{"id":3545,"date":"2007-12-21T18:46:46","date_gmt":"2007-12-21T18:46:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3545"},"modified":"2007-12-21T18:46:46","modified_gmt":"2007-12-21T18:46:46","slug":"ambiente-mexico-milho-transgenico-bate-a-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/12\/america-latina\/ambiente-mexico-milho-transgenico-bate-a-porta\/","title":{"rendered":"Ambiente-M\u00e9xico: Milho transg\u00eanico bate \u00e0 porta"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 21\/12\/2007 &ndash; No pr\u00f3ximo ano ser\u00e3o feitas as primeiras semeaduras experimentais de milho geneticamente modificado no M\u00e9xico, anunciou um funcion\u00e1rio do governo. A not\u00edcia deixou em alerta organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e de camponeses, que ainda t\u00eam a esperan\u00e7a de que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. <!--more--> O pa\u00eds sofrer\u00e1 um duro golpe cultural, ambiental e econ\u00f4mico se for permitido o cultivo de esp\u00e9cies sint\u00e9ticas, afirmam os opositores. Na margem contr\u00e1ria, as empresas que vendem transg\u00eanicos e alguns cientistas afirmam que n\u00e3o se deveria temer a experimenta\u00e7\u00e3o e confiam que esta demonstrar\u00e1 o lado bom da tecnologia.<\/p>\n<p>O coordenador de Assuntos Internacionais do Minist\u00e9rio da Agricultura, Victor Villalobos, informou a jornalistas locais que as autoriza\u00e7\u00f5es est\u00e3o prontas. Al\u00e9m disso, a IPS soube que entre as empresas promotoras dos transg\u00eanicos existe a certeza de que finalmente ser\u00e3o aceitos seus pedidos de experimento, j\u00e1 rejeitados em tr\u00eas ocasi\u00f5es nos \u00faltimos dois anos. Silvia Ribeiro, porta-voz na Am\u00e9rica Latina da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Action Group on Erosion, Technology and Concentration (Grupo de A\u00e7\u00e3o sobre Eros\u00e3o, Tecnologia e Concentra\u00e7\u00e3o), disse \u00e0 IPS que no caso de se concretizar a planta\u00e7\u00e3o as autoridades enfrentar\u00e3o uma \u201cresist\u00eancia social enorme\u201d. Disse, tamb\u00e9m, que os opositores a essa pr\u00e1tica ainda t\u00eam a esperan\u00e7a de que as autoriza\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam concedidas.<\/p>\n<p>Villalobos, que n\u00e3o esconde sua simpatia pela produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com transg\u00eanicos, j\u00e1 informou no passado que o milho com genes modificados ser\u00e1 plantado muito em breve no M\u00e9xico, mas isso nunca aconteceu, recordou a ativista. \u201cO governo n\u00e3o convocou nenhum di\u00e1logo sobre o assunto\u201d, disse Ribeiro. Entretanto, \u201cpode acontecer que finalmente imponha os transg\u00eanicos, pois sabemos que simpatizam com eles, o que seria terr\u00edvel para o M\u00e9xico\u201d, disse a porta-voz, cuja ONG tem sede no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>A possibilidade de plantar milho transg\u00eanico no M\u00e9xico, mesmo de modo experimental, deixa de cabelo em p\u00e9 os opositores a essa tecnologia. \u00c9 que neste pa\u00eds o milho tem elevado consumo e um peso cultural enorme, pois foi aqui que foi domesticado h\u00e1 nove mil anos. o M\u00e9xico tem uma produ\u00e7\u00e3o anual de 19 milh\u00f5es de toneladas de milhos em uma \u00e1rea de 8,5 milh\u00f5es de hectares. Mais de tr\u00eas milh\u00f5es de camponeses locais, em sua maioria pobres, se dedicam a esse cultivo com sementes criollas ou melhoradas atrav\u00e9s de m\u00e9todos distantes da manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica direta, que \u00e9 pr\u00f3pria dos transg\u00eanicos.