{"id":388,"date":"2005-03-09T00:00:00","date_gmt":"2005-03-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=388"},"modified":"2005-03-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-09T00:00:00","slug":"direitos-humanos-quando-o-terror-no-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-quando-o-terror-no-terrorismo\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Quando o terror n&atilde;o &eacute; terrorismo"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 09\/03\/2005 &ndash; Personalidades de todo o mundo, entre elas ex-chefes de Estado e de governo, tentam esta semana definir, na capital da Espanha, o que se entende por terrorismo, e recomendar&atilde;o medidas para combat&ecirc;-lo. A C&uacute;pula Internacional sobre Democracia, Terrorismo e Seguran&ccedil;a, organizada pelo Clube de Madri, re&uacute;ne duas centenas de acad&ecirc;micos, profissionais e pol&iacute;ticos, que analisar&atilde;o os resultados pesquisas realizadas nos &uacute;ltimos meses. O Clube de Madri, que tem entre seus membros 50 ex-chefes de Estado e de governo, se define como &quot;uma organiza&ccedil;&atilde;o independente dedicada a fomentar e refor&ccedil;ar a democracia no mundo&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> O objetivo da confer&ecirc;ncia, iniciada ter&ccedil;a-feira e que terminar&aacute; na pr&oacute;xima sexta-feira, &eacute; definir um contexto comum de a&ccedil;&otilde;es internacionais para a prote&ccedil;&atilde;o da democracia, e se prev&ecirc; que uma das tarefas mais dif&iacute;ceis ser&aacute; obter consenso sobre a defini&ccedil;&atilde;o de terrorismo. De acordo com a &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do Dicion&aacute;rio da Real Academia Espanhola (DRAE), aceito por todas as academias nacionais americanas e pela filipina, &quot;terror&quot; &eacute; &quot;um m&eacute;todo expeditivo de justi&ccedil;a revolucion&aacute;ria e contra-revolucion&aacute;ria&quot;. Por outro lado, segundo o DRAE, &quot;terrorismo&quot; &eacute; &quot;a domina&ccedil;&atilde;o pelo terror&quot; e &quot;uma sucess&atilde;o de atos de viol&ecirc;ncia cometidos para infundir terror&quot;. <\/p>\n<p> Diante destas defini&ccedil;&otilde;es, em declara&ccedil;&otilde;es &agrave; IPS, o juiz Baltasar Garz&oacute;n foi contundente: &quot;Todo ataque ou agress&atilde;o contra a popula&ccedil;&atilde;o civil &eacute; um crime de terrorismo, sejam realizados por grupos civis, rebeldes, terroristas ou ex&eacute;rcitos regulares&quot;. A primeira refer&ecirc;ncia de que se tem lembran&ccedil;a a este respeito &eacute; do pensador republicano alem&atilde;o Karl Heinzen, que em 1848 considerou aceit&aacute;veis todos os meios para acelerar o advento da democracia. &quot;Se voc&ecirc; deve explodir a metade do continente e provocar um banho de sangue para destruir o partido dos b&aacute;rbaros, n&atilde;o tenha nenhum escr&uacute;pulo. Aquele que n&atilde;o sacrifica sua vida para ter a satisfa&ccedil;&atilde;o de exterminar um milh&atilde;o de b&aacute;rbaros n&atilde;o &eacute; um verdadeiro republicano&quot;, escreveu Heinzen em seu ensaio &quot;O homic&iacute;dio&quot;.<\/p>\n<p> Depois da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa (1789), o partido jacobino, decidido a realizar grandes mudan&ccedil;as sociais, imp&ocirc;s o que se conhece como &quot;o reino do terror&quot;. Com esse fim, reprimiu os que se opunham a ele, inclusive com a guilhotina. Mas, os conceitos foram variando desde ent&atilde;o. Em dezembro passado, um grupo de especialistas da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas definiu terrorismo como &quot;qualquer ato (&#8230;) destinado a causar a morte ou les&otilde;es corporais graves a um civil ou a um n&atilde;o-combatente, quando o prop&oacute;sito desse ato, por sua natureza ou contexto, seja intimidar uma popula&ccedil;&atilde;o ou for&ccedil;ar um governo ou uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional a realizar uma a&ccedil;&atilde;o abster-se de faz&ecirc;-la&quot;.