{"id":3572,"date":"2008-01-14T17:44:19","date_gmt":"2008-01-14T17:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3572"},"modified":"2008-01-14T17:44:19","modified_gmt":"2008-01-14T17:44:19","slug":"forum-economico-mundial-olho-critico-sobre-davos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/mundo\/forum-economico-mundial-olho-critico-sobre-davos\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial: Olho cr\u00edtico sobre Davos"},"content":{"rendered":"<p>Berna, 14\/01\/2008 &ndash; A sociedade civil exercer\u00e1 novamente a vigil\u00e2ncia sobre o que acontecer no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM) e sobre a conduta social e ambiental de um milhar das maiores companhias do mundo que participam deste encontro anual de empres\u00e1rios, governantes e especialistas liberais na localidade de Davos, na Su\u00ed\u00e7a. <!--more--> Nessa miss\u00e3o, as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais Declara\u00e7\u00e3o de Berna e Pr\u00f3-Natura, a filial su\u00ed\u00e7a da Amigos da Terra, entregar\u00e3o no pr\u00f3ximo dia 23 os pr\u00eamios do Olho P\u00fablico, uma cerim\u00f4nia repleta de sarcasmo que premia as multinacionais acusadas de serem irrespons\u00e1veis nos campos social e ambiental.<\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o final, que ser\u00e1 divulgada nessa data no centro tur\u00edstico alpino de Davos, recair\u00e1 este ano em uma das tr\u00eas empresas selecionadas como favoritas: a companhia nuclear do Estado franc\u00eas Areva; a multinacional qu\u00edmica alem\u00e3 Bayer CropScience, e a filial filipina da empresa frut\u00edfera norte-americana Dole Foods. Os candidatos a este premio ir\u00f4nico s\u00e3o corpora\u00e7\u00f5es que integram o FEM, que entre 26 e 26 deste m\u00eas realizar\u00e1 sua tradicional reuni\u00e3o anual.<\/p>\n<p>Durante esses dias, \u00e0s vezes com a presen\u00e7a de figuras das artes ou do espet\u00e1culo de renome internacional, o FEM \u201ccorteja os l\u00edderes mundiais enquanto pressiona a favor de uma generalizada liberaliza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as e do com\u00e9rcio\u201d, sintetizou para a IPS Sonja Ribi, da Pr\u00f3-Natura. Entretanto, o Olho P\u00fablico se encarrega de iluminar, para a opini\u00e3o p\u00fablica em geral, o lado \u201cobscuro da globaliza\u00e7\u00e3o\u201d enquanto reclama das companhias multinacionais que \u201cpelo menos demonstrem um m\u00ednimo de compromisso social e ambiental\u201d, disse Oliver Classen, da Declara\u00e7\u00e3o de Berna.<\/p>\n<p>A campanha do Olho Publico mostra aos atores da economia mundial que os efeitos sociais e ambientais de suas pr\u00e1ticas comerciais \u201cn\u00e3o s\u00f3 prejudicam as vitimas desses danos como tamb\u00e9m afetam a reputa\u00e7\u00e3o de suas empresas\u201d, disse Classen \u00e0 IPS. Trate-se de patentear medicamentos essenciais ou explorar sem escr\u00fapulos as mat\u00e9rias-primas ou as trabalhadoras, a capacidade desses personagens reunidos em Davos n\u00e3o tem limites, insistiu o ativista da Declara\u00e7\u00e3o de Berna.<\/p>\n<p>Com o pretexto de se reunirem para \u201cmelhorar o mundo\u201d, os l\u00edderes das grandes corpora\u00e7\u00f5es aproveitam esta oportunidade para manter contatos e exercerem influ\u00eancias sobre outros empres\u00e1rios ou representantes de governos, disse Ribi. Por\u00e9m, o Olho P\u00fablico se vale desta ocasi\u00e3o para denunciar as maci\u00e7as conseq\u00fc\u00eancias negativas de uma mentalidade obcecada com as taxas de rentabilidade, disse a representante da Pr\u00f3-Natura. Ao mesmo tempo, as ONGs reclamam das condi\u00e7\u00f5es do trabalho humano, da responsabilidade no produto final e da sustentabilidade ecol\u00f3gica das empresas.<\/p>\n<p>As candidaturas das companhias selecionadas levam em conta suas condutas sociais e ecol\u00f3gicas. No caso da Areva, foram examinados seus antecedentes em N\u00edger, onde explora minas de ur\u00e2nio atrav\u00e9s de duas subsidiarias, Somair e Cominak. Os trabalhadores dessas minas recebem informa\u00e7\u00e3o insuficiente sobre os riscos sanit\u00e1rios do armazenamento ao ar livre de materiais radioativos, afirmaram as duas organiza\u00e7\u00f5es que promovem o Olho P\u00fablico.