{"id":3539,"date":"2007-12-20T16:51:40","date_gmt":"2007-12-20T16:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3539"},"modified":"2007-12-20T16:51:40","modified_gmt":"2007-12-20T16:51:40","slug":"jornalismo-ano-mortal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/12\/mundo\/jornalismo-ano-mortal\/","title":{"rendered":"Jornalismo: Ano mortal"},"content":{"rendered":"<p>Nova Iorque, 20\/12\/2007 &ndash; Este ano que termina foi um dos mais tr\u00e1gicos para os jornalistas do mundo desde 1994, segundo o \u00faltimo informe divulgado pelo Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas. <!--more--> Em seu balan\u00e7o de 2007 sobre o estado da liberdade de imprensa no mundo, a organiza\u00e7\u00e3o revelou que morreram 64 jornalista no exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o. No ano passado foram 56. Os pesquisadores do CPJ, que ainda estudam outros 22 casos para determinar se as mortes est\u00e3o relacionadas com o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, qualificaram de \u201cextremamente incomum\u201d a quantidade de v\u00edtimas mortas este ano.<\/p>\n<p>O pior ano foi 1994, quando morreram 66 jornalistas, segundo esta organiza\u00e7\u00e3o com sede em Nova Iorque. A maioria dos que morreram nesse ano trabalhavam em zonas de conflito como Arg\u00e9lia, B\u00f3snia e Ruanda. O Iraque \u201c\u00e9 o pa\u00eds com mais jornalistas mortos\u201d em 2007, pelo quinto ano consecutivo, segundo o informe. As 31 mortes representam quase a metade do total de v\u00edtimas mundiais de 2007. Muitos dos jornalistas que morreram no Iraque, incluindo Salih Aldin, do jornal The Washington Post, assassinado com um tiro na cabe\u00e7a em Bagd\u00e1, foram o objetivo direto dos ataques.<\/p>\n<p>O estudo, divulgado esta semana, indica que em 24 casos se tratou, pura e simplesmente, de assassinato. Homens armados n\u00e3o identificados, suicidas e atividades militares dos Estados Unidos sup\u00f5em graves riscos para o trabalho jornal\u00edstico. Os 31 profissionais que morreram no Iraque, exceto um, eram iraquianos que trabalhavam para a imprensa local. Nove deles colaboravam com organiza\u00e7\u00f5es internacionais como The New York Times, ABC News, Reuters e Associated Press.<\/p>\n<p>O n\u00famero de v\u00edtimas no Iraque em 2007 \u00e9 \u201cconsistente\u201d com o do ano anterior, quando morreram 32 jornalistas, segundo o CPJ. \u201cSer jornalista no Iraque continua sendo uma das atividades mais perigosas do mundo\u201d, assegurou o diretor-executivo do CPJ, Joel Simon. \u201cTrabalhadores da imprensa s\u00e3o perseguidos e assassinados com alarmante regularidade. S\u00e3o seq\u00fcestrados na ponta de pistola e depois aparecem mortos ou s\u00e3o assassinados no ato\u201d, acrescentou. \u201cQuase sempre os que morrem s\u00e3o iraquianos. Muitos trabalhavam para ag\u00eancias de not\u00edcias internacionais. Estes jornalistas deram sua vida para que todos nos estiv\u00e9ssemos informados do que ocorria no Iraque\u201d, disse Simon.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m perderam a vida nesse pa\u00eds 12 assistentes do trabalho jornal\u00edstico, como seguran\u00e7as e motoristas. Desde o come\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana, em mar\u00e7o de 2003, morreram mais de 120 jornalistas e quase 50 assistentes, o que o converte este conflito no mais mortal para a profiss\u00e3o na hist\u00f3ria recente. Mais de um ter\u00e7o dos que morreram nesse per\u00edodo trabalhavam para empresas de not\u00edcias internacionais.