{"id":3447,"date":"2007-11-15T17:59:01","date_gmt":"2007-11-15T17:59:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3447"},"modified":"2007-11-15T17:59:01","modified_gmt":"2007-11-15T17:59:01","slug":"economia-cresce-o-intercambio-comercial-entre-brasil-e-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/america-latina\/economia-cresce-o-intercambio-comercial-entre-brasil-e-angola\/","title":{"rendered":"Economia: Cresce o interc\u00e2mbio comercial entre Brasil e Angola"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 15\/11\/2007 &ndash; Cada dia que passa o interc\u00e2mbio entre Brasil e Angola aumenta num ritmo r\u00e1pido. Separados pelo oceano Atl\u00e2ntico, mas unidos por um idioma e uma hist\u00f3ria de s\u00e9culos de colonialismo portugu\u00eas, os dois pa\u00edses decidiram tomar o caminho da coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. <!--more--> O Brasil, com 188 milh\u00f5es de habitantes e 8,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de superf\u00edcie por si s\u00f3 representa pouco mais da metade da Am\u00e9rica do Sul, parece decidido a ocupar o lugar do pequeno Portugal no grupo dos Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa (Palop) no tocante a investimentos.<\/p>\n<p>Em pouco menos de cinco anos de governo, o Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva viajou sete vezes \u00e0 \u00c1frica, superando de longe seus antecessores democr\u00e1ticos, Jos\u00e9 Sarney (1985-1990), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). \u00c1frica do Sul e Nig\u00e9ria s\u00e3o parte das metas do Brasil na \u00c1frica, mas os Palop, grupo formado por Angola, Cabo Verde, Guin\u00e9-bissau, Mo\u00e7ambique e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, se apresenta como uma das grandes prioridades da diplomacia pol\u00edtica e econ\u00f4mica brasileira.<\/p>\n<p>Angola, com 1,25 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados e mais de 13 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 o segundo produtor de petr\u00f3leo da \u00c1frica, depois da Nig\u00e9ria. A destrui\u00e7\u00e3o de quase todos os centros urbanos na luta para ficar independente de Portugal (196101974) e na posterior guerra civil (1975-2002), converte esse pa\u00eds em um vasto campo de oportunidades de neg\u00f3cios. O incremento das rela\u00e7\u00f5es desse pa\u00eds da \u00c1frica ocidental com o Brasil j\u00e1 come\u00e7aram a registrar um volumoso crescimento em 2000, durante o governo do FHC, mas foi a partir de 1\u00ba de janeiro de 2003, quando o Presidente Lula assumiu o poder, que os investimentos dispararam como uma flecha.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empres\u00e1rios e Executivos em Angola (Aebran) indica que as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre os dois pa\u00edses cresceram seis vezes desde 2002, em uma din\u00e2mica que n\u00e3o p\u00e1ra de crescer. Atualmente, de acordo com informa\u00e7\u00e3o da Aebran corroborada pelo Banco do Brasil, Angola \u00e9 o pa\u00eds que recebe o maior financiamento de exporta\u00e7\u00e3o por parte do Brasil. Em um semin\u00e1rio realizado em setembro, por ocasi\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es em Luanda dos 185 anos de independ\u00eancia brasileira de Portugal, o ministro angolano das Finan\u00e7as, Jos\u00e9 Pedro de Morais, informou que o volume de financiamento do Brasil para Angola em 2005 foi de US$ 475 milh\u00f5es e que no ano seguinte aumentou para US$ 750 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es ao seman\u00e1rio luso-africano \u00c1frica 21, o jornalista brasileiro Raimundo Lima, porta-voz da Aebran, disse que \u201cAngola \u00e9 quem mais recebe financiamento do Brasil, j\u00e1 que mais da metade dos recursos do Programa de Financiamento \u00e0s Exporta\u00e7\u00f5es (Proex), administrado pelo BB, foi destinado no ano passado \u00e0 economia angolana\u201d. De fato, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para Angola passaram de US$ 520 milh\u00f5es em 2005 para US$ 836 milh\u00f5es no ano passado, enquanto nos nove primeiros meses desta ano apresentaram crescimento de 14%. Angola \u00e9 o quarto mercado do Brasil na \u00c1frica, segundo dados da chancelaria, atr\u00e1s de \u00c1frica do Sul, Nig\u00e9ria e Egito.