{"id":3816,"date":"2008-04-24T17:03:20","date_gmt":"2008-04-24T17:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3816"},"modified":"2008-04-24T17:03:20","modified_gmt":"2008-04-24T17:03:20","slug":"comercio-africa-mais-promessas-do-que-concessoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/04\/africa\/comercio-africa-mais-promessas-do-que-concessoes\/","title":{"rendered":"COM\u00c9RCIO-AFRICA: Mais promessas do que concess\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Accara, 24\/04\/2008 &ndash; \u201cA \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 um caso perdido. Sofre as conseq\u00fc\u00eancias de processos que n\u00e3o pode controlar\u201d, afirmou o ativista togol\u00eas Ekplom Afeke, na reuni\u00e3o da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Comercio e Desenvolvimento (Unctad) que acontece na capital de Gana. <!--more--> Segundo Afeke, a \u00c1frica foi privada de com\u00e9rcio e investimentos durante d\u00e9cadas. Al\u00e9m disso, alertou, o manejo err\u00f4neo ambiental em pa\u00edses distantes do continente agora agrava a crise causada pela pobreza.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, que preside o encontro da Unctad, tamb\u00e9m expressou sua frustra\u00e7\u00e3o pela falta de resultado dos esfor\u00e7os da comunidade internacional para aumentar o com\u00e9rcio e o investimento em benef\u00edcio da \u00c1frica. Ban afirmou que \u201cos benef\u00edcios da globaliza\u00e7\u00e3o, especialmente o aumento do com\u00e9rcio e os investimentos\u201d, os quais qualificou de motores fundamentais para o crescimento a longo prazo e o desenvolvimento humano, \u201cainda n\u00e3o melhoraram, lamentavelmente, a situa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o do continente no com\u00e9rcio internacional e no fluxo de investimentos \u00e9 de apenas 3%. \u201cUma forma segura de elevar essa porcentagem \u00e9 garantir um r\u00e1pido acordo na Rodada de Doha\u201d de negocia\u00e7\u00f5es multilaterais de com\u00e9rcio, \u201cque incorpore um desenvolvimento significativo e melhorias na infra-estrutura\u201d, afirmou Ban. Na \u00faltima d\u00e9cada, os governos africanos foram beneficiados pelo aumento dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas que exportam, o que lhes permitiu dedicar mais recursos para avan\u00e7ar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Entre esses compromissos, assumidos em 2001 pela Assembl\u00e9ia Geral da ONU na presen\u00e7a de numerosos chefes de Estado e de governo, figuram reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que vive na indig\u00eancia e que sofre fome, at\u00e9 2015, em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndices de 1990. Mas, Ban alertou que o \u00eaxito dessas metas \u201cse v\u00ea complicado pelo alarmante aumento nos pre\u00e7os internacionais dos alimentos, que amea\u00e7a reverter os progressos obtidos at\u00e9 agora no combate \u00e0 fome e \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o\u201d. Alem disso, o secret\u00e1rio-geral lembrou que \u201ca mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 outra grande quest\u00e3o de crescente preocupa\u00e7\u00e3o para a \u00c1frica. N\u00e3o se pode esperar que as pessoas desse continente, que t\u00e3o pouco contribuiu para este problema, carregue o peso das medidas que devem ser tomadas com seus pr\u00f3prios meios\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, o secret\u00e1rio-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, criticou o modelo de crescimento econ\u00f4mico baseado no aumento de pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos. Embora o com\u00e9rcio entre pa\u00edses em desenvolvimento tenha triplicado entre 1995 e 2005, \u201cseu desempenho em conjunto nos \u00faltimos anos, e o progresso nas economias de menores rendas, foi muito lente e baseado fundamentalmente na exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas com muito pouco valor agregado\u201d, afirmou. Neste contexto, as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida \u201cs\u00e3o insuficientes para atingir o objetivo de reduzir a pobreza extrema pela metade at\u00e9 2015\u201d, alertou Supachai.<\/p>\n<p>Ban Ki-moon destacou que muitos pa\u00edses n\u00e3o poder\u00e3o atingir os Objetivos do Mil\u00eanio. Afirmou que a \u00c1frica se encontra \u201cem risco, porque nenhum pa\u00eds est\u00e1 encaminhado a conseguir todas as metas at\u00e9 a data prevista\u201d. Mas, acrescentou, na\u00e7\u00f5es como Gana, Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia e Uganda registram avan\u00e7os em v\u00e1rias \u00e1reas de desenvolvimento, e o Senegal fez progressos para estender o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel. Alem disso, N\u00edger, Togo e Z\u00e2mbia conseguiram importantes progressos no controle da mal\u00e1ria atrav\u00e9s da distribui\u00e7\u00e3o gratuita de mosquiteiros. \u201cEstes progressos devem aumentar e se espalhar atrav\u00e9s da \u00c1frica com o apoio efetivo da comunidade internacional\u201d, disse Ban. Entretanto, existem outros desafios.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam alertou que a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia causar\u00e1 \u201cum dano irrepar\u00e1vel \u00e0s possibilidades de desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres\u201d se n\u00e3o modificar os acordos de associa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que devem ser conclu\u00eddos este ano com as na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica, do Caribe e do Pac\u00edfico. Segundo a entidade, \u201cestes tratados se afastam do objetivo original de promover o desenvolvimento. Seu custo ser\u00e1 enorme: se perder\u00e1 US$ 360 milh\u00f5es anuais por redu\u00e7\u00f5es alfandeg\u00e1rias apenas na \u00c1frica e outros US$ 9 bilh\u00f5es nas na\u00e7\u00f5es envolvidas\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, o ministro de Com\u00e9rcio Exterior da Gr\u00e3-Bretanha, Gareth Thomas, disse na reuni\u00e3o da Unctad que existe uma urgente necessidade de concluir as negocia\u00e7\u00f5es, para que os pa\u00edses da \u00c1frica, do Caribe e do Pac\u00edfico utilizam o com\u00e9rcio como ferramenta para conseguir crescimento e prosperidade. \u201cSe o mundo quer ajudar os pa\u00edses mais pobres, \u00e9 preciso por fim ao protecionismo e chegar agora\u201d a um acordo sobre a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cUm com\u00e9rcio mais justo implica suprimir as proibi\u00e7\u00f5es \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, reduzir os subs\u00eddios agr\u00edcolas que distorcem o interc\u00e2mbio e reduzir as tarifas alfandeg\u00e1rias\u2019, afirmou Thomas. Se isto for conseguido \u2013 prosseguiu \u2013 \u201cajudar\u00e1 os agricultores a responderem melhor aos atuais pre\u00e7os altos das mat\u00e9rias-primas, mas isto \u00e9 apenas parte da solu\u00e7\u00e3o. Precisamos mais investimentos para aumentar a produtividade e, se os agricultores obtiverem maiores pre\u00e7os, ent\u00e3o investir\u00e3o\u201d, disse. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Accara, 24\/04\/2008 &ndash; \u201cA \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 um caso perdido. 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