{"id":3489,"date":"2007-12-03T17:58:21","date_gmt":"2007-12-03T17:58:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3489"},"modified":"2007-12-03T17:58:21","modified_gmt":"2007-12-03T17:58:21","slug":"jornalismo-imprensa-acusada-pelas-tensoes-religiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/12\/mundo\/jornalismo-imprensa-acusada-pelas-tensoes-religiosas\/","title":{"rendered":"Jornalismo: Imprensa acusada pelas tens\u00f5es religiosas"},"content":{"rendered":"<p>Nova Iorque, 03\/12\/2007 &ndash; Entre as causas que explicam os conflitos internacionais costuma-se mencionar a religi\u00e3o, mas h\u00e1 quem desconsideram essa id\u00e9ia, argumentando que \u00e9 fomentada pela imprensa. <!--more--> O primeiro-ministro da Mal\u00e1sia, Abdullah Ahmad Badawi, rebateu na Assembl\u00e9ia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas o argumento de que a religi\u00e3o seja respons\u00e1vel pelas disputas entre na\u00e7\u00f5es. De um ponto de vista pol\u00edtico \u2013 afirmou \u2013 a principal causa dos conflitos entre os pa\u00edses isl\u00e2micos e os ocidentais \u201c\u00e9 o repetido uso da for\u00e7a dos poderosos contra os fracos para garantir objetivos estrat\u00e9gicos ou territoriais\u201d.<\/p>\n<p>Outro argumento para compreender as atuais tens\u00f5es religiosas e culturais \u00e9 a \u201cinsensibilidade\u201d da imprensa e da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica diante dos valores religiosos e culturais quando se trata de informar e documentar fatos, disse o diretor-executivo do Centro de Media\u00e7\u00e3o Interconfessional na Nig\u00e9ria, Muhammad Nurayn Ashafa. Em uma reuni\u00e3o sobre compreens\u00e3o cultural e inter-religiosa no contexto da Assembl\u00e9ia Geral, Nurayn citou um rabino segundo o qual \u201ca religi\u00e3o \u00e9 como uma chama que pode ser usada para aquecer ou incendiar o lar\u201d.<\/p>\n<p>A ONU, cuja Alian\u00e7a das Civiliza\u00e7\u00f5es pretende melhorar a compreens\u00e3o religiosa e cultural entre na\u00e7\u00f5es e povos, admite que \u201co impacto atual da imprensa em nossa percep\u00e7\u00e3o dos outros atingiu um n\u00edvel sem precedentes\u201d. O direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o tamb\u00e9m traz responsabilidades. \u201cA imprensa deve, de todos os modos, tentar difundir uma vis\u00e3o equilibrada de todas as culturas por meio da abordagem estere\u00f3tipos e pr\u00e9-julgamentos e promover a toler\u00e2ncia e a compreens\u00e3o m\u00fatua\u201d, diz um dos documentos-guia do Di\u00e1logo de Civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E a imprensa faz isso? Os meios de comunica\u00e7\u00e3o foram alvo de ataques por serem considerados respons\u00e1veis, com ou sem inten\u00e7\u00e3o, de instigar ou provocar tens\u00f5es religiosas ou \u00e9tnicas em \u00e1reas de conflito ou de emitir julgamentos tendenciosos. Quando do atentado na cidade de Oklahoma, no Estado norte-americano de mesmo nome, em abril de 1995, muito antes dos ataques contra Nova Iorque e Washington em setembro de 2001, os primeiros informes da imprensa atribu\u00edram o fato a \u201corganiza\u00e7\u00f5es terroristas do Oriente M\u00e9dio\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a bomba fora colocada por um norte-americano veterano da Guerra do Golfo (1990-1991). Sua a\u00e7\u00e3o deixou 168 mortos e centenas de feridos. Talvez, a corrida pelo furo jornal\u00edstico leve a apressar um julgamento, afirmou um analista do Oriente M\u00e9dio que mora em Nova Iorque. Ap\u00f3s um atentado cometido h\u00e1 dois anos na Europa, um artigo a respeito dizia: \u201cUma voz entrecortada em ingl\u00eas, com sotaque \u00e1rabe, assumiu a responsabilidade do atentado\u201d.