{"id":35,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=35"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"o-segredo-do-modelo-nrdico-discrdia-por-causa-de-patentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-discrdia-por-causa-de-patentes\/","title":{"rendered":"O segredo do modelo n&oacute;rdico: Disc&oacute;rdia por causa de patentes"},"content":{"rendered":"<p>BOGOT&Aacute;, 20\/01\/2005 &ndash; O acesso aos recursos gen&eacute;ticos na regi&atilde;o andina, que abriga a quarta parte da biodiversidade do planeta, &eacute; um ponto de disc&oacute;rdia no tratado de livre com&eacute;rcio que os Estados Unidos negociam desde maio com Col&ocirc;mbia, Equador e Peru. A proposta norte-americana estabelece livre acesso para patentear plantas e animais, aos quais designa como &quot;inventos&quot; no cap&iacute;tulo sobre propriedade intelectual do rascunho do tratado, norma que contraria a legisla&ccedil;&atilde;o da Comunidade Andina de Na&ccedil;&otilde;es (CAN). Integrada pelos tr&ecirc;s pa&iacute;ses que negociam o tratado junto com a Bol&iacute;via (observadora no processo) e Venezuela, a CAN pro&iacute;be expressamente patentear seres vivos, salvo microorganismos, desde 1998. <br \/> <!--more--> <br \/> Propriedade intelectual e agricultura s&atilde;o as duas &aacute;reas nas quais, ap&oacute;s cinco rodadas de negocia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; aproxima&ccedil;&atilde;o entre as partes. Os dois temas ser&atilde;o abordados na sexta rodada, prevista para acontecer entre 29 de novembro e 4 de dezembro, na cidade norte-americana de Tucson, disse ao Terram&eacute;rica Hernando Jos&eacute; G&oacute;mez, negociador-chefe colombiano. As normas nos pa&iacute;ses da CAN, que somam 4,7 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados, estabelecem que a biodiversidade &eacute; patrim&ocirc;nio nacional e regional, e reconhecem o saber tradicional associado ao uso de recursos gen&eacute;ticos. Al&eacute;m disso, h&aacute; o Conv&ecirc;nio de 1991 da Uni&atilde;o para a Prote&ccedil;&atilde;o das Obten&ccedil;&otilde;es Vegetais, que estabelece um contexto de propriedade intelectual de variedades de plantas muito semelhante &agrave;s patentes, e reconhece direitos de cientistas e agricultores.<\/p>\n<p> Uma fonte da equipe negociadora colombiana disse ao Terram&eacute;rica que tem instru&ccedil;&otilde;es de &quot;n&atilde;o contrariar a norma andina&quot; e que os representantes de seu pa&iacute;s, do Equador e do Peru trabalham em harmonia. Al&eacute;m disso, G&oacute;mez recordou que as tr&ecirc;s delega&ccedil;&otilde;es contam com apoio dos outros membros da CAN. &quot;Noventa e nove por cento dos textos andinos j&aacute; est&atilde;o sobre a mesa&quot;, acrescentou. Por&eacute;m, a proposta norte-americana de patentear plantas e animais gerou preocupa&ccedil;&atilde;o em amplos setores da comunidade andina. <\/p>\n<p> O tratado &quot;realmente &eacute; um neg&oacute;cio de patentes. Os Estados Unidos querem, por assim dizer, impor que todos os pa&iacute;ses adotem tratados sobre as patentes. E esse &eacute; um dos grandes problemas na quest&atilde;o da biodiversidade&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Manuel Rodr&iacute;guez, ex-ministro colombiano de Meio Ambiente. &quot;Muitas coisas relacionadas com o acesso a recursos gen&eacute;ticos t&ecirc;m a ver com as patentes. Por exemplo, os Estados Unidos n&atilde;o reconhecem, nem v&atilde;o reconhecer, o conhecimento tradicional. Isso, tampouco, ser&aacute; resolvido pelo tratado, e algu&eacute;m pode supor que encontrar&atilde;o a forma de adiar (o tema) e levar adiante o acordo&quot;, acrescentou. <\/p>\n<p> Washington conseguiu que as negocia&ccedil;&otilde;es sejam secretas, e sua proposta n&atilde;o &eacute; de dom&iacute;nio p&uacute;blico, como tampouco o &eacute; a dos andinos, embora parlamentares e pesquisadores de universidades possam ver, na sede do Minist&eacute;rio de Com&eacute;rcio, Ind&uacute;stria e Turismo