{"id":3870,"date":"2008-05-13T16:45:22","date_gmt":"2008-05-13T16:45:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3870"},"modified":"2008-05-13T16:45:22","modified_gmt":"2008-05-13T16:45:22","slug":"alimentacao-china-compra-fora-terras-que-faltam-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/mundo\/alimentacao-china-compra-fora-terras-que-faltam-dentro\/","title":{"rendered":"ALIMENTA\u00c7\u00c3O: China compra fora terras que faltam dentro"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 13\/05\/2008 &ndash; Ansiosa com o encarecimento dos gr\u00e3os, a China estuda comprar terras de cultivo no exterior e opor-se a qualquer monop\u00f3lio internacional, entre outras medidas para garantir no longo prazo a seguran\u00e7a alimentar de seus 1,3 bilh\u00e3o de habitantes. <!--more--> J\u00e1 se desfez a proposta da Tail\u00e2ndia feita no in\u00edcio deste m\u00eas de criar um cartel do arroz entre os pa\u00edses exportadores para sustentar os pre\u00e7os do gr\u00e3o, especialistas agr\u00edcolas chineses alertaram que seu pa\u00eds exerceria press\u00e3o contra a iniciativa. Apesar de ser o maior produtor e consumidor de arroz do mundo, a China tem escassa inger\u00eancia no mercado arrozeiro mundial.<\/p>\n<p>Com o fim de garantir o abastecimento interno, o pa\u00eds reduziu em 2007 suas exporta\u00e7\u00f5es a apenas 1,34 milh\u00e3o de toneladas. Sua produ\u00e7\u00e3o total \u00e9 de apenas 130 milh\u00f5es toneladas. \u201cAs exporta\u00e7\u00f5es chinesas de arroz representam apenas 1% de sua produ\u00e7\u00e3o total, mas, devido ao grande volume produzido e \u00e0 vasta \u00e1rea cultivada, nenhum pa\u00eds pode se dar ao luxo de ignorar a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na mat\u00e9ria\u201d, disse o especialista em com\u00e9rcio agr\u00edcola Bai Yongxia, residente em Xangai. \u201cSe a China acredita que o pre\u00e7o do arroz \u00e9 manipulado por meio do cartel proposto para servir a certos interesses geopol\u00edticos, n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil opor-se\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O encarecimento do arroz, em meio a um fen\u00f4meno mundial que inclui os principais alimentos, levou pa\u00edses como \u00cdndia e Vietn\u00e3 a reduzir suas exporta\u00e7\u00f5es para garantir o abastecimento do mercado interno. Ap\u00f3s o an\u00fancio dessas restri\u00e7\u00f5es o pre\u00e7o voltou a disparar, o que representou um exemplo do efeito que poderia ter um monop\u00f3lio do arroz. \u201cCom um produto t\u00e3o sens\u00edvel com os gr\u00e3os, se um pa\u00eds toma medidas protecionistas outros o seguir\u00e3o\u201d, disse o analista Zhag Xiaobo, do Instituto Internacional para a Pesqusia em Pol\u00edticas Alimentares, na publica\u00e7\u00e3o do 21st Century Business Herald. \u201cIsso torna realmente dif\u00edcil a forma\u00e7\u00e3o da Opep do arroz\u201d, acrescentou Zhang se referindo \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo, que, segundo seus cr\u00edticos, constitui um cartel manipulador de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos chineses alegaram que a proposta da Tail\u00e2ndia de criar um monop\u00f3lio junto com Birm\u00e2nia, Camboja, Laos e Vietn\u00e3 seria desbaratada por suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. \u201cPoucos pa\u00edses apoiariam a proposta, porque os controles de produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio seriam muito dif\u00edceis de serem implementados\u201d, disse um especialista da Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria de Gr\u00e3os da China. \u201cA produ\u00e7\u00e3o arrozeira na \u00c1sia depende de pequenas propriedades agr\u00edcolas e milh\u00f5es de pequenos plantadores, e n\u00e3o podem ser controlados como os pa\u00edses da Opep controlam a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A China, que defende a auto-sufici\u00eancia alimentar para sua vasta popula\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m um teto para os pre\u00e7os dos gr\u00e3os, at\u00e9 agora saiu indeme da crise alimentar. Enquanto o pre\u00e7o do arroz