{"id":365,"date":"2005-03-03T00:00:00","date_gmt":"2005-03-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=365"},"modified":"2005-03-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-03T00:00:00","slug":"colmbia-camponeses-pacifistas-denunciam-assassinatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/colmbia-camponeses-pacifistas-denunciam-assassinatos\/","title":{"rendered":"Col&ocirc;mbia: Camponeses pacifistas denunciam assassinatos"},"content":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, 03\/03\/2005 &ndash; O brutal assassinato de oito camponeses no noroeste da Col&ocirc;mbia, entre eles tr&ecirc;s crian&ccedil;as, foi atribu&iacute;do ao ex&eacute;rcito por moradores e organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. As autoridades negam. &quot;Agrade&ccedil;am por n&atilde;o termos matado outro tanto porque a not&iacute;cia correu muito r&aacute;pido&quot;, disseram militares a 25 moradores que no dia 24 de fevereiro se dirigiam ao local da matan&ccedil;a para buscar os cad&aacute;veres e impedir que a cena do crime fosse alterada. No dia 21 passado foram assassinados uma fam&iacute;lia e um campon&ecirc;s da Comunidade de Paz de San Jos&eacute; de Apartado, uma iniciativa nascida em mar&ccedil;o de 1997 co mo apoio da Igreja Cat&oacute;lica e que se baseia na resist&ecirc;ncia a colaborar com algum grupo armado da guerra colombiana.<br \/> <!--more--> <br \/> Am&eacute;rico Incalterra, diretor-adjunto do Escrit&oacute;rio na Col&ocirc;mbia do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos, na quarta-feira visitou a comunidade para ouvir seus membros e as autoridades civis e militares. Segundo testemunhas, os crimes foram cometidos pelo ex&eacute;rcito nas veredas (aldeias rurais) mulatos e La Resbalosa, Serrania de Abibe, no eixo bananeiro do noroeste do pa&iacute;s, zona de fogo cruzado na guerra colombiana de quatro d&eacute;cadas. San Jos&eacute; &eacute; um estado a 12 quil&ocirc;metros do munic&iacute;pio de Apartad&oacute;, no Urab&aacute; antioquino.<\/p>\n<p> O ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe, disse na segunda-feira que &quot;a for&ccedil;a p&uacute;blica colombiana est&aacute; tranq&uuml;ila, n&atilde;o foi ela que cometeu esses atos, esses crimes, e est&aacute; prestando toda colabora&ccedil;&atilde;o com a Promotoria e a Procuradoria no esfor&ccedil;o para esclarecer os fatos&quot;. Ao mesmo tempo, as autoridades militares afirmaram que nesse dia soldados da Brigada XVIII realizaram opera&ccedil;&otilde;es. Um dos assassinados, Luis Eduardo Guerra, de 35 anos, era o l&iacute;der hist&oacute;rico da comunidade, que o havia designado porta-voz junto ao governo e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em 2000 determinou medidas provis&oacute;rias de prote&ccedil;&atilde;o para os pacifistas.<\/p>\n<p> Uniformizados que se identificaram como membros do ex&eacute;rcito detiveram, interrogaram e torturaram Guerra e em seguida o mataram, aparentemente a pauladas, como sua esposa, de 17 anos, e seu filho Deiner Andr&eacute;s, de 11, afirmou um sobrevivente. De acordo com a den&uacute;ncia, os militares em seguida foram &agrave; casa de Alfonso Bol&iacute;var Turbequia, nas proximidades. O relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o de Verifica&ccedil;&atilde;o da Comunidade de Paz de San Jos&eacute; de Apartad&oacute;, datado de domingo e distribu&iacute;do na noite da segunda-feira, 28, afirma que &quot;o ex&eacute;rcito entrou disparando&quot; e feriu a mulher de Tuberquia, de 24 anos. Dois camponeses que caminhavam nas imedia&ccedil;&otilde;es da casa tamb&eacute;m foram alvo dos disparos. E na fuga um deles morreu.