<\/p>\n<p>Por outro lado, os hospitais de propriedade da companhia de minera\u00e7\u00e3o estendem diagn\u00f3sticos deliberadamente falsos aos trabalhadores enfermos e certificam mortes por s\u00edndrome de defici\u00eancia imunol\u00f3gica adquirida (Aids) em casos de mortes por c\u00e2ncer. Dessa forma, os empregadores evitam o pagamento dos tratamentos de seus mineiros, afirmaram os representantes do Olho P\u00fablico. A Areva explorou por 40 anos as minas de ur\u00e2nio de N\u00edger, uma ex-col\u00f4nia francesa. Nas \u00e1reas sob sua explora\u00e7\u00e3o, as concentra\u00e7\u00f5es de radioatividade no ar, na \u00e1gua e no solo s\u00e3o extremamente altas, disseram Pr\u00f3-Natura e Declara\u00e7\u00e3o de Berna.<\/p>\n<p>A companhia alem\u00e3 Bayer CropScience, apresentada como a maior fabricante de pesticidas do mundo, foi proposta ao pr\u00eamio por suas tentativas de impor o cultivo de jatropha, uma planta que por seu conte\u00fado de 40% de \u00f3leo pode ser utilizada como biocombustivel. Mas, as duas ONGs afirmaram que os planos de expans\u00e3o da jatropha na \u00cdndia prev\u00eaem o uso de terras que atualmente s\u00e3o fontes de alimentos. Os camponeses que trabalham pequenas parcelas de terra e que se envolvem nesse cultivo ficar\u00e3o dependentes do uso de caros agroqu\u00edmicos indispens\u00e1veis, afirmaram.<\/p>\n<p>A conhecida ativista indiana Vandana Shiva publicou em novembro um estudo sobre os efeitos do cultivo da jatrapha em seu pa\u00eds e iniciou uma campanha em grande escala para desestimular essa explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Pr\u00f3-natura e Declara\u00e7\u00e3o de Berna disseram que, para expandir o cultivo dessa planta, a Bayer usa a Secretaria da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desertifica\u00e7\u00e3o (CNUD)( e o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). As duas entidades da sociedade civil tamb\u00e9m dirigiram um pedido \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para que estabele\u00e7a crit\u00e9rios definindo \u201ccom quem coopera e sob quais condi\u00e7oes\u201d.<\/p>\n<p>O terceiro candidato \u00e9 a firma Dole Phillippines Inc, filial da norte-americana Dole Foods, que explora planta\u00e7\u00f5es de banana em 12 mil hectares das terras mais f\u00e9rteis das Filipinas. Tamb\u00e9m possui uma unidade de envase e empacotamento. Desde 1990, a companhia reduziu o n\u00famero de empregados permanentes de oito mil para cinco mil, enquanto os tempor\u00e1rios originalmente inexistentes agora somam cerca de 12 mil, com elevada porcentagem de mulheres. A jornada chega a US$ 4,00, metade do que o governo filipino define como n\u00edvel de pobreza. Em compara\u00e7\u00e3o, os trabalhadores das planta\u00e7\u00f5es da Dole no Hawai recebem US$ 5,00 por hora.<\/p>\n<p>Por outro lado, muitos camponeses arrendaram suas terras \u00e0 Dole, que agora os tem como trabalhadores das planta\u00e7\u00f5es. Estes camponeses s\u00f3 podem cumprir seus compromissos de trabalho com a ajuda de seus filhos, que dessa forma deixam a escola e sofrem problemas de sa\u00fade pelo trabalho excessivo e pelos qu\u00edmicos agrot\u00f3xicos, como o Endolsunfan, utilizado nas planta\u00e7\u00f5es. As duas organiza\u00e7\u00f5es su\u00ed\u00e7as tamb\u00e9m denunciaram que a Dole exerce press\u00f5es contra os sindicato dos trabalhadores filipinos. Classen alertou que as multinacionais, \u201ccomo os mil integrantes do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, devem aceitar mais responsabilidades\u201d. Do contr\u00e1rio, perder\u00e3o n\u00e3o apenas sua credibilidade, mas, tamb\u00e9m, seus investidores, seus empregados e seus clientes, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berna, 14\/01\/2008 &ndash; A sociedade civil exercer\u00e1 novamente a vigil\u00e2ncia sobre o que acontecer no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM) e sobre a conduta social e ambiental de um milhar das maiores companhias do mundo que participam deste encontro anual de empres\u00e1rios, governantes e especialistas liberais na localidade de Davos, na Su\u00ed\u00e7a. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/mundo\/forum-economico-mundial-olho-critico-sobre-davos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4],"tags":[],"class_list":["post-3572","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3572"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3572\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}