{"id":3639,"date":"2008-02-11T16:53:44","date_gmt":"2008-02-11T16:53:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3639"},"modified":"2008-02-11T16:53:44","modified_gmt":"2008-02-11T16:53:44","slug":"brasil-europa-comercio-em-carne-viva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/02\/america-latina\/brasil-europa-comercio-em-carne-viva\/","title":{"rendered":"Brasil-Europa: Com\u00e9rcio em carne viva"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11\/02\/2008 &ndash; Pecuaristas brasileiros acusaram o governo de se mostrar fraco diante da decis\u00e3o europ\u00e9ia de suspender a importa\u00e7\u00e3o de carne bovina desse pa\u00eds, que consideram ser por simples raz\u00f5es de protecionismo e n\u00e3o sanit\u00e1rias como se pretende fazer crer. <!--more--> A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia anunciou em 30 de janeiro o embargo, por tempo indeterminado, das compras de carne bovina in natura do Brasil, por discrep\u00e2ncias quanto \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria. O bloco pretendia limitar apenas 300 fazendas autorizadas a exportar o produto, quando Bras\u00edlia havia apresentado uma lista de 2.681 estabelecimentos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura ent\u00e3o voltou atr\u00e1s, reconheceu erros por quest\u00f5es burocr\u00e1ticas na listagem e se disp\u00f4s a reduzi-la a 600 produtores, ap\u00f3s um acordo obtido quarta-feira com respons\u00e1veis pelo setor nos principais Estados produtores. \u201cFicou pior, \u00e9 um desastre e uma bobagem incr\u00edvel\u201d aceitar essas imposi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o se contrapor ao \u201cprotecionismo europeu\u201d, disse \u00e0 IPS Jos\u00e9 Vicente Ferraz, diretor t\u00e9cnico do Instituto FNP, de consultoria e analise em neg\u00f3cios agropecu\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c9 uma evidente confiss\u00e3o de protecionismo fixar uma quantidade aceit\u00e1vel de fazendas, previamente, sem estabelecer os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o dos produtores que podem exportar carne bovina para a UE, disse o especialista. O pr\u00f3prio chanceler do Brasil, Celso Amorim, considerou \u201csem fundamento e sem l\u00f3gica\u201d o embargo com essa restri\u00e7\u00e3o \u00e9 a priori a apenas 300 fazendas exportadoras. \u00c9 protecionismo, concordou.<\/p>\n<p>A medida responde a uma posi\u00e7\u00e3o dos produtores da Irlanda, que pressionam h\u00e1 tempos a Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia, o \u00f3rg\u00e3o executivo da UE, para que bloqueie as compras de carne brasileira, assinalando que n\u00e3o cumprem as exig\u00eancias sanit\u00e1rias e, portanto, amea\u00e7aria a sa\u00fade dos consumidores do bloco. Foi \u201cuma decis\u00e3o pol\u00edtica\u201d, sem bases t\u00e9cnicas e adotada devido \u00e0s press\u00f5es irlandesas, acusou Gilman Viana Rodrigues, secret\u00e1rio de Agricultura do Estado de Minas Gerais e representante do setor produtivo nacional nas negocia\u00e7\u00f5es comerciais internacionais.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura divulgou, em resposta ao an\u00fancio do embargo europeu, um comunicado no qual assegura que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o sanit\u00e1ria grave nos rebanhos brasileiros e que h\u00e1 mais de 70 anos este Pa\u00eds exporta carne bovina in natura a pa\u00edses europeus, \u201csem o registro de qualquer problema de sa\u00fade p\u00fablica ou animal associado a tal produto\u201d. As \u00e1reas do pa\u00eds habilitadas a exportar a UE est\u00e3o livres de febre aftosa h\u00e1 seis anos e o controle de vacina\u00e7\u00e3o responde \u00e0s exig\u00eancias europ\u00e9ias, segundo a carteira do setor do governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>A discrep\u00e2ncia, reconhece, se relaciona com o rastreamento do gado brasileiro, para cuidar do tr\u00e2nsito entre as diferentes regi\u00f5es nacionais e com os vizinhos Paraguai e Bol\u00edvia, onde se teme que haja um menor controle de doen\u00e7as como a pr\u00f3pria febre aftosa. O Brasil avan\u00e7ou nessa \u00e1rea com mecanismos eletr\u00f4nicos de controle desse tr\u00e2nsito. Mas a atitude amb\u00edgua e vacilante do governo brasileiro complicou a situa\u00e7\u00e3o, segundo Ferraz. A lista de 600 fazendas habilitadas feita por Bras\u00edlia, al\u00e9m da possibilidade de ser novamente rejeitada pela UE, enfrentar\u00e1 fortes resist\u00eancias de pecuaristas e governantes estaduais.