{"id":3469,"date":"2007-11-26T18:44:44","date_gmt":"2007-11-26T18:44:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3469"},"modified":"2007-11-26T18:44:44","modified_gmt":"2007-11-26T18:44:44","slug":"ambiente-luzes-e-sombras-de-kyoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/mundo\/ambiente-luzes-e-sombras-de-kyoto\/","title":{"rendered":"Ambiente: Luzes e sombras de Kyoto"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 26\/11\/2007 &ndash; As emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa de 40 pa\u00edses industrializados ficaram perto do teto m\u00e1ximo hist\u00f3rico em 2005, por\u00e9m, ao mesmo tempo v\u00e3o sendo superadas as metas de redu\u00e7\u00e3o do Protocolo de Kyoto, segundo um informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <!--more--> As emiss\u00f5es desses gases, que segundo os cientistas s\u00e3o parcialmente respons\u00e1veis pelo aquecimento global, \u201cdiminu\u00edram entre 1990 e 2000, mas voltaram a aumentar 2,6% entre esse ano e 2005\u201d, disse Yvo de Boer, secret\u00e1rio-executivo da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Estima-se que os pa\u00edses signat\u00e1rios do Protocolo de Kyoto ter\u00e3o reduzido em 11% suas emiss\u00f5es at\u00e9 2012, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990, no caso de seus esfor\u00e7os terem os resultados esperados, destaca o estudo feito pela Conven\u00e7\u00e3o. Isto representaria um \u00eaxito significativo e mais do que duplicaria a meta de 5% adotada na cidade japonesa de Kyoto em 1997. \u201cPara a totalidade dos que assinaram o Protocolo, redu\u00e7\u00f5es de 15% s\u00e3o poss\u00edveis se planejarem e praticarem novas pol\u00edticas\u2019, afirmou De Boer. \u201cMas, n\u00e3o devemos omitir que em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es as emiss\u00f5es continuam aumentando e que devem fazer mais para as controlar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora as medidas adotadas em Kyoto pare\u00e7am um grande sucesso, a causa de grande parte do total das redu\u00e7\u00f5es foi o colapso das economias dos ex-pa\u00edses comunistas da Europa central e oriental. Na Eslov\u00eania, Eslov\u00e1quia, Est\u00f4nia, Hungria, Let\u00f4nia, Litu\u00e2nia, Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Checa, Rom\u00eania e R\u00fassia as emiss\u00f5es ca\u00edram entre 20% e 25% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990. Mas, com o in\u00edcio da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica voltaram a aumentar, o que contribuiu para elevar os n\u00edveis em 2005. Na Alemanha verificou-se uma queda de 19% em rela\u00e7\u00e3o a 1990, em boa parte devido \u00e0 severa recess\u00e3o na ex-Rep\u00fablica Democr\u00e1tica depois da unifica\u00e7\u00e3o. O estudo aponta entre os poucos casos de sucesso a Gr\u00e3-Bretanha (que reduziu em 15% suas emiss\u00f5es), Dinamarca e Su\u00e9cia (cerca de 8% nos dois casos).<\/p>\n<p>Os totais dispararam nos pa\u00edses da Europa meridional que tiveram de enfrentar prolongadas ondas de calor e inc\u00eandios florestais. As emiss\u00f5es aumentaram 53% na Espanha, 43% em Portugal e 26% na Gr\u00e9cia, em rela\u00e7\u00e3o a 1990. o panorama, seguramente, vai piorar quando forem computados os dados referentes a 2006 e 2007, devido ao recorde de inc\u00eandios que ocorreram no ver\u00e3o desses dois anos. Os Estados Unidos contaminaram 16% mais do que em 1990, enquanto o aumento chegou a 25% nos casos de Austr\u00e1lia e Canad\u00e1, o \u00fanico entre esses tr\u00eas pa\u00edses que assinou o Protocolo de Kyoto.