{"id":361,"date":"2005-03-02T00:00:00","date_gmt":"2005-03-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=361"},"modified":"2005-03-02T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-02T00:00:00","slug":"uruguai-esquerda-muda-a-histria-e-se-diferencia-dos-vizinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/uruguai-esquerda-muda-a-histria-e-se-diferencia-dos-vizinhos\/","title":{"rendered":"Uruguai: Esquerda muda a hist&oacute;ria e se diferencia dos vizinhos"},"content":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 02\/03\/2005 &ndash; A chegada ao poder de um governo de esquerda no Uruguai marca uma mudan&ccedil;a na hist&oacute;ria desse pequeno pa&iacute;s sul-americano e completa um quebra-cabe&ccedil;a sub-regional definitivamente diferente do cen&aacute;rio neoliberal dos anos 90. a sensa&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a foi vis&iacute;vel nas ruas de Montevid&eacute;u e pelas gargantas de dezenas de milhares de pessoas que foram para as ruas comemorar um dia hist&oacute;rico, que tamb&eacute;m marcou o vig&eacute;simo anivers&aacute;rio da restaura&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica ap&oacute;s quase 12 ano de ditadura militar. Essa sensa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi notada no discurso pronunciado pelo agora presidente Tabar&eacute; V&aacute;zquez, depois de jurar fidelidade &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o perante a Assembl&eacute;ia Geral legislativa.<br \/> <!--more--> <br \/> O governo do Encontro Progressista-Frente Ampla-Nova Maioria &eacute;, em muitos sentidos, uma ruptura em rela&ccedil;&atilde;o ao passado pol&iacute;tico do Uruguai, mas, tamb&eacute;m tem um perfil nitidamente diferente das administra&ccedil;&otilde;es no Brasil, Chile, Argentina e Venezuela, com as quais assinala mais ou menos irmanado. V&aacute;zquez, socialista e m&eacute;dico oncologista de 65 anos, em seu discurso de 25 minutos prometeu concretizar essa mudan&ccedil;a que foi o lema de sua campanha eleitoral. Sintetizou esses compromissos em &quot;austeridade&quot; governamental, expans&atilde;o dos direitos humanos em todos os n&iacute;veis da vida nacional, uma pol&iacute;tica externa de integra&ccedil;&atilde;o regional, respeito aos compromissos assumidos com os credores internacionais e impulso a uma agenda global &quot;do desenvolvimento&quot; frente &agrave; outra &quot;da seguran&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p> Tabar&eacute; V&aacute;zquez recordou que, 20 anos depois do fim da ditadura, &quot;subsistem zonas obscuras&quot; em mat&eacute;ria de direitos humanos. &quot;Pelo bem de todos, &eacute; necess&aacute;rio e poss&iacute;vel esclarec&ecirc;-las no contexto da legisla&ccedil;&atilde;o vigente, para que a paz se instale definitivamente no cora&ccedil;&atilde;o dos uruguaios e a mem&oacute;ria coletiva incorpore o drama de ontem, com suas hist&oacute;rias de entrega, sacrif&iacute;cio e trag&eacute;dia&quot;, acrescentou. O mandat&aacute;rio se referia ao cumprimento do artigo quarto a Lei de Caducidade da Pretens&atilde;o Punitiva do Estado (que encerrou a investiga&ccedil;&atilde;o dos crimes cometidos durante a ditadura, de 1973 a 1985) e que permite investigar o que ocorreu com cerca de 200 desaparecidos.<\/p>\n<p> V&aacute;zquez tamb&eacute;m falou das quest&otilde;es pendentes em mat&eacute;ria de &quot;igualdade racial, eq&uuml;idade de g&ecirc;nero, direitos da crian&ccedil;a, direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura, direito a um meio ambiente seguro. Esses tamb&eacute;m s&atilde;o direitos humanos que fazem a qualidade da democracia&quot;. O presidente reiterou o conceito de &quot;Mais e melhor Mercosul&quot;, qualificando-o de projeto pol&iacute;tico estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s, mas, reivindicou o direito de desenvolver rela&ccedil;&otilde;es com todas as na&ccedil;&otilde;es, e garantiu que impulsionar&aacute; um r&aacute;pido acordo comercial do bloco sul-americano com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.<\/p>\n<p> Tabar&eacute; V&aacute;zquez reiterou que seu governo vai honrar as d&iacute;vidas com o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), o Banco Mundial e os credores privados, dentro de &quot;rela&ccedil;&otilde;es de respeito e do direito ao desenvolvimento da sociedade uruguaia&quot;. Mas, &quot;desde o in&iacute;cio de nosso governo deve ficar bem claro, e dizemos isso com respeito, mas com a m&aacute;xima firmeza: n&atilde;o vamos tolerar inger&ecirc;ncia externa em nossos assuntos internos. Os assuntos, decis&otilde;es e problemas dos uruguaios ser&atilde;o resolvidos pelos uruguaios&quot;, afirmou. V&aacute;zquez atribuiu &quot;especial import&acirc;ncia&quot; aos acordos firmados com as for&ccedil;as de oposi&ccedil;&atilde;o no dia 16 de fevereiro, em mat&eacute;ria econ&ocirc;mica, exterior e educacional. Mas, &quot;seria ing&ecirc;nuo&quot; esperar deles &quot;efeitos milagrosos&quot;, advertiu.