{"id":3830,"date":"2008-04-29T16:22:58","date_gmt":"2008-04-29T16:22:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3830"},"modified":"2008-04-29T16:22:58","modified_gmt":"2008-04-29T16:22:58","slug":"alimentacao-intermediarios-sufocam-agricultores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/04\/mundo\/alimentacao-intermediarios-sufocam-agricultores\/","title":{"rendered":"ALIMENTA\u00c7\u00c3O: Intermedi\u00e1rios sufocam agricultores"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 29\/04\/2008 &ndash; Os estoques mundiais de gr\u00e3os registram quedas sem precedentes. Os pre\u00e7os agr\u00edcolas andam nas nuvens. Esta situa\u00e7\u00e3o renova a busca por melhores m\u00e9todos de cultivo para atender a demanda alimentar.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_3830\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ALIMENTACION.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3830\" class=\"size-medium wp-image-3830\" title=\" - UN_DPI\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ALIMENTACION.jpg\" alt=\" - UN_DPI\" width=\"200\" height=\"114\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3830\" class=\"wp-caption-text\"> - UN_DPI<\/p><\/div>  Durante muito tempo, Estados Unidos e Europa praticaram uma agricultura industrial, com um incessante aumento da produ\u00e7\u00e3o. Mas esses mecanismos s\u00e3o questionados cada vez mais, pela tend\u00eancia monopolista das empresas do setor e problemas de sustentabilidade. Para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de maneira sustent\u00e1vel, os especialistas em agricultura buscam modelos alternativos, ou, pelo menos, varia\u00e7\u00f5es significativas para as pr\u00e1ticas industriais predominantes.<\/p>\n<p>Um estudo sobre a agricultura mundial, elaborado por representantes de 110 pa\u00edses e institui\u00e7\u00f5es-chave, conclui que a Am\u00e9rica do Norte est\u00e1 cada vez mais dominada por uma estrutura agr\u00edcola vertical. Segundo a Avalia\u00e7\u00e3o Internacional do Conhecimento, da Ci\u00eancia e da Tecnologia no Desenvolvimento Agr\u00edcola (IAASTD), publicada em meados deste m\u00eas, \u201cos grandes atores t\u00eam uma influ\u00eancia predominante sobre a produ\u00e7\u00e3o, o processamento e a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas industriais e monopolistas desvinculam os produtores dos consumidores, e garantem que aqueles que ficam com a maior parte dos lucros s\u00e3o as grandes empresas e n\u00e3o os agricultores. O pre\u00e7o m\u00e9dio da cesta de alimentos aumento 2% em termos reais nos \u00faltimos 20 anos, enquanto a renda dos agricultores caiu 40%, segundo o especialista Raj Patel. A Uni\u00e3o Nacional de Agricultores dos Estados Unidos calculou que para cada d\u00f3lar gasto pelos consumidores deste pa\u00eds em alimentos, apenas 20 centavos v\u00e3o realmente para os produtores. O restante acaba nas empresas encarregadas do \u201cmarketing, processamento, venda no atacado, distribui\u00e7\u00e3o e venda no varejo\u201d.<\/p>\n<p>Esta concentra\u00e7\u00e3o cada vez maior significa que cada vez menos agroneg\u00f3cios influem sobre a cadeia de fornecimento de alimentos. Os que criticam esta situa\u00e7\u00e3o visualizam o esquema predominante como um rel\u00f3gio de areia: uma grande quantidade de produtores deve canalizar suas mercadorias atrav\u00e9s de um punhado de grandes corpora\u00e7\u00f5es antes de abrir-se caminho aos consumidores.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o feita pela soci\u00f3loga rural Mary Hendrickson, da Universidade do Missouri, demonstra que a influ\u00eancia dos agroneg\u00f3cios nos Estados Unidos aumentou de modo significativo. As quatro maiores processadoras de soja concentram agora 805 do mercado, enquanto em 1977 representavam apenas54%. As quatro principais processadoras de farinha de trigo passaram dos 42% do mercado em 1982 para 60% atuais.<\/p>\n<p>Mas a concentra\u00e7\u00e3o existe nos dois extremos do neg\u00f3cio agr\u00edcola norte-americano. Os dois principais fornecedores de sementes dominam 58% do mercado, e quase a metade dos alimentos \u00e9 vendida em apenas cinco redes varejistas: wal-Mart, Kroger, Albertson\u2019s, Safeway e Ahold. Os cr\u00edticos dizem que esta tend\u00eancia ao monop\u00f3lio tem um impacto perverso na competi\u00e7\u00e3o e, em conseq\u00fc\u00eancia, nos pre\u00e7os para o consumidor.<\/p>\n<p>\u201cQualquer mat\u00e9ria-prima onde quatro ind\u00fastrias ou menos controlam cerca de 60% corre o risco de cair em um cartel de pre\u00e7os\u201d, escreveram Denis Keeney e Loni Kemp, do Instituto para a Agricultura e as Pol\u00edticas Comerciais, em uma avalia\u00e7\u00e3o sobre a agricultura norte-americana. \u201cOs produtores n\u00e3o t\u00eam controle sobre os pre\u00e7os do mercado, e os consumidores, com o tempo, pagar\u00e3o pre\u00e7os mais altos\u201d, acrescentaram. Os pequenos produtores agropecu\u00e1rios foram particularmente afetados pela configura\u00e7\u00e3o de rel\u00f3gio de areia da agricultura norte-americana.