{"id":3622,"date":"2008-02-01T19:36:08","date_gmt":"2008-02-01T19:36:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3622"},"modified":"2008-02-01T19:36:08","modified_gmt":"2008-02-01T19:36:08","slug":"mulheres-um-homem-pode-ser-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/02\/mundo\/mulheres-um-homem-pode-ser-presidente\/","title":{"rendered":"MULHERES: Um homem pode ser presidente?"},"content":{"rendered":"<p>Roma, 01\/02\/2008 &ndash; \u201cAcredita que um homem poder\u00e1 ser presidente algum dia?\u201d, pergunta \u00e0 sua m\u00e3e uma crian\u00e7a que em toda sua vida somente viu mulheres como chefes de Estado em seu pa\u00eds, a Irlanda. <!--more--> Em dezembro deste ano entraram na idade adulta irlandeses que passaram toda sua vida sob mulheres na presid\u00eancia. Mary Robinson, a antecessora de Mary McAleese, assumiu o cargo em 3 de dezembro de 1990. MacAleese a sucedeu no dia 10 de novembro de 1997. A subdiretora-executiva do programa do Fundo de Desenvolvimento das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifm), Joanne Sandler, conta esta historia para ilustrar como em alguns pa\u00edses, a lideran\u00e7a feminina pode se converter em uma rotina.<\/p>\n<p>Em lugares como Irlanda e Finl\u00e2ndia \u00e9 cada vez menos extraordin\u00e1rio ver uma mulher no poder\u201d, disse Sandler. E, segundo ela, devido a essa presen\u00e7a poderia aumentar a propor\u00e7\u00e3o de postos de lideran\u00e7a em m\u00e3os femininas. \u201cQuando algu\u00e9m v\u00ea mulheres em posi\u00e7\u00f5es de poder muda a imagem que as meninas t\u00eam de si mesmas. Elas se v\u00eaem em nossos lugares. A mudan\u00e7a levar\u00e1 muito tempo, embora tenha come\u00e7ado\u201d, explicou. Esses avan\u00e7os n\u00e3o necessariamente se correspondem com o desenvolvimento econ\u00f4mico de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A It\u00e1lia est\u00e1 em 84\u00ba lugar no \u00faltimo \u00cdndice de Brecha de G\u00eanero, divulgado pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. Portanto, uma das principais economias do mundo se encontra em pior situa\u00e7\u00e3o do que pa\u00edses em desenvolvimento como Bol\u00edvia (80\u00ba), Peru (75\u00ba) Arm\u00eania (70\u00ba). No topo da lista de 128 pa\u00edses analisados figura a Su\u00e9cia. O Panam\u00e1 ocupa o lugar 38. Sri Lanka em 15\u00ba, Estados Unidos em 31\u00ba, Argentina 33\u00ba, Mong\u00f3lia 62\u00ba, Indon\u00e9sia 81, Nicar\u00e1gua 90 e Bangladesh em 100\u00ba. Filipinas, outro pa\u00eds em desenvolvimento, consegue um desempenho extraordin\u00e1rio: figura em 6\u00ba lugar, atr\u00e1s de cinco na\u00e7\u00f5es ricas, como Su\u00e9cia, Noruega, Finl\u00e2ndia, Isl\u00e2ndia e Nova Zel\u00e2ndia. Os pa\u00edses com a brecha de g\u00eanero mais profunda s\u00e3o Paquist\u00e3o (126), I\u00eamen (128) e Chade (127).<\/p>\n<p>Com a riqueza pessoal ocorre algo semelhante ao que acontece com a dos pa\u00edses: n\u00e3o \u00e9 um requisito essencial para o avan\u00e7o de uma mulher. \u201cMais dinheiro n\u00e3o equivale a menos discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. O dinheiro e o poder t\u00eam influ\u00eancia no caso das mulheres que t\u00eam ascens\u00e3o. Mas, por si s\u00f3, o dinheiro n\u00e3o explica\u201d o fen\u00f4meno, disse Sandler. O exemplo da Lib\u00e9ria \u00e9 significativo. \u201cUma mulher educada, ex-funcion\u00e1ria do Banco Mundial e da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com um curr\u00edculo impressionante, compete com um jogador de futebol que n\u00e3o passou da escola secundaria\u201d, disse em alus\u00e3o \u00e0 presidente Ellen Johnson-Sirleaf e o candidato que a derrotou nas elei\u00e7\u00f5es de 2005, George Weah.<\/p>\n<p>\u201cImaginemos o contr\u00e1rio: uma mulher com as credenciais de Weah seria uma concorrente s\u00e9ria diante de um homem como Johnson-Sirleaf? Para entrar na carreira pol\u00edtica de alto n\u00edvel, as mulheres necessitam o mesmo que os homens, mas tamb\u00e9m muitas qualidades extras\u201d, disse. \u201cO dinheiro \u00e9, por certo, um igualador em termos de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao capital, \u00e0 propriedade e \u00e0s oportunidades\u201d, disse, por sua vez, Ayesha Kajee, pesquisadora do instituto Sul-africano de Assuntos Internacionais integrante do conselho do capitulo sul-africano da Transpar\u00eancia Internacional. \u201cMas, mesmo nas elites ricas os homens tendem a exercer mais poder do que as mulhers. Da\u00ed que a riqueza n\u00e3o garante a igualdade entre sexos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Sociedades supostamente desenvolvidas que mant\u00eam estruturas familiares e de lideran\u00e7a patriarcais e autorit\u00e1rias podem, por outro lado, \u201cinstituir pol\u00edticas que resultem em uma antipatia institucional e social para garantia das mulheres\u201d, destacou Kajee. \u201cNessas sociedades, elas mesmas s\u00e3o, freq\u00fcentemente, tacitamente c\u00famplices, pois foram socializadas para pensar que o acesso ao poder \u00e9 indesej\u00e1vel, pouco feminino ou anti-religioso\u201d, acrescentou. H, segundo Kajee, um v\u00ednculo entre g\u00eanero e desenvolvimento, \u201cmas a mudan\u00e7a ocorre por muitas razoes diferentes\u201d.