{"id":3634,"date":"2008-02-08T18:39:22","date_gmt":"2008-02-08T18:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3634"},"modified":"2008-02-08T18:39:22","modified_gmt":"2008-02-08T18:39:22","slug":"europa-fantasmas-da-guerra-fria-ainda-inquietam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/02\/direitos-humanos\/europa-fantasmas-da-guerra-fria-ainda-inquietam\/","title":{"rendered":"Europa: Fantasmas da Guerra Fria ainda inquietam"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 08\/02\/2008 &ndash; A Guerra Fria \u00e9 historia antiga\u201d, dizia um titulo do jornal International Herald Tribune. A not\u00edcia dizia que os adolescentes de hoje na zona oriental de Berlim sabem muito pouco sobre o comunismo. <!--more--> Mas nessa mesma edi\u00e7\u00e3o, do \u00faltimo dia 4, outro artigo anunciava, na primeira p\u00e1gina, que os fantasmas da Guerra Fria ainda rondam a Europa. O jornal disse que os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte ser\u00e3o a partir de agora mais cautelosos na hora de compartilhar informa\u00e7\u00e3o, pois um h\u00fangaro, treinado pela KGB, o servi\u00e7o secreto da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, presidir\u00e1 a comiss\u00e3o de intelig\u00eancia da Otan.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica designa\u00e7\u00e3o ocorreu em meio ao debate sobre o papel que deveria desempenhar hoje a Otan, criada em 1949 para defender a Europa de um hipot\u00e9tico ataque sovi\u00e9tico. O quadro da situa\u00e7\u00e3o mudou com os anos. No momento de comemorar seu 50\u00ba anivers\u00e1rio, em 1990, a alian\u00e7a travava uma guerra contra o presidente da S\u00e9rvia, Slobodan Milosevic (1989-1997), embora nunca tenha atacado diretamente uma na\u00e7\u00e3o pertencente \u00e0 Otan. Mais recentemente, aceitou como membros pa\u00edses que foram parte do bloco sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>A Otan tamb\u00e9m deu assist\u00eancia log\u00edstica \u00e0s tropas da Uni\u00e3o Africana que tentavam pacificar a prov\u00edncia sudanesa de Darfur. E 43 mil solados da alian\u00e7a combatem hoje no Afeganist\u00e3o. Mas a Otan corre o risco de \u201cperder sua credibilidade\u201d se n\u00e3o se adaptar \u00e0s novas circunstancias, alertou em janeiro um grupo de generais da reserva, entre os quais o norte-americano John Shalikashvili, que foi comandante supremo das for\u00e7as aliadas na Europa.<\/p>\n<p>Embora seu informe \u201cPara uma grande estrat\u00e9gia em um mundo incerto\u201d recomendasse que a Otan desenvolvesse capacidades n\u00e3o militares, tamb\u00e9m destacou que devia se manter aberta \u00e0 op\u00e7\u00e3o do uso de armas nucleares. \u201cA possibilidade de lan\u00e7ar um primeiro ataque at\u00f4mico dever permanecer como um instrumento de preven\u00e7\u00e3o do uso de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, para evitar perigos realmente existenciais\u201d, disseram esses militares.<\/p>\n<p>Essa declara\u00e7\u00e3o difere claramente da posi\u00e7\u00e3o dos ex-secret\u00e1rios de Estado norte-americanos, Henry Kissinger e George Shultz, que em uma coluna publicada h\u00e1 um ano pelo The Wall Street Journal recomendaram uma redu\u00e7\u00e3o substancial dos arsenais at\u00f4micos. A id\u00e9ia de que os m\u00edsseis com ogivas nucleares podem deter um ataque \u201cest\u00e1 se tornando crescentemente perigosa e decrescentemente efetiva\u201d, escreveram.<\/p>\n<p>Os governos europeus se comprometeram a contribuir com a renova\u00e7\u00e3o da Otan, o que foi interpretado como uma tentativa de refor\u00e7ar sua capacidade militar. O or\u00e7amento da Otan, em torno de US$ 850 bilh\u00f5es por ano, representa cerca de 75% do gasto mundial em armas. A maior parte corresponde aos Estados Unidos, que dedicam \u00e0 \u00e1rea da defesa mais dinheiro do que todo o resto do mundo.<\/p>\n<p>Para 2008, Washington prev\u00ea gastar US$ 515 bilh\u00f5es. Se o Congresso aprovar essa quantia, ser\u00e1 a mais elevada desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Os pa\u00edses europeus se equivocar\u00e3o se decidirem imitar os Estados Unidos, disse Paul Ingram, do Conselho Anglo-Norte-americano de Informa\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a. Em sua opini\u00e3o, seria mais produtivo se os esfor\u00e7os para levar estabilidade a regi\u00f5es vol\u00e1teis do mundo fossem canalizadas atrav\u00e9s de ferramentas civis como a diplomacia e a ajuda para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que a press\u00e3o para aumentar o gasto de defesa europeu prov\u00e9m das na\u00e7\u00f5es \u2018guerreiras\u2019: Estados Unidos, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha. Est\u00e3o mais preocupados com a capacidade militar do que com a seguran\u00e7a\u201d, disse Ingram \u00e0 IPS. O debate sobre a prioridade que se deve dar \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares \u00e9 especialmente intenso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o da Otan no Afeganist\u00e3o. A Alemanha rejeitou um pedido de Washington para que enviasse mais tropas.<\/p>\n<p>No ano passado foram registradas mais de 6.500 mortes, as quais o converteram no mais sangrento desde a invas\u00e3o a esse pa\u00eds em 2001. O general norte-americano James Jones, comandante supremo das for\u00e7as aliadas na Europa entre 2003 e 2006, disse que o Afeganist\u00e3o poderia se converter em um Estado falido devido a um decrescente apoio internacional. Mas o porta-voz da Otan, James Appathurai, disse que foram alcan\u00e7ados \u201c\u00eaxitos enormes\u201d nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Instituto Internacional para Estudos Estrat\u00e9gicos, com sede em Londres, previu que as diverg\u00eancias entre membros da Otan ser\u00e3o uma quest\u00e3o-chave nos pr\u00f3ximos 12 meses. \u201cA c\u00fapula da Otan em abril, em Bucareste, n\u00e3o se limitar\u00e1 a discutir o eterno problema do papel da alian\u00e7a, mas se est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de reunir a for\u00e7a militar e os compromissos pol\u00edticos necess\u00e1rios por sua expandida vis\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d, afirmou o diretor-geral do instituto, John Chipman.<\/p>\n<p>Segundo Martin Butcher, do Instituto Acronym para a Diplomacia do Desarmamento, com sede em Londres, a Otan deveria escolher entre uma doutrina influenciada pela experi\u00eancia da Guerra Fria ou um enfoque mais \u201cilustrado\u201d. A \u201cverdade \u00e9 que a Otan n\u00e3o enfrenta nenhuma amea\u00e7a imediata ou vital, seja nuclear ou de outro tipo. Pode ser uma fonte de seguran\u00e7a em n\u00edvel global, promovendo os direitos humanos e dando assist\u00eancia humanit\u00e1ria\u201d, concluiu Butcher, ou \u201cpode ser uma alian\u00e7a defensiva nuclear que amea\u00e7a atacar seus potenciais inimigos. Mas \u00e9 imposs\u00edvel que sejam as duas coisas ao mesmo tempo\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 08\/02\/2008 &ndash; A Guerra Fria \u00e9 historia antiga\u201d, dizia um titulo do jornal International Herald Tribune. 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