{"id":3466,"date":"2007-11-23T20:20:10","date_gmt":"2007-11-23T20:20:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3466"},"modified":"2007-11-23T20:20:10","modified_gmt":"2007-11-23T20:20:10","slug":"palestina-lenta-morte-de-um-povoado-palestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/direitos-humanos\/palestina-lenta-morte-de-um-povoado-palestino\/","title":{"rendered":"Palestina: Lenta morte de um povoado palestino"},"content":{"rendered":"<p>Ramal\u00e1, 23\/11\/2007 &ndash; Enquanto os l\u00edderes de Israel e da Palestina se preparam para negociar na pr\u00f3xima semana em Annapolis, nos Estados Unidos, o povoado de Al Walajeh, na Cisjord\u00e2nia, continua sofrendo uma lenta e dolorosa agonia pela demoli\u00e7\u00e3o de casas por parte de for\u00e7as israelenses. <!--more--> Al Walajeh j\u00e1 foi um lugar tranq\u00fcilo, mas cheio de atividade. A quatro quil\u00f4metros de Bel\u00e9m e 8,5 quil\u00f4metros de Jerusal\u00e9m, suas colinas repletas de \u00e1rvores frut\u00edferas e florestas naturais ornadas com uma enorme vegeta\u00e7\u00e3o o faziam um povoado agr\u00edcola por excel\u00eancia. O f\u00e1cil acesso a grandes mercados permitia \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o desfrutar de uma relativa prosperidade. A vida era boa. Hoje, tudo isso mudou.<\/p>\n<p>\u201cA demoli\u00e7\u00e3o de casas \u00e9 algo que ocorre quase semanalmente em Al Walajeh\u201d, disse \u00e0 IPS a integrante do conselho local Sheerin Alaraj. \u201cAs pessoas n\u00e3o t\u00eam para onde ir. H\u00e1 pelo menos tr\u00eas fam\u00edlias vivendo em cada casa, e \u00e0s vezes mais. Algumas fam\u00edlias foram obrigadas a morar em cavernas\u201d, afirmou. Desde o in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o militar em grande escala da Cisjord\u00e2nia, as for\u00e7as israelenses demoliram mais de 12 mil casas palestinas. O povoado de Alaraj, onde vivem cerca de 1.700 palestinos, est\u00e3o sob assedio, mas ela se nega a abandon\u00e1-lo, como o restante de sua comunidade.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o por Israel de um muro ao redor da Cisjord\u00e2nia, al\u00e9m de tomar terras de colonos judeus, dizimou as constru\u00e7\u00f5es os moradores locais, bem como a renda que lhes permitia viver. Hoje, al Walajeh consta de apenas 4,5 quil\u00f4metros quadrados de terras. Isto \u00e9, 22% de seu tamanho original. Em junho de 2004, o Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, ramo judicial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e com sede na cidade holandesa de Haia, determinou que a constru\u00e7\u00e3o do muro \u201ccontraria o direito internacional\u201d.<\/p>\n<p>\u201cIsrael est\u00e1 obrigado a por fim \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e desmantelar o muro\u201d, acrescentou. al\u00e9m disso, \u201cIsrael deve compensar os propriet\u00e1rios de terras confiscadas para construir a barreira e os que forem prejudicados por ela. Todos os Estados est\u00e3o obrigados a desconhecer a situa\u00e7\u00e3o criada e garantir que Israel cumpra o direito internacional\u201d. Israel n\u00e3o aceitou a senten\u00e7a, que carece de car\u00e1ter obrigat\u00f3rio, e continuou construindo o muro que, no final, ter\u00e1 703 quil\u00f4metros ao redor da Cisjord\u00e2nia, com freq\u00fc\u00eancia atravessando \u00e1reas da \u201clinha verde\u201d, fronteira internacionalmente reconhecida, demarcada com a Jord\u00e2nia em 1949. O governo israelense assegurou que sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 impedir atentados suicidas, mas observadores afirmam que pretende anexar tanta terra quanto puder da Cisjord\u00e2nia para os assentamentos judeus em expans\u00e3o.<\/p>\n<p>A terra outrora f\u00e9rtil ao redor de Al Walajeh desapareceu em meio ao concreto de tr\u00eas grandes assentamentos judeus: Gilo, Har-Gilo e Giv\u2019at Yael. As escassas \u00e1rvores que restam s\u00e3o alvo de ataque: o ex\u00e9rcito israelense as derruba para construir um novo peda\u00e7o do muro. Quando as obras conclu\u00edrem, a popula\u00e7\u00e3o de al Walajeh perder\u00e1 acesso a 90% de suas terras agr\u00edcolas. O centro urbano, reduzido a uma \u00e1rea de apenas 2,2 quil\u00f4metros quadrados, ficar\u00e1 completamente cercado pelo muro. Seus moradores ser\u00e3o obrigados a pedir autoriza\u00e7\u00e3o em um posto de controle israelense para entrar e sair de seu pr\u00f3prio povoado. Por\u00e9m, a popula\u00e7\u00e3o se nega a partir.<\/p>\n<p>\u201cOs moradores de al Walajeh s\u00e3o manipulados e intimidados pelo Estado judeu, que lhes prop\u00f5e abandonar voluntarimente o lugar\u201d, diz um estudo conjunto do Instituto de Pesquisas Aplicadas e do Centro de Pesquisas sobre a Terra, ambos com sede em Jerusal\u00e9m. Mas essa pol\u00edtica tem fracassado. Para os moradores que vivem no sitio projetado do muro ou do outro lado, a demoli\u00e7\u00e3o \u00e9 iminente. A casa de Munthar Hamad foi destru\u00edda duas vezes, primeiro em janeiro de 2006 e depois em dezembro. Hoje n\u00e3o tem teto. \u201cHamad investiu 50 mil shekels (US$ 12 mil) para reconstruir sua casa de 120 metros quadrados pela segunda vez. Israel n\u00e3o s\u00f3 o deixou na fal\u00eancia como o converteu, e aos outros cinco membros de sua fam\u00edlia, em pessoas sem-teto\u201d, diz o informe.<\/p>\n<p>\u201cA Quarta conven\u00e7\u00e3o de Genebra pro\u00edbe a destrui\u00e7\u00e3o de propriedade privada por uma pot\u00eancia ocupante, a menos que essa destrui\u00e7\u00e3o esteja legalmente justificada por um imperativo de seguran\u00e7a. Para os 12 mil palestinos que perderam suas casas em demoli\u00e7\u00f5es israelenses \u00e9 dif\u00edcil entender que a seguran\u00e7a de Israel depende de eles ficarem sem teto. Os moradores de al Walajeh em breve se converter\u00e3o em prisioneiros dentro de seu pr\u00f3prio povoado, cercados por assentamentos judeus ao norte, sul e oeste e confinados pelo muro que Israel constr\u00f3i. \u201c\u00c9 como uma condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua para todos aqui, inclusive para os que ainda nem nasceram\u201d, disse Alaraj. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ramal\u00e1, 23\/11\/2007 &ndash; Enquanto os l\u00edderes de Israel e da Palestina se preparam para negociar na pr\u00f3xima semana em Annapolis, nos Estados Unidos, o povoado de Al Walajeh, na Cisjord\u00e2nia, continua sofrendo uma lenta e dolorosa agonia pela demoli\u00e7\u00e3o de casas por parte de for\u00e7as israelenses. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/direitos-humanos\/palestina-lenta-morte-de-um-povoado-palestino\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-3466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3466"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}