<\/p>\n<p>Outra not\u00edcia sobre uma amea\u00e7a de bomba dizia: \u201cUm homem telefonou para a base a\u00e9rea dos Estados Unidos na Alemanha e fez uma advert\u00eancia. Falava alem\u00e3o, possivelmente com sotaque russo ou turco\u201d. Essas afirma\u00e7\u00f5es, em sua maioria equivocadas, podem ter criado danos irrepar\u00e1veis a comunidades \u00e9tnicas ou religiosas ou, ainda, desatado rea\u00e7\u00f5es violentas, disse o analista. \u201cOs fundamentalismos extremamente polarizados, que podem chamar-se isl\u00e2micos, crist\u00e3os ou judeus, s\u00e3o a verdadeira amea\u00e7a \u00e0 paz e aos direitos humanos\u201d, disse o diretor-executivo do Instituto de Exatid\u00e3o P\u00fablica, Norman Solomon.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as tentativas da imprensa para utilizar a f\u00e9 religiosa para adjetivar a viol\u00eancia costumam ocultar outros interesses al\u00e9m do informativo. Marcam uma dire\u00e7\u00e3o e se afastam de outras, enquanto encobrem a verdade de que os fundamentalismos radicais n\u00e3o s\u00e3o exclusivos de nenhuma religi\u00e3o. \u201cUm padr\u00e3o \u00fanico de direitos humanos nada tem a ver com fechar os olhos para alguns fanatismos mortais enquanto se condena outros\u201d, afirmou Solomon. Mas, a imprensa norte-americana, em geral, n\u00e3o parece interessada em um \u00fanico par\u00e2metro de direitos humanos.<\/p>\n<p>\u201cUm padr\u00e3o desse tipo implicaria n\u00e3o apenas condenar a atrocidade dos suicidas isl\u00e2micos, mas tamb\u00e9m os funcion\u00e1rios israelenses que ordenam ataques que causam a morte de palestinos de todas as idades. Tamb\u00e9m se deveria condenar as altas autoridades do governo dos Estados Unidos que supervisionam tanta perda de vidas humanas no Iraque\u201d, ressaltou Solomon, co-autor de \u201cFontes pouco confi\u00e1veis: um guia para detectar not\u00edcias tendenciosas\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que \u201cchegou a hora de promover a id\u00e9ia de que a diversidade \u00e9 uma virtude, n\u00e3o uma amea\u00e7a\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 tempo de \u201cum di\u00e1logo construtivo e comprometido, um di\u00e1logo entre pessoas, entre comunidades e entre na\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou Ban. Um grupo de l\u00edderes pol\u00edticos de alto n\u00edvel que promove a Alian\u00e7a de Civiliza\u00e7\u00f5es pediu urg\u00eancia aos profissionais da imprensa, em um informe divulgado no ano passado, para que desenvolvam e implementem c\u00f3digos de conduta volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>O estudo cobra programas de capacita\u00e7\u00e3o para ajudar os jornalistas a compreenderem assuntos internacionais importantes, especialmente aqueles onde pol\u00edtica e religi\u00e3o se cruzam. Tamb\u00e9m foi proposto criar um \u201cfundo de risco para atenuar as for\u00e7as do mercado que fomentam a informa\u00e7\u00e3o sensacionalista e estereotipada na imprensa e em outros n\u00edveis culturais\u201d.<\/p>\n<p>Para Solomon, a imprensa deveria evitar campanhas propagand\u00edsticas que na verdade vilipendiam uma religi\u00e3o em particular ao vincul\u00e1-la com as pessoas destrutivas que alegam ser religiosas. O jornalismo, a imprensa independente e a livre circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o podem ajudar a ver a humanidade como uma, mas a propaganda costuma promover a id\u00e9ia da crueldade que caracteriza um grupo \u00e9tnico ou religi\u00e3o em particular. \u201cos freq\u00fcentes golpes jornal\u00edsticos polarizam em lugar de informar e exacerbam em vez de educar\u201d, concluiu o especialista. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Iorque, 03\/12\/2007 &ndash; Entre as causas que explicam os conflitos internacionais costuma-se mencionar a religi\u00e3o, mas h\u00e1 quem desconsideram essa id\u00e9ia, argumentando que \u00e9 fomentada pela imprensa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/12\/mundo\/jornalismo-imprensa-acusada-pelas-tensoes-religiosas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-3489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}