{"id":3470,"date":"2007-11-26T18:48:58","date_gmt":"2007-11-26T18:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3470"},"modified":"2007-11-26T18:48:58","modified_gmt":"2007-11-26T18:48:58","slug":"america-do-sul-consumidores-perdem-com-o-boom-agricola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/11\/america-latina\/america-do-sul-consumidores-perdem-com-o-boom-agricola\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica do Sul: Consumidores perdem com o boom agr\u00edcola"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 26\/11\/2007 &ndash; Por que aumenta o pre\u00e7o do p\u00e3o, da batata, do tomate, da carne? No agropecu\u00e1rio Cone Sul-americano, muitos atribuem as altas a fatores locais e conjunturais, mas especialistas apontam um fen\u00f4meno maior: a demanda mundial por alimentos, que chegou para ficar. <!--more--> Tradicionalmente baratos em pa\u00edses produtores, alimentos como milho, batata, cebola, carnes ou frutas logo viram um luxo nesta sub-regi\u00e3o. Os varejistas falam em seca, chuva ou geada para explicar o pre\u00e7o alto do tomate ou da alface, mas uma olhada nos mercados revela um processo mais complexo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos diante de um ciclo de atual nos pre\u00e7os de produtos de base agr\u00edcola como h\u00e1 anos n\u00e3o se via, e isso \u00e9 muito bom para pa\u00edses produtores. Resta resolver como os consumidores locais ter\u00e3o acesso aos alimentos\u201d, disse \u00e0 IPS Fernando Vilella, do programa Agroneg\u00f3cios e Alimentos da Universidade de Buenos Aires (estatal). A maior demanda por alimentos na China, \u00cdndia e no sudeste asi\u00e1tico provocou nos \u00faltimos anos uma mudan\u00e7a de tend\u00eancia nos pre\u00e7os internacionais de produtos b\u00e1sicos, que passaram da depress\u00e3o para a alta sustentada. \u201cNa China, melhora a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o e o consumo de carne aumenta um quilo ao ano por habitante\u201d, disse Vilella.<\/p>\n<p>Essa demanda pressiona o milho e a soja, muito usados como ra\u00e7\u00e3o do gado, mas, tamb\u00e9m tem impacto sobre os pre\u00e7os a crescente extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel desses cultivos e da cana-de-a\u00e7\u00facar, e, ainda, o aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que eleva os custos de produ\u00e7\u00e3o, transporte e venda. \u201cS\u00e3o todos fatores combinados que permitem prever que a alta de pre\u00e7os dos alimentos continuar\u00e1\u201d, concluiu o especialista. Para a sub-regi\u00e3o, grande produtora desses produtos, a melhora nos termos do interc\u00e2mbio constitui uma boa not\u00edcia na medida em que s\u00e3o valorizados bens nos quais estes pa\u00edses s\u00e3o competitivos.<\/p>\n<p>Entretanto, os consumidores internos est\u00e3o desprotegidos. Os pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica de alimentos aumentam muito acima do \u00edndice geral e, calvo medidas governamentais defensivas, e tempor\u00e1rias. Segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edsticas e Censos da Argentina \u2013 questionado pela suposta manipula\u00e7\u00e3o de dados oficiais \u2013 neste ano o \u00edndice geral de pre\u00e7os aumentou 6,6% e os alimentos 8%. Mas um estudo da consultoria Equis revela uma dist\u00e2ncia maior. Este instituto segue a evolu\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica de alimentos desde julho, e segundo seus dados nos \u00faltimos quatro meses os pre\u00e7os desse conjunto de produtos, que servem para fixar o limite de indig\u00eancia, aumentaram 30%. Se considerar desde janeiro, a compara\u00e7\u00e3o mostraria uma brecha maior. Nos demais pa\u00edses da sub-regi\u00e3o se repete, com matizes, a tend\u00eancia de alimentos mais caros em rela\u00e7\u00e3o ao resto dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a infla\u00e7\u00e3o de outubro foi de 0,30%. Mas no item cereais, legumes e oleaginosas os pre\u00e7os aumentaram 6,4%, no das frutas 7% e das verduras 5%. As autoridades adotaram diferentes medidas para lidar com o problema. \u201cNa Argentina h\u00e1 reten\u00e7\u00f5es \u2013 imposto sobre exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e cereais \u2013 que permitem que os pre\u00e7os no mercado local sejam, em m\u00e9dia, 30% mais baixos do que no mercado mundial\u201d, explicou Vilella. Esta cobran\u00e7a, que entrou em vigor em 2002, aumentou este m\u00eas entre 5% e 8%.