{"id":375,"date":"2005-03-04T00:00:00","date_gmt":"2005-03-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=375"},"modified":"2005-03-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-04T00:00:00","slug":"lbano-atum-ecologia-ou-protecionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/lbano-atum-ecologia-ou-protecionismo\/","title":{"rendered":"L&iacute;bano: Atum, ecologia ou protecionismo?"},"content":{"rendered":"<p>Brooklin, 04\/03\/2005 &ndash; americano continua proibida nos Estados Unidos, com o argumento da prote&ccedil;&atilde;o de golfinhos. Pescadores denunciam barreiras &agrave; liberdade de com&eacute;rcio.<br \/> <!--more--> <br \/> Caracas &#8211; Os Estados Unidos s&atilde;o um mercado vedado ao atum pescado por frotas latino-americanas no oceano Pac&iacute;fico, devido a uma ordem judicial de 2004 que tenta proteger os golfinhos. Entretanto, os pescadores da regi&atilde;o consideram que a medida &eacute; um &quot;disfarce ecol&oacute;gico&quot; para interesses comerciais. Equador, M&eacute;xico e Venezuela capturam cada um de 130 a 160 mil toneladas anuais de atum, enquanto volumes menores s&atilde;o pescados por frotas da Col&ocirc;mbia, Bol&iacute;via e pa&iacute;ses centro-americanos que tamb&eacute;m atuam no Pac&iacute;fico Oriental. Os golfinhos se deslocam junto aos cardumes do apreciado atum de barbatana amarela (thunnus albacares) e por isso costumam cair nas redes de pesca, o mesmo ocorrendo com tartarugas e tubar&otilde;es.<\/p>\n<p> Sete milh&otilde;es de golfinhos morreram nos &uacute;ltimos 50 anos devido &agrave; pesca do atum, segundo a organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Instituto Ilha da Terra (EII, sigla em ingl&ecirc;s de Earth Island Institute). No entanto, esse grupo admite que o problema diminuiu h&aacute; mais de uma d&eacute;cada, tanto que as mortes de golfinhos devido &agrave; pesca ca&iacute;ram de 136 mil em 1986 quatro mil atualmente. Apesar dessa evid&ecirc;ncia, o EII e outros grupos conservacionistas apelaram contra uma decis&atilde;o do Departamento de Com&eacute;rcio norte-americano que relaxava os padr&otilde;es de rotulagem do atum &quot;dolphin safe&quot; (livre de golfinhos), para incluir o atum pescado com redes, se observadores certificassem que nenhum golfinho havia sido ferido ou morto durante a captura.<\/p>\n<p> A medida abria as portas para a entrada no cobi&ccedil;ado mercado dos Estados Unidos do atum procedente do M&eacute;xico, e por extens&atilde;o, de outros exportadores. Com base na apela&ccedil;&atilde;o dos verdes, Thelton Henderson, juiz federal de S&atilde;o Francisco, no dia 9 de agosto de 2004, decidiu contra a decis&atilde;o do Departamento de Com&eacute;rcio, o que mant&eacute;m o atum latino-americano proibido. Mas os industriais do atum na regi&atilde;o asseguram que cumprem os padr&otilde;es internacionais para proteger os golfinhos. &quot;As redes como as utilizadas pelas frotas do M&eacute;xico e da Venezuela possuem panos protetores para reduzir o risco de capturar golfinhos, e s&atilde;o acatadas outras disposi&ccedil;&otilde;es da Comiss&atilde;o Interamericana do Atum Tropical (CIAT)&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica Ricardo Molinet, diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Venezuelana de Armadores de Atum.