{"id":37,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=37"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"o-segredo-do-modelo-nrdico-um-parque-trs-pases-na-frica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-um-parque-trs-pases-na-frica\/","title":{"rendered":"O segredo do modelo n&oacute;rdico: Um parque, tr&ecirc;s pa&iacute;ses na &Aacute;frica"},"content":{"rendered":"<p>JOHANNESBURGO, 20\/01\/2005 &ndash; A sobreviv&ecirc;ncia de muitos animais na &Aacute;frica depende de iniciativas de coopera&ccedil;&atilde;o multinacional, como a que criou o Parque Transfronteiri&ccedil;o Grande Limpopo, compartilhado por &Aacute;frica do Sul, Mo&ccedil;ambique e Zimb&aacute;bue, afirmam conservadores. Essa reserva est&aacute; entre as maiores do mundo, com cerca de 35 mil quil&ocirc;metros quadrados, quase o tamanho de Israel. O tratado que permitiu sua cria&ccedil;&atilde;o foi assinado em dezembro de 2002, na cidade de Xai-Xai, ao sul de Mo&ccedil;ambique, e uniu alguns dos melhores e mais famosos parques nacionais da regi&atilde;o: o sul-africano Kruger, o zimbabuense Gonarezhou e o mo&ccedil;ambicano Limpopo.<br \/> <!--more--> <br \/> O Parque Transfronteiri&ccedil;o &quot;representa um enfoque pragm&aacute;tico do manejo e da conserva&ccedil;&atilde;o da vida silvestre regional&quot;, disse por telefone ao Terram&eacute;rica Jason Bell-Leask, diretor regional para a &Aacute;frica Austral do Fundo Internacional para a Prote&ccedil;&atilde;o dos Animais e seu H&aacute;bitat (Ifaw, sigla em ingl&ecirc;s), com sede no Estado norte-americano de Massachussets. &quot;Tem nosso apoio. &Eacute; vi&aacute;vel. Por&eacute;m, tamb&eacute;m &eacute; um enorme desafio&quot;, acrescentou. Esse desafio inclui capacita&ccedil;&atilde;o de guardas, constru&ccedil;&atilde;o de infra-estrutura e aprova&ccedil;&atilde;o de leis contra a ca&ccedil;a ilegal e para prote&ccedil;&atilde;o ambiental. Ser&atilde;o necess&aacute;rias novas estradas, hot&eacute;is e tamb&eacute;m moradias para mais de 20 mil alde&otilde;es mo&ccedil;ambicanos que vivem no territ&oacute;rio do novo parque.<\/p>\n<p> O tratado de cria&ccedil;&atilde;o do Grande Limpopo estabelece que a &Aacute;frica do Sul retirar&aacute; de forma gradual 120 quil&ocirc;metros de cerca eletrificada que instalou em sua fronteira com Mo&ccedil;ambique, para n&atilde;o impedir o deslocamento de animais. O Zimb&aacute;bue permitir&aacute; o livre tr&acirc;nsito de pessoas antes do de animais. Yoarn Fredmann, da Funda&ccedil;&atilde;o para a Prote&ccedil;&atilde;o de Esp&eacute;cies em Extin&ccedil;&atilde;o, com sede em Johannesburgo, disse que o Grande Limpopo aliviar&aacute; de maneira transit&oacute;ria o problema do excesso de popula&ccedil;&atilde;o de elefantes (Loxodonta africana) no Parque Nacional Kruger, que conta com 11 mil desses animais, quando &eacute; adequado para apenas sete mil. As autoridades do Kruger enfrentam o problema atrav&eacute;s do sacrif&iacute;cio de animais, e os conservacionistas pensam que isso deixar&aacute; de ser necess&aacute;rio no Parque Transfronteiri&ccedil;o.<\/p>\n<p> Entretanto, n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil os elefantes se distribu&iacute;rem por igual pela grande &aacute;rea do parque. Fredmann contou que 40 deles, que haviam sido levados da &Aacute;frica do Sul para Mo&ccedil;ambique, retornaram ao seu lugar de origem, porque &quot;os animais, como os seres humanos, amam seu lar&quot;. Al&eacute;m disso, a cria&ccedil;&atilde;o de uma reserva maior &quot;n&atilde;o &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o permanente, j&aacute; que o problema de superpopula&ccedil;&atilde;o pode voltar&quot;, alertou. Os visitantes do parque poder&atilde;o se deslocar livremente entre os territ&oacute;rios dos tr&ecirc;s pa&iacute;ses que o criaram, e