{"id":3451,"date":"2007-11-16T18:25:50","date_gmt":"2007-11-16T18:25:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3451"},"modified":"2007-11-16T18:25:50","modified_gmt":"2007-11-16T18:25:50","slug":"ambiente-corais-com-os-dias-contados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/mundo\/ambiente-corais-com-os-dias-contados\/","title":{"rendered":"Ambiente: Corais com os dias contados"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 16\/11\/2007 &ndash; Os arrecifes de coral desaparecer\u00e3o em poucas d\u00e9cadas se n\u00e3o se concretizar uma redu\u00e7\u00e3o sem precedentes nas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, segundo alerta feito por cientistas da Universidade Nacional da Austr\u00e1lia. <!--more--> A maior concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono na atmosfera acelera o processo de acidifica\u00e7\u00e3o das \u00e1guas oce\u00e2nicas. \u201cN\u00e3o somente os corais s\u00e3o afetados, mas tamb\u00e9m grande parte do pl\u00e2ncton dos oceanos austrais\u201d, disse Malcolm McCulloch, cientista da universidade que pesquisa quest\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>O pl\u00e2ncton \u00e9 o motor da \u201cprodutividade\u201d do oceano \u201ce se encontra na base da rede alimentar que mant\u00e9m o krill, as baleias, o atum e nossas pescas\u201d, afirmou McCulloch. Tamb\u00e9m tem um importante papel absorvendo carbono da atmosfera e mantendo-o nas profundezas do oceano. Se a redu\u00e7\u00e3o do pl\u00e2ncton tiver uma acelera\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s deixar\u00e1 a \u00e1gua mais \u00e1cida. Recentes pesquisas demonstraram que nos \u00faltimos 50 anos a acidez da \u00e1gua do oceano aumentou em torno de um ter\u00e7o de uma unidade de pH, tr\u00eas mais do que em medi\u00e7\u00f5es anteriores. \u201cEstas s\u00e3o as primeiras pesquisas e a tend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uniforme, mas tudo indica que a acidez da \u00e1gua do oceano aumentou\u201d, acrescentou o cientista australiano.<\/p>\n<p>Os oceanos e a atmosfera est\u00e3o estreitamente ligados. O di\u00f3xido de carbono, emitido por atividades humanas como o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, se combina na \u00e1gua do mar com \u00edons de carbono, formando acido carbono. Este processo foi detectado h\u00e1 apenas tr\u00eas anos, e os cientistas ainda procuram determinar seu impacto global. Ove Hoegh-Guldberg, do Centro para os Estudos Marinhos da Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia, disse \u00e0 IPS que \u201ccom o processo de acidifica\u00e7\u00e3o desaparecem os \u00edons de carbono, cr\u00edticos para a calcifica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios organismos marinhos, inclu\u00eddos os corais\u201d.<\/p>\n<p>Hoegh-Guldberg, McCulloch e mais de 50 cientistas marinhos que participaram de um f\u00f3rum no Centro para a Excel\u00eancia nos Estudos dos Arrecifes de Coral cobraram a\u00e7\u00f5es para que \u201ctodas as sociedades e governos reduzam imediatamente e de maneira substancial as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa\u201d. A maioria dos especialistas em mudan\u00e7a clim\u00e1tica atribui a estes gases, dos quais o principal \u00e9 o di\u00f3xido de carbono, grande parte do aquecimento do planeta. A a\u00e7\u00e3o exigida pelos cientistas \u201c\u00e9 a \u00fanica forma de prevenir um dano maior aos arrecifes de coral\u201d, alertaram.<\/p>\n<p>Na medida em que aumenta a quantidade de di\u00f3xido de carbono na atmosfera, diminuem os \u00edons de carbono, fazendo com que os corais deixem de \u201cconstruir\u201d arrecifes. \u201cSem os arrecifes, se destr\u00f3i o habitat de aproximadamente um milh\u00e3o de esp\u00e9cies\u201d, disse Hoegh-Guldberg. Os arrecifes s\u00e3o os organismos vivos maiores do planeta, facilmente vis\u00edveis desde o espa\u00e7o. Sua import\u00e2ncia biol\u00f3gica e econ\u00f4mica \u00e9 surpreendente. Embora ocupem menos de 1% dos oceanos, constituem o lar ou um recurso vital para 25% a 33% das criaturas marinhas. A Uni\u00e3o Mundial para a Conserva\u00e7\u00e3o os considera vitais para a sobreviv\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Nas na\u00e7\u00f5es insulares com insuficientes terras agr\u00edcolas, a pesca \u00e9 uma fonte primaria de prote\u00ednas e, freq\u00fcentemente, constituem a \u00fanica fonte de renda, disse Simon Donner, que investiga o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. O