<\/p>\n<p> Uma dessas disposi&ccedil;&otilde;es estabelece o respeito a per&iacute;odos de proibi&ccedil;&atilde;o da pesca, em novembro e dezembro, acertados entre Espanha, Estados Unidos, Guatemala, M&eacute;xico, Nicar&aacute;gua, Panam&aacute;, Vanuatu e Venezuela. Por outro lado, as frotas devem dar prefer&ecirc;ncia &agrave; pesca diurna, colocar um observador do CIAT a bordo de cada embarca&ccedil;&atilde;o para dirigir a libera&ccedil;&atilde;o de golfinhos capturados e utilizar lanchas r&aacute;pidas para substituir as equipes de resgate. &quot;Os golfinhos presos nas redes podem ser libertados em menos de uma hora depois de cada redada sobre os cardumes, e o atum capturado sem morte de golfinhos &eacute; carregado e processado separado do restante, para receber o r&oacute;tulo de livre de golfinhos&quot;, explicou Molinet. Em sua decis&atilde;o de 2004, o juiz Henderson argumentou que a informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dispon&iacute;vel n&atilde;o permitia ignorar que os golfinhos sofrem estresse devido &agrave; atividade pesqueira e que isso afeta sua conserva&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Esta decis&atilde;o foi saudada como &quot;uma grande vit&oacute;ria&quot; do EII, cujo diretor, David Phillips, acusou o governo do presidente George W. Bush de &quot;armar para ignorar seus pr&oacute;prios cientistas e apoiar o ingresso do atum &quot;mata-golfinhos&quot; nos Estados Unidos atrav&eacute;s de um r&oacute;tulo fraudulento&quot;. Inclusive, o EII afirmou em seus relat&oacute;rios que as frotas pesqueiras da Col&ocirc;mbia e do M&eacute;xico s&atilde;o utilizadas por organiza&ccedil;&otilde;es de narcotraficantes como fachada para transporte de drogas ilegais para os Estados Unidos e que, por fim, existe uma &quot;conex&atilde;o atum-coca&iacute;na&quot;. Mas outras organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, como a venezuelana Funda&ccedil;&atilde;o para a Pesca Respons&aacute;vel de Atuns, culpam entidades como a EII de desprezar evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica, os acordos da CIAT e as estat&iacute;sticas sobre redu&ccedil;&atilde;o de danos aos golfinhos, para &quot;converter-se em uma inst&acirc;ncia que avilta os pre&ccedil;os&quot; do atum. Isto seria em benef&iacute;cio de companhias norte-americanas, como Starkist, J. Wattie&acute;s, Miramonet e Tree of Life, que segundo os verdes financiam a EII. <\/p>\n<p> Venezuela e M&eacute;xico expressaram reiteradamente posi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave;s decis&otilde;es do juiz Henderson, por considerar que dissimulam uma barreira &agrave; liberdade comercial. Algo que o ex-subsecret&aacute;rio de Pesca do M&eacute;xico, Carlos Camacho, chamou de &quot;uma m&aacute;scara ecol&oacute;gica&quot;. As senten&ccedil;as de ju&iacute;zes federais como Henderson vigoram em todo Estados Unidos, mas est&atilde;o em um longo processo de apela&ccedil;&atilde;o, e os pa&iacute;ses afetados tamb&eacute;m poderiam apresentar recursos perante a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, disse Molinet. Por outro lado, Washington discute com tr&ecirc;s pa&iacute;ses andinos (Col&ocirc;mbia, Equador e Peru) um tratado de livre com&eacute;rcio que poderia liberar de taxa&ccedil;&atilde;o as exporta&ccedil;&otilde;es de atum do Equador, no passado acusado pelo M&eacute;xico de m&aacute;s pr&aacute;ticas na captura desse tele&oacute;steo. A pesca mundial de atum supera os 3,4 milh&otilde;es de toneladas e os gigantes de sua produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o Jap&atilde;o, Taiwan, Espanha, Tail&acirc;ndia, Cor&eacute;ia do Sul e Estados Unidos.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brooklin, 04\/03\/2005 &ndash; americano continua proibida nos Estados Unidos, com o argumento da prote&ccedil;&atilde;o de golfinhos. 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