<\/p>\n<p>A Som\u00e1lia figura no informe como o segundo pa\u00eds mais tr\u00e1gico para a profiss\u00e3o em 2007. Sete jornalistas perderam a vida nesse pa\u00eds africano. \u201cA horrorosa viol\u00eancia no Iraque ofuscou o cada vez mais deteriorado ambiente jornal\u00edstico da Som\u00e1lia\u201d, disse Simon. \u201cOs profissionais que informam a partir desse pa\u00eds enfrentam grandes riscos diariamente\u201d. Entre os sete mortos na Som\u00e1lia figura Mahad Ahmed Elmi, diretor da radio Capital Voice, em Mogad\u00edscio, que recebeu quatro tiros na cabe\u00e7a. Horas depois desse assassinato, uma mina terrestre tirou a vida de Ali Iman Sharmarke, um dos propriet\u00e1rios do HornAfrik, ao sair do funeral de Elmi. As mortes na \u00c1frica aumentaram de duas, em 2006, para 10, este ano, segundo o CPJ. Em 2007, dois jornalistas foram assassinados na Eritr\u00e9ia e um no Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Apesar do l\u00fagubre panorama, os pesquisadores revelaram alguns avan\u00e7os positivos este ano. Pela primeira vez em mais de 15 anos, n\u00e3o morreu nenhum jornalista na Col\u00f4mbia. Tamb\u00e9m pela primeira vez desde 1999, n\u00e3o houve assassinato de jornalista no cumprimento de seu dever nas Filipinas.<\/p>\n<p>O assassinato continua sendo a principal causa de morte dos jornalistas. Sete das 10 mortes ocorridas este ano foram por essa causa. O resto aconteceu devido a combates ou miss\u00f5es perigosas.<\/p>\n<p>O CPJ lan\u00e7ou no m\u00eas passado uma campanha mundial contra a impunidade dos assassinos de jornalistas. A iniciativa se concentra nas Filipinas e na R\u00fassia, dois dos pa\u00edses mais perigosos para exercer a profiss\u00e3o nos \u00faltimos 15 anos. Este ano houve condena\u00e7\u00f5es nos dois pa\u00edses, mas 90% dos casos continuam impunes. \u201cAssassinatos n\u00e3o esclarecidos difundem temor e autocensura e paralisam o trabalho jornal\u00edstico. Devemos romper o ciclo levando os assassinos \u00e0 justi\u00e7a\u201d, disse Simon.<\/p>\n<p>Em todas as partes os jornalistas que realizam um trabalho cr\u00edtico ou cobrem assuntos sens\u00edveis foram silenciados, afirmou Simon, lembrando que no Paquist\u00e3o e Sri Lanka morreram cinco jornalistas pelo exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. No Paquist\u00e3o, Muhammad Ariuf, da ARY One World TV, e outros dois jornalistas perderam a vida em atentados suicidas. No Sri Lanka, avi\u00f5es de combate da for\u00e7a a\u00e9rea bombardearam a radio Voz dos Tigres, e mataram tr\u00eas funcion\u00e1rios. Nos Estados Unidos, homens armados com o rosto coberto mataram o chefe de reda\u00e7\u00e3o do jornal The Oakland Post, Chauncey Bailey, quando ia para o trabalho, o que foi qualificado de \u201cassassinato\u201d pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo viram pela televis\u00e3o o assassinato do fot\u00f3grafo japon\u00eas Kenji Nagai cometido por soldados do ex\u00e9rcito birman\u00eas quando reprimiam manifesta\u00e7\u00f5es opositoras na cidade de Rangun. N\u00e3o houve tentativas para levar os respons\u00e1veis \u00e0 justi\u00e7a. Tamb\u00e9m figura no documento o assassinato do editor turco-arm\u00eanio Hrant Dink, fora dos escrit\u00f3rios do jornal em Istambul, que golpeou a imprensa turca e a comunidade internacional.<\/p>\n<p>No Quiguist\u00e3o, o jornalista uzbeco independente Alisher Saipov recebeu um tiro a queima-roupa. No Peru, o popular comentarista de radio Miguel P\u00e9rez Julca morreu ap\u00f3s receber v\u00e1rios disparos diante de sua fam\u00edlia. O Nepal, os territ\u00f3rios ocupados da Palestina, Haiti, Honduras e R\u00fassia tamb\u00e9m integram a lista de pa\u00edses onde este ano morreram jornalistas. Cinco profissionais constam como desaparecidos, tr\u00eas deles nomexico. Ao destaca que cada vez mais assistentes de jornalistas correm perigo, o CPJ elaborou uma lista onde figuram os falecidos: este ano foram 20, entre tradutores, seguran\u00e7as e motoristas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Iorque, 20\/12\/2007 &ndash; Este ano que termina foi um dos mais tr\u00e1gicos para os jornalistas do mundo desde 1994, segundo o \u00faltimo informe divulgado pelo Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/12\/mundo\/jornalismo-ano-mortal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[16],"class_list":["post-3539","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3539"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3539\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}