<\/p>\n<p> O diretor de conte&uacute;dos da confer&ecirc;ncia que acontece em Madri, Peter Neumann, disse que a falta de acordo sobre a defini&ccedil;&atilde;o de terrorismo impede o avan&ccedil;o no resto da agenda. Neumann acredita que seja adotada a do grupo de especialistas da ONU. De todo modo, haja ou n&atilde;o acordo a esse respeito, &quot;em nenhum caso essa indefini&ccedil;&atilde;o poder&aacute; impedir que se siga adiante na luta contra o terror&quot;, afirmou o diplomata espanhol Javier Rup&eacute;rez, que &eacute; diretor do Comit&ecirc; contra o Terrorismo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Rup&eacute;rez foi seq&uuml;estrado pelo grupo terrorista basco ETA em 1979, quando a Espanha era governada pela Uni&atilde;o de Centro Democr&aacute;tico, partido ao qual pertencia.<\/p>\n<p> O diplomata reconheceu que existe uma d&uacute;zia de conv&ecirc;nios referentes ao terrorismo obrigat&oacute;rios para os membros da ONU, mas, considerou necess&aacute;rio que sua Assembl&eacute;ia Geral aprove uma defini&ccedil;&atilde;o. A situa&ccedil;&atilde;o atual &quot;implica uma falta de consenso que reflete situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e ambig&uuml;idades que deveriam ser superadas&quot;, disse Rup&eacute;rez. Entre essas ambig&uuml;idades figuram as diferen&ccedil;as entre as listas de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas elaboradas por diversos governos e organiza&ccedil;&otilde;es. Por exemplo, o isl&acirc;mico Partido de Deus (Hezbol&aacute;) figura da lista que todos os anos &eacute; feita pelo Departamento de Estado norte-americano, mas n&atilde;o consta da &uacute;ltima rela&ccedil;&atilde;o elaborada pela Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e aprovada em maio de 2004.<\/p>\n<p> As defini&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m mudam, segundo as &eacute;pocas e os interesses em disputa. O fil&oacute;logo tunisino Mohamed Abdelkefi, correspondente em Madri do jornal al Arab, editado na Gr&atilde;-Bretanha, mencionou como exemplo o movimento isl&acirc;mico afeg&atilde;o Talib&atilde;. &quot;Quando lutavam contra os sovi&eacute;ticos eram combatentes pela liberdade. Depois, lutando sempre contra a ocupa&ccedil;&atilde;o americana, foram transformados em terroristas&quot;, disse Abdelkefi &agrave; IPS. &quot;Por acaso os espanh&oacute;is que se levantaram contra os franceses de Napole&atilde;o que ocuparam a Espanha eram terroristas? E os franceses e os maquis (membros da resist&ecirc;ncia) faziam terrorismo em sua luta contra a ocupa&ccedil;&atilde;o nazista?&quot;, perguntou o jornalista &aacute;rabe.<\/p>\n<p> &quot;Que nome se pode dar &agrave;s invas&otilde;es de casas durante a madrugada, arrombando portas e quebrando m&oacute;veis e utens&iacute;lios, violando mulheres e crian&ccedil;as, humilhando e maltratando os homens e roubando j&oacute;ias e dinheiro?&quot;, perguntou Abdekelfi se referindo aos bombardeios e a&ccedil;&otilde;es dos norte-americanos no Iraque. &quot;&Eacute;, ou n&atilde;o, terrorismo bombardear casas e bairros inteiros, matando tudo o que tem vida com a desculpa de perseguir um indiv&iacute;duo?