{"id":3895,"date":"2008-05-20T17:10:36","date_gmt":"2008-05-20T17:10:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3895"},"modified":"2008-05-20T17:10:36","modified_gmt":"2008-05-20T17:10:36","slug":"comercio-africa-ue-teme-presenca-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/africa\/comercio-africa-ue-teme-presenca-chinesa\/","title":{"rendered":"C\u00d3MERCIO-\u00c1FRICA: UE teme presen\u00e7a chinesa"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 20\/05\/2008 &ndash; A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia pretende prevenir a ascens\u00e3o da China como for\u00e7a pol\u00edtica e econ\u00f4mica na \u00c1frica, mediante uma associa\u00e7\u00e3o trilateral que lhe garanta um lugar central. <!--more--> A id\u00e9ia foi concebida pelo comiss\u00e1rio da UE para o Desenvolvimento e a Ajuda Humantiaria, Louis Michel, e aponta para a cria\u00e7\u00e3o de bases comuns para a rela\u00e7\u00e3o entre as tr\u00eas partes, que, em certas ocasi\u00f5es, foram objeto de pol\u00eamica. \u201cH\u00e1 tr\u00eas \u00e2mbitos nos quais os s\u00f3cios podem trabalhar em conjunto: paz e seguran\u00e7a, infra-estrutura e recursos naturais\u201d, disse Veronika Tywuschik, pesquisadora do Centro Europeu para a Gest\u00e3o de Pol\u00edticas de Desenvolvimento, com sede em Bruxelas. Essa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental colabora co as ex-col\u00f4nias europ\u00e9ias na \u00c1frica, no Caribe Pac\u00edfico, conhecidos como pa\u00edses ACP.<\/p>\n<p>Michel deixar\u00e1 o cargo em 2009 e aumentam as press\u00f5es para que ele crie uma plataforma vi\u00e1vel nos pr\u00f3ximos meses. Um per\u00edodo de consultas p\u00fablicas, que come\u00e7ou em 16 de abril e terminar\u00e1 no dia 13 de julho, objetiva reunir uma ampla variedade de opini\u00f5es sobre como construir a associa\u00e7\u00e3o proposta. Os cidad\u00e3os europeus poder\u00e3o opinar sobre quais setores deve se centrar a coopera\u00e7\u00e3o e por que, mediante um question\u00e1rio p\u00fablico. A Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia \u2013 bra\u00e7o executivo do bloco \u2013 acrescentou ao question\u00e1rio uma introdu\u00e7\u00e3o que diz: \u201cO principal objetivo da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 promover um processo inovador gradual de di\u00e1logo e coopera\u00e7\u00e3o entre \u00c1frica, UE e China para promover o entendimento m\u00fatuo e permitir melhor coordena\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o em casos espec\u00edficos\u201d.<\/p>\n<p>Isso inclui \u201ciniciativas multilaterais com o objetivo de longo prazo de impulsionar a coordena\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a na \u00c1frica e melhorar a efetividade da ajuda para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d, acrescenta. Trata-se das metas acordadas na C\u00fapula do Mil\u00eanio, inst\u00e2ncia inaugural da Assembl\u00e9ia Geral de setembro de 2000 na presen\u00e7a de numerosos chefes de Estado e de governo, entre elas reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que vivem na indig\u00eancia e combater a expans\u00e3o do HIA\/aids, a malaria e outras doen\u00e7as at\u00e9 2015, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros registrados em 1990.<\/p>\n<p>Os v\u00ednculos da China com a \u00c1frica se aprofundaram substancialmente nos \u00faltimos anos. As exporta\u00e7\u00f5es africanas para a China cresceram mais de 40% entre 2001 e 2006, segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional. As importa\u00e7\u00f5es desse pa\u00eds desde a \u00c1frica foi de 35%. No mesmo per\u00edodo, o crescimento do com\u00e9rcio mundial subiu a apenas 14%. Com\u00e9rcio da China com a \u00c1frica se aproxima lentamente de superar a marca dos US$ 55 bilh\u00f5es anuais, e a participa\u00e7ao desse paise no crescimento anual das exporta\u00e7\u00f5es do continente quase duplicou desde 2000.<\/p>\n<p>Em uma demonstra\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia de sua influ\u00eancia, o governo chin\u00eas anunciou um empr\u00e9stimo de US$ 5 bilh\u00f5es \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo em dezembro de 2007, poucos dias antes de uma importante reuni\u00e3o de c\u00fapula UE-\u00c1frica em Portugal. Esses fatos levaram l\u00edderes da UE a promoverem o fortalecimento do predom\u00ednio europeu no continente africano, o qual consideram dentro de sua esfera tradicional de influ\u00eancia. Mas esses desejos e tudo o que o bloco est\u00e1 disposto a fazer, ou n\u00e3o, para atender seus interesses, provocaram algumas perguntas.