{"id":3559,"date":"2008-01-08T17:15:15","date_gmt":"2008-01-08T17:15:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3559"},"modified":"2008-01-08T17:15:15","modified_gmt":"2008-01-08T17:15:15","slug":"ambiente-sudao-construcoes-no-podem-afetar-o-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/africa\/ambiente-sudao-construcoes-no-podem-afetar-o-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"Ambiente-Sud\u00e3o: Constru\u00e7\u00f5es no podem afetar o meio ambiente"},"content":{"rendered":"<p>Cartum, 08\/01\/2008 &ndash; Um auge da constru\u00e7\u00e3o, alimentado pelo petr\u00f3leo, d\u00e1 \u00e0 capital do Sud\u00e3o um aspecto mais brilhante do que nunca. Mas, alguns temem que isto tenha um custo ambiental. <!--more--> \u201cA ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando o uso da terra. Est\u00e3o cortando as \u00e1reas verdes em Cartum e criando zonas residenciais. N\u00e3o h\u00e1 muito planejamento, e j\u00e1 est\u00e1 havendo um impacto negativo na qualidade da \u00e1gua e do solo. O perigo a longo prazo \u00e9 que isto leve a uma escassez h\u00eddrica e a outros impactos s\u00f3cio-econ\u00f4micos e sanit\u00e1rios\u201d, disse Mohamad Elmuntasir Ahmed, professor na Faculdade de Engenharia e Arquitetura na Universidade de Cartum. Na falta de par\u00e2metros que regulem quais produtos da constru\u00e7\u00e3o podem ser importados, alguns construtores utilizam materiais perigosos, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cEstes materiais introduzir\u00e3o subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que podem prejudicar o meio ambiente e a sa\u00fade dos moradores. Descobrimos que os retardadores de chama usados na constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o fonte de toxinas que podem ser transmitidas \u00e0s crian\u00e7as atrav\u00e9s do leite materno. Tamb\u00e9m podem causar c\u00e2ncer. A atmosfera tamb\u00e9m \u00e9 afetada por estes produtos qu\u00edmicos\u201d, continuou Ahmed. Al\u00e9m disso, \u201cas tend\u00eancias da constru\u00e7\u00e3o atualmente permitem que haja muito espa\u00e7o entre os edif\u00edcios. Se estes fossem constru\u00eddos a menor dist\u00e2ncia entre um e outro poderiam conservar melhor o ar fresco. Mas isso n\u00e3o acontece, o que significa que precisamos de mais eletricidade para manter em funcionamento o ar-condicionado. Isso tamb\u00e9m cria mais contamina\u00e7\u00e3o\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p>Ahmed tamb\u00e9m \u00e9 conselheiro da organiza\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia ambiental da universidade e trabalhou em estudos de v\u00e1rios projetos da constru\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o, desde f\u00e1bricas at\u00e9 embaixadas. Com estes pontos de vista concorda Sharaf Bannaga, propriet\u00e1rio da Bannag Consulting que tamb\u00e9m trabalhou no departamento de empresas p\u00fablicas do Estado de Cartum entre 1989 e 2001. \u201cOs construtores t\u00eam a liberdade de fazer o que querem. O governo administra tudo. Uma vez que se tem sua aprova\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m mais se importa, e ningu\u00e9m est\u00e1 supervisionando o governo\u201d, ressaltou Bannaga.