{"id":3617,"date":"2008-01-31T15:15:10","date_gmt":"2008-01-31T15:15:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3617"},"modified":"2008-01-31T15:15:10","modified_gmt":"2008-01-31T15:15:10","slug":"financas-estados-unidos-os-bancos-o-governo-e-a-bolha-imobiliaria-a-crise-de-29-e-a-quebra-das-pontocom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/economia\/financas-estados-unidos-os-bancos-o-governo-e-a-bolha-imobiliaria-a-crise-de-29-e-a-quebra-das-pontocom\/","title":{"rendered":"FINAN\u00c7AS-ESTADOS UNIDOS: Os bancos, o governo e a bolha imobili\u00e1ria, a crise de 29 e a quebra das pontocom"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 31\/01\/2008 &ndash; Nenhuma explica\u00e7\u00e3o sobe o ciclo de pen\u00farias financeiras que hoje afligem a economia mundial seria completa sem mencionar o apoio das grandes empresas aos pol\u00edticos dos Estados Unidos, o n\u00edvel de sal\u00e1rios e a transfer\u00eancia de risco aos investidores. <!--more--> Sem d\u00favida, n\u00e3o h\u00e1 escassez de culpados a quem atribuir a responsabilidade. As institui\u00e7\u00f5es financeiras foram temer\u00e1rias, as consultoras de qualifica\u00e7\u00e3o de risco foram irrespons\u00e1veis, os \u00f3rg\u00e3os reguladores foram impotentes e as autoridades monet\u00e1rias foram infelizes.<\/p>\n<p>Crentes fazedores de hipotecas norte-americanas receberam empr\u00e9stimos de risco. Depois as financeiras colocaram no mercado t\u00edtulos respaldados por essas hipotecas, muitas delas parecendo predestinadas a ca\u00edrem em mora. Os investidores institucionais apostaram fortunas nesses t\u00edtulos. As qualificadoras de risco credit\u00edcio aprovaram esses pap\u00e9is com seus ratings mais altos, apesar das evid\u00eancias sobre sua escassa confiabilidade. Essa credulidade, em meio a uma bolha imobili\u00e1ria especulativa que aumentou os pre\u00e7os das propriedades \u00e0s nuvens, resulta incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Um fen\u00f4meno semelhante de cont\u00ednua supervaloriza\u00e7\u00e3o de ativos precedeu a crise financeira asi\u00e1tica de 1997 e o colapso das \u201cpontocom\u201d (neg\u00f3cios na Internet) alguns anos mais tarde. Na contram\u00e3o da imagem de seriedade e bom julgamento que o setor financeiro gosta de cultivar, poucos atores tiveram incentivos para exercitar a prud\u00eancia. A renda resultando da for\u00e7a de vendas do setor est\u00e1 ligada ao volume, n\u00e3o \u00e0 qualidade, dos neg\u00f3cios que geraram. Um banqueiro de Nova York, com experi\u00eancia entre 10 r 15 anos, ganha cerca de US$ 2,1 milh\u00f5es por ano, segundo o colunista Robert Samuelson do jornal The Washington Post.<\/p>\n<p>Desse total, cerca de US$ 1,2 milh\u00e3o prov\u00e9m de pr\u00eamios em dinheiro pela venda de a\u00e7\u00f5es ou b\u00f4nus e \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es empresariais, acrescentou. Al\u00e9m disso, quase dois ter\u00e7os dos US$ 1,5 milh\u00e3o ganhos por um vendedor de b\u00f4nus com experi\u00eancia semelhante tamb\u00e9m t\u00eam origem em pr\u00eamios em dinheiro, que chegam a representar 80% da renda de aproximadamente US$ 1,8 milh\u00e3o anuais de um gerente de um fundo de cobertura (hedge fund).<\/p>\n<p>As acentuadas altas e baixas dos mercados s\u00e3o com freq\u00fc\u00eancia atribu\u00eddas ao \u201cinstinto de manada\u201d dos operadores, que compram ou se desfazem em massa de um determinado b\u00f4nus ou a\u00e7\u00e3o. Mas, segundo Samuelson, \u201ca pr\u00e1tica de conceder compensa\u00e7\u00f5es baseadas sobre os ganhos anuais complicam o panorama\u201d. Os executivos de alto n\u00edvel, al\u00e9m disso, s\u00e3o incentivados para maximizarem os ganhos do trimestre, ou, em alguns casos, anuais.