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Desenvolvimento do Parlamento Europeu destacou em um informe de novembro passado sobre o v\u00ednculo da China com a \u00c1frica: \u201cToda estrat\u00e9gia coerente para responder aos novos desafios apresentados por doadores emergentes na \u00c1frica, com a China, n\u00e3o devem procurar emular seus m\u00e9todos e objetivos, pois n\u00e3o seria necessariamente compat\u00edvel com valores, princ\u00edpios e objetivos, pois n\u00e3o seria necessariamente compat\u00edvel com valores, princ\u00edpios e interesses da UE no longo prazo\u201d. Tamb\u00e9m pediu urg\u00eancia \u00e0 UE e \u00e0 China para elevarem seu apoio \u00e0 Nova Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da \u00c1frica (Nepad), o contexto multilateral da Uni\u00e3o Africana para o continente.<\/p>\n<p>\u201cOs investimentos incondicionais da China nas na\u00e7\u00f5es africanas governadas por regimes opressores contribuem para perpetuar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e piorar a governabilidade\u201d, disse, no que parece ser uma express\u00e3o de sua preocupa\u00e7\u00e3o pela participa\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds em lugares como Sud\u00e3o. A PetroChina, subsidiaria da estatal China National Petroleum Corporation, tem uma grande participa\u00e7\u00e3o no cons\u00f3rcio nacional petrol\u00edfero do Sud\u00e3o e mant\u00e9m grandes opera\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito local. O gigante asi\u00e1tico comprou mais da metade das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo do Sud\u00e3o em 2006.<\/p>\n<p>O acordo foi alvo de acaloradas cr\u00edticas porque o governo sudan\u00eas \u00e9 acusado de utilizar esses benef\u00edcios para comprar armas com as quais mant\u00e9m suas opera\u00e7\u00f5es militares, de forma direta e atrav\u00e9s de intermedi\u00e1rios, na regi\u00e3o de Darfur. Nessa vasta regi\u00e3o ocidental do Sud\u00e3o, o ex\u00e9rcito desse pa\u00eds e as mil\u00edcias \u00e1rabes Janjaweed (homens \u00e0 cavalo), supostamente apoiadas por Cartum, s\u00e3o acusadas de realizarem uma limpeza \u00e9tnica contra a popula\u00e7\u00e3o local. A viol\u00eancia j\u00e1 deixou cerca de 300 mil pessoas mortas, principalmente civis, desde 2003, segundo o subsecret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assuntos Humanit\u00e1rios, John Holmes. A guerra civil deixou cerca de 2,7 milh\u00f5es de refugiados.<\/p>\n<p>A China voltou a ser not\u00edcia por este assunto em abril deste anos, quando estivadores sul-africanos se negaram a descarregar armamento de um navio chin\u00eas destinado ao regime repressivo do presidente Robert Mugabe, do Zimb\u00e1bue. O governo de Mugabe \u00e9 acusado de graves viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos para sufocar a oposi\u00e7\u00e3o. Alguns observadores v\u00eaem com cinismo as inten\u00e7\u00f5es da China e da UE, talvez lembrando posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas como o entusi\u00e1stico apoio da Fran\u00e7a ao ditador de Ruanda Juvenal Habyarimana, da etnia hutu, ou a brutalidade com que Portugal conduziu sua guerra contra os rebeldes da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique (Frelimo) de 1964 a 1974.<\/p>\n<p>\u201cOs acordos se tornaram uma esp\u00e9cie de cobertura para que os governos estrangeiros sigam em frente com seus interesses na \u00c1frica\u201d, disse George Ayittey, destacado economista da Universidade Americana, de Washington. \u201cDe alguma maneira, os europeus ficam fora da \u00c1frica porque muitos governos do continente assinam acordos com a China. O que deve ser primordial s\u00e3o os interesses africanos e esses governos n\u00e3o os levam em considera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Ayittey. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 20\/05\/2008 &ndash; A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia pretende prevenir a ascens\u00e3o da China como for\u00e7a pol\u00edtica e econ\u00f4mica na \u00c1frica, mediante uma associa\u00e7\u00e3o trilateral que lhe garanta um lugar central. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/africa\/comercio-africa-ue-teme-presenca-chinesa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":665,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-3895","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/665"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3895\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}