<\/p>\n<p> Tuberquia, de 30 anos, que fugira com outro campon&ecirc;s, voltou &quot;ao ouvir os gritos de sua companheira implorando para que o ex&eacute;rcito n&atilde;o matasse seus filhos&quot;, um de 18 meses e outro de 5 anos. Ele &quot;disse &agrave; sua companheira que preferia morrer com sua fam&iacute;lia, que n&atilde;o podia deix&aacute;-los abandonados e voltou para casa&quot;, segundo o relato. Os cad&aacute;veres tiveram cabe&ccedil;as e extremidades desmembradas e foram colocados em dois buracos. A Promotoria os encontrou ao meio-dia da sexta-feira. Guerra, seu filho e sua companheira foram deixados no campo, por isso foi mais dif&iacute;cil encontr&aacute;-los. O grupo de 25 moradores que custodiava a evid&ecirc;ncia foi refor&ccedil;ado na sexta-feira com a Comiss&atilde;o de Verifica&ccedil;&atilde;o integrada por outros cem camponeses, designados pelo conselho interno da comunidade para produzir um relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> No s&aacute;bado, dia 26, um soldado se aproximou de onde jaziam os corpos, recolheu um machado ensang&uuml;entado, o lavou e levou consigo, segundo uma recopila&ccedil;&atilde;o dos fatos feita na ter&ccedil;a-feira pela Corpora&ccedil;&atilde;o Jur&iacute;dica Liberdad (CJL), associa&ccedil;&atilde;o de advogados que defende uma queixa coletiva junto &aacute; Corte Interamericana de Direitos Humanos. &quot;O Batalh&atilde;o 33 da contra-guerrilha Cacique Lutaima, da Brigada XVIII, &eacute; o respons&aacute;vel por este crime&quot;, disse na segunda-feira a defensora de direitos humanos Gloria Cuartas, que foi prefeita de Apartado quando aumentava a guerra, na segunda metade dos anos 90.<\/p>\n<p> Na sexta-feira, Cuartas acompanhou a Comiss&atilde;o de Verifica&ccedil;&atilde;o, escoltada tamb&eacute;m por membros da CJL, as Brigadas Internacionais de Paz, Fellowship of Reconciliation, uma organiza&ccedil;&atilde;o ecum&ecirc;nica internacional, e Concern Am&eacute;rica, grupo norte-americano que promove o desenvolvimento em pa&iacute;ses pobres. A Comiss&atilde;o se deslocou desde San Jos&eacute; at&eacute; as veredas onde ocorreram os crimes, em uma caminhada de sete horas. Funcion&aacute;rios da Promotoria Geral da Na&ccedil;&atilde;o e da Procuradoria Geral (Minist&eacute;rio P&uacute;blico) foram at&eacute; o local na sexta-feira, de helic&oacute;ptero. A tropa &quot;esteve nos rodeando o tempo todo, nos acusando de sermos guerrilheiros&quot;, diz o informe.<\/p>\n<p> &quot;Para nos est&aacute; claro, e os testemunhos assim o confirmam, que se tratou de uma opera&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito que cercou a zona antes do massacre&quot;, desde o dia 17 de fevereiro, afirma o documento. As tropas &quot;ainda est&atilde;o em todas as veredas. A contund&ecirc;ncia das provas, a evidente presen&ccedil;a militar na regi&atilde;o antes, durante e depois do massacre, indicam claramente a responsabilidade do ex&eacute;rcito colombiano neste novo atentado contra a popula&ccedil;&atilde;o civil&quot;, diz o relat&oacute;rio. &quot;Os militares amea&ccedil;aram v&aacute;rias fam&iacute;lias das veredas advertindo que se n&atilde;o partissem aconteceria o mesmo com eles&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p> Desde sua cria&ccedil;&atilde;o, a Comunidade de Paz &eacute; atacada pelos direitistas paramilitares que se agrupam sob a sigla AUC (Autodefesas Unidas da Col&ocirc;mbia) e pelo ex&eacute;rcito que atua em coordena&ccedil;&atilde;o com eles, afirmam denuncias dos camponeses. A guerrilha das For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (Farc), que est&aacute; a 30 anos na zona, assassinou em outubro de 1997 tr&ecirc;s camponeses que se negaram a vender alimentos aos guerrilheiros, pois haviam pactado n&atilde;o apoiar nenhum combatente. Em algumas ocasi&otilde;es, as Farc entram com armas no espa&ccedil;o humanit&aacute;rio para realizar a&ccedil;&otilde;es violentas, afirma o sacerdote jesu&iacute;ta Javier Giraldo, pr&oacute;ximo &agrave; comunidade.