{"id":3599,"date":"2008-01-24T17:47:29","date_gmt":"2008-01-24T17:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3599"},"modified":"2008-01-24T17:47:29","modified_gmt":"2008-01-24T17:47:29","slug":"forum-social-mundial-o-desafio-de-enfrentar-os-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/america-latina\/forum-social-mundial-o-desafio-de-enfrentar-os-amigos\/","title":{"rendered":"F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL: O desafio de enfrentar os amigos"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 24\/01\/2008 &ndash; Na Am\u00e9rica Latina, a maioria dos governos progressistas j\u00e1 consolidados apresenta um paradoxo aos movimentos que integram o F\u00f3rum Social Mundial e resulta dif\u00edcil enfrentar presidentes e funcion\u00e1rios com os quais se compartilhou lutas. <!--more--> \u201cA experi\u00eancia est\u00e1 demonstrando que opor-se a governos de centro-esquerda na regi\u00e3o resulta muito dif\u00edcil\u201d, disse \u00e0 IPS o soci\u00f3logo e doutor em ci\u00eancias pol\u00edticas argentino At\u00edlio Bor\u00f3n, que integra o Conselho Internacional do FSM. \u201c\u00c9 mais complexo enfrentar governos amigos do que os inimigos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nascido em 2001 em Porto Alegre como espa\u00e7o de cr\u00edtica \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal e ao militarismo, o FSM ganhou r\u00e1pido vigor na regi\u00e3o ent\u00e3o com uma maioria de governos conservadores. Mas essa vitalidade parece retroceder desde que chegaram as administra\u00e7\u00f5es de esquerda, centro-esquerda ou progressistas. Entre os atuais governos h\u00e1, inclusive, antigos protagonistas centrais do FSM, como \u00e9 o caso dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores, liderados por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ou do boliviano Movimento ao Socialismo, de Evo Morales, e seus aliados das organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras de uma nova a\u00e7\u00e3o global do FSM, que este ano substituiu o encontro internacional anual por mobiliza\u00e7\u00f5es locais, amanh\u00e3, Bor\u00f3n e outros observadores apontaram as vantagens de contar com governos mais sens\u00edveis aos reclamos do FSM, mas muito mais destacaram os desafios que enfrentam os movimentos sociais. Para Miguel Santib\u00e1\u00f1ez, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Chilena de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-governamentais, integrada por cerca de 70 entidades, a maior aproxima\u00e7\u00e3o entre os governos da regi\u00e3o e os movimentos sociais \u201ctrouxe benef\u00edcios e tamb\u00e9m riscos\u201d.<\/p>\n<p>Santib\u00e1\u00f1ez observou, em conversa com a IPS, que as novas administra\u00e7\u00f5es mostram uma vontade maior de gerar espa\u00e7os de di\u00e1logo com a sociedade civil e isso permite desenvolver \u201calgum grau de participa\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo e incid\u00eancia\u201d dos movimentos. Tamb\u00e9m destacou a maior voca\u00e7\u00e3o pelas reformas sociais e mencionou o caso da presidente de seu pa\u00eds, Michelle Bachlet, que se prop\u00f4s melhorar o sistema de prote\u00e7\u00e3o social atrav\u00e9s de mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio e na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Mas, alertou para o perigo d as demandas sociais \u201cperderam for\u00e7a\u201d se a agenda dos movimentos \u201cfor capturada\u201d pelos governos, e deu como exemplo disso as organiza\u00e7\u00f5es sociais venezuelanas fortemente identificadas com o governo de Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Bor\u00f3n afirmou que os movimentos sociais est\u00e3o muito mergulhados na perplexidade de precisar enfrentar os que compartilharam suas lutas durante muitos anos, e esse fen\u00f4meno \u00e9 uma das causas da menor vitalidade do f\u00f3rum este ano. Tampouco \u00e9 otimista a respeito da edi\u00e7\u00e3o de 2009 prevista para Bel\u00e9m, no Estado do Par\u00e1. Para o especialista argentino, o caso mais emblem\u00e1tico do conflito entre governos e organiza\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 o do Brasil, onde o PT e a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), que somavam uma das maiores for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o esquerdista na Am\u00e9rica Latina nos anos 90, perderam peso pol\u00edtico desde que Lula chegou \u00e0 Presid\u00eancia m 2003.