{"id":376,"date":"2005-03-07T00:00:00","date_gmt":"2005-03-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=376"},"modified":"2005-03-07T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-07T00:00:00","slug":"colmbia-aumenta-a-tenso-entre-estado-e-camponeses-pacifistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/colmbia-aumenta-a-tenso-entre-estado-e-camponeses-pacifistas\/","title":{"rendered":"Col&ocirc;mbia: Aumenta a tens&atilde;o entre Estado e camponeses pacifistas"},"content":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, 07\/03\/2005 &ndash; Chegou ao ponto m&aacute;ximo a tens&atilde;o entre o Estado colombiano e a pequena Comunidade de Paz de San Jos&eacute; de Apartado, no nordeste do pa&iacute;s.Os camponeses denunciam que o ex&eacute;rcito entrou em sua aldeia depois de assassinarem oito moradores. Mas, negam-se a depor perante a Justi&ccedil;a, pois j&aacute; n&atilde;o confiam nela. Mais de 146 moradores da comunidade foram mortos desde 1997, e nenhum dos crimes foi esclarecido. &quot;Temos direito de n&atilde;o conviver com os respons&aacute;veis. Necessitamos que o ex&eacute;rcito saia de San Jos&eacute;. Agora est&aacute; em volta de nossas casas, nossas escolas, nossas crian&ccedil;as&quot;, afirmou na sexta-feira passada um comunicado da comunidade, integrada por mais de 1.300 camponeses que em 1997 declararam sua aldeia como territ&oacute;rio livre de armas e opera&ccedil;&otilde;es b&eacute;licas.<br \/> <!--more--> Segundo o texto, for&ccedil;as militares entraram, &agrave;s 9h15 (14h15 GMT), no povoado, cujos habitantes acusam o ex&eacute;rcito de ter assassinado no dia 21 de fevereiro oito pessoas, entre elas o l&iacute;der da comunidade e tr&ecirc;s crian&ccedil;as. &quot;Exigimos do Estado colombiano que n&atilde;o tenha presen&ccedil;a armada em nossos assentamentos e em nossos locais de trabalho. Esta situa&ccedil;&atilde;o nos coloca em grave risco, pois nos situa como objetivos militares&quot;, acrescenta o texto. Esta &eacute; uma reclama&ccedil;&atilde;o que a comunidade tamb&eacute;m mant&eacute;m perante os demais atores armados desta guerra interna que dura mais de quatro d&eacute;cadas: os paramilitares de direita e as esquerdistas For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (Farc). &quot;Se o Senado colombiano persistir nesta atitude de hostilidade nos veremos obrigados a um deslocamento for&ccedil;ado&quot;, advertiu o texto. <\/p>\n<p> No dia 21 de fevereiro, foi torturado e morto o reconhecido l&iacute;der comunit&aacute;rio Luis Eduardo Guerra, de 25 anos, sua mulher e seu filho de 11 anos; outro casal campon&ecirc;s, seus dois filhos, de 5 anos e 1,5 ano, e outro campon&ecirc;s. Todos os cad&aacute;veres apareceram esquartejados. Guerra era interlocutor junto ao Estado para a aplica&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias de prote&ccedil;&atilde;o a essa comunidade, disposta pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos em 9 de outubro de 2000, e que haviam sido precedidas de medidas cautelares ditadas em dezembro de 1997 pela Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos da OEA.<\/p>\n<p> Guerra havia se reunido tr&ecirc;s vezes com o vice-presidente, Francisco Santos, que se comprometera pessoalmente a impulsionar as medidas de seguran&ccedil;a para a Comunidade da Paz. Em uma audi&ecirc;ncia na Corte, que acontecer&aacute; em San Jos&eacute; da Costa Rica no pr&oacute;ximo dia 14, o governo colombiano ter&aacute; de mostrar quais a&ccedil;&otilde;es adotou para garantir a vida e a seguran&ccedil;a dos integrantes da Comunidade. Segundo o relat&oacute;rio de uma comiss&atilde;o de verifica&ccedil;&atilde;o integrada por cem camponeses da comunidade, os acontecimentos do &uacute;ltimo dia 21 s&atilde;o responsabilidade de soldados da Brigada XVII do ex&eacute;rcito.