colombiano, os dois textos em um terminal de computador, sem possibilidades de c&oacute;pia e com a assinatura pr&eacute;via de um compromisso de &quot;confidencialidade&quot;. <\/p>\n<p> Funcion&aacute;rios desse Minist&eacute;rio indicaram que os jornalistas n&atilde;o t&ecirc;m acesso a esse terminal, mas o Terram&eacute;rica p&ocirc;de ler a proposta andina sobre propriedade intelectual, sob a condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o fazer anota&ccedil;&otilde;es. Em geral, essa proposta interpreta a norma da CAN sobre o assunto. &quot;N&atilde;o pode ser de outra forma. A norma andina se aplica de maneira prevalente&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Luis &Aacute;ngel Madrid, funcion&aacute;rio do Minist&eacute;rio e negociador porta-voz na mesa sobre propriedade intelectual. <\/p>\n<p> No entanto, Margarita Fl&oacute;rez, advogada ambientalista do Instituto Latino-Americano de Servi&ccedil;os Legais Alternativos, com sede em Bogot&aacute;, discorda de Madrid. &quot;Os norte-americanos querem que se permita patentear plantas e animais&quot; e prevalecer&aacute; &quot;o tratado bilateral, que ser&aacute; mais espec&iacute;fico e posterior (&agrave; norma andina)&quot;, disse Fl&oacute;rez. &quot;Os tratados s&atilde;o assinados para serem cumpridos, e os Estados Unidos t&ecirc;m muit&iacute;ssimas maneiras de faz&ecirc;-los cumprir&quot;, acrescentou. &quot;O que se define nestes tratados n&atilde;o &eacute; o livre com&eacute;rcio. Os produtos est&atilde;o sem tarifa alfandeg&aacute;ria h&aacute; mil anos. O problema &eacute; o direito do investidor, defendido com unhas e dentes&quot; na proposta norte-americana, alegou. <\/p>\n<p> O ex-ministro equatoriano do Meio Ambiente, Edgar Isch, concorda, ao assinalar que as leis do com&eacute;rcio internacional tendem a se sobrepor &agrave;s normas sobre meio ambiente nacionais e multilaterais. Para a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, suas normas est&atilde;o &quot;acima&quot; dos acordos internacionais sobre meio ambiente, acrescentou. Nos Estados Unidos, segundo o ex-ministro, &quot;a administra&ccedil;&atilde;o Bush reduziu ou eliminou cerca de 200 normas ambientais, em muitos casos para favorecer o livre com&eacute;rcio&quot;. Entretanto, afirmou que o tratado andino &quot;n&atilde;o &eacute; inevit&aacute;vel e, tal como est&atilde;o as coisas, n&atilde;o &eacute; o melhor caminho para o desenvolvimento&quot;. <\/p>\n<p> O acordo poderia estar pronto em fevereiro e entrar em vigor em 2006, se for aprovado pelos parlamentos dos quatro pa&iacute;ses. Por&eacute;m, os opositores ao tratado nas na&ccedil;&otilde;es andinas pediram, no m&iacute;nimo, a suspens&atilde;o das negocia&ccedil;&otilde;es e a divulga&ccedil;&atilde;o das propostas. Na Col&ocirc;mbia, por exemplo, o movimento ind&iacute;gena prop&ocirc;s um referendo contra o tratado. <\/p>\n<p> *A autora &eacute; colaboradora da IPS. <\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BOGOT&Aacute;, 20\/01\/2005 &ndash; O acesso aos recursos gen&eacute;ticos na regi&atilde;o andina, que abriga a quarta parte da biodiversidade do planeta, &eacute; um ponto de disc&oacute;rdia no tratado de livre com&eacute;rcio que os Estados Unidos negociam desde maio com Col&ocirc;mbia, Equador e Peru. A proposta norte-americana estabelece livre acesso para patentear plantas e animais, aos quais designa como &quot;inventos&quot; no cap&iacute;tulo sobre propriedade intelectual do rascunho do tratado, norma que contraria a legisla&ccedil;&atilde;o da Comunidade Andina de Na&ccedil;&otilde;es (CAN). Integrada pelos tr&ecirc;s pa&iacute;ses que negociam o tratado junto com a Bol&iacute;via (observadora no processo) e Venezuela, a CAN pro&iacute;be expressamente patentear seres vivos, salvo microorganismos, desde 1998. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-discrdia-por-causa-de-patentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-35","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}