em outubro, a economia continua aumentando.<\/p>\n<p>St. Paul, uma comunidade da etnia Aleut de 460 habitantes situada na ilha de mesmo nome, 482 quil\u00f4metros a oeste do Alasca continental, no mar de Bering, tamb\u00e9m conta com uma turbina e\u00f3lica funcionando desde 1997. Propriedade da firma TDX Power, a turbina, de 225 quilowatts, fornece cerca de 40% da energia usada por um aeroporto industrial de pouco menos de um hectare. \u00c0s vezes, o vento fornece mais eletricidade do que a unidade pode usar, ent\u00e3o este excedente \u00e9 usado para aquecer o edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Ron Philemonoff, presidente da TDX Power, disse que o projeto foi financiado atrav\u00e9s de um programa privado de contratos de recompra, pag\u00e1vel em sete anos. Agora, a id\u00e9ia \u00e9 n\u00e3o substituir os sistemas a diesel, mas complement\u00e1-los. Ao integrar vento e diesel, os sistemas permitem \u00e0s turbinas gerarem energia quando sopra o vento, e os geradores a diesel assume a tarefa quando os ventos diminuem. \u201cEm St. Paul h\u00e1 meses em que o diesel n\u00e3o \u00e9 usado\u201d, disse Ian Baring-Gould, engenheiro do Laborat\u00f3rio Nacional de Energias Renov\u00e1veis dos Estados Unidos. A tecnologia existe para que o vento satisfa\u00e7a entre 60% e 70% das necessidades energ\u00e9ticas de comunidades com bons recursos e\u00f3licos.<\/p>\n<p>Um punhado de outras comunidades do Alasca ocidental tamb\u00e9m incorporaram turbinas e\u00f3licas \u00e0s suas centrais el\u00e9tricas, com \u00eaxito variado. Um projeto em Wales, comunidade de 140 habitantes no sudeste de Kotzebue, foi problem\u00e1tico porque as turbinas foram ajustadas com retroatividade a um sistema de diesel j\u00e1 existente. Reev e Baring-Gould concordam que as turbinas funcionaram bem, mas a integra\u00e7\u00e3o com o velho diesel causou problemas. Fica a pergunta sobre o impacto das turbinas do Alasca sobre as aves, mas, nenhum ainda foi documentado. Os projetos em St. Paul, Tokssok Bay e Kotzebue est\u00e3o em terra, o que deve ajudar a evitar o contato com aves marinhas. Mas, dados inadequados dificultam o julgamento.<\/p>\n<p>\u201cEu diria que n\u00e3o sabemos o suficiente para afirmar uma coisa ou outra, ainda\u201d, disse Ellen Lance, bi\u00f3loga da divis\u00e3o de Servi\u00e7os Ecol\u00f3gicos e Esp\u00e9cies em Perigo do Servi\u00e7o de Pesca e vida Silvestre dos Estados Unidos no Alasca. \u201cEsperamos aprender atrav\u00e9s de associa\u00e7\u00f5es com construtores\u201d, acrescentou. Adaptar a tecnologia e\u00f3lica ao clima extremo do Alasca tem sido um grande desafio. Manter os sistemas refrigerados pode ser um problema em climas mais quentes, mas no Alasca foi preciso fazer modifica\u00e7\u00f5es para garantir que os lubrificantes e outras partes funcionassem no frio extremo.<\/p>\n<p>Instalar bases em permafrost (camada de gelo permanentemente congelada nos n\u00edveis superficiais do solo), especialmente em \u00e1reas onde h\u00e1 derretimentos, \u00e9 dif\u00edcil e pode aumentar os custos de instala\u00e7\u00e3o, segundo Petrie. Mas, os \u00eaxitos de St. Paul, toksook Bay e Kotzebue mostraram que levar a energia e\u00f3lica ao Alasca \u00e9 tecnicamente poss\u00edvel. \u201cA tecnologia n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo, mas um desafio\u201d, disse Baring-Gould. Entretanto, a economia pode ser problem\u00e1tica. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 caro embarcar os equipamentos e trabalhar no entorno remoto, mas tamb\u00e9m as turbinas de tamanho m\u00e9dio necess\u00e1rias nas comunidades pequenas n\u00e3o est\u00e3o em alta demanda em outras partes.<\/p>\n<p>\u201cEm todo o mundo h\u00e1 pouqu\u00edssimas empresas que fabricam as turbinas menores\u2019, disse Chris Rose, do Projeto Alasca de Energias Renov\u00e1veis, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que trabalha para aumentar o uso dessas fontes no Estado. \u201cA menos que haja um mercado maior para esse tipo de turbina, elas sempre ser\u00e3o mais caras por quilowatt instalado\u201d, acrescentou. como resultado, os projetos e\u00f3licos podem custar entre cinco e 10 vezes mais por quilowatt do que projetos maiores constru\u00eddos em locais menos afastados, livres de permafrost, segundo Meera Kholer, a presidente da Avec.<\/p>\n<p>Para complicar mais o aspecto econ\u00f4mico, um subsidio do Estado chamado Equaliza\u00e7\u00e3o de Custos de Energia paga parcialmente os elevados custos da eletricidade rural. Embora o programa tenha ajudado as aldeias a manterem as luzes acesas inclusive em vista do alto pre\u00e7o do diesel, tamb\u00e9m d\u00e1 algum incentivo para investir em programas que possam reduzir os futuros pre\u00e7os da energia. A legisla\u00e7\u00e3o que abre seu caminho atrav\u00e9s da legislatura do Estado pode estabelecer um teto para as escalas econ\u00f4micas, para incorporar mais projetos e\u00f3licos e de outras energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Se for aprovado, o projeto 152 da C\u00e2mara de Representantes criar\u00e1 um fundo de empr\u00e9stimos e subs\u00eddios para energias renov\u00e1veis. Sua aprova\u00e7\u00e3o e um financiamento adequado do programa pode indicar uma nova dire\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas energ\u00e9ticas do Alasca. \u201c\u00c9 um momento emocionante, especialmente no Alasca. \u00c9 rent\u00e1vel, sabemos disso. Tecnicamente, \u00e9 vi\u00e1vel, e est\u00e1 sendo feito. Agora \u00e9 mais uma quest\u00e3o de pol\u00edtica, do que querem fazer como Estado e do que n\u00f3s queremos fazer como na\u00e7\u00e3o\u201d, disse Baring-Gould.<\/p>\n<p> * A autora viveu no Alasca entre novembro de 2004 e junho de 2006, e visitou duas vezes as comunidades da costa ocidental. Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (siglas em ingl\u00eas de Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais).<\/p>\n<p>(IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saint Louis, EUA, 13\/11\/2007 &ndash; Oitocentos quil\u00f4metros a oeste de Anchorage, no Estado norte-americano do Alasca, na costa da ba\u00eda de Kangirlvar, est\u00e1 assentada a comunidade esquim\u00f3 Yup\u2019ik da localidade de Toksook Bay, que concentra 110 resid\u00eancias, uma escola e uma pista de pouso. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/ambiente\/energia-riqueza-eolica-sopra-com-forca-no-alasca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1778,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,10],"tags":[14,21],"class_list":["post-3442","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-energia","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1778"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3442"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3442\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}