<\/p>\n<p> Algumas autoridades negam a acusa&ccedil;&atilde;o, enquanto outras preferem esperar os resultados da respectiva investiga&ccedil;&atilde;o judicial. Por&eacute;m, os promotores que chegaram a San Jos&eacute; de Apartado para realizar os interrogat&oacute;rios encontraram dois muros. Um, constru&iacute;do pelos moradores, pedra por pedra, com o nome de cada um dos mais de 146 assassinados desde mar&ccedil;o de 1997, quando se proclamaram neutros diante da guerra. O outro foi um muro de silencio. A comunidade referendo sua decis&atilde;o p&uacute;blica do ano passado, quando resolveu romper com o sistema judicial, j&aacute; que todos os crimes continuavam impunes.<\/p>\n<p> &quot;S&oacute; vamos depor perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos&quot; da OEA, responderam os camponeses aos promotores quando estes pediram que falassem sobre os fatos. A posi&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria foi enfraquecida por um ataque contra os investigadores cometido, aparentemente, pelas Farc no caminho de 12 quil&ocirc;metros que liga San Jos&eacute; &agrave; cabeceira municipal, Apartado, no departamento de Anti&oacute;quia, no qual foi morto um jovem policial. Os camponeses condenaram o ataque.<\/p>\n<p> &quot;O promotor de direitos humanos em Bogot&aacute; me chamou e disse que eu deveria estar em seu escrit&oacute;rio nesse momento. Respondi que n&atilde;o: fa&ccedil;o obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia e n&atilde;o irei&quot;, disse &aacute; IPS Gloria Cuartas, que era prefeita de Apartad&oacute; quando surgiu a iniciativa pacifista. &quot;A comunidade de San Jos&eacute; j&aacute; disse que n&atilde;o continuar&aacute; submetida a interrogat&oacute;rios, em um pa&iacute;s onde o testemunho &eacute; manipul&aacute;vel, onde se compra testemunhas, se paga &agrave;s pessoas para que fale sobre outras, onde provas s&atilde;o obstru&iacute;das&quot;, acrescentou. Cuartas havia acompanhado a comiss&atilde;o de verifica&ccedil;&atilde;o camponesa aos locais onde os cad&aacute;veres foram encontrados. Na quarta-feira passada, recebeu amea&ccedil;as de morte por telefone.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m foi amea&ccedil;ado um motorista que se apresentou no s&aacute;bado, dia 26, para transportar os corpos do cemit&eacute;rio de Apartado at&eacute; San Jos&eacute; , onde foram velados. Tamb&eacute;m convocada para depor pelos promotores de Apartad&oacute; e Medell&iacute;n (capital de Antioquia), Cuartas respondeu dizendo &quot;n&atilde;o vou dar nenhuma declara&ccedil;&atilde;o perante nenhum operador de justi&ccedil;a deste pa&iacute;s. A experi&ecirc;ncia demonstra que durante oito anos de den&uacute;ncias sempre se buscou o testemunho da v&iacute;tima mas nunca dos respons&aacute;veis. E em todas as den&uacute;ncias que fizemos sempre foram amea&ccedil;ados ou assassinados aqueles que chegaram a dar depoimentos&quot;, argumentou.<\/p>\n<p> &quot;Em 9 de mar&ccedil;o de 2004, depois de entregar 220 provas que implicam o general Rito Alejo Del Rio (ex-comandante da Brigada XVII), a investiga&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-concluiu. Muitas das pessoas que denunciaram contra o general foram assassinadas&quot;, disse Cuartas. Os moradores da comunidade se reuniram na &uacute;ltima quarta-feira com uma delega&ccedil;&atilde;o da ONU que visitou o lugar, integrada pelo Alto Comiss&aacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados na Col&ocirc;mbia, Roberto M&eacute;ier, e por Am&eacute;rico Incalcaterra, diretor-adjunto do escrit&oacute;rio local do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos. Com ajuda de religiosos cat&oacute;licos, a comunidade contou detalhadamente e denunciou de forma p&uacute;blica todas as viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos contra eles.