{"id":374,"date":"2005-03-04T00:00:00","date_gmt":"2005-03-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=374"},"modified":"2005-03-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-04T00:00:00","slug":"lbano-o-poder-da-juventude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/lbano-o-poder-da-juventude\/","title":{"rendered":"L&iacute;bano: O poder da juventude"},"content":{"rendered":"<p>Beirute, 04\/03\/2005 &ndash; A crise no L&iacute;bano, desencadeada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, permitiu a eclos&atilde;o de um poderoso grupo social at&eacute; agora sem presen&ccedil;a no cen&aacute;rio pol&iacute;tico local: os jovens. Milhares de estudantes acampam na central Pra&ccedil;a dos M&aacute;rtires de Beirute desde 14 de fevereiro &#8211; quando Hariri morreu em um atentado cometido com um carro-bomba &#8211; para protestar contra a presen&ccedil;a militar s&iacute;ria em territ&oacute;rio liban&ecirc;s e contra o governo do primeiro-ministro Omar Karami, a quem responsabilizam pelo assassinato. A press&atilde;o dos manifestantes foi tamanha que o pr&oacute;prio Karami se viu obrigado a renunciar esta semana, afundando o pa&iacute;s na incerteza pol&iacute;tica. O presideente do L&iacute;bano, Emil Lahoud, exigiu do parlamento a designa&ccedil;&atilde;o urgente de um novo chefe de governo.<br \/> <!--more--> <br \/> Os governos dos Estados Unidos e da Fran&ccedil;a, apesar de suas diferen&ccedil;as em outros assuntos internacionais, concordam que a ocupa&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria do L&iacute;bano deve terminar. A S&iacute;ria ajudou a por fim &agrave; guerra civil libanesa (1975-1990), mas deixou nesse pa&iacute;s milhares de soldados depois de finalizado o conflito. Os legisladores de oposi&ccedil;&atilde;o insistem para que os jovens continuem com as manifesta&ccedil;&otilde;es. &quot;A principal raz&atilde;o pela qual este movimento n&atilde;o pode falhar &eacute; o poder dos jovens que protestam dia e noite na Pra&ccedil;a do M&aacute;rtires de Beirute&quot;, disse &agrave; IPS a l&iacute;der oposicionista Nayla Moawad. &quot;N&oacute;s, os pol&iacute;ticos, n&atilde;o podemos trair estas pessoas. Teremos de pagar um pre&ccedil;o muito alto se falharmos com eles ou com n&oacute;s mesmos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Os jovens, com idade m&eacute;dia de 20 anos, instalaram um acampamento na pra&ccedil;a, bem pr&oacute;ximo do lugar onde est&aacute; o t&uacute;mulo de Hariri e a mesquita Mohammed Al Amim. &quot;Eu sou de Beirute. Sou liban&ecirc;s. O que fizeram matou algo dentro de n&oacute;s. Chamei alguns amigos e todos decidimos vir e ficar at&eacute; conhecermos toda a verdade&quot;, disse &agrave; IPS Liz Nasrallah, uma estudante de 20 anos. Mas n&atilde;o s&atilde;o apenas jovens os que v&atilde;o &agrave; pra&ccedil;a. Durante a noite a eles somam-se adultos, que protestam em suas horas livres. todos portam a bandeira libanesa e entoam c&acirc;nticos sem alus&otilde;es partid&aacute;rias, mas com duras cr&iacute;ticas &aacute; S&iacute;ria. A cada dia s&atilde;o ouvidos discursos nos quais se reclama a &quot;independ&ecirc;ncia&quot; e, tamb&eacute;m, festas espont&acirc;neas e dan&ccedil;as.