{"id":358,"date":"2005-03-01T00:00:00","date_gmt":"2005-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=358"},"modified":"2005-03-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-01T00:00:00","slug":"clima-a-maior-seca-em-um-sculo-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/clima-a-maior-seca-em-um-sculo-em-portugal\/","title":{"rendered":"Clima: A maior seca em um s&eacute;culo em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 01\/03\/2005 &ndash; inc&ecirc;ndios incomuns de florestas, ora&ccedil;&otilde;es no santu&aacute;rio de F&aacute;tima, prociss&otilde;es e missas cat&oacute;licas pedindo chuva e avi&otilde;es da For&ccedil;a A&eacute;rea lan&ccedil;ando produtos qu&iacute;micos nas poucas nuvens que se desenham no c&eacute;u marcam este inverno em Portugal. Segundo estudos de especialistas da Universidade Lus&oacute;fona de Lisboa, esta &eacute; a pior seca de inverno no pa&iacute;s nos &uacute;ltimos cem anos, destacando-se em especial os meses de dezembro e janeiro. Enquanto o resto da Europa sofre as conseq&uuml;&ecirc;ncias de um inverno rigoroso, com chuvas, neve e inunda&ccedil;&otilde;es que causam estragos, em vastas regi&otilde;es frondosas de Portugal s&atilde;o registrados inc&ecirc;ndios de florestas t&iacute;picos da &eacute;poca de ver&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> Quatro bombeiros morreram em um violento inc&ecirc;ndio em um vale perto de Coimbra, capital da Regi&atilde;o Centro, 190 quil&ocirc;metros ao norte de Lisboa. Carlos da Encarna&ccedil;&atilde;o, prefeito da cidade, explicou que o fogo pouco comum para a temporada &eacute; alimentado por fortes ventos que se fazem sentir em todo o pa&iacute;s. A &uacute;ltima grande chuva caiu no dia 29 de outubro. Passados quatro meses, se desfazem as esperan&ccedil;as de salvar a agricultura e parte da pecu&aacute;ria do sul. Nas imensas plan&iacute;cies da regi&atilde;o meridional de Alentejo, que nesta &eacute;poca do ano deveriam estar cobertas por um manto verde, o gado faminto e sedento perambula em grandes espa&ccedil;os onde o amarelo &eacute; a cor dominante.<\/p>\n<p> Durante os primeiros meses de sol persistente e temperaturas de at&eacute; 17 graus, os portugueses n&atilde;o escondiam sua felicidade quanto assistiam sorridentes os notici&aacute;rios na televis&atilde;o mostrando uma Europa fria e chuvosa. Mas, desde meados de janeiro, quando os pre&ccedil;os dos produtos agr&iacute;colas come&ccedil;aram a subir, em alguns casos at&eacute; 300%, come&ccedil;ou a preocupa&ccedil;&atilde;o com o bolso e os sorrisos foram desfeitos. Ao terminar fevereiro a situa&ccedil;&atilde;o ganhou tal dimens&atilde;o que na quarta-feira passada a For&ccedil;a A&eacute;rea enviou um Hercules C-130 com a miss&atilde;o de lan&ccedil;ar no ar cloreto de pot&aacute;ssio e iodeto de prata com o prop&oacute;sito de provocar chuva.<\/p>\n<p> No ano passado, os C-130 conseguiram fazer chover na regi&atilde;o central de Castelo Branco, mas, desta vez a opera&ccedil;&atilde;o deu resultados pr&aacute;ticos muito limitados. O bispo de F&aacute;tima-Liria, Serafim Ferreira e Silva, determinou a realiza&ccedil;&atilde;o de missas no Santu&aacute;rio de Nossa Senhora de F&aacute;tima para tentar fazer com que a f&eacute; mude os caprichos da natureza e consiga o que a ci&ecirc;ncia n&atilde;o conseguiu. Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s dias, houve alguma chuva no sul do pa&iacute;s, mas o registro de temperaturas excepcionalmente baixas em compara&ccedil;&atilde;o com as m&eacute;dias da &eacute;poca agravou consideravelmente a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Os ventos de at&eacute; 130 quil&ocirc;metros por hora e temperaturas abaixo de zero transformam a umidade da chuva em uma armadilha fatal para as incipientes folhas verdes que come&ccedil;avam a florescer. A paisagem de Alentejo &eacute; um dantesco espet&aacute;culo de cad&aacute;veres de vacas, cabras e ovelhas, mortas de fome, sede e frio, enquanto milh&otilde;es de lagartas que abandonaram seu habitat natural, invadindo as aldeias da regi&atilde;o em busca de alimentos. Os progn&oacute;sticos para a pr&oacute;xima primavera e ver&atilde;o s&atilde;o catastr&oacute;ficos. Haver&aacute; falta de &aacute;gua e vastas &aacute;reas florestais ser&atilde;o presa f&aacute;cil das chamas devido &agrave; seca e ao intenso calor, que em alguns pontos do centro e sul do pa&iacute;s chegou aos 47 graus nos &uacute;ltimos dois ver&otilde;es, estimam especialistas.