{"id":356,"date":"2005-03-01T00:00:00","date_gmt":"2005-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=356"},"modified":"2005-03-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-01T00:00:00","slug":"palestina-israel-recriminaes-mtuas-distorcem-o-dilogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/palestina-israel-recriminaes-mtuas-distorcem-o-dilogo\/","title":{"rendered":"Palestina-Israel: Recrimina&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas distorcem o di&aacute;logo"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 01\/03\/2005 &ndash; O tiroteio de recrimina&ccedil;&otilde;es entre israelenses e palestinos soa com a mesma intensidade que nos piores tempos da intifada, depois do &uacute;ltimo atentado em Telavive, reivindicado pela organiza&ccedil;&atilde;o Jihad Isl&acirc;mica. O ataque suicida contra uma discoteca de Telavive na noite de sexta-feira abalou mais do que um t&ecirc;nue per&iacute;odo de relativa calma. Tamb&eacute;m demoliu o que diziam os l&iacute;deres dos dois lados: que o avan&ccedil;o decisivo do processo de paz estava por perto, na esquina. Funcion&aacute;rios palestinos em Ramal&aacute; responsabilizaram Israel por este primeiro atentado em tempos de cessar-fogo. &Eacute; o mesmo que disse em circunst&acirc;ncias parecidas durante quatro anos, at&eacute; que o novo primeiro-ministro, Mahmoud Abbas, acertou uma tr&eacute;gua no m&ecirc;s passado com seu par israelense, Arial Sharon.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;N&atilde;o &eacute; apenas o clima. Toda a experi&ecirc;ncia foi muito negativa&quot;, disse o novo vice-chanceler palestino, Abdullah Abdullah, em seu escrit&oacute;rio em Ramal&aacute;. Depois, culpou Israel por n&atilde;o cumprir os compromissos assumidos na c&uacute;pula de Sharm el-Sheikh, no Egito, h&aacute; tr&ecirc;s semanas. Os israelenses &quot;n&atilde;o devolveram as cidades que prometeram, bloqueiam o regresso dos deportados e ainda n&atilde;o estabeleceram os crit&eacute;rios para liberta&ccedil;&atilde;o de presos palestinos&quot;, acrescentou. Ao mesmo tempo, o governo de Israel desenvolveu pol&iacute;ticas que n&atilde;o de utilidade ou que, inclusive, foram provocativas, como o an&uacute;ncio de novas constru&ccedil;&otilde;es em assentamentos judeus da Cisjord&acirc;nia e a manuten&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o do muro ao redor dessa regi&atilde;o, ressaltou Abdullah.<\/p>\n<p> Estas atitudes dificultam a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e Abbas manterem quietos os grupos combatentes, afirmou o vice-chanceler. As autoridades palestinas consideraram insignificantes os passos dados por Israel, com o fim do &quot;assassinato seletivo&quot; de dirigentes palestinos, o al&iacute;vio do fechamento de algumas cidades, a permiss&atilde;o dada a palestinos para voltarem aos seus empregos em territ&oacute;rio israelense, a liberta&ccedil;&atilde;o de 500 prisioneiros e o regresso de alguns deportados. &quot;Como poderemos devolver as cidades se eles s&atilde;o totalmente incapazes de se responsabilizarem pela seguran&ccedil;a, como j&aacute; vimos?&quot;, disse &aacute; IPS Raanan Gissin, assessor de Sharon.<\/p>\n<p> Israel continua comprometido com os acordos de Sharm el-Sheikh, mas, se reserva o direito de agir &quot;para proteger a popula&ccedil;&atilde;o&quot;, advertiu Gissin. A mudan&ccedil;a de tom ficou evidente nos dois lados. Gissin aplaudiu algumas das medidas tomadas pela Autoridade Nacional Palestina, mas, tamb&eacute;m as considerou &quot;totalmente insuficientes&quot;. N&atilde;o &quot;vimos fazerem o suficiente contra os grupos terroristas. N&atilde;o os desarmam, n&atilde;o os prendem. Det&ecirc;m alguns poucos e depois os deixam ir. Estamos vendo os resultados&quot;, afirmou. Sharon chegou a amea&ccedil;ar com novas a&ccedil;&otilde;es militares depois dos atentados, que custaram a vida de cinco pessoas e causaram ferimentos em mais de 60.