<\/p>\n<p>Dependem for\u00e7osamente de um punhado de grandes compradores e de umas poucas grandes corpora\u00e7\u00f5es que lhes vendem sementes e fertilizantes, e t\u00eam pouca capacidade de influir no pre\u00e7o de seus produtos. Devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es aos direitos de propriedade intelectual sobre as sementes, frequentemente devem comprar sementes todos os anos. Isto significa que, embora os agricultores superem em n\u00famero os compradores e fornecedores de insumos, t\u00eam muito menos influ\u00eancia. E embora uma quantidade significativa de subs\u00eddios do governo esteja dirigidos \u00e0 agricultura, uma \u00ednfima fra\u00e7\u00e3o desses fundos chega aos pequenos produtores agropecu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das distor\u00e7\u00f5es do comportamento monop\u00f3lico, a agricultura em escala industrial tamb\u00e9m est\u00e1 sob ataque por raz\u00f5es de sustentabilidade. \u201cVimos impactos ecol\u00f3gicos adversos sobre a qualidade de \u00e1guas e solos e sobre a biodiversidade\u201d, disse Hendrickson \u00e0 IPS. \u201cO uso de insumos sint\u00e9ticos (fertilizantes, pesticidas, etc) potenciou a produtividade de uma maneira fabulosa, mas, teve alguns impactos s\u00e9rios\u201d, acrescentou. Keeney e Kemp coincidiram, afirmando em seu informe que \u201cn\u00e3o se v\u00ea como prolongar esta estrutura no pr\u00f3ximo s\u00e9culo por depender t\u00e3o fortemente dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, dos subs\u00eddios ao contribuinte e dos fatores ambientais\u201d.<\/p>\n<p>A agricultura industrial j\u00e1 derivou em \u201ccontamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas (superficiais e subterr\u00e2neas, zonas de hipoxia \u2013 defici\u00eancia de oxig\u00eanio), incremento de inunda\u00e7\u00f5es, esgotamento das \u00e1guas subterr\u00e2neas, contamina\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, odores excessivos, mudan\u00e7a clim\u00e1tica, perda de habitat natural, degrada\u00e7\u00e3o de ecossistemas naturais, perda de polinizadores, perda de qualidade do solo e eros\u00e3o do solo\u201d. Os que prop\u00f5em uma agricultura em grande escala alegam que, de todo modo, ainda \u00e9 a maneira mais eficiente de produzir grandes quantidades de alimentos. Dizem que se adapta melhor \u00e0 abertura de novas \u00e1reas de cultivo, aumentando, assim, a produtividade.<\/p>\n<p>O argumento tem sua origem nas economias de grande escala. As firmas maiores podem consolidar suas fun\u00e7\u00f5es e assim reduzir custos. Por exemplo, enquanto cada pequeno estabelecimento agr\u00edcola necessita de seu pr\u00f3prio trator, uma firma agr\u00edcola industrial com m\u00faltiplos estabelecimentos poderia compartilh\u00e1-lo. Entretanto, estas alega\u00e7\u00f5es de maior efici\u00eancia s\u00e3o questionadas especialmente ao se considerar os custos extremos associados com este m\u00e9todo: contamina\u00e7\u00e3o, esgotamento do solo, etc.<\/p>\n<p>Cr\u00edticos como Gary Howe, do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola, dizem que a agricultura ind\u00fastria n\u00e3o pode ser considerada mais eficiente do que a de pequena escala, devido \u00e0 sua forte depend\u00eancia dos subs\u00eddios. Howe tamb\u00e9m destacou a grande produtividade gerada a partir da agricultura em pequena escala nas \u201crevolu\u00e7\u00f5es verdes\u201d da \u00c1sia. Uma chave importante para o futuro da agricultura \u00e9 mudar a medida do sucesso, disse Hendrickson. Esta deveria se afastar de considera\u00e7\u00f5es como quanto se cultiva por superf\u00edcie para algo mais parecido com a quantidade de nutrientes produzidos na mesma \u00e1rea.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o latino-americana da IAASTD \u201cmostrou que as estrat\u00e9gias agro-ecol\u00f3gicas podem ser t\u00e3o, ou mais, produtivas quanto a atual agricultura intensiva em grande escala, que dependem dos insumos externos\u201d, destacou Hendriuckson. \u201cProvavlemnte, eles sejam um modelo melhor para impulsionar a produ\u00e7\u00e3o alimentar, exatamente nas \u00e1reas que a necessitam\u201d, concluiu. Estes m\u00e9todos \u201cutilizam conhecimento local\/tradicional e descobertas da ci\u00eancia formal, e que est\u00e3o adaptados ao seu particular nicho social e ecol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto o mundo enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola desesperada, os especialistas esperam que se possa estimular a produ\u00e7\u00e3o, reduzir os pre\u00e7os e melhorar a sustentabilidade ao mesmo tempo. Embora haja varias op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, muitos concordam que se deve come\u00e7ar dando aos agricultores maior influ\u00eancia dentro da cadeia alimentar, e rompendo a influ\u00eancia monopolista e insustent\u00e1vel dos grandes agroneg\u00f3cios. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 29\/04\/2008 &ndash; Os estoques mundiais de gr\u00e3os registram quedas sem precedentes. Os pre\u00e7os agr\u00edcolas andam nas nuvens. 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