turismo \u00e0 Grande Barreira de Arrecifes australiana, de dois mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o, representou uma renda de US$ 6 bilh\u00f5es apenas no ano passado. Cerca de 500 milh\u00f5es de pessoas dependem dos arrecifes e s\u00e3o as menos respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es de carbono, disse Donner \u00e0 IPS. A emiss\u00e3o m\u00e9dia por habitante \u00e9 10 vezes menor do que a registrada nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m aquece os oceanos, o que causou a perda de cor dos corais. A temperatura mais alta da \u00e1gua provocou um dano importante na Grande Barreira australiana e aos corais do Caribe em 2005. Os arrecifes poder\u00e3o se recuperar da perda se estiverem s\u00e3os e a temperatura da \u00e1gua diminuir. Por\u00e9m, sua recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel se a concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono na atmosfera chegar a 500 partes por milh\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o restar\u00e3o \u00edons de carbono suficientes nos oceanos para que os corais cres\u00e7am, disse Hoegh-Guldberg. Ao chegarem a esse ponto, se passar\u00e3o de \u201cecossistemas em desenvolvimento a desertos marinhos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio pode ocorrer em algumas d\u00e9cadas com os atuais padr\u00f5es de consumo de carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s, segundo previu este m\u00eas a Ag\u00eancia Internacional de Energia. A AIE calculou que as emiss\u00f5es aumentaram 57% at\u00e9 2030. Quando chegar a esse n\u00edvel, a concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono si situar\u00e1 em um n\u00edvel entre 450 e 500 partes por milh\u00e3o, na opini\u00e3o de alguns especialistas. Superar esse n\u00edvel n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas um convite \u00e0 cat\u00e1strofe, alertou Hoegh-Guldberg. Mas, nem todos concordam.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o creio que 500 ppm seja um limite cr\u00edtico\u201d, disse \u00e0 IPS Ulf Riebesell, do Instituto Leibniz de Ci\u00eancias Marinhas de Kiel, na Alemanha. Pesquisas de Riebesel em fiordes noruegueses publicadas na revista Nature indicam que um n\u00edvel maior de di\u00f3xido de carbono aumenta a quantidade de pl\u00e2ncton nos oceanos e pode melhorar sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s, que fica retido no mundo marinho. Se isso ocorrer em todo o mundo \u00e9 uma boa not\u00edcia, desacelerando o ac\u00famulo de di\u00f3xido de carbono na atmosfera. Por\u00e9m, Riebesell teme a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos pelo aumento desse g\u00e1s em suas profundidades, algo que agora se verifica apenas na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Outro impacto pode ser a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas com escassez de oxig\u00eanio, ou zonas mortas. Com o desaparecimento do pl\u00e2ncton criam-se extensas zonas onde muito pouco pode viver. Isto j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo no Golfo do M\u00e9xico, Biebesell n\u00e3o estudou o impacto nos corais, mas disse que a queda na calcifica\u00e7\u00e3o observada pelos australianos afetara o fitopl\u00e2ncton e sua capacidade para levar carbono \u00e0s \u00e1guas profundas. Por\u00e9m, tudo isto \u00e9 objeto de intenso debate. Tamb\u00e9m pode ocorrer que no momento em que os n\u00edveis de carbono sejam suficientemente altos para evitar a forma\u00e7\u00e3o de arrecifes os corais j\u00e1 tenham morrido devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da temperatura da \u00e1gua do oceano. \u201cSe voc\u00ea for um coral, escolha o veneno que preferir\u201d, disse Donner. \u201cA amea\u00e7a aos arrecifes de coral \u00e9 t\u00e3o grave que inclusive os cientistas mais reticentes est\u00e3o gritando, e alto\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 16\/11\/2007 &ndash; Os arrecifes de coral desaparecer\u00e3o em poucas d\u00e9cadas se n\u00e3o se concretizar uma redu\u00e7\u00e3o sem precedentes nas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, segundo alerta feito por cientistas da Universidade Nacional da Austr\u00e1lia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/mundo\/ambiente-corais-com-os-dias-contados\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[],"class_list":["post-3451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}