{"id":370,"date":"2005-03-03T00:00:00","date_gmt":"2005-03-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=370"},"modified":"2005-03-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-03T00:00:00","slug":"desenvolvimento-as-proezas-da-imprensa-independente-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/desenvolvimento-as-proezas-da-imprensa-independente-mundial\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: As proezas da imprensa &quot;Independente&quot; Mundial"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 03\/03\/2005 &ndash; George W. Bush n&atilde;o &eacute; uma &aacute;guia, mas deve-se reconhecer sua not&aacute;vel sagacidade propagandista. Em poucas semanas convenceu todo o mundo (isto &eacute;, o Ocidente, a &uacute;nica parte do planeta que, embora trabalhosamente, entra em seu horizonte) de que &eacute; o vencedor das elei&ccedil;&otilde;es no Iraque e que havia con-vencido os aliados europeus de sua boa disposi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a eles (depois de t&ecirc;-los esbofeteado brutalmente durante seu primeiro mandato presidencial). De fato, com sua habitual submiss&atilde;o, o Coro Midi&aacute;tico &quot;independente&quot; Mundial (CMIM) comunicou ao planeta no dia 31 de janeiro que no Iraque haviam votado 8,5 milh&otilde;es de iraquianos que, desafiando o terrorismo, escolheram a democracia levada pelos Estados Unidos.<br \/> <!--more--> <br \/> A partir desse momento, para o CMIM a guerra iraquiana havia terminado, miss&atilde;o cumprida e democracia finalmente instalada no pa&iacute;s &aacute;rabe. E fez cair o pano sobre os resultados eleitorais, a contagem dos votos e a modalidade como ser&aacute; formado o governo, tarefa que estar&aacute; a cargo da embaixada norte-americana e da Comiss&atilde;o Eleitoral &quot;independente&quot; respons&aacute;vel por presidir a celebra&ccedil;&atilde;o da vit&oacute;ria contra o terrorismo dos sunitas e da Al Qaeda.<\/p>\n<p> Resta saber como Washington e seus ac&oacute;litos iraquianos conseguir&atilde;o subtrair dos xiitas do sul a vit&oacute;ria eleitoral que conquistaram atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio do voto, e o que ocorrer&aacute; no norte, onde os curdos tomaram a palavra do grande pai norte-americano, que lhes havia prometido o petr&oacute;leo de Kirkuk e uma grande autonomia. Mas ao mesmo tempo, o grande pai havia prometido &agrave; Turquia que n&atilde;o permitir&aacute; que os curdos instalem uma entidade aut&ocirc;noma no norte do Iraque (pois isso incitaria os curdos da Turquia a se mobilizarem para conseguir o mesmo e depois unificar-se com os curdos iraquianos).<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m &eacute; preciso saber como reagir&atilde;o os sunitas que, em Bagd&aacute;, Falluja, Ramada e em dezenas e dezenas de cidades do centro do Iraque, n&atilde;o votaram e n&atilde;o parecem entusiasmados com o grande triunfo da democracia. N&atilde;o esque&ccedil;amos que os sunitas s&atilde;o cerca de cinco milh&otilde;es de pessoas, bem armadas e bem organizadas. Mas o que importa tudo isto? O CMIM j&aacute; definiu quais ser&atilde;o as informa&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o chegar aos leitores e telespectadores do Ocidente, e o resto ser&aacute; relegado aos canais informativos secund&aacute;rios na Internet. Passadas apenas duas semanas, o CMIM realizava outra proeza, explicando a todos que entre Bush e Chirac, Bush e Schroeder, Bush e Zapatero, havia retornado a harmonia, que tudo, ou quase tudo, estava esclarecido, que as rela&ccedil;&otilde;es euro-americanas estavam restabelecidas como nos bons tempos, etc, ficando subentendido que a guerra iraquiana foi arquivada.