&quot;, prosseguiu. O diretor da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch, Kenneth Roth, presente &agrave; confer&ecirc;ncia de Madri, concorda com o jornalista. &quot;&Eacute; contraproducente apoiar governos autorit&aacute;rios como aliados na luta contra o terrorismo, porque os sistemas abertos s&atilde;o o melhor caminho para convencer os jovens furiosos a canalizarem sua indigna&ccedil;&atilde;o pacificamente&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m a coordenadora europ&eacute;ia da Coaliz&atilde;o do Tribunal Penal Internacional, Irune Aguirrez&aacute;bal, afirmou que a viol&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; a melhor arma contra o terrorismo. &quot;&Eacute; cruciam analisar as ra&iacute;zes, incluindo o fanatismo religioso, a pobreza, a desigualdade, a falta de democracia&quot;, para trabalhar na preven&ccedil;&atilde;o e persegui&ccedil;&atilde;o do terrorismo &quot;respeitando a lei e os direitos humanos&quot;, disse Aguirrez&aacute;bal. Al&eacute;m da defini&ccedil;&atilde;o de terrorismo, o Clube de Madri, presidido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pretende que da reuni&atilde;o surjam orienta&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas, bem como recomenda&ccedil;&otilde;es de a&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a, que permitam enfrentar o terrorismo, sejam qual foi sua cor. A C&uacute;pula da capital espanhola pretende celebrar as v&iacute;timas do terrorismo de todo o mundo, como um evento independente e n&atilde;o partid&aacute;rio cuja finalidade &eacute; unir todas as for&ccedil;as democr&aacute;ticas do panorama pol&iacute;tico, conforme consta da convoca&ccedil;&atilde;o do Clube de Madri.<\/p>\n<p> Sendo o terrorismo um fen&ocirc;meno global que requer uma resposta global, a C&uacute;pula prop&otilde;e debater estrat&eacute;gias pragm&aacute;ticas, estimular a aprendizagem derivada da troca de experi&ecirc;ncias e formular um plano de a&ccedil;&atilde;o com propostas para o futuro. A escolha do dia 11 de mar&ccedil;o para encerrar os debates e tirar conclus&otilde;es constitui uma homenagem &agrave;s v&iacute;timas dos atentados cometidos em Madri h&aacute; um ano, quando 10 bombas em quatro trens explodiram causando a morte de 190 pessoas e deixando feridas cerca de duas mil. Fernando Henrique Cardoso disse que a democracia n&atilde;o &eacute; apenas a &uacute;nica maneira leg&iacute;tima de combater o terrorismo, mas, tamb&eacute;m, a &uacute;nica maneira efetiva de faz&ecirc;-lo, &quot;porque a liberdade s&oacute; pode ser salva pela liberdade, e a luta contra o terrorismo s&oacute; pode ter &ecirc;xito atrav&eacute;s do imp&eacute;rio da lei&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 09\/03\/2005 &ndash; Personalidades de todo o mundo, entre elas ex-chefes de Estado e de governo, tentam esta semana definir, na capital da Espanha, o que se entende por terrorismo, e recomendar&atilde;o medidas para combat&ecirc;-lo. A C&uacute;pula Internacional sobre Democracia, Terrorismo e Seguran&ccedil;a, organizada pelo Clube de Madri, re&uacute;ne duas centenas de acad&ecirc;micos, profissionais e pol&iacute;ticos, que analisar&atilde;o os resultados pesquisas realizadas nos &uacute;ltimos meses. O Clube de Madri, que tem entre seus membros 50 ex-chefes de Estado e de governo, se define como &quot;uma organiza&ccedil;&atilde;o independente dedicada a fomentar e refor&ccedil;ar a democracia no mundo&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-quando-o-terror-no-terrorismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":205,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-388","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/205"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=388"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/388\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}