<\/p>\n<p>A especialista recordou que o Unifem constatou em 2002 que, \u201cdando-se poder \u00e0s mulheres pode-se, por exemplo, legislar uma cota\u201d de representa\u00e7\u00e3o parlamentar feminina m\u00ednima \u201csem muito esfor\u00e7o\u201d. \u201cTodos os pa\u00edses que conseguiram ou ultrapassaram a representa\u00e7\u00e3o parlamentar feminina de 30% t\u00eam algum tipo de a\u00e7\u00e3o positiva. N\u00e3o \u00e9 um assunto Norte-Sul ou de n\u00edvel de desenvolvimento, mas de vontade pol\u00edtica, e pode ser independente do desenvolvimento humano\u201d, acrescentou. Isso explicaria porque pa\u00edses como Filipinas se colocam em lugares t\u00e3o elevados segundo o \u00cdndice de Brecha de G\u00eanero: alguns sistemas eleitorais favorecem as pol\u00edticas de g\u00eanero mais do que outros, disse Kajee.<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o proporcional para a destina\u00e7\u00e3o de cadeiras no parlamento \u201ctem muito mais \u00eaxito do que os sistemas de maioria simples de votos\u201d por circunscri\u00e7\u00e3o eleitoral \u201cna hora de incentivar e abrir o acesso \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres\u201d, explicou. \u201cOs pa\u00edses economicamente subdesenvolvidos que priorizam a educa\u00e7\u00e3o das meninas ou o acesso das mulheres \u00e0s oportunidades de mercado, ou cujas leis ou normas tradicionais as incentivam a aproveitar essas oportunidades, colhem os benef\u00edcios de tais pol\u00edticas em uma crescente lideran\u00e7a pol\u00edtica e empresarial\u201d, disse Kajee.<\/p>\n<p>Muitos outros fatores fazem as mulheres aproveitarem ou n\u00e3o essas oportunidades para transformar suas sociedades. \u201cCom mais mulheres na pol\u00edtica, agora se percebe a complexidade da intersec\u00e7\u00e3o do g\u00eanero com a classe social, a fam\u00edlia, o poder e o dinheiro. Quantas mais h\u00e1, maior \u00e9 o papel do g\u00eanero\u201d, disse \u00e0 IPS Charlotte Bunch, diretora-executiva do Centro para a Lideran\u00e7a Global das Mulheres da Universidade de Rutgers (EUA).<\/p>\n<p>Mas, para que as presen\u00e7a feminina permita introduzir esse papel entre as prioridades pol\u00edticas, as mulheres devem superar uma fronteira que Bunch e Sandler situam entre 10% e 30% das cadeiras parlamentares. Em janeiro de 2007, segundo a Uni\u00e3o Interpalamentaria (UIP), houve mais mulheres que nunca presidindo \u00f3rg\u00e3os legislativos: 35 de um total de 262. Estas foram eleitas pela primeira vez em G\u00e2mbia, Israel, Swazil\u00e2ndia, Turcomenist\u00e3o e Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cQuatro pa\u00edses mantiveram ou ultrapassaram uma massa cr\u00edtica de 30% de representa\u00e7\u00e3o legislativa feminina depois das elei\u00e7\u00f5es de 2006\u201d, diz o informe da UIP, organiza\u00e7\u00e3o integrada pelos parlamentos de mais de 140 pa\u00edses. \u201cA Su\u00e9cia elegeu para o parlamento a maior quantidade de mulheres de sua historia: agora ocupam 47,3% das cadeiras, a segunda porcentagem mais elevada do mundo depois de Ruanda\u201d, diz o informe. No pa\u00eds africano, essa propor\u00e7\u00e3o chega a 48,8% na c\u00e2mara baixa. Em termos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, isto significa mais mulheres candidatas e mais eleitoras, destacou Sandler.<\/p>\n<p>\u201cUm dos principais obst\u00e1culos \u00e9 a viol\u00eancia que enfrentam as candidatas. N\u00e3o s\u00f3 viol\u00eancia f\u00edsica, mas tamb\u00e9m como \u00e9 abordada, como \u00e9 informada, o que emana da discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. E isso n\u00e3o se restringe \u00e0 \u00c1frica\u201d, acrescentou. Nesse sentido, explicou, as lideres est\u00e3o sob uma observa\u00e7\u00e3o mais intensa do que os homens. \u201cElas ainda s\u00e3o uma novidade, porque s\u00e3o muito incomuns. Mas, h\u00e1 uma grande expectativa diante de Johnson-Sirleaf e a presidente do Chile, Michelle Bachlet. \u201cS\u00e3o mais observadas do que os homens? Por acaso, isso \u00e9 justo?\u201d, perguntou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, 01\/02\/2008 &ndash; \u201cAcredita que um homem poder\u00e1 ser presidente algum dia?\u201d, pergunta \u00e0 sua m\u00e3e uma crian\u00e7a que em toda sua vida somente viu mulheres como chefes de Estado em seu pa\u00eds, a Irlanda. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/02\/mundo\/mulheres-um-homem-pode-ser-presidente\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":287,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[21],"class_list":["post-3622","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/287"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3622\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}