<\/p>\n<p> O governante israelense afirmou que o processo de paz n&atilde;o avan&ccedil;aria enquanto a ANP n&atilde;o adotar &quot;a&ccedil;&otilde;es vigorosas&quot; contra os combatentes. De fato, Israel suspendeu a j&aacute; atrasada entrega de cinco localidades da Cisjord&acirc;nia &agrave; sua contraparte palestina, e suspendeu suas conversa&ccedil;&otilde;es sobre a liberta&ccedil;&atilde;o dos prisioneiros. Por seu lado, a Autoridade Nacional Palestina condenou o atentado. Abbas afirmou que vai &quot;contra os interesses&quot; do povo palestino e qualificou seus respons&aacute;veis de terroristas, ao mesmo tempo em que adiou as conversa&ccedil;&otilde;es com as organiza&ccedil;&otilde;es combatentes, previstas para esta semana no Cairo.<\/p>\n<p> O grupo fundamentalista isl&acirc;mico Jihad isl&acirc;mica se responsabilizou pelo ataque. Um porta-voz da organiza&ccedil;&atilde;o o atribuiu a viola&ccedil;&otilde;es israelenses da tr&eacute;gua. O suicida que cometeu o atentado precedia de Tulkaren, povoado sob controle israelense. Dirigentes da Jihad Isl&acirc;mica em Damasco ordenaram o ataque, a S&iacute;ria est&aacute; por tr&aacute;s da opera&ccedil;&atilde;o, garantiu nesta segunda-feira o chanceler israelense, Silvan Shalom, aos embaixadores. O governo de Bahar al-Assad rejeitou essa vers&atilde;o. Mas, tamb&eacute;m a seguran&ccedil;a palestina se referiu a fatores externos por tr&aacute;s dos ataques. Um alto funcion&aacute;rio mencionou especificamente a S&iacute;ria, o Ir&atilde; e o movimento Hezbol&aacute; (Partido de Deus) do L&iacute;bano.<\/p>\n<p> &quot;A influ&ecirc;ncia externa &eacute; real e tentamos por muito tempo det&ecirc;-la. &Eacute;, para n&oacute;s, um verdadeiro problema&quot;, disse o funcion&aacute;rio. Durante a intifada (insurg&ecirc;ncia popular palestina contra a ocupa&ccedil;&atilde;o, iniciada em setembro de 2000), c&eacute;lulas diversas de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es &#8211; principalmente Jihad Isl&acirc;mica e Brigada de M&aacute;rtires de Al Awsa &#8211; buscaram fontes externas de apoio, disse o informante. &quot;Quando um movimento tem seus l&iacute;deres em Damasco, levar&aacute; em conta os desejos da S&iacute;ria&quot;, acrescentou, em refer&ecirc;ncia ao Hamas e &agrave; Jihad Isl&acirc;mica.<\/p>\n<p> Por sua vez, Gissin advertiu que Israel agiria contra a Jihad sem levar em conta &quot;limita&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas&quot;, o que implicaria um ataque dentro de territ&oacute;rio s&iacute;rio. Por sua vez, o vice-primeiro-ministro, Shimon Peres, afirmou que n&atilde;o &eacute; o momento de pressionar Damasco. As autoridades da seguran&ccedil;a da Palestina admitem que precisam de muito tempo para reafirmar seu controle. Abdullah recordou que o novo gabinete est&aacute; funcionando h&aacute; poucos dias. O informante an&ocirc;nimo da IPS disse, por sua vez, que ser&aacute; necess&aacute;rio pelo menos um ano para reconstruir os servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a palestinos. As fontes assinalam, ainda, um aspecto preocupante. Mahmoud Abbas est&aacute; comprometido com a tr&eacute;gua, mas, muitos na estrutura do governo palestino, sem mencionar as organiza&ccedil;&otilde;es externas, n&atilde;o seguem a mesma linha. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 01\/03\/2005 &ndash; O tiroteio de recrimina&ccedil;&otilde;es entre israelenses e palestinos soa com a mesma intensidade que nos piores tempos da intifada, depois do &uacute;ltimo atentado em Telavive, reivindicado pela organiza&ccedil;&atilde;o Jihad Isl&acirc;mica. O ataque suicida contra uma discoteca de Telavive na noite de sexta-feira abalou mais do que um t&ecirc;nue per&iacute;odo de relativa calma. Tamb&eacute;m demoliu o que diziam os l&iacute;deres dos dois lados: que o avan&ccedil;o decisivo do processo de paz estava por perto, na esquina. Funcion&aacute;rios palestinos em Ramal&aacute; responsabilizaram Israel por este primeiro atentado em tempos de cessar-fogo. &Eacute; o mesmo que disse em circunst&acirc;ncias parecidas durante quatro anos, at&eacute; que o novo primeiro-ministro, Mahmoud Abbas, acertou uma tr&eacute;gua no m&ecirc;s passado com seu par israelense, Arial Sharon.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/palestina-israel-recriminaes-mtuas-distorcem-o-dilogo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1831,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-356","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1831"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/356\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}