{"id":3690,"date":"2008-03-07T18:21:11","date_gmt":"2008-03-07T18:21:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3690"},"modified":"2008-03-07T18:21:11","modified_gmt":"2008-03-07T18:21:11","slug":"alimentacao-asia-arroz-alimento-de-luxo-na-asia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/03\/economia\/alimentacao-asia-arroz-alimento-de-luxo-na-asia\/","title":{"rendered":"ALIMENTA\u00c7\u00c3O-ASIA: Arroz, alimento de luxo na \u00c1sia"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 07\/03\/2008 &ndash; O forte encarecimento do arroz nos mercados internacionais \u00e9 um duro golpe no est\u00f4mago dos pobres da \u00c1sia. <!--more--> O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Timor Leste, 40% da qual vivem com menos de US$ 0,55 por dia, que vai reduzir sua ajuda por causa do aumento de pre\u00e7os. \u201cSomos obrigados a entregar menos comida a Timor Leste, menos arroz do que pens\u00e1vamos\u201d, disse \u00e0 IPS Paul Risley, porta-voz para a \u00c1sia do PMA, ag\u00eancia especializada da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. \u201cPedimos que busquem substitutos locais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O governo de Timor Leste pediu ajuda ao PMA s\u00f3 depois de constatar que n\u00e3o poderia comprar do Vietn\u00e3 quantidade suficiente de cereal devido \u00e0 alta dos pre\u00e7os. \u201c oportunidade de reduzir a alta desnutri\u00e7\u00e3o est\u00e1 severamente limitada\u201d, disse Risley. Em Timor Leste 46% das crian\u00e7as sofrem problemas de desenvolvimento e 42% dos menores de 5 anos t\u00eam peso inferior ao m\u00ednimo recomendado. O PMA havia se comprometido a alimentar um quinto dos 1,1 milh\u00e3o de habitantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Vietn\u00e3, segundo exportador mundial de arroz, comercializa 4,5 milh\u00f5es de toneladas anuais e \u00e9 um dos maiores fornecedores do PMA. A Tail\u00e2ndia ocupa o primeiro lugar, com 9,5 milh\u00f5es de toneladas. Em 2007, o mercado mundial somou cerca de 30 milh\u00f5es de toneladas. Mas, no ano passado o Vietn\u00e3 restringiu suas exporta\u00e7\u00f5es para atender a demanda interna e evitar a fome por causa das inunda\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas produtoras, atribu\u00eddas por alguns \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Dessa forma, os pre\u00e7os subiram no mercado internacional.<\/p>\n<p>Esta foi apenas uma das raz\u00f5es da alta. Tamb\u00e9m incidiram a queda do d\u00f3lar, o aumento do petr\u00f3leo (que eleva o dos fertilizantes e o custo da colheita e do transporte do gr\u00e3o) e a demanda de alimentos por uma China cada vez mais rica. Em 2007, essa pot\u00eancia regional deixou de ser exportadora de arroz e trigo e implementou reten\u00e7\u00f5es para atender o mercado interno. Ao mesmo tempo, reduziu as tarifas alfandeg\u00e1rias para importa\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os. \u201c\u00c9 muito prov\u00e1vel que o pre\u00e7o do arroz baixe este ano, mas n\u00e3o se estabilizar\u00e1 at\u00e9 o final de 2008\u201d, disse Sumiter Broca, do escrit\u00f3rio regional para \u00c1sia e Pacifico da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO).<\/p>\n<p>O aumento do pre\u00e7o em 40% do arroz no ano passado acompanha um encarecimento de todos os alimentos como \u201ccereais, \u00f3leos vegetais, carne, a\u00e7\u00facar e banana\u201d, acrescentou Broca. \u201c\u00c9 parte de uma tend\u00eancia de longo prazo, mas neste momento a alta \u00e9 preocupante\u201d, afirmou. O aumento do pre\u00e7o do arroz come\u00e7ou em 2002, ap\u00f3s seis anos de tend\u00eancia \u00e0 baixa dos pre\u00e7os. Mas, ao mesmo tempo, as reservas do gr\u00e3o, cujos principais produtores s\u00e3o Bangladesh, China e \u00cdndia, s\u00e3o as menores dos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o mundial foi de 420 milh\u00f5es de toneladas na colheita 2007-2008, que deixou uma reserva de 102 milh\u00f5es de toneladas, 1% menos do que na temporada 2006\/2007. Isto significa que na \u00c1sia, a regi\u00e3o com maior produ\u00e7\u00e3o de arroz, o volume das colheitas aumenta lentamente: em 2007 foi apenas 0,5% superior \u00e0 de 2006, e uma das raz\u00f5es fundamentais \u00e9 que o rendimento dos cultivos se estabilizara, disse a FAO. A disponibilidade de terra tamb\u00e9m limita a possibilidade de aumentar a oferta.<\/p>\n<p>A China, por exemplo, expropriou terras dedicadas ao cultivo de arroz para ampliar as cidades e instalar ind\u00fastrias, centros comerciais e complexos residenciais. Em uma d\u00e9cada, tr\u00eas milh\u00f5es de hectares fora destinados para outros fins, segundo a revista Rice Today. \u201cEmbora exista algum potencial para a expans\u00e3o da cultura do arroz em outros pa\u00edses, n\u00e3o se estender\u00e1 na \u00c1sia muito al\u00e9m da estimativa atual de 136 milh\u00f5es de hectares\u201d, disse Sushil Pandey, do Instituto Internacional de Pesquisas sobre o Arroz (IRRI). \u201cO aumento na produ\u00e7\u00e3o de biocombustiveis \u00e9 outro fator de press\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u00c9 por isto que o IRRI e outras institui\u00e7\u00f5es prop\u00f5em reeditar a \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d, que permitiu, pelo uso de variedades melhoradas de cereal, uso maci\u00e7o de fertilizantes e mecaniza\u00e7\u00e3o de cultivos e colheitas incrementar a produ\u00e7\u00e3o de arroz em 42% em 13 anos, entre 1968 e 1981. Mas, ativistas nas comunidades locais n\u00e3o se mostram muito impressionados com esta proposta. \u201cO arroz h\u00edbrido precisa de muita \u00e1gua e apenas cresce em \u00e1reas irrigadas. Isto deixa marginalizados outros produtores\u201d, alertou Neth Dano, pesquisador do centro de estudos Rede do Terceiro Mundo, com sede em Penang, na Mal\u00e1sia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 07\/03\/2008 &ndash; O forte encarecimento do arroz nos mercados internacionais \u00e9 um duro golpe no est\u00f4mago dos pobres da \u00c1sia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/03\/economia\/alimentacao-asia-arroz-alimento-de-luxo-na-asia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[17],"class_list":["post-3690","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3690"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3690\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}