<\/p>\n<p>O Brasil exporta para Angola principalmente maquinas, eletrodom\u00e9sticos, autope\u00e7as, tratores, aparelhos de telecomunica\u00e7\u00f5es, elementos destinados \u00e0 ind\u00fastria do petr\u00f3leo e at\u00e9 gasolina refinada, devido \u00e0 falta destas produtoras de combust\u00edvel. Por sua vez Angola vendeu ao Brasil no ano passado um total de US$ 460 milh\u00f5es, em sua quase totalidade correspondentes ao pagamento da fatura por petr\u00f3leo bruto. A presen\u00e7a empresarial brasileira no pa\u00eds tamb\u00e9m registrou um crescimento porcentual semelhante ao do incremento no com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses, o que, segundo a Aebran, vaticina um futuro promissor.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, o estabelecimento de empresas brasileiras em Angola cresceu 70%, na maior parte dedicadas \u00e0s obras p\u00fablicas, venda de materiais de constru\u00e7\u00e3o, desenhos, projetos, imobilizarias e alimentos. Os brasileiros come\u00e7aram a aparecer com for\u00e7a em um pa\u00eds, que, apesar de todos os la\u00e7os hist\u00f3ricos e ling\u00fc\u00edsticos, lhes era praticamente desconhecido at\u00e9 h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada. Os cinco mil brasileiros registrados em Angola trabalham em v\u00e1rias atividades, especialmente em empresas de constru\u00e7\u00e3o, minera\u00e7\u00e3o e ind\u00fastrias agropecu\u00e1rias, n\u00e3o apenas na capital Luanda, mas nas prov\u00edncias de Cabinda, Lunda do Norte e Malanje.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos de uma presen\u00e7a muito limitada de t\u00e9cnicos e profissionais brasileiros nos pa\u00edses Palop, campo ocupado majoritariamente por portugueses, os brasileiros n\u00e3o chegam a substituir os ex-colonizadores, mas os refor\u00e7a, \u201cuma atitude muito bem vista\u201d por Lisboa, segundo o vice-chanceler portugu\u00eas, Jo\u00e3o Gomes Cravinho. \u201cPortugal v\u00ea com enorme satisfa\u00e7\u00e3o o entusiasmo do Brasil pela \u00c1frica, demonstrado v\u00e1rias vezes por Lula, que h\u00e1 algumas semanas fez sua s\u00e9tima visita como chefe de Estado a esse continente\u201d, disse \u00e0 IPS Cravinho, que na condi\u00e7\u00e3o de n\u00famero dois da diplomacia de Portugal ocupa o cargo de secret\u00e1rio de Estado para a Coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta atitude do presidente brasileiro \u201c\u00e9 extraordin\u00e1ria, se considerar-se que assumiu h\u00e1 apenas cinco anos\u201d, acrescentou. Para Portugal, esta escola de pensamento impulsionada pelo Presidente Lula em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica, um continente freq\u00fcentemente ignorado e deixado de lado pela comunidade internacional, \u201c\u00e9 motivo de satisfa\u00e7\u00e3o, porque vemos o Brasil, que nos \u00e9 especialmente pr\u00f3ximo e querido, aproximar-se de um continente que est\u00e1 no centro de nossas preocupa\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de pol\u00edtica externa\u201d.<\/p>\n<p>Outro fato destacado por Cravinho na conversa com a IPS \u00e9 \u201co grande entusiasmo da pol\u00edtica externa brasileira a respeito da Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa\u201d. A CPLP, uma iniciativa do ex-ministro da Cultura do Brasil Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira, \u00e9 formada por Brasil, os Falop e Timor Leste, e tem como observadores as ex-col\u00f4nias portuguesas de Guin\u00e9 Equatorial, depois administrada pela Espanha, e Maur\u00edcio (1505-1638), posteriormente de respectivo dom\u00ednio holand\u00eas, franc\u00eas e ingl\u00eas.<\/p>\n<p>A IPS perguntou a Cravinho se Portugal n\u00e3o sente que seus interesses e sua influ\u00eancia na \u00c1frica est\u00e3o sendo amea\u00e7ados pelo Brasil. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhuma sensa\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o com o Brasil, muito pelo contr\u00e1rio, o que vemos \u00e9 precisamente o oposto: oportunidades que est\u00e3o surgindo nos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa e em particular acreditamos que \u00e9 necess\u00e1rio explorar essas oportunidades atrav\u00e9s da CPLP\u201d, concluiu o vice-chanceler. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 15\/11\/2007 &ndash; Cada dia que passa o interc\u00e2mbio entre Brasil e Angola aumenta num ritmo r\u00e1pido. 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