<\/p>\n<p> Especialistas em clima n&atilde;o vinculam estas condi&ccedil;&otilde;es adversas ao aquecimento global. &quot;Se pensarmos nos curtos prazos, veremos que no per&iacute;odo de 1989 a 1999, em que ocorreram secas prolongadas, naturalmente a gravidade foi maior do que entre 1969 e 1979, em que n&atilde;o ocorreram&quot;, disse no domingo na revista Publica o diretor do Centro de Estudos de Engenharia Rural do Instituto Superior de Agronomia, Luis Santos Pereira. &quot;Mas, isto n&atilde;o significa que esta varia&ccedil;&atilde;o que corresponde &agrave;s secas j&aacute; seja um efeito da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Que a altera&ccedil;&atilde;o do clima tenha influ&ecirc;ncia sobre a distribui&ccedil;&atilde;o das chuvas, especialmente as inunda&ccedil;&otilde;es ou secas, a longo e m&eacute;dio prazos, creio firmemente. Mas, n&atilde;o estou em condi&ccedil;&otilde;es de prever nada, porque os modelos nos d&atilde;o resultados bastante diversos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A seca tamb&eacute;m afetar&aacute; o turismo e os moradores de muitas aldeias hist&oacute;ricas, cujos prefeitos j&aacute; come&ccedil;aram a ordenar a constru&ccedil;&atilde;o de grandes tanques de reserva. Em tempos de vagas magras, os agricultores e pecuaristas se organizaram sem esperar maior empenho do governo, enviando nesta segunda-feira uma delega&ccedil;&atilde;o de representantes a Bruxelas, sede da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, para pedir uma ajuda financeira extraordin&aacute;ria. A delega&ccedil;&atilde;o encabe&ccedil;ada por Sebasti&atilde;o Rodrigues, presidente da Federa&ccedil;&atilde;o de Associa&ccedil;&otilde;es de Agricultores de Alentejo, viajar&aacute; &agrave; cidade francesa de Estrasburgo, sede do Parlamento Europeu, para manter reuni&otilde;es com eurodeputados sobre a situa&ccedil;&atilde;o de &quot;extrema seca&quot; que afeta essa regi&atilde;o.<\/p>\n<p> Rodrigues alertou que &quot;a situa&ccedil;&atilde;o mais grave ocorrer&aacute; em 2006&quot;, quando se sentir a falta de chuva afetando a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria e deixando as represas com preocupante d&eacute;ficit de armazenamento de &aacute;gua. &quot;Com os danos causados aos cereais e em 80% das pastagens j&aacute; perdias, no ano que vem nem mesmo teremos feno seco para alimentar o gado&quot;, destacou. O Minist&eacute;rio da Agricultura n&atilde;o quis indicar &agrave; IPS a magnitude econ&ocirc;mica das perdas devido &aacute; seca, explicando que esse balan&ccedil;o deve ser rigoroso e, portanto, lento. A &uacute;nica estimativa, feita pelos pr&oacute;prios pecuaristas, indica que a falta de &aacute;gua e alimentos est&aacute; matando, em m&eacute;dia, 40 cabe&ccedil;as de gado bovino e ovino por dia. Tudo depender&aacute;, agora, do tipo de chuva. As longas e copiosas ser&atilde;o uma t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o de &uacute;ltima hora para muitos cultivos. Se forem torrenciais e curtas, apenas servir&atilde;o para armazenamento de &aacute;gua porque, segundo os especialistas da Universidade Lus&oacute;fona, este tipo de chuva ajudar&aacute; a matar as poucas plantas sobreviventes. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 01\/03\/2005 &ndash; inc&ecirc;ndios incomuns de florestas, ora&ccedil;&otilde;es no santu&aacute;rio de F&aacute;tima, prociss&otilde;es e missas cat&oacute;licas pedindo chuva e avi&otilde;es da For&ccedil;a A&eacute;rea lan&ccedil;ando produtos qu&iacute;micos nas poucas nuvens que se desenham no c&eacute;u marcam este inverno em Portugal. Segundo estudos de especialistas da Universidade Lus&oacute;fona de Lisboa, esta &eacute; a pior seca de inverno no pa&iacute;s nos &uacute;ltimos cem anos, destacando-se em especial os meses de dezembro e janeiro. Enquanto o resto da Europa sofre as conseq&uuml;&ecirc;ncias de um inverno rigoroso, com chuvas, neve e inunda&ccedil;&otilde;es que causam estragos, em vastas regi&otilde;es frondosas de Portugal s&atilde;o registrados inc&ecirc;ndios de florestas t&iacute;picos da &eacute;poca de ver&atilde;o.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/clima-a-maior-seca-em-um-sculo-em-portugal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}