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o dos dados ocorre poucos dias antes da confer\u00eancia das partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, da qual o Protocolo de Kyoto \u00e9 parte. A reuni\u00e3o acontecer\u00e1 em Bali, na Indon\u00e9sia, entre 3 de 14 de dezembro. Este encontro, \u00e0s vezes denominado Kyoto II, estabelecer\u00e1 uma estrat\u00e9gia de dois anos para se alcan\u00e7ar um novo acordo internacional de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es para depois de 2012, data em que o Protocolo ficar\u00e1 sem efeito. Esse acordo recebeu numerosas cr\u00edticas, muitas delas alimentadas pelo incessante questionamento da ind\u00fastria do carv\u00e3o e do petr\u00f3leo aos fundamentos cient\u00edficos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os questionamentos incluem acusa\u00e7\u00f5es sobre o potencial do Protocolo de Kyoto para levar suas economias nacionais \u00e0 bancarrota. Mas, seus defensores afirmam que, embora longe de ser perfeito, este documento continua sendo a melhor e \u00fanica ferramenta para limitar as emiss\u00f5es de gases que formam o efeito estufa. \u201cKyoto n\u00e3o produziu rea\u00e7\u00f5es que possam ser demonstradas\u201d, escreveram os economistas brit\u00e2nicos Gwyn Prins e Steve Rayner na revista Natures. O Protocolo \u2013 acrescentaram \u2013 gerou um \u201cmercado global de carbono\u201d, no qual os pa\u00edses ricos que excedem em suas emiss\u00f5es podem compens\u00e1-las investindo em projetos que ajudem a control\u00e1-las nas na\u00e7\u00f5es pobres e comprar certificados de redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o pre\u00e7o \u00e9 muito baixo para estimular quedas significativas ou investimentos em pesquisa e desenvolvimento de fontes alternativas de energia. De fato, segundo Prins e Rayner, \u201chouve desde 1980 uma queda de 40%, em n\u00edvel mundial, nos or\u00e7amentos governamentais para pesquisa e desenvolvimento no setor energ\u00e9tico\u201d. Gasta-se muito mais nessa \u00e1rea no setor militar: US$ 80 bilh\u00f5es por ano somente nos Estados Unidos. Por outro lado, ambos prop\u00f5em um enfoque em que cada pa\u00eds escolha a estrat\u00e9gia que melhor se adapte \u00e0s suas circunstancias para limitar as emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Qualificar os produtos de consumo segundo a contamina\u00e7\u00e3o que sua fabrica\u00e7\u00e3o provoca e destinar fundos para adotar tecnologias mais limpas e torn\u00e1-las mais eficientes s\u00e3o alternativas melhores do que a ado\u00e7\u00e3o de metas abstratas de redu\u00e7\u00e3o, afirmaram. \u201cN\u00e3o temos tempo para come\u00e7ar de novo\u201d, disse Jonathan Pershing, diretor do programa de clima e energia do Instituto de Recursos Mundiais, centro de estudos ambientalistas dos Estados Unidos. Adotar o Protocolo de Kyoto exigiu uma d\u00e9cada de negocia\u00e7\u00f5es. Embora Prins e Rayner reclamassem da comunidade internacional a coragem para se desfazer desse acordo, Pershing considerou que \u201csimplesmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel iniciar um novo processo a partir do zero\u201d.<\/p>\n<p>O presidente do Grupo Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, Rajendra Pachauri, disse que o mundo tem apenas dois ou tr\u00eas anos para chegar a um consenso sobre como reduzir substancialmente as emiss\u00f5es. De acordo com Pershing, o Protocolo de Kyoto est\u00e1 longe de ser o ideal, mas se investiu muito nele. Entretanto, s\u00e3o necess\u00e1rias melhorias e anexos, entre eles incentivos ao investimento em novas tecnologias, acrescentou. \u201cEstamos trabalhando contra o rel\u00f3gio. Temos muito menos tempo do que pensamos\u201d, ressaltou Pershing. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 26\/11\/2007 &ndash; As emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa de 40 pa\u00edses industrializados ficaram perto do teto m\u00e1ximo hist\u00f3rico em 2005, por\u00e9m, ao mesmo tempo v\u00e3o sendo superadas as metas de redu\u00e7\u00e3o do Protocolo de Kyoto, segundo um informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/mundo\/ambiente-luzes-e-sombras-de-kyoto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,4],"tags":[],"class_list":["post-3469","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3469\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}