<\/p>\n<p>Quem cuidar\u00e1 de excluir os 2.081 estabelecimentos inclu\u00eddos na primeira lista do governo Lula? O secret\u00e1rio de Agricultura de Goi\u00e1s, Leonardo Veloso, descartou assumir essa responsabilidade, garantindo que as auditorias feitas para elaborar a lista original de seu Estado, com 1.065 fazendas, foram corretas. Veloso foi porta-voz de uma atitude geral de seus colegas. N\u00e3o h\u00e1 um crit\u00e9rio definido para julgar quais fazendas devem ser privilegiadas, concentrando as futuras exporta\u00e7\u00f5es para a UE. As demais poder\u00e3o questionar sua exclus\u00e3o perante a justi\u00e7a, advertiu Ferraz, prevendo que a sele\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o ser\u00e1 vi\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia \u00e9 o principal mercado externo da carne bovina in natura do Brasil. Comprou no ano passado 31,6% do total vendido ao exterior, equivalente a US$ 1,087 bilh\u00e3o. As conseq\u00fc\u00eancias da dura medida europ\u00e9ia j\u00e1 se manifestaram em uma forte alta de pre\u00e7os da carne na Europa e a correspondente queda no Brasil, diante da perspectiva de maior disponibilidade do produto para a venda no mercado interno.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior exportador de carne bovina do mundo, gra\u00e7as \u00e0s dificuldades que enfrentam seus principais competidores, como a Austr\u00e1lia, que sofre uma prolongada seca, e a Argentina, cujo governo restringiu as vendas externas para conter os pre\u00e7os internamente. Uma possibilidade de a UE afrouxar suas posi\u00e7\u00f5es e manter negocia\u00e7\u00f5es mais flex\u00edveis com o Brasil \u00e9 a press\u00e3o de seus consumidores, diante do aumento dos pre\u00e7os por um per\u00edodo prolongado.<\/p>\n<p>As restri\u00e7\u00f5es \u00e0 carne brasileira podem atenuar o desmatamento da Amaz\u00f4nia, j\u00e1 que a expans\u00e3o da pecu\u00e1ria, junto com a da soja, s\u00e3o apontadas como os principais fatores do avan\u00e7o da chamada fronteira agr\u00edcola sobre a floresta amaz\u00f4nica. Mas, \u201cduvido que isso ocorra\u201d, porque a UE limitou suas exig\u00eancias a quest\u00f5es sanit\u00e1rias, disse \u00e0 IPS Mario Menezes, diretor-adjunto da Amigos da Terra-Amaz\u00f4nia Brasileira, a ONG que divulgou em janeiro divulgou seu informe intitulado \u201cO reino do gado\u201d, desnudando a maneira como a pecu\u00e1ria promove o desmatamento.<\/p>\n<p>Esse conflito comercial entre Brasil e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia oferece \u201cuma oportunidade para abrir a discuss\u00e3o\u201d, incluindo condi\u00e7\u00f5es ambientais no com\u00e9rcio internacional, concluiu Menezes. Outros aspectos, como o trabalho escravo na pecu\u00e1ria e o excesso de consumo de energia na produ\u00e7\u00e3o de carne, tamb\u00e9m poderiam ser tratados, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11\/02\/2008 &ndash; Pecuaristas brasileiros acusaram o governo de se mostrar fraco diante da decis\u00e3o europ\u00e9ia de suspender a importa\u00e7\u00e3o de carne bovina desse pa\u00eds, que consideram ser por simples raz\u00f5es de protecionismo e n\u00e3o sanit\u00e1rias como se pretende fazer crer. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/02\/america-latina\/brasil-europa-comercio-em-carne-viva\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5],"tags":[],"class_list":["post-3639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3639\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}