{"id":3452,"date":"2007-11-16T18:29:51","date_gmt":"2007-11-16T18:29:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3452"},"modified":"2007-11-16T18:29:51","modified_gmt":"2007-11-16T18:29:51","slug":"petroleo-nova-fronteira-atlantica-desafia-ecologistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/america-latina\/petroleo-nova-fronteira-atlantica-desafia-ecologistas\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo: Nova fronteira atl\u00e2ntica desafia ecologistas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 16\/11\/2007 &ndash; A descoberta de uma enorme jazida de hidrocarbonos a 250 quil\u00f4metros da costa sudeste do Brasil n\u00e3o altera o mercado mundial atual, e sim o panorama futuro, pois abre uma nova fronteira petrol\u00edfera no oceano Atl\u00e2ntico Sul e desestimula a busca por energias limpas. <!--more--> O governo brasileiro e a Petrobras anunciaram no \u00faltimo dia 8 a exist\u00eancia de cinco mil a oito bilh\u00f5es de barris (de 159 litros) de petr\u00f3leo e g\u00e1s em um bloco do campo Tupi, na bacia de Santos, aumentando as reservas nacionais que eram de 13,8 bilh\u00f5es de barris. Trata-se da maior jazida descoberta no Pa\u00eds e a maior do mundo em \u00e1guas profundas.<\/p>\n<p>O mais prometedor da descoberta \u00e9 que faz parte de um conjunto \u2013 formado pelas bacias mar\u00edtimas de Santos, Campos e Esp\u00edrito Santo \u2013 com extens\u00e3o de 800 x 200 quil\u00f4metros, onde o Brasil j\u00e1 extrai a quase totalidade de seu petr\u00f3leo e sobre o qual sabia-se que continha muito mais sob uma camada de sal. Em toda essa \u00e1rea existe \u201cno m\u00ednimo 50 bilh\u00f5es de barris, em uma estimativa conservadora\u201d, disse M\u00e1rcio Mello, que por 26 anos foi pesquisador do centro tecnol\u00f3gico da Petrobras e hoje \u00e9 s\u00f3cio da empresa de consultoria HRT Petroleum e tamb\u00e9m presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ge\u00f3logos do Petr\u00f3leo. O governo fala em 70 bilh\u00f5es de barris nas tr\u00eas bacias e h\u00e1 quem arrisque uma estimativa superior a cem bilh\u00f5es. Assim, o Brasil se aproximaria das reservas de grandes exportadores como Kuwait e Venezuela, embora muito longe da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Do outro lado do oceano, nas costas de Angola, Congo e Nam\u00edbia, tamb\u00e9m h\u00e1 uma quantidade semelhante de petr\u00f3leo, j\u00e1 que a forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica \u00e9 a mesma, pois tem origem na \u201cabertura do oceano Atl\u00e2ntico\u201d que separou os continentes na pr\u00e9-hist\u00f3ria, disse Mello \u00e0 IPS, acrescentando que estuda o assunto \u201ch\u00e1 10 anos\u201d. Existe uma equival\u00eancia entre as reservas da bacia de Campos e Angola, ambos com cerca de nove bilh\u00f5es de barris, e essa correspond\u00eancia se reiteraria entre Nam\u00edbia e a bacia de Santos, lembrou o especialista.<\/p>\n<p>Mas, na \u00c1frica ainda n\u00e3o foi perfurada a camada de sal sob a qual est\u00e3o essas riquezas. No Brasil, a Petrobras fez seu primeiro po\u00e7o em Tupi no ano passado, e comprovou os ind\u00edcios de exist\u00eancia de petr\u00f3leo cuja estimativa, ainda imprecisa, alcan\u00e7ou com a segunda perfura\u00e7\u00e3o conclu\u00edda em julho. A Petrobras encontrou a jazida a seis mil metros abaixo da superf\u00edcie, dos quais dois mil metros s\u00e3o de \u00e1gua e outro tanto de sal, al\u00e9m de rochas e areia, o que dificultou a explora\u00e7\u00e3o e encarecer\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o, sem contar os custos do transporte desde alto mar. Foram esses altos custos que atrasaram a busca, apesar da velha certeza dos ge\u00f3logos sobre a exist\u00eancia de grandes reservas sob a camada de sal.