{"id":381,"date":"2005-03-08T00:00:00","date_gmt":"2005-03-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=381"},"modified":"2005-03-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-08T00:00:00","slug":"oriente-mdio-entre-a-democratizao-e-a-desintegrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/oriente-mdio-entre-a-democratizao-e-a-desintegrao\/","title":{"rendered":"Oriente M&eacute;dio: Entre a democratiza&ccedil;&atilde;o e a desintegra&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 08\/03\/2005 &ndash; Encorajados pela frut&iacute;fera press&atilde;o internacional para que a S&iacute;ria retire suas tropas do L&iacute;bano, neoconservadores dos Estados Unidos pedem urg&ecirc;ncia ao presidente George W. Bush para que aproveite o momento e promova &quot;mudan&ccedil;as de regimes&quot; em Damasco e Teer&atilde;. Mas, apesar de seu pr&oacute;prio discurso mission&aacute;rio, Bush parece inclinado a esperar at&eacute; que baixe a poeira e, para frustra&ccedil;&atilde;o dos neoconservadores e outros unilateralistas, cuidar de n&atilde;o se afastar muito de seus aliados europeus, com os quais procura emendar rela&ccedil;&otilde;es depois da crise provocada pela invas&atilde;o norte-americana do Iraque, em mar&ccedil;o de 2003. A relativa precau&ccedil;&atilde;o do governo reflete a influ&ecirc;ncia dos chamados &quot;realistas&quot; pol&iacute;ticos, os quais temem que os &uacute;ltimos acontecimentos no Oriente M&eacute;dio provoquem um novo ciclo de desestabiliza&ccedil;&atilde;o, ou algo pior, em lugar de conduzir &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> Os &quot;realistas&quot; preferem a a&ccedil;&atilde;o multilateral e d&atilde;o prioridade ao fortalecimento das alian&ccedil;as tradicionais de Washington, especialmente com a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan). Por outro lado, os neoconservadores s&atilde;o hostis aos processos multilaterais, em geral, e &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em particular. Seus postulados sobre pol&iacute;tica exterior recha&ccedil;am o pragmatismo e apresentam os conflitos em termos morais. A maioria &eacute; de judeus de direita, muito ligados com o conservador partido Likud, que governa Israel. S&atilde;o pol&iacute;ticos, analistas e acad&ecirc;micos belicistas, e defendem que a pol&iacute;tica antiterror de Washington aponte para todos os grupos e pa&iacute;ses que consideram amea&ccedil;as para os interesses israelenses.<\/p>\n<p> OS &quot;realistas&quot; advertem que, mesmo que os &uacute;ltimos acontecimentos representem, na verdade, o equivalente no Oriente M&eacute;dio da queda do Muro de Berlim, como afirmam os proponentes da &quot;agenda democr&aacute;tica&quot; de Bush, a democratiza&ccedil;&atilde;o tr&aacute;s consigo riscos consider&aacute;veis, como o acesso ao poder de grupos fundamentalistas de toda a regi&atilde;o. Mas, a preocupa&ccedil;&atilde;o de Bush tamb&eacute;m reflete a nova determina&ccedil;&atilde;o de seu governo no sentido de coordenar a&ccedil;&otilde;es mais estreitamente com aliados tradicionais de Washington, em particular depois da viagem do presidente pela Europa, no m&ecirc;s passado. &quot;Nas reuni&otilde;es com Bush, os l&iacute;deres europeus lhe deram a seguinte mensagem: &acute;Se n&atilde;o trabalhar conosco, n&atilde;o teremos &ecirc;xito, nossas iniciativas fracassar&atilde;o e voc&ecirc; ficar&aacute; isolado novamente&quot;, comentou Geoffrey Kemp, diretor de programas para o Oriente M&eacute;dio do Centro Nixon, um grupo de especialistas com sede em Washington.<\/p>\n<p> &quot;Vejo uma administra&ccedil;&atilde;o mais cautelosa, trabalhando junto com seus aliados, mais do que antes&quot;, acrescentou Kemp, que integrou o Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional durante a presid&ecirc;ncia de Ronald Reagan (1981-1989). Como prova dessa atitude, Kemp e outros especialistas destacam a decis&atilde;o de Bush, ap&oacute;s seu giro pela Europa, de reexaminar a pol&iacute;tica norte-americana em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atuais negocia&ccedil;&otilde;es sobre o programa nuclear iraniano entre Alemanha, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha (UE-3) e Ir&atilde;. Mesmo antes da viagem, a secret&aacute;ria de Estado, Condoleeza Rice, considerada a mais &quot;atl&acirc;ntica&quot; dos m&aacute;ximos assessores de Bush, havia insistido que Washington n&atilde;o estava preparada para oferecer incentivos econ&ocirc;micos, ou outros, ao Ir&atilde; como parte de um poss&iacute;vel pacote que incluiria o compromisso de Teer&atilde; de renunciar &agrave; busca por armas nucleares.