{"id":3686,"date":"2008-03-05T18:10:56","date_gmt":"2008-03-05T18:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3686"},"modified":"2008-03-05T18:10:56","modified_gmt":"2008-03-05T18:10:56","slug":"ambiente-brasil-tempos-complicados-para-o-meio-ambiente-de-florianopolis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/03\/america-latina\/ambiente-brasil-tempos-complicados-para-o-meio-ambiente-de-florianopolis\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-BRASIL: Tempos complicados para o meio ambiente de Florian\u00f3polis"},"content":{"rendered":"<p>Florian\u00f3polis, 05\/03\/2008 &ndash; Com maravilhosas exce\u00e7\u00f5es como o sul e outros s\u00edtios hist\u00f3ricos e naturais, a ilha de Florian\u00f3polis n\u00e3o \u00e9 a mesma de 20 anos atr\u00e1s. <!--more--> O sintoma mais claro das mudan\u00e7as \u00e9 um crescimento urbano desordenado que moradores e autoridades tentam remediar antes que seja muito tarde. As r\u00fasticas casas de madeira de pescadores que coloriam as praias preferidas dos turistas argentinos, como Canasvieiras e Jurer\u00ea, hoje brilham sem personalidade, com um estilo que recorda a cidade norte-americana de Miami, concreto pintado em tons past\u00e9is e ruas asfaltadas substituindo velhos caminhos de terra e paralelep\u00edpedos.<\/p>\n<p>As \u00e1guas limpas e transparentes est\u00e3o turvas em algumas partes da capital de Santa Catarina. A Mata Atl\u00e2ntica, o bioma florestal caracter\u00edstico da costa oce\u00e2nica do Brasil, come\u00e7a a ficar careca em lugares que em tempos melhores estiveram cobertos por frondosa vegeta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o \u201cprogresso\u201d comemorado pelo prefeito Dario Berger, mas tamb\u00e9m \u201c\u00e9 o maior desafio que temos\u201d, como disse \u00e0 IPS e a outros \u00f3rg\u00e3os de imprensa durante o lan\u00e7amento do livro \u201cCidades Ilustradas-Florian\u00f3polis\u201d. O desafio \u00e9 \u201cbuscar o equil\u00edbrio entre o desenvolvimento da cidade e a prote\u00e7\u00e3o ambiental para que possamos manter a qualidade de vida para n\u00f3s e para as futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d, disse o prefeito.<\/p>\n<p>Eloar Guzzelli, ilustrador do livro publicado pela editora Casa 21, resolveu esse dilema com uma pincelada: ignorando em seus encantadores desenhos os edif\u00edcios e o concreto cinza da cidade e resgatando seus aspectos m\u00e1gicos e rom\u00e2nticos. A ilha de Santa Catarina \u201crepresenta em escala reduzida o grande dilema que afeta nosso belo planeta\u201d, disse o artista. \u201cAt\u00e9 que ponto a expans\u00e3o de nosso modo de vida \u00e9 toler\u00e1vel? Quais s\u00e3o os limites para o crescimento de nossas atividades econ\u00f4micas? E qual a capacidade do meio ambiente para suportar uma ocupa\u00e7\u00e3o crescente?\u201d, pergunta Guazzelli na introdu\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>Sem os recursos das artes pl\u00e1sticas, o prefeito aposta em um programa de desenvolvimento sustent\u00e1vel j\u00e1 em marcha que, entre outras iniciativas, inclui uma morat\u00f3ria para a constru\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas mais urbanizadas. Tamb\u00e9m pretende conceder certificados internacionais de \u201cbandeira azul\u201d (praias com qualidade ambiental) e estabelecer reservas de biosfera urbana (ecossistemas onde se conciliam o respeito pelo ambiente e seu uso sustent\u00e1vel). Essa pr\u00e1tica j\u00e1 foi aplicada em oito Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o a cargo da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Meio Ambiente. Uma delas, a Lagoa do Peri, no sul da ilha, \u00e9 um parque aberto ao p\u00fablico de 23 quil\u00f4metros quadrados, com floresta original e um lago de \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>O coordenador das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, Mauro Costa, explica que o objetivo \u00e9 proteger esses ecossistemas e envolver os turistas nessa tarefa. Mas, como ele mesmo admite, \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil estabelecer os limites entre a preserva\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es