{"id":3913,"date":"2008-05-27T16:50:44","date_gmt":"2008-05-27T16:50:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3913"},"modified":"2008-05-27T16:50:44","modified_gmt":"2008-05-27T16:50:44","slug":"agua-paquistao-muito-mais-complexo-do-que-abrir-uma-torneira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/economia\/agua-paquistao-muito-mais-complexo-do-que-abrir-uma-torneira\/","title":{"rendered":"\u00c1GUA-PAQUIST\u00c3O: Muito mais complexo do que abrir uma torneira"},"content":{"rendered":"<p>Carachi, Paquist\u00e3o, 27\/05\/2008 &ndash; Para os n\u00e3o iniciados, a imagem \u00e9 surrealista: homens e meninos saem rapidamente de seus barracos e se aventuram pelos estreitos becos sem pavimenta\u00e7\u00e3o da favela paquistanesa de Korangi Dhai, antes do amanhecer, munidos de coloridos tubos pl\u00e1sticos e pesadas bombas el\u00e9tricas. <!--more--> Durante cerca de 15 anos, a \u00fanica maneira de as fam\u00edlias que vivem nos assentamentos irregulares de Nursery Town, Francis Town e Joseph Gill Town, que ficam no dentro das Propriedades Industriais e Comerciais de Korangi, tiveram acesso \u00e0 \u00e1gua para suas necessidades di\u00e1rias foi fazendo liga\u00e7\u00f5es clandestinas nas tubula\u00e7\u00f5es principais.<\/p>\n<p>Cerca de 60% dos 16 milh\u00f5es de habitantes desta cidade portu\u00e1ria residem em assentamentos informais, segundo o urbanista Arif Hasan. Na falta de uma infra-estrutura adequada, muitas comunidades improvisaram os sistemas de esgoto, drenagem e fornecimento h\u00eddrico. Em \u201cCompreendendo Carachi\u201d, livro escrito por Hasan, 90% dessas habita\u00e7\u00f5es se \u201cconectam ilegalmente a sistemas de fornecimento do governo\u201d. Mas Shahid Gill, morador de 28 anos, refuta essa afirma\u00e7\u00e3o. \u201cCada casa paga 2.500 r\u00fapias (US$ 36) ao conselho da uni\u00e3o (menor unidade administrativa), ent\u00e3o, como podem ser chamados de ilegais\u201d, perguntou que trabalha em uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental.<\/p>\n<p>Os pontos de liga\u00e7\u00e3o ilegal podemos ver vistos como pequenas protuber\u00e2ncias de borracha, e os canos s\u00e3o vis\u00edveis ao longo das redes que correm paralelo \u00e0s linhas principais. Destas conex\u00f5es a \u00e1gua \u00e9 desviada para as casas, usando bombas de suc\u00e7\u00e3o que funcionam \u00e0 base de eletricidade ilegalmente utilizada. Esta estrutura informa que n\u00e3o \u00e9 oficialmente reconhecida e, portanto, n\u00e3o pode ser integrada aos planos para saneamento e sistemas de fornecimento h\u00eddrico que o governo prepara. \u201cCom 16 milh\u00f5es de habitantes e uma necessidade m\u00ednima de 20 gal\u00f5es di\u00e1rios (76 litros) por pessoa, Carachi precisa, pelo menos, de 320 milh\u00f5es de gal\u00f5es por dia (1.211 bilh\u00e3o de litros)\u201d, disse Perween Rehman, diretora da \u00e1rea t\u00e9cnica e de pesquisa do Projeto-Piloto Orangi. As ind\u00fastrias precisam de 123 gal\u00f5es adicionais por dia, acrescentou.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas fontes principais de \u00e1gua para Carachi. Uma \u00e9 o rio Indus, que fornece 2.441 litros por dia, e a outra \u00e9 a represa de Hub, com 189 litros. Mas, como a segunda \u00e9 alimentada com \u00e1gua da chuva, o fornecimento varia entre 114 e 284 litros di\u00e1rios. Entre outros fatores, aproximadamente 15% da \u00e1gua s\u00e3o perdidos devido a vazamentos t\u00e9cnicos, e outros 41% s\u00e3o desviados e fornecidos atrav\u00e9s de caminh\u00f5es-pipa. \u201cE esta \u00e9 uma estimativa muito conservadora\u201d, disse Rehman \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Assim, as 18 divis\u00f5es administrativas de Carachi, que se sup\u00f5e devem obter 1.580 litros por dia da estatal Junta de \u00c1gua e Saneamento de Carachi\u00b8 recebem apenas 1.109 litros. Tamb\u00e9m ocorre que a distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 desigual. As \u00e1reas mais ricas, como Cantonment, recebem 100% ou mesmo 133% do que necessitam (na Autoridade de Habita\u00e7\u00e3o de Defesa), enquanto outros devem se se ajeitar com apenas 30% a 57%. Entre outras recomenda\u00e7\u00f5es, como o fornecimento energ\u00e9tico independe das esta\u00e7\u00f5es de bombeamento para conter as interrup\u00e7\u00f5es, Rehman disse que as autoridades deveriam centrar-se em fazer medi\u00e7\u00f5es, para ajudar a garantir que todas as \u00e1reas recebam a quantidade de \u00e1gua que precisam.