<\/p>\n<p>Ahmed concorda que \u00e9 preciso melhorar o controle do governo sobre a constru\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 um abismo entre a legisla\u00e7\u00e3o e o monitoramento dos projetos. Tamb\u00e9m temos uma legisla\u00e7\u00e3o antiquada. Necessitamos de uma nova que possa ser aplicada e se fazer cumprir\u201d. Mas, disse que \u00e9 preciso lembrar que o manejo ambiental ainda est\u00e1 em sua fase inicial neste pa\u00eds. \u201cO Minist\u00e9rio de Meio Ambiente do Sud\u00e3o foi criado apenas em 1995. N\u00e3o teve muito tempo, mas trabalha duramente. Precisa de mais tempo para estabelecer e fazer cumprir um sistema completo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Bannaga destacou que a falta de considera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o \u00e9 parte de uma tend\u00eancia mais ampla com rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente em um pa\u00eds que lida com uma extensa pobreza, como atestam as favelas de Cartum. \u201cTemos dificuldades para tratar a \u00e1gua e os res\u00edduos l\u00edquidos. A maioria dos lares t\u00eam seus pr\u00f3prios meios para verter dejetos l\u00edquidos no solo e na \u00e1gua subterr\u00e2nea. N\u00e3o h\u00e1 redes de res\u00edduos l\u00edquidos\u201d, explicou. \u201cTampouco temos sistemas para coleta em muitas \u00e1reas. A maioria de nossos dejetos l\u00edquidos \u00e9 queimada no lugar. Dependemos do ar-condicionado mec\u00e2nico e n\u00e3o h\u00e1 eco-constru\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. Muitos pobres dependem do entorno natural para seu sustento, \u201cmas tamb\u00e9m agravam os problemas ambientais. Algu\u00e9m que \u00e9 pobre corta \u00e1rvores para vender madeira, mas ningu\u00e9m volta a plantar \u00e1rvores\u201d, disse Banaga.<\/p>\n<p>Em meio a uma guerra com o Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo do Sud\u00e3o, no sul, at\u00e9 2005, o governo nacional agora combate rebeldes na ocidental regi\u00e3o de Darfur. E tamb\u00e9m enfrenta a condena\u00e7\u00e3o internacional pelos crimes de guerra cometidos no curso desse conflito, dos quais \u00e9 acusado. Mas, isto teve pouco efeito nos investimentos no Sud\u00e3o. Al\u00e9m da sustentabilidade ambiental, a quest\u00e3o dos direitos da terra tamb\u00e9m demonstrou ser algo com o que lidar no desenvolvimento de Cartum.<\/p>\n<p>Isto inclui os esfor\u00e7os para construir pontes at\u00e9 a Ilha de Tuti. Este projeto pretende ligar a ilha, que fica no rio Nilo, com a capital que a rodeia. Tamb\u00e9m ser\u00e1 constru\u00edda uma estrada que atravesse a ilha para ligar as duas pontes e permitir outra rota para aliviar o congestionamento na metr\u00f3pole em crescimento. A iniciativa de US$ 14 milh\u00f5es come\u00e7ou em 2003 e esteve e marcha at\u00e9 que houve um atraso de 134 meses nas obras da estrada da ilha.<\/p>\n<p>\u201cTivemos que suspender o projeto quando os moradores reclamaram que a estrada passaria por suas terras. Queriam muito dinheiro por isso e passamos todo esse tempo negociando com eles. Fizemos um acordo\u201d, disse Abdul-Wahid Abdul-Moniem Abdul-Aziz, que dirige o Departamento de Estradas e pontes no Minist\u00e9rio De Planejamento Fisico e Empresas P\u00fablicas do Estado de Cartum e est\u00e1 encarregado de completar o ambicioso processo.<\/p>\n<p>Sua divis\u00e3o \u2013 afirmou \u2013 conscientiza todos os construtores sobre as leis ambientais sudanesas. \u201cTemos um departamento relativo ao meio ambiente e tem seu pr\u00f3prio tribunal para julgar se os construtores n\u00e3o obedecerem a lei\u201d, acrescentou Abdul-Aziz. Mas, para Bannaga, claramente h\u00e1 uma necessidade de maior controle. \u201cPode haver legisla\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 regras\u201d, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> * Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (sigla em ingl\u00eas da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartum, 08\/01\/2008 &ndash; Um auge da constru\u00e7\u00e3o, alimentado pelo petr\u00f3leo, d\u00e1 \u00e0 capital do Sud\u00e3o um aspecto mais brilhante do que nunca. 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