<\/p>\n<p> Com esse grosso arquivo respondeu &agrave; acusa&ccedil;&atilde;o de &quot;obstru&ccedil;&atilde;o da Justi&ccedil;a&quot;, que foi feita pelo pr&oacute;prio presidente &Aacute;lvaro Uribe, em maio do ano passado. &quot;Uribe est&aacute; na origem da hist&oacute;ria da comunidade de paz&quot;, disse &agrave; IPS o sacerdote jesu&iacute;ta Javier Giraldo, designado pela Companhia de Jesus para assessorar a comunidade de San Jos&eacute;. O atual mandat&aacute;rio foi governante de Antioquia entre 1995 e 1997, e assumiu a presid&ecirc;ncia do pa&iacute;s em agosto de 2002. &quot;Quando se come&ccedil;ou a falar em resistir, falou-se em criar comunidades neutras&quot;. Uribe &quot;aparece de surpresa&quot; em uma reuni&atilde;o &quot;e come&ccedil;ou a falar da neutralidade ativa tal como a entendia: fazer uma alian&ccedil;a com o ex&eacute;rcito para n&atilde;o permitir a presen&ccedil;a da guerrilha nas comunidades&quot;, contou.<\/p>\n<p> &quot;Sua proposta estava t&atilde;o longe do que se propunha que o bispo T&uacute;lio Duque, ent&atilde;o bispo de Apartado, lhe disse, &quot;senhor governador, sua proposta n&atilde;o &eacute; a mesma que a nossa&quot; e ele, muito contrariado, se retirou&quot;, acrescentou Giraldo. &quot;O governador estava se apropriando da linguagem da neutralidade&quot;, e por isso a comunidade n&atilde;o considerou o nome &quot;neutralidade&quot; como sinal &quot;de paz&quot;, relatou o sacerdote. J&aacute; como presidente eleito, em viagem pela Europa, Uribe come&ccedil;ou a anunciar a militariza&ccedil;&atilde;o de San Jos&eacute; e outras comunidades que seguiram seu exemplo, segundo Giraldo. Em maio do ano passado, na realiza&ccedil;&atilde;o de um conselho de seguran&ccedil;a em Apartad&oacute;, Uribe disse que &quot;na Col&ocirc;mbia n&atilde;o deve haver um cent&iacute;metro de territ&oacute;rio exclu&iacute;do da presen&ccedil;a das institui&ccedil;&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p> Mas, o governo n&atilde;o admite a exist&ecirc;ncia de um conflito armado, mas de &quot;uma amea&ccedil;a terrorista&quot; contra a burocracia, uma situa&ccedil;&atilde;o perante a qual todos os civis devem tomar partido. &quot;Sempre pedimos e exigimos do Estado colombiano a presen&ccedil;a permanente de seus &oacute;rg&atilde;os civis de controle, como o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e a Defensoria do Povo. Mas, de maneira alguma aceitamos a presen&ccedil;a das for&ccedil;as militares entre n&oacute;s&quot;, afirmou o comunicado campon&ecirc;s divulgado sexta-feira. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, 07\/03\/2005 &ndash; Chegou ao ponto m&aacute;ximo a tens&atilde;o entre o Estado colombiano e a pequena Comunidade de Paz de San Jos&eacute; de Apartado, no nordeste do pa&iacute;s.Os camponeses denunciam que o ex&eacute;rcito entrou em sua aldeia depois de assassinarem oito moradores. Mas, negam-se a depor perante a Justi&ccedil;a, pois j&aacute; n&atilde;o confiam nela. Mais de 146 moradores da comunidade foram mortos desde 1997, e nenhum dos crimes foi esclarecido. &quot;Temos direito de n&atilde;o conviver com os respons&aacute;veis. Necessitamos que o ex&eacute;rcito saia de San Jos&eacute;. Agora est&aacute; em volta de nossas casas, nossas escolas, nossas crian&ccedil;as&quot;, afirmou na sexta-feira passada um comunicado da comunidade, integrada por mais de 1.300 camponeses que em 1997 declararam sua aldeia como territ&oacute;rio livre de armas e opera&ccedil;&otilde;es b&eacute;licas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/colmbia-aumenta-a-tenso-entre-estado-e-camponeses-pacifistas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}