<\/p>\n<p> O fio da Serrania de Abibe, de 900 metros de altura, marca o limite entre as terras da Comunidade de Paz e Santa F&eacute; Del Ralito, onde hoje se concentram os chefes paramilitares que negociam com o governo sua desmobiliza&ccedil;&atilde;o. Em dezembro de 1997, a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos determinou medidas cautelares para a comunidade, pois de aproximadamente 300 fundadores 47 haviam sido assassinados. Desde a proclama&ccedil;&atilde;o da Comunidade morreram 152 pessoas, em sua maioria l&iacute;deres. Nenhum crime foi esclarecido. O relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o de Verifica&ccedil;&atilde;o indica que &quot;a justi&ccedil;a colombiana recolheu centenas de testemunhos indicando os respons&aacute;veis. Apesar disso, a impunidade se mant&eacute;m e se manter&aacute; porque &eacute; totalmente necess&aacute;ria para proteger os assassinos&quot;.<\/p>\n<p> No dia 14 de mar&ccedil;o, o Estado colombiano dever&aacute; comparecer perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos em audi&ecirc;ncia marcada antes desses fatos, para explicar que medidas est&aacute; tomando para preservar a vida dos membros da Comunidade de Paz. Em abril de 2004, o Tribunal Constitucional da Col&ocirc;mbia pediu prote&ccedil;&atilde;o efetiva para os 1.400 membros da Comunidade, alvo de matan&ccedil;as e assassinatos seletivos, desaparecimentos for&ccedil;ados e deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias, viola&ccedil;&otilde;es e torturas, amea&ccedil;as e hostilidades, inc&ecirc;ndio de casas e com&eacute;rcios, bombardeios e interdi&ccedil;&otilde;es onde s&atilde;o roubados seus produtos. &quot;Estas disposi&ccedil;&otilde;es obrigam o Estado colombiano a tomar medidas especiais de seguran&ccedil;a em favor da comunidade e de seus integrantes&quot;, advertiu na segunda-feira o escrit&oacute;rio colombiano do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, 03\/03\/2005 &ndash; O brutal assassinato de oito camponeses no noroeste da Col&ocirc;mbia, entre eles tr&ecirc;s crian&ccedil;as, foi atribu&iacute;do ao ex&eacute;rcito por moradores e organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. As autoridades negam. &quot;Agrade&ccedil;am por n&atilde;o termos matado outro tanto porque a not&iacute;cia correu muito r&aacute;pido&quot;, disseram militares a 25 moradores que no dia 24 de fevereiro se dirigiam ao local da matan&ccedil;a para buscar os cad&aacute;veres e impedir que a cena do crime fosse alterada. No dia 21 passado foram assassinados uma fam&iacute;lia e um campon&ecirc;s da Comunidade de Paz de San Jos&eacute; de Apartado, uma iniciativa nascida em mar&ccedil;o de 1997 co mo apoio da Igreja Cat&oacute;lica e que se baseia na resist&ecirc;ncia a colaborar com algum grupo armado da guerra colombiana.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/colmbia-camponeses-pacifistas-denunciam-assassinatos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-365","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}