locais que j\u00e1 estavam no lugar antes que fosse declarado \u00e1rea protegida. \u201cUm pescador v\u00ea peixes na Lagoa e quer pescar\u201d, diz Costa. \u00c9 o caso de Zeca Santos, um produtor de aguardente cuja fam\u00edlia se dedica a essa arte h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Zeca tem sua propriedade dentro da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o da Lagoa do Peri, onde destina 23 hectares ao cultivo da cana para produzir a bebida de maneira totalmente artesanal: um alambique de madeira com pe\u00e7as entalhadas que j\u00e1 dura v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Zeca, que vende seu produtos para bares de S\u00e3o Paulo, criou inclusive um sistema de reciclagem do baga\u00e7o da cana para alimentar as poucas reses que tem em sua propriedade. Mas, por estar encravado em uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode aplicar as medidas de descanso da terra, que cultiva sem interrup\u00e7\u00e3o h\u00e1 15 anos e que est\u00e1 \u201ccansada e envelhecida, como n\u00f3s envelhecemos\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio ampliar um pouco mais o cultivo dentro dos limites de sua propriedade, o que \u00e9 proibido. \u201cEsta produ\u00e7\u00e3o artesanal, parte da cultura brasileira, vai acabar, pelo jeito que as coisas est\u00e3o\u201d, queixou-se Zeca. Este produtor contou que \u201ctemos escritura, mas \u00e9 como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos, porque n\u00e3o podemos plantar, cortar, nem fazer rod\u00edzio da terra\u201d, com a qual mant\u00e9m sua prec\u00e1ria casa e seus tr\u00eas filhos que percorrem v\u00e1rios quil\u00f4metros a p\u00e9 para ir a uma escola rural. Zeca diz que n\u00e3o recebe o mesmo tratamento dado a outros mais afortunados e poderosos dentro da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a empresa de \u00e1gua que compra o recurso da Lagoa. \u201cDe onde vem essa \u00e1gua? De nosso terreno?\u201d, pergunta Zeca.<\/p>\n<p>Os habitantes da Costa da Lagoa, uma praia do leste da ilha na lagoa de Concei\u00e7\u00e3o declarada \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o cultural, buscam solu\u00e7\u00f5es \u00e0 sua maneira. O lugar, considerado um dos \u00faltimos redutos da cultura a\u00e7oriana (da imigra\u00e7\u00e3o procedente dos A\u00e7ores que povoou Florian\u00f3polis a partir do s\u00e9culo XVIII) tem cerca de 1.800 moradores, pescadores e construtores de barcos e redes quer ainda vivem como seus antepassados. Somos \u201cuma esp\u00e9cie de \u00edndios\u201d, se autodefiniu \u00e0 IPS Valdir Miguel de Andrade, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da Costa da Lagoa.<\/p>\n<p>Andrade, tamb\u00e9m secret\u00e1rio da Cooperativa de Barqueiros Aut\u00f4nomos da Costa da Lagoa, explica que para sobreviver transformaram suas casas em posadas que oferecem por pre\u00e7os razo\u00e1veis aos turistas que transportam em suas embarca\u00e7\u00f5es. \u201cPouca coisa, mas os turistas apreciam como se fosse um grande hotel da cidade\u201d, diz orgulhoso. Os poucos que deixaram o lugar \u201cest\u00e3o como loucos e querem voltar\u201d. Para preservar seu tesouro, tomam outras medidas de controle coletivo, como proibir o desmatamento e estabelecer limites para a constru\u00e7\u00e3o. \u201cEm nossas casas temos 1.600 metros quadrados de fundo e preservamos 1.450. o resto que usamos \u00e9 sobre a praia\u201d, explica. Depois da pesca, nessa praia constroem e preparam seus barcos. O problema crescente s\u00e3o os \u201cque v\u00eam de fora\u201d, diz se referindo a grupos empresariais que compram grandes propriedades e n\u00e3o t\u00eam os mesmos cuidados. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Florian\u00f3polis, 05\/03\/2008 &ndash; Com maravilhosas exce\u00e7\u00f5es como o sul e outros s\u00edtios hist\u00f3ricos e naturais, a ilha de Florian\u00f3polis n\u00e3o \u00e9 a mesma de 20 anos atr\u00e1s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/03\/america-latina\/ambiente-brasil-tempos-complicados-para-o-meio-ambiente-de-florianopolis\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-3686","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}