<\/p>\n<p>Se uma companhia supera as previs\u00f5es dos analistas, seja em termos de vendas, renda ou ganhos, suas a\u00e7\u00f5es sobem e os diretores recebem b\u00f4nus como recompensa, que podem conservar, embora depois ocorram perdas. O banco norte-americano Merrill Lynch concedeu a Stanley O\u2019Neil US$ 161,5 milh\u00f5es, mais de tr\u00eas vezes sua renda do ano anterior, mesmo tendo deixado seu cargo de presidente em outubro. Nessa \u00e9poca, as perdas com t\u00edtulos apoiados por hipotecas de risco j\u00e1 somavam cerca de US$ 8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os possuidores de a\u00e7\u00f5es da Merrill Lynch dever\u00e3o suportar as perdas, j\u00e1 que as transforma\u00e7\u00f5es no sistema financeiro dos \u00faltimos anos transferiram o risco aos investidores. As campanhas mais importantes costumam ser de propriedade familiar ou sociedades an\u00f4nimas, mas agora s\u00e3o cotadas em bolsa e qualquer um pode comprar a\u00e7\u00f5es, o que livra os s\u00f3cios majorit\u00e1rios e diretores do risco futuro. Mas o sistema de compensa\u00e7\u00f5es e pr\u00eamios continua lhes assegurando renda derivada dos lucros.<\/p>\n<p>\u201cPara encher seus bolsos, alegremente exp\u00f5em seus acionistas a riscos que jamais teriam assumido com seu pr\u00f3prio capital\u201d, disse Peter Schiff, presidente da Euro Pacific Capital, uma empresa norte-americana de assessoramento em investimentos. Os \u00f3rg\u00e3os reguladores, e as \u00e1reas de governo que estabelecem suas diretrizes e fundos or\u00e7ament\u00e1rios, demonstraram claramente que n\u00e3o podem rivalizar com as artimanhas do setor financeiro.<\/p>\n<p>Embora sob estreita vigil\u00e2ncia depois do colapso das \u201cpontocom\u201d, essa aten\u00e7\u00e3o se desfez ap\u00f3s os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. As regras se tornaram mais r\u00edgidas novamente em 2002, devido aos esc\u00e2ndalos por contabilidade fraudulenta, mas essas reformas se centraram em aspectos que n\u00e3o estivessem em jogo na origem da crise atual. Mas, os \u00f3rg\u00e3os reguladores e os pol\u00edticos aos quais respondem parecem ter sido c\u00famplices nos excessos.<\/p>\n<p>A Lei de Bancos de 1933 foi sancionada para evitar uma repeti\u00e7\u00e3o da Grande Depress\u00e3o de 1929. Proibiu que os bancos tamb\u00e9m atuassem como agentes de investimento na bolsa, j\u00e1 que se considerou que o colapso da Bolsa de Nova York se deveu a um conflito de interesses entre essas duas \u00e1reas de neg\u00f3cios em uma mesma institui\u00e7\u00e3o. O Congresso norte-americano a deixou sem efeito em 1999, recompensando as companhias financeiras pelos mais de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares que investiram fazendo lobby por mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Seus esfor\u00e7os foram vistos com maior simpatia depois de 1987, quando um ex-diretor do banco de investimento J. P. Morgan, Alan Greenspan, se converteu em presidente da Reserva Federal (banco central) dos Estados Unidos e considerou que a lei havia se convertido em uma rel\u00edquia que atentava contra competitividade dos bancos. O empurr\u00e3o final ocorreu em 1998-1998, quando as companhias financeiras, seguradoras e imobili\u00e1rias investiram em lobby outros US$ 200 milh\u00f5es e contribu\u00edram com US$ 150 milh\u00f5es adicionais com os fundos de campanha de diversos legisladores, muitos deles membros das comiss\u00f5es de Finan\u00e7as das duas c\u00e2maras do Congresso.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o secret\u00e1rio do Tesouro, Robert Rubin, deu a luz verde do governo do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) para revogar a Lei de Bancos de 1933. Poucos dias depois Rubin anunciou que deixava a vida p\u00fablica para voltar atividade privada, para trabalhar no Citigroup, o maior banco do mundo, junto com Sanford Weill, que havia lan\u00e7ado a ofensiva final contra a lei \u201canacr\u00f4nica\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 31\/01\/2008 &ndash; Nenhuma explica\u00e7\u00e3o sobe o ciclo de pen\u00farias financeiras que hoje afligem a economia mundial seria completa sem mencionar o apoio das grandes empresas aos pol\u00edticos dos Estados Unidos, o n\u00edvel de sal\u00e1rios e a transfer\u00eancia de risco aos investidores. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/01\/economia\/financas-estados-unidos-os-bancos-o-governo-e-a-bolha-imobiliaria-a-crise-de-29-e-a-quebra-das-pontocom\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":448,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[14],"class_list":["post-3617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/448"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}