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m negocia pre\u00e7os m\u00e1ximos mediante acordos setoriais, reduz temporariamente tarifas sobre importa\u00e7\u00e3o (por exemplo, da batata), restringe as exporta\u00e7\u00f5es de carne bovina e ap\u00f3ia consumidores organizados no boicote a certos produtos, como o tomate. Neste ano, a Secretaria de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Pesca entregou US$ 187 milh\u00f5es a mais de 30 mil produtores do setor agroalimentar para \u201cmanter sua expans\u00e3o, sem que o consumidor local seja afetado por valores do mercado internacional\u201d, justificou.<\/p>\n<p>Mas outra medida pendente \u00e9 o controle dos oligop\u00f3lios, que costumam ser determinantes na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Desde a crise e a abrupta deprecia\u00e7\u00e3o da moeda em 2002, a infla\u00e7\u00e3o chegou a 99%, mas os pre\u00e7os dos alimentos subiram 136%, e alguns aumentaram mais de 250%. Segundo a Secretaria de Defesa da Competi\u00e7\u00e3o, os 20 produtos da cesta familiar que mais aumentaram s\u00e3o manejados por oligop\u00f3lios que concentram a maior parte do mercado.<\/p>\n<p>No Brasil, Uruguai ou Chile n\u00e3o h\u00e1 impostos sobre exporta\u00e7\u00f5es, mas as moedas nacionais est\u00e3o mais valorizadas frente ao d\u00f3lar do que na Argentina, e o impacto no bolso do consumidor \u00e9 menor. Nos dois primeiros, para manter os pre\u00e7os dos alimentos, as autoridades apelam para a importa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de algum produto, ou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de impostos sobre consumo. No Brasil, se compensa os produtores com cr\u00e9ditos brandos e no Uruguai se estabelece pre\u00e7os de alguns produtos. J\u00e1 nos Chile as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais raras. O certo \u00e9 que a comida \u00e9 mais cara, sobretudo pelo cen\u00e1rio internacional de demanda ascendente e sustentada de produtos agropecu\u00e1rios, ao qual se somam fatores monet\u00e1rios nacionais e de forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno foi batizado pelos entendidos com \u201cagfla\u00e7ao\u201d, um aumento de pre\u00e7os dos alimentos causado pela maior demanda que afeta o consumidor final. A forma de enfrent\u00e1-la, segundo alguns observadores consultados, \u00e9 aumentar a oferta, algo que tem seus limites. Outros acreditam que mesmo assim ser\u00e1 dif\u00edcil conter a situa\u00e7\u00e3o. Se o mercado externo \u00e9 mais atraente, os volumes que os empres\u00e1rios destinar\u00e3o a ele tamb\u00e9m ser\u00e3o maiores, dizem os mais c\u00e9pticos.<\/p>\n<p>Para Federico Ganduglia, pesquisador do Instituto Interamericano de Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura, as principais causas s\u00e3o a maior demanda, os requerimentos adicionais de milho para produzir etanol e o aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. \u201cA demanda de trigo tende a crescer pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cA China passou de exportadora a importadora de trigo, e esse \u00e9 um fator que for\u00e7a para que os pre\u00e7os aumentem\u201d, acrescentou. a nova revolu\u00e7\u00e3o industrial nesse pa\u00eds e na \u00cdndia permite somar milh\u00f5es de trabalhadores ao mercado dos alimentos, ressaltou Ganduglia. Outra quest\u00e3o \u00e9 o impacto dos fundos especulativos que fica mais vol\u00e1til no mercado de alimentos. \u201cA simples expectativa de um aumento faz com que entrem capitais especulativos e surjam bolhas\u201d, alertou. Em definitivo. N\u00e3o existe um fator preponderante, mas todos contribuem para os pre\u00e7os subam, assegurou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 26\/11\/2007 &ndash; Por que aumenta o pre\u00e7o do p\u00e3o, da batata, do tomate, da carne? 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