&quot;Definitivamente, s&atilde;o os jovens que levam a maior carga, porque somos a pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o. Somos os &uacute;nicos que viveremos o futuro aqui&quot;, disse Rami Kadi, um estudante de 25 anos. Entretanto, lembrou que muitos idosos tamb&eacute;m se solidarizam com os protestos, embora n&atilde;o participem de forma direta, na realidade &eacute; porque querem limitar a participa&ccedil;&atilde;o. Acrescentou. A multid&atilde;o que pernoita na pra&ccedil;a &eacute; heterog&ecirc;nea em sua composi&ccedil;&atilde;o religioso e &eacute;tnica, embora os cat&oacute;licos sejam maioria. &quot;N&atilde;o esque&ccedil;amos que muitas das demandas da oposi&ccedil;&atilde;o foram feitas pelos crist&atilde;os h&aacute; muitos anos&quot;, disse &agrave; IPS o ex-presidente liban&ecirc;s Amin Gamayel (1982-1988).<\/p>\n<p> Os crist&atilde;o lideram o movimento anti-S&iacute;ria h&aacute; muito tempo, foram os principais incentivadores das manifesta&ccedil;&otilde;es depois do assassinato de Hariri. &quot;Os crist&atilde;os sempre foram mais rebeldes do que os mu&ccedil;ulmanos. O bom agora &eacute; que este j&aacute; n&atilde;o &eacute; um movimento crist&atilde;o, mas verdadeiramente liban&ecirc;s, e assim continuar&aacute;&quot;, disse um estudante que preferiu n&atilde;o se identificar. No entanto, nos &uacute;ltimos dias constatou-se uma redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de manifestantes, embora a oposi&ccedil;&atilde;o garanta que &eacute; algo tempor&aacute;rio. &quot;Foram para suas casas por estarem exaustos. Mas, se o governo n&atilde;o investigar o assassinato e se os s&iacute;rios n&atilde;o partirem, o povo tomar&aacute; as ruas novamente&quot;, disse Moawadh. (IPS\/Envolverde) <br \/> L&iacute;bano: O poder da juventude<br \/> Por Peyman Pejman<\/p>\n<p> Beirute, 04\/03\/2005 &#8211; A crise no L&iacute;bano, desencadeada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, permitiu a eclos&atilde;o de um poderoso grupo social at&eacute; agora sem presen&ccedil;a no cen&aacute;rio pol&iacute;tico local: os jovens. Milhares de estudantes acampam na central Pra&ccedil;a dos M&aacute;rtires de Beirute desde 14 de fevereiro &#8211; quando Hariri morreu em um atentado cometido com um carro-bomba &#8211; para protestar contra a presen&ccedil;a militar s&iacute;ria em territ&oacute;rio liban&ecirc;s e contra o governo do primeiro-ministro Omar Karami, a quem responsabilizam pelo assassinato. A press&atilde;o dos manifestantes foi tamanha que o pr&oacute;prio Karami se viu obrigado a renunciar esta semana, afundando o pa&iacute;s na incerteza pol&iacute;tica. O presideente do L&iacute;bano, Emil Lahoud, exigiu do parlamento a designa&ccedil;&atilde;o urgente de um novo chefe de governo.<\/p>\n<p> Os governos dos Estados Unidos e da Fran&ccedil;a, apesar de suas diferen&ccedil;as em outros assuntos internacionais, concordam que a ocupa&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria do L&iacute;bano deve terminar. A S&iacute;ria ajudou a por fim &agrave; guerra civil libanesa (1975-1990), mas deixou nesse pa&iacute;s milhares de soldados depois de finalizado o conflito. Os legisladores de oposi&ccedil;&atilde;o insistem para que os jovens continuem com as manifesta&ccedil;&otilde;es. &quot;A principal raz&atilde;o pela qual este movimento n&atilde;o pode falhar &eacute; o poder dos jovens que protestam dia e noite na Pra&ccedil;a do M&aacute;rtires de Beirute&quot;, disse &agrave; IPS a l&iacute;der oposicionista Nayla Moawad. &quot;N&oacute;s, os pol&iacute;ticos, n&atilde;o podemos trair estas pessoas. Teremos de pagar um pre&ccedil;o muito alto se falharmos com eles ou com n&oacute;s mesmos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Os jovens, com idade m&eacute;dia de 20 anos, instalaram um acampamento na pra&ccedil;a, bem pr&oacute;ximo do lugar onde est&aacute; o t&uacute;mulo de Hariri e a mesquita Mohammed Al Amim. &quot;Eu sou de Beirute. Sou liban&ecirc;s. O que fizeram matou algo dentro de n&oacute;s. Chamei alguns