{"id":360,"date":"2005-03-02T00:00:00","date_gmt":"2005-03-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=360"},"modified":"2005-03-02T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-02T00:00:00","slug":"direitos-humanos-os-desaparecimentos-no-acabam-no-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-os-desaparecimentos-no-acabam-no-nepal\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Os desaparecimentos n&atilde;o acabam no Nepal"},"content":{"rendered":"<p>Katmandu, 02\/03\/2005 &ndash; Enquanto o rei Gyanendra Bir Bikram Shah do Nepal encabe&ccedil;a um regime que coloca na pris&atilde;o centenas de opositores, pelo menos 1.200 pessoas continuam desaparecidas, nos &uacute;ltimos cinco anos, supostamente por apoiarem a insurg&ecirc;ncia mao&iacute;sta. H&aacute; quase um ano, o governo nepal&ecirc;s prometeu perante a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas por fim aos desaparecimentos, cometidos no contexto de uma guerra civil entre as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e o mao&iacute;sta Partido Comunista do Nepal, na qual morreram 11 mil pessoas. O compromisso ainda n&atilde;o foi cumprido, nem pelo governo centrista de Sher Bahadur Deuba, deposto no dia primeiro de fevereiro, nem pelo rei Gyanendra, que nesse dia assumiu o controle total do poder.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Os compromissos continuam sendo declara&ccedil;&otilde;es vazias, sem sustenta&ccedil;&atilde;o em esfor&ccedil;os concretos para deter as viola&ccedil;&otilde;es&quot;, afirmou nesta ter&ccedil;a-feira a Human Rights Watch, organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos com sede em Nova York. A acusa&ccedil;&atilde;o consta do informe &quot;Clara culpabilidade: Desaparecimentos em m&atilde;os das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a do Nepal&quot;, de 84 p&aacute;ginas divulgado pela HRW &agrave;s v&eacute;speras da sess&atilde;o anual da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU. Desde ent&atilde;o, mudou radicalmente o panorama pol&iacute;tico nepal&ecirc;s. Ao assumir o poder total, o monarca suspendeu as liberdades constitucionais e mandou prender dirigentes pol&iacute;ticos, sindicais e estudantis.<\/p>\n<p> O Nepal, outrora visto pelo Ocidente como um montanhoso reino paradis&iacute;aco e nevado, se converteu em um dos pa&iacute;ses onde mais desaparecimentos s&atilde;o cometidos, segundo afirmou o Grupo de Trabalho das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desaparecimentos Involunt&aacute;rios e for&ccedil;ados. Os investigadores da HRW documentaram 203 casos durante uma miss&atilde;o ao Nepal em setembro e outubro do ano passado. Seu relat&oacute;rio tamb&eacute;m menciona estudos de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais locais segundo os quais desde maio de 2000 foram cometidos 1.200 desaparecimentos, contra 368 em 2003. &quot;Quase todas as pris&otilde;es e deten&ccedil;&otilde;es que derivaram em desaparecimentos s&atilde;o desenvolvidas por unidades regulares do ex&eacute;rcito e da pol&iacute;cia&quot;, concluiu a HRW.<\/p>\n<p> &quot;Pelo menos, 16 pessoas desapareceram depois de presas pelo Real Ex&eacute;rcito Nepal&ecirc;s (RNA) e peal For&ccedil;a Policial Armada (APF) em uma opera&ccedil;&atilde;o de grande escala entre os dias 20 e 22 de outubro de 2002 em Rajapur, distrito de Bardia&quot;, informou a HRW. &quot;A for&ccedil;as de seguran&ccedil;a postadas no acampamento tempor&aacute;rio do ex&eacute;rcito Manpur Tapara lan&ccedil;aram a onda de pris&otilde;es em resposta &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o por parte de mao&iacute;stas de muitas reparti&ccedil;&otilde;es estatais em meses anteriores&quot;, acrescenta. &quot;V&aacute;rios testemunhos indicam que os presos-desaparecidos foram levados &aacute; escola secund&aacute;ria de Manpur Tapara, ocupada pelo RNA com seu acampamento tempor&aacute;rio. Os familiares foram diariamente &agrave; escola e viram os presos com olhos vendados em uma das salas de aula. Muitos reconheceram seus parentes pela roupa que usavam no momento em que foram detidos. Depois de desmontado o acampamento tempor&aacute;rio Manpur Tapara, no dia 25 de outubro, os 16 presos nunca mais foram vistos&quot;.