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 1,17 milh\u00e3o de consumidores de \u00e1gua em Carachi, dos quais apenas 163 mil pagam regularmente. N\u00e3o se toma nenhuma medida contra os inadimplentes e a Junta funciona com perda perp\u00e9tua\u201d, diz a edi\u00e7\u00e3o 2002 do livro escrito por Hasan. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou em nada, afirmou Rehman. Embora os habitantes da favela de Korangi tampouco paguem por sua eletricidade e \u00e1gua, devem trabalhar duramente para fazer as liga\u00e7\u00f5es clandestinas. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer isso na escurid\u00e3o da noite, especialmente para quem ainda est\u00e1 sonado\u201d, disse Asif Ayub, um cineasta de 17 anos.<\/p>\n<p>Uma vez feitas as liga\u00e7\u00f5es, a \u00e1gua \u00e9 bombeada para tanques de armazenamento dentro das casas. Com todo um emaranhado de tubula\u00e7\u00f5es e cabos, a seguran\u00e7a \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 bastante comum receber um choque el\u00e9trico\u201d, disse Shakil Gill, de 28 anos, que se dedicou a essa tarefa por seis anos. Mas, agora, depois de se casar, foi liberado de realiz\u00e1-la e \u00e9 seu irm\u00e3o mais novo que passou a fazer. \u201cHabitualmente \u00e9 o homem mais jovem da fam\u00edlia, mas que seja suficientemente capaz de carregar a pesada engrenagem e instalar os cabos\u201d, acrescentou Kashfi Naeem, de 18 anos, que faz isto desde os 14. \u201cA id\u00e9ia \u00e9 que seja algu\u00e9m que n\u00e3o tenha que se levantar cedo para ir trabalhar\u201d, disse Naeem, que deixou de ir \u00e0 escola depois da sexta s\u00e9rie. Em casas onde n\u00e3o h\u00e1 homens dispon\u00edveis para cuidar dessa tarefa, as mulheres interv\u00eam.<\/p>\n<p>O fornecimento h\u00eddrico est\u00e1 dispon\u00edvel at\u00e9 seis horas da manh\u00e3, em dias alternados, na linha principal da \u00e1rea de Nursery Town. \u201cCostumava ser de dois a seis, e com o fornecimento reduzido \u00e9 como uma guerra. Cada poucos dias se v\u00ea explodir os \u00e2nimos\u201d, disse Lawrence, um empregado do saneamento municipal que entra para trabalhar \u00e0s oito da manh\u00e3. E depois h\u00e1 dias em que as tubula\u00e7\u00f5es principais seca, ou n\u00e3o existe fornecimento de energia el\u00e9trica. \u201cDemoramos quase uma hora para instalar o equipamento. Pode imaginar a frustra\u00e7\u00e3o? E a carga extra que temos comprado \u00e1gua para aquele dia\u201d, disse Jamaluddin.<\/p>\n<p>Os ocupantes mais empreendedores da favela tiraram proveito dos err\u00e1ticos fornecimentos e entraram no neg\u00f3cio do fornecimento h\u00eddrico. Possuem v\u00e1rias bombas de suc\u00e7\u00e3o e grandes tanques de armazenamento. \u201cQuando a \u00e1gua n\u00e3o entra na linha principal, compramos \u00e1gua dessas pessoas\u201d, disse Gill. Al\u00e9m disso, os moradores tamb\u00e9m compram \u00e1gua dos caminhos-pipa a US$ 3,73 para cada mil gal\u00f5es, embora seja salobra e inadequada para beber, ou de fornecedores individuais, que circulam pelas ruas com \u00e1gua carregada em carro\u00e7as puxadas por burros e que vendem a US$ 1,49 para cada 25 gal\u00f5es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carachi, Paquist\u00e3o, 27\/05\/2008 &ndash; Para os n\u00e3o iniciados, a imagem \u00e9 surrealista: homens e meninos saem rapidamente de seus barracos e se aventuram pelos estreitos becos sem pavimenta\u00e7\u00e3o da favela paquistanesa de Korangi Dhai, antes do amanhecer, munidos de coloridos tubos pl\u00e1sticos e pesadas bombas el\u00e9tricas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/economia\/agua-paquistao-muito-mais-complexo-do-que-abrir-uma-torneira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":215,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[17],"class_list":["post-3913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/215"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}