{"id":3832,"date":"2008-04-29T16:29:03","date_gmt":"2008-04-29T16:29:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3832"},"modified":"2008-04-29T16:29:03","modified_gmt":"2008-04-29T16:29:03","slug":"arroz-asia-uma-crise-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/04\/economia\/arroz-asia-uma-crise-anunciada\/","title":{"rendered":"ARROZ-\u00c1SIA: Uma crise anunciada"},"content":{"rendered":"<p>Bancoc, 29\/04\/2008 &ndash; Os alarmantes informes da imprensa internacional sobre a escassez mundial de alimentos n\u00e3o surpreendem os especialistas da ONG Rede de A\u00e7\u00e3o contra os Pesticidas, que trabalha com comunidades agr\u00edcolas da \u00c1sia. <!--more--> A organiza\u00e7\u00e3o, conhecida pela sigla em ingl\u00eas PAN, advertiu durante anos sobre uma iminente escassez de arroz. No entanto, o alerta foi ignorado pelos governos desta regi\u00e3o, que abriga nove dos 10 maiores produtores mundiais desse gr\u00e3o: Bangladesh Birm\u00e2nia, China, Filipinas, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Jap\u00e3o, Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3. O \u00fanico membro n\u00e3o asi\u00e1tico desta liga \u00e9 o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cDurante os \u00faltimos cinco anos dissemos que enfrent\u00e1vamos uma crise na produ\u00e7\u00e3o de arroz, que a soberania e a seguran\u00e7a alimentar eram deblitadas\u201d, disse \u00e0 IPS Clare Westwood, coordenadora da campanha Salvemos Nosso Arroz, lan\u00e7ada pelo PAN em 2004. \u201cEra apenas uma quest\u00e3o de tempo as advert\u00eancias se transformarem em realidade\u201d, acrescentou Westwood. A organiza\u00e7\u00e3o centrava sua preocupa\u00e7\u00e3o no impulso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o em escala industrial, que inclu\u00eda a promo\u00e7\u00e3o da monocultura. As variedades de arroz que permitem obter elevado rendimento e que necessitam de um grande uso de agroqu\u00edmicos se mostravam como a resposta para a demanda em aumento.<\/p>\n<p>Esta estrat\u00e9gia marginalizou os pequenos agricultores que atrav\u00e9s dos s\u00e9culos utilizaram os conhecimentos locais em suas pequenas comunidades rurais para desenvolver novas variedades de semente de arroz que se adaptavam ao ambiente. \u201cAs variedades de alto rendimento n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o resistentes com as utilizadas na produ\u00e7\u00e3o tradicional org\u00e2nica. O arroz h\u00edbrido s\u00f3 tem um bom desempenho sob determinadas condi\u00e7\u00f5es. Requer o uso intenso de fertilizantes e pesticidas, bem como maior quantidade de \u00e1gua. Essas s\u00e3o suas debilidades cong\u00eanitas\u201d, disse Westwood.<\/p>\n<p>Um estudo da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u00c1sia e o Pac\u00edfico (Escap) destaca que 70% dos pobres da regi\u00e3o residem em \u00e1reas rurais, e que seu meio fundamental de subsist\u00eancia \u00e9 a agricultura. \u201cO setor agr\u00edcola foi descuidado por quase quatro d\u00e9cadas. O problema da escassez e dos aumentos de pre\u00e7os apareceria mais cedo ou mais tarde. Antes os governos proporcionavam muito mais servi\u00e7os \u00e0 agricultura\u201d, disse Shamika Sirimanne, da Escap.<\/p>\n<p>Essa ajuda inclu\u00eda fundos para que os produtores aumentassem o rendimento, o fomento \u00e0 pesquisa e ao desenvolvimento e a otimiza\u00e7\u00e3o da comercializa\u00e7\u00e3o das colheitas. Os Estados tamb\u00e9m se ocuparam de melhorar as estradas e encarar projetos de infra-estrutura para elevar a qualidade de vida nas \u00e1reas rurais. A tend\u00eancia se reverteu a partir dos anos 80, disse Sirimanne. \u201cTodos come\u00e7aram a pensar no crescimento que poderia ser alcan\u00e7ado atrav\u00e9s do desenvolvimento da ind\u00fastria e dos servi\u00e7os e a agricultura foi sendo desatendida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A agricultura representou 28,7% do produto interno bruto da China no per\u00edodo 198101985, enquanto a ind\u00fastria contribuiu com 26%, segundo o Banco Mundial. No q\u00fcinq\u00fc\u00eanio 2001-2006, a contribui\u00e7\u00e3o do campo caiu para 8,7% e as manufaturas representaram 49,1% do PIB. No mesmo per\u00edodo, na \u00cdndia, a participa\u00e7\u00e3o do setor prim\u00e1rio passou de 18,4% para 6,2% do PIB, enquanto na Indon\u00e9sia caiu de 18,4% para 11,8%, sempre \u00e0 custa da ind\u00fastria e dos servi\u00e7os. Mas, isto n\u00e3o reduziu o n\u00famero de pobres nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>\u201cAinda hoje, 60% da for\u00e7a de trabalho corresponde ao setor agr\u00edcola e um grande n\u00famero desses trabalhadores vive na pobreza. \u00c9 um dever dos governos come\u00e7ar a reinvestir para aumentar a produtividade\u201d, afirmou Sirimanne. O informe final da Avalia\u00e7\u00e3o Internacional do Conhecimento, da Ci\u00eancia e da Tecnologia no Desenvolvimento Agr\u00edcola (IAASTD) destacou que se deve ressuscitar as abandonadas pequenas comunidades agr\u00edcolas para impulsionar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, inclu\u00eddo o arroz.<\/p>\n<p>Lim Li Ching, a principal autora do cap\u00edtulo asi\u00e1tico desse estudo global, disse \u00e0 IPS que agora tamb\u00e9m est\u00e1 em xeque a chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u2019, processo de reintrodu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias em muitos pa\u00edses em desenvolvimento entre os anos 40 e 60, que permitiram obter um grande aumento na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. \u201cO custo social e ambiental da revolu\u00e7\u00e3o verde na regi\u00e3o n\u00e3o pode ser ignorado\u201d, acrescentou Ching.na \u00c1sia, esse processo foi impulsionado pelos Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), com sede nas Filipinas. Introduziu as variedades de alto rendimento para atender a crescente demanda e, no processo, alterou profundamente a estrutura do cultivo de arroz na \u00c1sia. Entre 1968 e 1981, a produ\u00e7\u00e3o aumentou 42%. Mas agora o IRRI admite que a monocultura teve seu custo. \u201cEstamos conscientes do dano ambiental. Nesse momento n\u00e3o havia movimentos ecol\u00f3gicos. Apenas se pensava em alimentar as pessoas\u201d, disse \u00e0 IPS o porta-voz do instituto, Duncan Macintosh. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bancoc, 29\/04\/2008 &ndash; Os alarmantes informes da imprensa internacional sobre a escassez mundial de alimentos n\u00e3o surpreendem os especialistas da ONG Rede de A\u00e7\u00e3o contra os Pesticidas, que trabalha com comunidades agr\u00edcolas da \u00c1sia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/04\/economia\/arroz-asia-uma-crise-anunciada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[17],"class_list":["post-3832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3832\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}