<\/p>\n<p> O informe da HRW assegura que o governo n&atilde;o fez o suficiente para impedir os desaparecimentos. &quot;Ainda que o governo n&atilde;o tenha determinado diretamente &agrave;s for&ccedil;as de seguran&ccedil;a para que cometessem desaparecimentos como parte de sua campanha contra os mao&iacute;stas, sua omiss&atilde;o em adotar medidas razo&aacute;veis para acabar com essa pr&aacute;tica ou para responsabilizar os que a cometeram, as autoridades civis acabam se convertendo em c&uacute;mplices&quot;, advertiu a HRW. &quot;&Agrave; luz dessa falta de a&ccedil;&atilde;o, os desaparecimentos podem ser caracterizados, com justi&ccedil;a, como pol&iacute;tica de governo&quot;, concluiu o documento.<\/p>\n<p> A HRW divulgou o relat&oacute;rio no momento em que o rei Gyanendra continua avalizando a pris&atilde;o de dirigentes pol&iacute;ticos, sindicais e estudantis e ativistas de direitos humanos, e impedindo que essas pessoas deixem Katmandu. Membros dos principais partidos pol&iacute;ticos foram detidos no domingo passado em v&aacute;rias cidades, depois que se manifestaram publicamente contra o estado de emerg&ecirc;ncia imposto pelo monarca. Tamb&eacute;m no domingo, as autoridades impediram que Raj Pyakurel, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Centro de Servi&ccedil;os do Setor Informal, viajasse de Katmandu ao meio-oeste do pa&iacute;s para participar de um semin&aacute;rio, informou o jornal The Himalayan Times.<\/p>\n<p> No entanto, o gabinete imposto pelo rei reitera em cada oportunidade que t&ecirc;m que Gynendra est&aacute; comprometido com a democracia e que ir&aacute; restaurar os direitos suspenso logo que os &quot;terroristas&quot; mao&iacute;stas e a &quot;corrup&ccedil;&atilde;o&quot; estiverem subjugados. A comunidade internacional advertiu que suspender&aacute; a ajuda militar e a assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento do Nepal se Gyanendra n&atilde;o restaurar as liberdades civis em breve. &Iacute;ndia e Gr&atilde;-Bretanha j&aacute; suspenderam a ajuda militar e os Estados Unidos, um dos principais apoios da batalha do governo contra os mao&iacute;stas, pede urg&ecirc;ncia na volta &agrave; normalidade, dando prazo de cem dias. No governo anterior foi criada uma comiss&atilde;o de cinco membros, no m&ecirc;s de julho passado, para investigar o destino dos desaparecidos, depois de uma greve de fome por parte de seus familiares.<\/p>\n<p> No entanto, essa comiss&atilde;o apenas deu respostas para uma pequen&iacute;ssima parte dos 203 casos documentados pela HRW, e incluiu na lista nomes de desaparecidos e de pessoas que j&aacute; haviam sido libertadas. O relat&oacute;rio tamb&eacute;m questiona a atua&ccedil;&atilde;o da insurg&ecirc;ncia mao&iacute;sta em mat&eacute;ria de direitos humanos. &quot;Se os abusos dos mao&iacute;sta n&atilde;o ocupam mais lugar no relat&oacute;rio sobre desaparecimentos &eacute; porque estes costumam executar abertamente aqueles aos quais seq&uuml;estram, acusando-os de espi&otilde;es, inimigos de classe ou de desafiar o regime mao&iacute;sta&quot;, explicou a organiza&ccedil;&atilde;o. &quot;em 28 casos de desaparecimentos documentados neste documento, as fam&iacute;lias das v&iacute;timas acreditam que seus parentes foram assassinados depois de serem levados sob cust&oacute;dia pelas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a&quot;, informou a HRW. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Katmandu, 02\/03\/2005 &ndash; Enquanto o rei Gyanendra Bir Bikram Shah do Nepal encabe&ccedil;a um regime que coloca na pris&atilde;o centenas de opositores, pelo menos 1.200 pessoas continuam desaparecidas, nos &uacute;ltimos cinco anos, supostamente por apoiarem a insurg&ecirc;ncia mao&iacute;sta. H&aacute; quase um ano, o governo nepal&ecirc;s prometeu perante a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas por fim aos desaparecimentos, cometidos no contexto de uma guerra civil entre as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e o mao&iacute;sta Partido Comunista do Nepal, na qual morreram 11 mil pessoas. O compromisso ainda n&atilde;o foi cumprido, nem pelo governo centrista de Sher Bahadur Deuba, deposto no dia primeiro de fevereiro, nem pelo rei Gyanendra, que nesse dia assumiu o controle total do poder.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-os-desaparecimentos-no-acabam-no-nepal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1474,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1474"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}