{"id":3593,"date":"2008-01-23T18:35:10","date_gmt":"2008-01-23T18:35:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3593"},"modified":"2008-01-23T18:35:10","modified_gmt":"2008-01-23T18:35:10","slug":"ambiente-mocambique-fatalidade-ciclica-das-inundacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/africa\/ambiente-mocambique-fatalidade-ciclica-das-inundacoes\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-MO\u00c7AMBIQUE: Fatalidade c\u00edclica das inunda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 23\/01\/2008 &ndash; As inunda\u00e7\u00f5es do rio Zambeze destru\u00edram as casas de aproximadamente 70 mil pessoas de \u00e1reas rurais do norte e centro de Mo\u00e7ambique que, impotentes diante da f\u00faria da \u00e1gua que destruiu tudo \u00e0 sua passagem, viram ficar submersa toda a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da esta\u00e7\u00e3o. <!--more--> As autoridades tamb\u00e9m temem a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas quando baixarem e aparecerem as inevit\u00e1veis epidemias que de maneira c\u00edclica flagelam esta \u201cterra da boa gente\u201d, como o almirante portugu\u00eas Vasco da Gama descreveu Mo\u00e7ambique quando ali atracou em escala de sua viagem \u00e0 \u00cdndia h\u00e1 cinco s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Ao longo de seus 1.708 quil\u00f4metros, o rio Zambeze tamb\u00e9m atravessa Botswana, Nam\u00edbia, Malawi, Tanz\u00e2nia, Z\u00e2mbia, Zimb\u00e1bue e Angola, mas \u00e9 em Mo\u00e7ambique onde causa maiores destrui\u00e7\u00f5es quando transborda. Na medida em que as \u00e1guas sobem, multiplicam-se os impactos para as popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o, que v\u00eaem suas vidas normais interrompidas, com suas casas inundadas, escolas fechadas e campos alagados, indicam informa\u00e7\u00f5es divulgadas ontem em Lisba, antiga metr\u00f3pole colonial desse pa\u00eds da \u00c1frica austral de 800 mil quil\u00f4metros quadrados e 22 milh\u00f5es de o indepndente desde 1975. Os \u00faltimos dados dispon\u00edveis indicam que as inunda\u00e7\u00f5es causaram oito v\u00edtimas mortais, tr\u00eas delas atacadas por crocodilos no rio P\u00fangu\u00e8, um afluente do Zambeze, na prov\u00edncia central de Sofala.<\/p>\n<p>Em 2000, o pior ano de cheia do rio, c\u00e1lculos aproximados indicam que perderam a vida 700 pessoas da regi\u00e3o. O governo de Mo\u00e7ambique abriu 37 centros para desabrigados das quatro \u00e1reas mais afetadas, localizadas nos rios Zambeze, Save, Buze e P\u00fangu\u00e8. Um comunicado divulgado ontem por Claire Fallnder, coordenadora em Mo\u00e7ambique da Oikos, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental portuguesa presente nesse pa\u00eds desde 1991, estima que cerca de 6.500 fam\u00edlias do vale do Zambese j\u00e1 perderam 31mil hectares de colheitas e alimentos armazenados para seu sustente e, se os n\u00edveis das \u00e1guas continuarem subindo, aproximadamente 285 mil pessoas poder\u00e3o ser afetadas\u201d.<\/p>\n<p>Fallender dirige na regi\u00e3o uma equipe de 17 t\u00e9cnicos da Oikos que conseguiram coordenar a evacua\u00e7\u00e3o de cerca de 35 mil pessoas levadas para centros de recoloca\u00e7\u00e3o, os quais, entretanto, est\u00e3o desprovidos de alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e1gua pot\u00e1vel, o que os deixa vulner\u00e1veis a epidemias pela contamina\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os e fontes de \u00e1gua. Enquanto isso, em Lisboa, o diretor-executivo da Oikos, Jo\u00e3o Jos\u00e9 Fernandes, disse em entrevista \u00e0 ag\u00eancia portuguesa de not\u00edcias Lusa que as inunda\u00e7\u00f5es fazem prever s\u00e9rias conseq\u00fc\u00eancias sociais, ambientais, econ\u00f4micas e de sa\u00fade a m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Com as inunda\u00e7\u00f5es surgem \u00e1guas contaminadas que provocam epidemias como focos de c\u00f3lera e mal\u00e1ria, al\u00e9m das enormes perdas econ\u00f4micas derivadas da destrui\u00e7\u00e3o de