<\/p>\n<p> Agora &eacute; preciso ensinar aos iraquianos como se governa um pa&iacute;s, com se mant&eacute;m a ordem p&uacute;blica, como se refina o petr&oacute;leo, como se comercializa com o Ocidente, como se privatiza, e assim sucessivamente. E como num passe de m&aacute;gica, com sorrisos e declama&ccedil;&otilde;es de reconcilia&ccedil;&atilde;o euro-atl&acirc;ntica, se desvia o olhar dos problemas n&atilde;o resolvidos. Bush e Chirac apertam as m&atilde;os e intimam a S&iacute;ria a abandonar o L&iacute;bano imediatamente. A S&iacute;ria &eacute; designada bode-expiat&oacute;rio n&atilde;o casualmente depois que o ex-primeiro-ministro liban&ecirc;s Rafik Hariri voou pelos ares no momento oportuno. E todo o CMIM abre caminho entre as chamas da explos&atilde;o para acusar a S&iacute;ria por todas as iniq&uuml;idades que s&atilde;o cometidas no mundo &aacute;rabe.<\/p>\n<p> Estamos assistindo a uma reconcilia&ccedil;&atilde;o geral? Creio que demorar&aacute; at&eacute; ficar claro que o imperador est&aacute; preparando a pr&oacute;xima guerra. E o faz com r&aacute;pida efic&aacute;cia, apontando para S&iacute;ria e Ir&atilde;. &Eacute; tamb&eacute;m uma reconcilia&ccedil;&atilde;o de prazo determinado porque a Europa assinou o Protocolo de Kyoto enquanto Washington n&atilde;o assinar&aacute; nada que possa afetar seus interesses econ&ocirc;micos imediatos, que se chamam crescimento incessante do consumo. Isto, por sua vez, engrossar&aacute; posteriormente o endividamento externo norte-americano, o que trar&aacute; a tiracolo a debilidade do d&oacute;lar, que se desvalorizar&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao euro, o que significar&aacute; que a Europa e o Jap&atilde;o (mas n&atilde;o a China) se encarregar&atilde;o de pagar a fatura da guerra no Iraque, bem como a da pr&oacute;xima aventura.<\/p>\n<p> A reconcilia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m acabar&aacute; quando a Europa colocar em pr&aacute;tica seu compromisso de reduzir as subven&ccedil;&otilde;es aos seus agricultores porque &#8211; mesmo mal e tardiamente &#8211; compreendeu que sua seguran&ccedil;a depende do equil&iacute;brio das riquezas mundiais e que &eacute; melhor para todos que os camponeses da &Aacute;frica, &Aacute;sia e Am&eacute;rica Latina possam viver decentemente. Mas os Estados Unidos n&atilde;o afrouxar&atilde;o e manter&atilde;o seus pr&oacute;prios subs&iacute;dios &agrave; agricultura. A reconcilia&ccedil;&atilde;o enfrentar&aacute; outra dura prova quando os bombardeiros norte-americanos (ou israelenses) dispararem seus m&iacute;sseis sobre as instala&ccedil;&otilde;es at&ocirc;micas iranianas e a Europa ter&aacute; de justificar perante seus cidad&atilde;os o estratosf&eacute;rico aumento do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, as dificuldades para encher o tanque de gasolina dos carros e at&eacute; para funcionar a calefa&ccedil;&atilde;o em escolas e hospitais. Trata-se de cen&aacute;rios fant&aacute;sticos? Apareceriam &agrave; simples vista no momento em que fossemos capazes de fazer o biombo que cotidianamente o CMIM coloca diante de nossos olhos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> * Giulietto Chiesa &eacute; parlamentar europeu e jornalista.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 03\/03\/2005 &ndash; George W. Bush n&atilde;o &eacute; uma &aacute;guia, mas deve-se reconhecer sua not&aacute;vel sagacidade propagandista. Em poucas semanas convenceu todo o mundo (isto &eacute;, o Ocidente, a &uacute;nica parte do planeta que, embora trabalhosamente, entra em seu horizonte) de que &eacute; o vencedor das elei&ccedil;&otilde;es no Iraque e que havia con-vencido os aliados europeus de sua boa disposi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a eles (depois de t&ecirc;-los esbofeteado brutalmente durante seu primeiro mandato presidencial). De fato, com sua habitual submiss&atilde;o, o Coro Midi&aacute;tico &quot;independente&quot; Mundial (CMIM) comunicou ao planeta no dia 31 de janeiro que no Iraque haviam votado 8,5 milh&otilde;es de iraquianos que, desafiando o terrorismo, escolheram a democracia levada pelos Estados Unidos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/desenvolvimento-as-proezas-da-imprensa-independente-mundial\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":253,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/253"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}