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m apontou outros casos, como o da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), uma das duas centrais sindicais do pa\u00eds, que esperou quatro anos de gest\u00e3o do governo centro-esquerdista de Nestor Kirchner (2003-2007) para obter uma prometida personalidade sindical que lhe permita gozar de maior peso no mundo dos assalariados organizados. A CTA, de tend\u00eancia ideol\u00f3gica afim com o setor kirchnerista, n\u00e3o conseguiu esse reconhecimento, e anunciou que continuar\u00e1 solicitando-o junto \u00e0 nova Presidente, Cristina Fern\u00e1ndez, mulher de Kirchner.<\/p>\n<p>Outro caso que \u201cvai na mesma dire\u00e7\u00e3o que a CUT do Brasil\u201d, disse Bor\u00f3n, \u00e9 o da PIT-CN (Plen\u00e1rio Intersindical de Trabalhadores-Conven\u00e7\u00e3o Nacional de Trabalhadores), a central \u00fanica do Uruguai e afim com as hostes pol\u00edticas da coaliz\u00e3o esquerdista Frente Ampla do Presidente Tabar\u00e9 V\u00e1zquez. As mesmas brechas, embora com pequenas diferen\u00e7as, poderiam ocorrer na Bol\u00edvia, onde governa o l\u00edder campon\u00eas Morales, no Equador, com a presid\u00eancia do esquerdista Rafael Correa, ou na Nicar\u00e1gua, ap\u00f3s a volta do ex-guerrilheiro sandinista Daniel Ortega, se essas administra\u00e7\u00f5es se afastarem de seus compromissos de campanha e programas de consenso social.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio baixar as bandeiras com os governos amigos\u201d, recomendou Bor\u00f3n. Os movimentos sociais n\u00e3o s\u00f3 podem manter uma agenda independente de governos centro-esqurdistas, como \u201cdevem\u201d faz\u00ea-lo, destacou. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas do contr\u00e1rio estariam traindo a confian\u00e7a de suas bases\u201d, ressaltou. O especialista entende que os partidos de esquerda ou movimentos sindicais \u201cn\u00e3o devem se transformar em correias de transmiss\u00e3o dos poderes da vez\u201d, em troca de cargos no governo ou financiamento para atos e programas como ocorre em alguns casos, porque no caso de faze-lo perder\u00e3o credibilidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, quando as organiza\u00e7\u00f5es \u201cse negam a ser ap\u00eandices dos governos\u201d independentemente de sua cor pol\u00edtica, mant\u00eam o apoio de seus representados e seu vigor pol\u00edtico, destacou, e citou como exemplo o caso dos brasileiros Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Movimento dos Sem-Teto. De todo modo, para Bor\u00f3n, a conjuntura pol\u00edtica na regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator que est\u00e1 causando perda da import\u00e2ncia do F\u00f3rum Social Mundial. Tamb\u00e9m h\u00e1 debates internos sobre o destino do mesmo que, a seu ver, t\u00eam saldo prejudicial para a visibilidade e a gravita\u00e7\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos se imp\u00f4s a id\u00e9ia de que o FSM seja um espa\u00e7o de express\u00e3o cat\u00e1rtica da diversidade social, e se busca evitar que resulte em um ponto onde se possa coordenar as lutas em n\u00edvel mundial contra o grande capital, que se apresenta s\u00f3lido a cada ano em Davos\u201d, o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, que acontece nessa localidade da Su\u00ed\u00e7a, disse o soci\u00f3logo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 24\/01\/2008 &ndash; Na Am\u00e9rica Latina, a maioria dos governos progressistas j\u00e1 consolidados apresenta um paradoxo aos movimentos que integram o F\u00f3rum Social Mundial e resulta dif\u00edcil enfrentar presidentes e funcion\u00e1rios com os quais se compartilhou lutas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/america-latina\/forum-social-mundial-o-desafio-de-enfrentar-os-amigos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[],"class_list":["post-3599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}