na Tail\u00e2ndia \u2013 maior exportador mundial do produto \u2013 mais do que triplicou em apenas seis semanas, os pre\u00e7os internos na China se mant\u00eam est\u00e1veis. O governo anunciou que em 2008 manter\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os acima de 500 milh\u00f5es de toneladas para garantir o abastecimento interno. Al\u00e9m disso, garantiu ao p\u00fablico em reiteradas ocasi\u00f5es que o pa\u00eds tem suficientes reservas para manter os pre\u00e7os est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pequim tamb\u00e9m entregou US$ 4,5 milh\u00f5es ao Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para ajudar a dar assist\u00eancia alimentar aos pobres do mundo. Mas, apesar de reiteradas declara\u00e7\u00f5es de que o pa\u00eds est\u00e1 bem equipado para enfrentar a crise alimentar que envolve o mundo, o governo continua preocupado co a capacidade da China no longo prazo para dar de comer \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. \u201cAgora temos menos espa\u00e7o para aumentar a superf\u00edcie semeada com gr\u00e3os, e fica cada vez mais dif\u00edcil aumentar o rendimento\u201d, disse esta semana Nie Zhenbang, chefe da Administra\u00e7\u00e3o Estatal de Gr\u00e3os, ao jornal em ingl\u00eas China Daily. Nie mencionou a redu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie cultiv\u00e1vel e a escassez da \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o como os principais desafios na mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Por outro lado, os controles governamentais sobre o pre\u00e7o dos alimentos e sobre os crescentes custos de produ\u00e7\u00e3o espremeram a margem de lucro para os produtores de gr\u00e3os da China, fazendo com que muitos se voltem para cultivos mais lucrativos. \u201cCom ganhos t\u00e3o pequenos e custos t\u00e3o altos, h\u00e1 poucos incentivos para que os agricultores continuem plantando gr\u00e3os\u201d, disse Lu Xueyi, especialista agr\u00edcola da Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais. Para enfrentar os crescentes desafios internos na hora de garantir a auto-sufici\u00eancia alimentar, Pequim est\u00e1 tra\u00e7ando uma pol\u00edtica para incentivar as empresas agr\u00edcolas a comprarem terras de cultivo no exterior.<\/p>\n<p>Embora os bancos estatais e as empresas de petr\u00f3leo chinesas tenham feito numerosos investimentos em outros pa\u00edses, fechando contratos para recursos petrol\u00edferos e minerais, at\u00e9 agora houve poucos incentivos oficiais para que as companhias agr\u00edcolas chinesas se aventurem no exterior. Mas, empresas chinesas assinaram acordos agr\u00edcolas, entre eles concess\u00f5es de terras em pa\u00edses do sudeste da \u00c1sia e \u00c1frica para cultivar palma de \u00f3leo, eucalipto, milho, mandioca, cana-de-a\u00e7\u00facar, entre outros produtos. Algumas dessas companhias foram criticadas em v\u00e1rios pa\u00edses por violarem leis, direitos humanos e meio ambiente no processo de adquirir suas concess\u00f5es de terras.<\/p>\n<p>Pa\u00edses ricos em petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1frica setentrional j\u00e1 se dedicam a investir em opera\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas em outros pa\u00edses. Prev\u00ea-se que Pequim aprove o plano, apesar de tamb\u00e9m se aguardar uma contra-ofensiva internacional, disse na sexta-feira o jornal londrino Financial Times, citando uma fonte oficial chinesa n\u00e3o identificada. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 13\/05\/2008 &ndash; Ansiosa com o encarecimento dos gr\u00e3os, a China estuda comprar terras de cultivo no exterior e opor-se a qualquer monop\u00f3lio internacional, entre outras medidas para garantir no longo prazo a seguran\u00e7a alimentar de seus 1,3 bilh\u00e3o de habitantes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/mundo\/alimentacao-china-compra-fora-terras-que-faltam-dentro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[17],"class_list":["post-3870","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3870\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}