<\/p>\n<p>O vizinho dos Estados Unidos, onde se cultiva milho transg\u00eanico e tamb\u00e9m o tradicional, as planta\u00e7\u00f5es desse gr\u00e3o ocupam 32 milh\u00f5es de hectares e sua produ\u00e7\u00e3o supera os 30 milh\u00f5es de toneladas. O M\u00e9xico compra desse pa\u00eds quantidades enormes para suprir seu d\u00e9ficit. Nessas compras, grupos ambientalistas denunciam que tamb\u00e9m chega o milho transg\u00eanico e que as autoridades nada fazem para evit\u00e1-lo. Em 2001 se descobriu em v\u00e1rios Estados mexicanos planta\u00e7\u00f5es com rastros de milho transg\u00eanico, apesar de o cultivo dessa esp\u00e9cie estar expressamente proibido por lei. A tese dos cientistas e de que os camponeses o cultivaram por acidente.<\/p>\n<p>A descoberta gerou um agitado debate entre ativistas e cientistas, pois n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia nem estudos concludentes indicando qual seria o efeito dos transg\u00eanicos em um ambiente rico em biodiversidade como o mexicano. Al\u00e9m disso, os ativistas denunciam que as multinacionais submetem os agricultores a um tipo de escravid\u00e3o, pois os obriga por contrato a apenas cultivarem suas sementes originais e os proibi de retirar novas sementes das colheitas que fazem. Para os agricultores mexicanos mais pobres esse tipo de acordo \u00e9 estranho, pois est\u00e3o acostumados a obter sementes de suas colheitas e inclusive troc\u00e1-las com seus vizinhos.<\/p>\n<p>A transnacional Monsanto, que domina amplamente o mercado mundial de sementes transg\u00eanicas, luta h\u00e1 v\u00e1rios anos para poder pelo menos experimentar no M\u00e9xico seu milho sint\u00e9tico, o que estaria prestes a acontece pelas declara\u00e7\u00f5es do coordenador de Assuntos Internacionais do Minist\u00e9rio da Agricultura. Na medida em que se gera informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica h\u00e1 possibilidade de demonstrar que o milho transg\u00eanico \u00e9 mais produtivo que o tradicional e que n\u00e3o representa nenhum perigo para o meio ambiente, afirma a Monsanto, que h\u00e1 v\u00e1rios anos vende no M\u00e9xico fertilizantes e sementes tradicionais. Silvia Ribeiro denunciou que o experimento que se pretende realizar no M\u00e9xico com milhos transg\u00eanico n\u00e3o ter\u00e1 resultados \u00fateis. \u201cSe cultivar\u00e1 em ambientes fechados, por isso n\u00e3o oferecer\u00e1 dados que indiquem seu impacto no meio ambiente real\u201d, explicou. \u201cMultinacionais como a Monsanto apenas querem justificar suas demandas e impor o milho transg\u00eanico ao M\u00e9xico a qualquer pre\u00e7o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ativistas sociais e camponeses alegam que os transg\u00eanicos s\u00e3o perigosos para a sa\u00fade e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o das transnacionais, por\u00e9m, estas respondem que suas sementes j\u00e1 s\u00e3o plantadas em milh\u00f5es de hectares no mundo seu causar problemas e que seu interesse n\u00e3o \u00e9 escravizar ningu\u00e9m. O cientista mexicano Luis Herrera, considerado um dos pa\u00eds da biogen\u00e9tica, afirma que, apesar de todo o debate em curso, a introdu\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos \u00e9 irrevers\u00edvel no mundo e no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es de agricultores do norte do M\u00e9xico, que re\u00fanem os camponeses de maiores recursos econ\u00f4micos do pa\u00eds, cobram do governo de Felipe Calder\u00f3n a aprova\u00e7\u00e3o do uso de transg\u00eanicos rapidamente, pois entendem que isso permitir\u00e1 produzir mais e adapt\u00e1-lo a diversas condi\u00e7\u00f5es de cultivo. Segundo as tradi\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hisp\u00e2nicas, o milho foi usado pelos deuses para fazer o primeiro homem na Terra. Agora, seu parente sa\u00eddo dos laborat\u00f3rios, o transg\u00eanico, chegar\u00e1 com autoriza\u00e7\u00e3o oficial ao M\u00e9xico, a terra que domesticou este gr\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 21\/12\/2007 &ndash; No pr\u00f3ximo ano ser\u00e3o feitas as primeiras semeaduras experimentais de milho geneticamente modificado no M\u00e9xico, anunciou um funcion\u00e1rio do governo. 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