<\/p>\n<p>A bacia de Campos, perto do Rio de Janeiro, \u00e9 a mais produtiva atualmente porque muito petr\u00f3leo \u201catravessou a camada de sal\u201d que ali \u00e9 mais perme\u00e1vel do que nas outras bacias, explicou \u00e0 IPS o ge\u00f3logo Giuseppe Bac\u00f3ccoli, que trabalhou 32 anos na \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o da Petrobras, at\u00e9 1997. Por essa raz\u00e3o deve haver menos hidrocarbonos sob o sal de Campos, ao contr\u00e1rio de Santos e do Esp\u00edrito Santo, acrescentou o agora pesquisador da Coordena\u00e7\u00e3o de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As tr\u00eas bacias \u201cs\u00e3o irm\u00e3s, mas com caracter\u00edsticas distintas\u201d, ressaltou. O petr\u00f3leo e o g\u00e1s s\u00e3o formados pelo tipo de rocha que est\u00e1 sob o sal, a chamada Forma\u00e7\u00e3o Laguna Feia, compartilhada com a \u00c1frica, explicou Mello. Muitos n\u00e3o acreditavam que houvesse tais jazidas, por argumentavam que sob tantos quil\u00f4metros de sedimenta\u00e7\u00e3o a temperatura superaria os 200 graus e \u201cdestruiria tudo, os hidrocarbonos e os equipamentos\u201d, mas o sal \u201c\u00e9 excelente condutor, dissipa o calor, baixando a temperatura a um m\u00e1ximo de cem graus\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A comprova\u00e7\u00e3o das reservas em Tupi estimular\u00e1 os investimentos tamb\u00e9m nas bacias africanas, \u201cpouco exploradas pelas condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d, previu Mello, lamentando que a Petrobras n\u00e3o tenha aceitado a concess\u00e3o de todas as \u00e1guas profundas que Angola lhe oferecia em 1990, agora ocupadas por multinacionais de pa\u00edses ricos. H\u00e1 outras \u00e1reas mar\u00edtimas promissoras, como o sul do Golfo do M\u00e9xico e o litoral da Venezuela, mas todas essas novas fronteiras n\u00e3o ir\u00e3o alterar muito o mercado mundial de petr\u00f3leo, segundo Mello. A alta de pre\u00e7os do setor se deve \u00e0 brecha entre as descobertas e o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o, explicou o ge\u00f3logo.<\/p>\n<p>Tupi, por exemplo, precisar\u00e1 de aproximadamente oito anos para alcan\u00e7ar uma produ\u00e7\u00e3o plena e todas suas reservas apenas atenderiam ao atual consumo mundial por tr\u00eas meses. Descobrir outras jazidas em sua bacia consumir\u00e1 grandes investimentos, tempo e muitas perfura\u00e7\u00f5es dispersas em uma \u00e1rea equivalente a quatro territ\u00f3rios iguais ao da Su\u00ed\u00e7a. Tudo isso, somado ao aumento do consumo interno, impedir\u00e1 que o Brasil se converta em grande exportador. Bac\u00f3ccoli teme uma queda nos investimentos, por causa de uma tend\u00eancia em estatizar estimulada pela descoberta em Tupi. O governo suspendeu um leil\u00e3o de concess\u00f5es de novos blocos na bacia de Santos, alegando necessidade de rever suas condi\u00e7\u00f5es diante da nova realidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, para os ambientalistas aparece \u201cum novo desafio\u201d, porque o s\u00fabito aumento das reservas petrol\u00edferas tende a debilitar o apoio \u00e0s fontes renov\u00e1veis e limpas, disse D\u00e9lcio Rodiruges, especialista em energia da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Vitae Civilis, muito ativa em quest\u00f5es de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A maioria dos cientistas v\u00ea na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o) uma das principais causas da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u00c9 muito prematuro identificar os efeitos que essa nova fronteira atl\u00e2ntica petrol\u00edfera teria nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas no Brasil \u00e9 \u201cpreocupante, porque muda as perspectivas\u201d, disse Rodrigues \u00e0 IPS. O Brasil desenvolveu o \u00e1lcool combust\u00edvel vegetal e outras fontes energ\u00e9ticas n\u00e3o f\u00f3sseis devido \u00e0 crise do petr\u00f3leo na d\u00e9cada de 70, por carecer de reservas e pelo alto pre\u00e7o internacional dos hidrocarbonos, recordou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 16\/11\/2007 &ndash; A descoberta de uma enorme jazida de hidrocarbonos a 250 quil\u00f4metros da costa sudeste do Brasil n\u00e3o altera o mercado mundial atual, e sim o panorama futuro, pois abre uma nova fronteira petrol\u00edfera no oceano Atl\u00e2ntico Sul e desestimula a busca por energias limpas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/america-latina\/petroleo-nova-fronteira-atlantica-desafia-ecologistas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5],"tags":[],"class_list":["post-3452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3452\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}