<\/p>\n<p> As modifica&ccedil;&otilde;es que o pa&iacute;s requer n&atilde;o podem acontecer sem amplos &quot;acordos sociais&quot;, acrescentou. As expectativas dos cidad&atilde;os quanto a mudan&ccedil;as e as reclama&ccedil;&otilde;es setoriais exercer&atilde;o consider&aacute;vel press&atilde;o sobre o novo governo. A democracia uruguaia atravessou com &ecirc;xito a crise econ&ocirc;mica e social de 2002, mas, com grande custo social, que deixou na pobreza um milh&atilde;o dos 3,2 milh&otilde;es de habitantes. O novo governo pretende negociar rapidamente, em duas semanas, um novo acordo com o FMI, informou na segunda-feira o ministro da Economia, Danilo Atore. O pa&iacute;s tem uma d&iacute;vida externa que equivale a quase todo seu produto interno bruto.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m ser&aacute; implementado um Plano de Emerg&ecirc;ncia de dois anos com or&ccedil;amento anual de US$ 100 milh&otilde;es, para atender as necessidades de alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o indigente, estimada em cerca de cem mil pessoas. A m&eacute;dio prazo, a administra&ccedil;&atilde;o pretende corrigir as desigualdades redistribuindo o gasto p&uacute;blico e a carga de impostos, mas, sobretudo, atraindo investimentos que permitam criar &quot;mais e melhores empregos&quot;, disse Astori. Para o especialista pol&iacute;tico Jorge Lanzaro, a esquerda poder&aacute; exercer &quot;uma pol&iacute;tica de corre&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as moderadas, sem giros radicais nem de proje&ccedil;&atilde;o global&quot;.<\/p>\n<p> &quot;As institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;bicas mostram que, ainda nesta t&ocirc;nica, &eacute; problem&aacute;tico e trabalhoso produzir transforma&ccedil;&otilde;es&quot;, afirma Lanzaro no livro &quot;A esquerda uruguaia entre a oposi&ccedil;&atilde;o e o governo&quot;. Al&eacute;m disso, &quot;a esquerda n&atilde;o ficou imperme&aacute;vel &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o cultural neoliberal, e integrou alguns de seus elementos, como a necessidade do equil&iacute;brio fiscal, abertura comercial e competitividade&quot;, disse &agrave; IPS o especialista. O certo &eacute; que a partir desta ter&ccedil;a-feira haver&aacute; uma formid&aacute;vel reformula&ccedil;&atilde;o nas elites vinculadas aos recursos do Estado uruguaio.<\/p>\n<p> A esquerda n&atilde;o somente exercer&aacute; o Poder Executivo, como, tamb&eacute;m, ter&aacute; maioria parlamentar absoluta e controlar&aacute; as poderosas empresas p&uacute;blicas, al&eacute;m de renovar progressivamente milhares de cargos, de alto e m&eacute;dio escal&otilde;es, na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que por mais de 170 anos de hist&oacute;ria pol&iacute;tica estiveram nas m&atilde;os do Partido Colorado e, em menor medida, do Partido Nacional. Este &eacute; um aspecto que diferencia o novo governo uruguaio de experi&ecirc;ncias em pa&iacute;ses vizinhos. O presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva governo com uma esp&eacute;cie de coaliz&atilde;o parlamentar com setores, em alguns casos, na as ant&iacute;podas do Partido dos Trabalhadores, apenas a primeira minoria na C&acirc;mara. O argentino Nestor Kirchner expressa o pensamento pol&iacute;tico da ala centro-esquerdista do Partido Justicialista, majorit&aacute;rio no parlamento, mas que nos anos 90 exerceu um governo aderido ao neoliberalismo econ&ocirc;mico e ao conservadorismo pol&iacute;tico.<\/p>\n<p> Tampouco a coaliz&atilde;o de centro-esquerda que governo o Chile desde 1990 &eacute; compar&aacute;vel &agrave; Frente Ampla do Uruguai, criada em 1971 e com um cont&iacute;nuo crescimento eleitoral desde ent&atilde;o. A administra&ccedil;&atilde;o da Venezuela discorre pelo terreno de um movimento social aglutinado em torno em torno de uma figura, a do presidente Hugo Ch&aacute;vez, sobre a desintegra&ccedil;&atilde;o do sistema de partidos e uma polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica extrema. Mas, a esquerda uruguaia tem em comum com todos eles a busca de um caminho diferente do seguido na regi&atilde;o nos anos 80 e 90, baseado no desmantelamento do Estado e nas privatiza&ccedil;&otilde;es. Chega ao poder com todos os atributos para encontr&aacute;-lo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 02\/03\/2005 &ndash; A chegada ao poder de um governo de esquerda no Uruguai marca uma mudan&ccedil;a na hist&oacute;ria desse pequeno pa&iacute;s sul-americano e completa um quebra-cabe&ccedil;a sub-regional definitivamente diferente do cen&aacute;rio neoliberal dos anos 90. a sensa&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a foi vis&iacute;vel nas ruas de Montevid&eacute;u e pelas gargantas de dezenas de milhares de pessoas que foram para as ruas comemorar um dia hist&oacute;rico, que tamb&eacute;m marcou o vig&eacute;simo anivers&aacute;rio da restaura&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica ap&oacute;s quase 12 ano de ditadura militar. Essa sensa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi notada no discurso pronunciado pelo agora presidente Tabar&eacute; V&aacute;zquez, depois de jurar fidelidade &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o perante a Assembl&eacute;ia Geral legislativa.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/uruguai-esquerda-muda-a-histria-e-se-diferencia-dos-vizinhos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-361","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}