isso dar&aacute; um necess&aacute;rio est&iacute;mulo &agrave;s economias de Mo&ccedil;ambique e do Zimb&aacute;bue, afirmou Fredmann. Segundo Bell-Leask, &quot;o potencial tur&iacute;stico desses dois pa&iacute;ses &eacute; enorme&quot;. <\/p>\n<p> Por outro lado, a unifica&ccedil;&atilde;o de reservas traz consigo problemas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ca&ccedil;a ilegal, j&aacute; que as estruturas mo&ccedil;ambicanas e zimbabuenses para preveni-la s&atilde;o menos r&iacute;gidas do que a sul-africana. &quot;Em Mo&ccedil;ambique, n&atilde;o s&oacute; enfrentamos a ca&ccedil;a ilegal de grandes animais, como tamb&eacute;m a incrementada venda de carne de animais selvagens, inclusive junto &agrave;s estradas&quot;, destacou Bell-Leask. Fredmann pensa que a ca&ccedil;a comunit&aacute;ria em pequena escala e para sobreviv&ecirc;ncia, &quot;que se realiza durante s&eacute;culos&quot;, n&atilde;o &eacute; um problema importante. No entanto, a venda de carne de animais selvagens tende a se transformar em um neg&oacute;cio em grande escala no continente africano.<\/p>\n<p> Segundo a edi&ccedil;&atilde;o do dia 12 de novembro, da revista cient&iacute;fica norte-americana Science, isso ocorre porque a pesca em excesso, com m&eacute;todos de arrast&atilde;o, no litoral sul-africano, feita com subs&iacute;dios da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, priva de sustento os habitantes de localidades costeiras, que aumentam seu consumo de carne de animais selvagens, desde elefantes a pequenos roedores, passando por gorilas e ant&iacute;lopes. De acordo com a publica&ccedil;&atilde;o, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia mant&eacute;m a maior frota pesqueira diante do litoral da &Aacute;frica Ocidental, com capturas que se multiplicaram por 20 entre 1950 e 2001, e subs&iacute;dios que saltaram de US$ 6 milh&otilde;es em 1981 para mais de US$ 350 milh&otilde;es em 2001.<\/p>\n<p> Os ambientalistas prev&ecirc;em que passar&aacute; muito tempo at&eacute; o Parque Transfronteiri&ccedil;o funcionar sem problemas, j&aacute; que quest&otilde;es relacionadas com as necessidades b&aacute;sicas da popula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o prioridades para os governos africanos, comentou Bell-Leask. De todo modo, o acordo de cria&ccedil;&atilde;o do Grande Limpopo &quot;foi um enorme &ecirc;xito, embora sua coloca&ccedil;&atilde;o em pr&aacute;tica seja dif&iacute;cil&quot;, afirmou Fredmann. Os tr&ecirc;s pa&iacute;ses ainda devem harmonizar sua leis, incluindo as relacionadas com migra&ccedil;&otilde;es e bem-estar animal, para que o parque sirva de modelo a outros 21 que j&aacute; est&atilde;o em planejamento no continente africano.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS. <\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOHANNESBURGO, 20\/01\/2005 &ndash; A sobreviv&ecirc;ncia de muitos animais na &Aacute;frica depende de iniciativas de coopera&ccedil;&atilde;o multinacional, como a que criou o Parque Transfronteiri&ccedil;o Grande Limpopo, compartilhado por &Aacute;frica do Sul, Mo&ccedil;ambique e Zimb&aacute;bue, afirmam conservadores. Essa reserva est&aacute; entre as maiores do mundo, com cerca de 35 mil quil&ocirc;metros quadrados, quase o tamanho de Israel. O tratado que permitiu sua cria&ccedil;&atilde;o foi assinado em dezembro de 2002, na cidade de Xai-Xai, ao sul de Mo&ccedil;ambique, e uniu alguns dos melhores e mais famosos parques nacionais da regi&atilde;o: o sul-africano Kruger, o zimbabuense Gonarezhou e o mo&ccedil;ambicano Limpopo.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-um-parque-trs-pases-na-frica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":150,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-37","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}