amigos e todos decidimos vir e ficar at&eacute; conhecermos toda a verdade&quot;, disse &agrave; IPS Liz Nasrallah, uma estudante de 20 anos. Mas n&atilde;o s&atilde;o apenas jovens os que v&atilde;o &agrave; pra&ccedil;a. Durante a noite a eles somam-se adultos, que protestam em suas horas livres. todos portam a bandeira libanesa e entoam c&acirc;nticos sem alus&otilde;es partid&aacute;rias, mas com duras cr&iacute;ticas &aacute; S&iacute;ria. A cada dia s&atilde;o ouvidos discursos nos quais se reclama a &quot;independ&ecirc;ncia&quot; e, tamb&eacute;m, festas espont&acirc;neas e dan&ccedil;as.&quot;Definitivamente, s&atilde;o os jovens que levam a maior carga, porque somos a pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o. Somos os &uacute;nicos que viveremos o futuro aqui&quot;, disse Rami Kadi, um estudante de 25 anos. Entretanto, lembrou que muitos idosos tamb&eacute;m se solidarizam com os protestos, embora n&atilde;o participem de forma direta, na realidade &eacute; porque querem limitar a participa&ccedil;&atilde;o. Acrescentou. A multid&atilde;o que pernoita na pra&ccedil;a &eacute; heterog&ecirc;nea em sua composi&ccedil;&atilde;o religioso e &eacute;tnica, embora os cat&oacute;licos sejam maioria. &quot;N&atilde;o esque&ccedil;amos que muitas das demandas da oposi&ccedil;&atilde;o foram feitas pelos crist&atilde;os h&aacute; muitos anos&quot;, disse &agrave; IPS o ex-presidente liban&ecirc;s Amin Gamayel (1982-1988).<\/p>\n<p> Os crist&atilde;o lideram o movimento anti-S&iacute;ria h&aacute; muito tempo, foram os principais incentivadores das manifesta&ccedil;&otilde;es depois do assassinato de Hariri. &quot;Os crist&atilde;os sempre foram mais rebeldes do que os mu&ccedil;ulmanos. O bom agora &eacute; que este j&aacute; n&atilde;o &eacute; um movimento crist&atilde;o, mas verdadeiramente liban&ecirc;s, e assim continuar&aacute;&quot;, disse um estudante que preferiu n&atilde;o se identificar. No entanto, nos &uacute;ltimos dias constatou-se uma redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de manifestantes, embora a oposi&ccedil;&atilde;o garanta que &eacute; algo tempor&aacute;rio. &quot;Foram para suas casas por estarem exaustos. Mas, se o governo n&atilde;o investigar o assassinato e se os s&iacute;rios n&atilde;o partirem, o povo tomar&aacute; as ruas novamente&quot;, disse Moawadh. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beirute, 04\/03\/2005 &ndash; A crise no L&iacute;bano, desencadeada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, permitiu a eclos&atilde;o de um poderoso grupo social at&eacute; agora sem presen&ccedil;a no cen&aacute;rio pol&iacute;tico local: os jovens. Milhares de estudantes acampam na central Pra&ccedil;a dos M&aacute;rtires de Beirute desde 14 de fevereiro &#8211; quando Hariri morreu em um atentado cometido com um carro-bomba &#8211; para protestar contra a presen&ccedil;a militar s&iacute;ria em territ&oacute;rio liban&ecirc;s e contra o governo do primeiro-ministro Omar Karami, a quem responsabilizam pelo assassinato. A press&atilde;o dos manifestantes foi tamanha que o pr&oacute;prio Karami se viu obrigado a renunciar esta semana, afundando o pa&iacute;s na incerteza pol&iacute;tica. O presideente do L&iacute;bano, Emil Lahoud, exigiu do parlamento a designa&ccedil;&atilde;o urgente de um novo chefe de governo.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/lbano-o-poder-da-juventude\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1571,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-374","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1571"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}