casas, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, alimentos e sementes armazenadas e posterior eros\u00e3o dos solos. \u201cComo as inunda\u00e7\u00f5es s\u00e3o c\u00edclicas e ocorrem praticamente todos os anos, o desgaste dos solos \u00e9 maior e diante do menor aumento de n\u00edvel as \u00e1guas circulam com maior rapidez e viol\u00eancia\u201d e, desta forma, \u201ctodo ecossistema \u00e9 afetado\u201d, disse Fernandes. Por sua vez, o antrop\u00f3logo Be\u00e7a Ribeiro, catedr\u00e1tico da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Dlouro, recordou que ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o causada pelas \u00e1guas as popula\u00e7\u00f5es voltam \u00e0s suas \u201cmachambas\u201d, pequenas propriedades agr\u00edcolas tradicionais. Os camponeses dessa ara de Mo\u00e7ambique \u201cn\u00e3o t\u00eam grandes alternativas se n\u00e3o regressarem ao lugar onde sempre viveram\u201d, pr\u00f3ximo aos rios, onde as terras s\u00e3o mais f\u00e9rteis, disse Ribeiro. Com a constru\u00e7\u00e3o da represa hidrel\u00e9trica de Cahora Bassa, inaugurada em 1974, durante a administra\u00e7\u00e3o colonial portuguesa, o sistema de vida das popula\u00e7\u00f5es mudou de maneira significativa, lembra o bi\u00f3logo Carlos Bento, citado pela Lusa.<\/p>\n<p>Anteriormente, a agricultura estava sincronizada com as inunda\u00e7\u00f5es, \u201cem \u00e9poca de seca as popula\u00e7\u00f5es viviam em acampamentos tempor\u00e1rios e praticavam sua agricultura em zonas baixas, ricas em nutrientes trazidos pelas inunda\u00e7\u00f5es da \u00e9poca anterior e, simultaneamente, pescavam e secavam o pescado, que era sua principal fonte de prote\u00ednas\u201d, disse Bento. \u201cAo terminar a colheita, os moradores recolhiam seus bens e levavam para \u00e1reas altas, onde se precaviam das inunda\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou. Este ciclo, que ocorria todos os anos, foi interrompido quando as popula\u00e7\u00f5es rurais semi-n\u00f4mades estabeleceram resid\u00eancia permanente \u00e0 margem do rio, em lugares de previs\u00edveis inunda\u00e7\u00f5es quando a represa Cahora Basse libera grandes quantidades de \u00e1gua, calculadas em 5.500 metros c\u00fabicos por segundo.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o produz \u201cdanos humanos e materiais alt\u00edssimos\u201d, disse Bento ao lembrar que \u201co h\u00e1bito de lidar com as inunda\u00e7\u00f5es foi se perdendo ao longo do tempo pelas gera\u00e7\u00f5es posteriores \u00e0 conclus\u00e3o de Cahora Bassa\u201d. Paulo Zucula, diretor do Instituto Nacional de Gest\u00e3o de Calamidades (INGC) de Mo\u00e7ambique, considera que no momento \u00e9 preciso recorrer \u00e0 ajuda internacional, apesar de o n\u00edvel das \u00e1guas continuar subindo e, por ora, ter aceito a ajuda das ONGs, \u201cque t\u00eam um espa\u00e7o\u201d para atuar no processo.<\/p>\n<p>Entretanto, Zucula destacou que seu pa\u00eds n\u00e3o se op\u00f5em \u00e0 id\u00e9ia de pedir apoio internacional, \u201cMas somente recorreremos a essa possibilidade se esgotarmos nossa capacidade atual ainda \u00e9 muito cedo para concluir isso\u201d, disse a jornalistas portugueses presentes na ara. \u201cNossa aposta \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o e mobilizamos todos os meios humanos, materiais e financeiros para atender a emerg\u00eancia\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 23\/01\/2008 &ndash; As inunda\u00e7\u00f5es do rio Zambeze destru\u00edram as casas de aproximadamente 70 mil pessoas de \u00e1reas rurais do norte e centro de Mo\u00e7ambique que, impotentes diante da f\u00faria da \u00e1gua que destruiu tudo \u00e0 sua passagem, viram ficar submersa toda a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da esta\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/africa\/ambiente-mocambique-fatalidade-ciclica-das-inundacoes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8],"tags":[],"class_list":["post-3593","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3593\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}