<\/p>\n<p> Mas, agora, Bush parece disposto a realizar algumas das concess&otilde;es que os europeus esperavam, para desgosto de neoconservadores e outros &quot;falc&otilde;es&quot; concentrados no escrit&oacute;rio do vice-presidente, Dick Cheney, e ao redor do secret&aacute;rio da Defesa, Donald Rumsfeld. Estes &quot;falc&otilde;es&quot; n&atilde;o acreditam que seja o momento de &quot;apaziguar&quot; ou &quot;comprometer&quot; advers&aacute;rios, muito menos em Teer&atilde; e Damasco. Desde que come&ccedil;aram as manifesta&ccedil;&otilde;es contra a S&iacute;ria em Beirute, depois do assassinado, no m&ecirc;s passado, do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, os neoconservadores se encarregaram de reivindicar em seus meios de imprensa suas previs&otilde;es de que as elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas no Iraque repercutiriam em toda a regi&atilde;o, incentivando for&ccedil;as democr&aacute;ticas a enfrentarem seus opressores.<\/p>\n<p> &quot;Quais s&atilde;o os &quot;inocentes&quot; agora? Os que sonhavam em estender a democracia aos &aacute;rabes ou os que negavam que isso pudesse ocorrer?&quot;, perguntou o colunista Max Boot no jornal Los Angeles Times. A favor de seu argumento, Boot citou as recentes elei&ccedil;&otilde;es no Iraque e na Palestina, as elei&ccedil;&otilde;es municipais na Ar&aacute;bia Saudita, os &uacute;ltimos fatos no L&iacute;bano e o inesperado an&uacute;ncio do presidente eg&iacute;pcio, Hosni Mubarak, no final de fevereiro, de que permitir&aacute; elei&ccedil;&otilde;es presidenciais multipardit&aacute;rias no pr&oacute;ximo outono boreal.<\/p>\n<p> &quot;Estamos no alvorecer de um momento glorioso e revolucion&aacute;rio no Oriente M&eacute;dio&quot;, comemorou outro destacado neoconservador, Charles Krauthammer, em uma coluna publicada sexta-feira no The Washington Post sob o t&iacute;tulo &quot;O caminho para Damasco&quot;. Este momento &quot;tem sua origem na invas&atilde;o do Iraque, na derrubada de Saddam Hussein e nas imagens mostradas pela televis&atilde;o de oito milh&otilde;es de iraquianos votando em elei&ccedil;&otilde;es livres&quot;, afirmou. Krauthammer exortou o governo a exigir a retirada completa da S&iacute;ria do L&iacute;bano e previu que essa retirada fatalmente enfraquecer&aacute; o presidente s&iacute;rio Bashar al Assad, que &quot;&eacute; o sucessor de Hussein como o vil&atilde;o da regi&atilde;o&quot;.<br \/> A S&iacute;ria iniciou sua retirada do L&iacute;bano nesta segunda-feira. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 08\/03\/2005 &ndash; Encorajados pela frut&iacute;fera press&atilde;o internacional para que a S&iacute;ria retire suas tropas do L&iacute;bano, neoconservadores dos Estados Unidos pedem urg&ecirc;ncia ao presidente George W. Bush para que aproveite o momento e promova &quot;mudan&ccedil;as de regimes&quot; em Damasco e Teer&atilde;. Mas, apesar de seu pr&oacute;prio discurso mission&aacute;rio, Bush parece inclinado a esperar at&eacute; que baixe a poeira e, para frustra&ccedil;&atilde;o dos neoconservadores e outros unilateralistas, cuidar de n&atilde;o se afastar muito de seus aliados europeus, com os quais procura emendar rela&ccedil;&otilde;es depois da crise provocada pela invas&atilde;o norte-americana do Iraque, em mar&ccedil;o de 2003. A relativa precau&ccedil;&atilde;o do governo reflete a influ&ecirc;ncia dos chamados &quot;realistas&quot; pol&iacute;ticos, os quais temem que os &uacute;ltimos acontecimentos no Oriente M&eacute;dio provoquem um novo ciclo de desestabiliza&ccedil;&atilde;o, ou algo pior, em lugar de conduzir &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/oriente-mdio-entre-a-democratizao-e-a-desintegrao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-381","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=381"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/381\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}