{"id":3916,"date":"2008-05-28T16:17:36","date_gmt":"2008-05-28T16:17:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3916"},"modified":"2008-05-28T16:17:36","modified_gmt":"2008-05-28T16:17:36","slug":"biodiversidade-desmatamento-tensiona-a-natureza-ao-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/05\/america-latina\/biodiversidade-desmatamento-tensiona-a-natureza-ao-limite\/","title":{"rendered":"BIODIVERSIDADE: Desmatamento tensiona a natureza ao limite"},"content":{"rendered":"<p>Bonn, 28\/05\/2008 &ndash; L\u00facio Flores, ind\u00edgena terena do Brasil, viajava de caminh\u00e3o pela Amaz\u00f4nia com um fazendeiro que, ao observar a selva, comentou: \u201cVeja isto. N\u00e3o h\u00e1 nada aqui\u201d. Seguiram viagem. <!--more--> A selva deu lugar a uma planta\u00e7\u00e3o. O fazendeiro exclamou: \u201cMas h\u00e1 soja\u201d. Para ele, a selva n\u00e3o era nada. O cultivo era tudo. Flores fez este relato perante ambientalistas, representantes governamentais e jornalistas em uma sess\u00e3o da IX Confer\u00eancia das Partes do Convenio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Diversidade Biol\u00f3gica (COP9), que acontece nesta cidade da Alemanha. Esta hist\u00f3ria ilustra as vis\u00f5es opostas que separam a comunidade empresarial dos ind\u00edgenas. \u201cPara a agroind\u00fastria, a natureza n\u00e3o \u00e9 nada. Mas, para n\u00f3s, \u00e9 tudo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os opostos s\u00e3o muito reveladores no Brasil. Em seu territ\u00f3rio est\u00e1 grande parte da maior reserva de biodiversidade do planeta, a Amaz\u00f4nia. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 o principal produtor de etanol, combust\u00edvel de origem vegetal destilado da cana-de-a\u00e7\u00facar, e o segundo de soja, atr\u00e1s dos Estados Unidos. O grande crescimento das planta\u00e7\u00f5es de cana e de soja nos \u00faltimos 30 anos levou ao desmatamento de grandes extens\u00f5es de terra na regi\u00e3o do Amazonas, segundo numerosos ambientalistas. \u201cNo Brasil h\u00e1 hoje 21 milh\u00f5es de hectares cultivados com cana-de-a\u00e7\u00facar, a maior parte para produzir etanol, e soja, insumo do combust\u00edvel vegetal e forragem para o gado\u201d, disse Camilla Moreno, advogada da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental brasileira Terra de Direitos.<\/p>\n<p>A ativista disse que o governo brasileiro permitiu o desmatamento apesar da ambiciosa prote\u00e7\u00e3o legal que tem a selva. \u201cUma lei de 1965 obriga reflorestar uma \u00e1rea em 30 anos com pelo menos 20% de vegeta\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone\u201d, afirmou Camilla. Na Amaz\u00f4nia, esse requisito sobe para 50%. \u201cAp\u00f3s o pico de desmatamento alcan\u00e7ado em 1995, foi aprovada uma medida provis\u00f3ria em 1996 para aumentar a reserva do Amazonas para 80%. Mas, n\u00e3o \u00e9 feito um acompanhamento\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Paulo Adairo, da filial brasileira do Greenpeace Internacional, disse \u00e0 IPS que nas 36 municipalidades da regi\u00e3o amaz\u00f4nica apenas 20% dos fazendeiros seguem a legisla\u00e7\u00e3o. No contexto do plano agroenerg\u00e9tico do governo de 2005, as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e soja aumentar\u00e3o para 200 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030. Isto \u00e9, o desmatamento vai continuar. \u201cO governo simplesmente ignora o fato de n\u00e3o haver forma de as monoculturas serem sustent\u00e1veis, seja de cana ou soja\u201d, ressaltou Adairo.<\/p>\n<p>O auge dos biocombust\u00edveis n\u00e3o est\u00e1 na agenda da Confer\u00eancia de Bonn, que come\u00e7ou dia 19 e terminar\u00e1 na pr\u00f3xima sexta-feira. Mas, dela consta o desmatamento, conseq\u00fc\u00eancia do auge daqueles. Por sua vez, o desmatamento \u00e9 a principal causa de uma concentra\u00e7\u00e3o maior de gases causadores do efeito estufa, como o di\u00f3xido de carbono, metano e \u00f3xido nitroso, aos quais a maioria dos cientistas atribuiu o aquecimento global e o atual ciclo de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Ao final da cadeia de causa e efeito, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica dizima a biodiversidade mundial. Cerca de 150 esp\u00e9cies de fauna e flora desaparecem por dia, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A maioria \u00e9 vitima da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cA destrui\u00e7\u00e3o de florestas e a conseq\u00fcente perda de biodiversidade tem conseq\u00fc\u00eancias graves sobre milh\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es que dela dependem. Mas, tamb\u00e9m afeta a seguran\u00e7a alimentar e acelera a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse \u00e0 IPS Belmond Tchoumba, coordenador do programa florestas e biodiversidade da organiza\u00e7\u00e3o Amigos da Terra Internacional. Os pa\u00edses com mais desmatamento s\u00e3o Brasil e Indon\u00e9sia. Ambos s\u00e3o os principais produtores de insumos para biocombust\u00edvel. As planta\u00e7\u00f5es de palma para diesel org\u00e2nico s\u00e3o a principal causa de perda de florestas nesse pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Numerosos cientistas prev\u00eaem que em 2020 a \u00e1rea cultivada com palma na Indon\u00e9sia triplicar\u00e1 at\u00e9 atingir 16,5 milh\u00f5es de hectares, uma superf\u00edcie do tamanho da Inglaterra e de Gales, o que ocasionaria a perda de 98% da cobertura vegetal do pa\u00eds. A vizinha Mal\u00e1sia, maior produtor mundial de palma, j\u00e1 perdeu 87% de suas florestas, e o desmatamento continua ao ritmo de 7% ao ano. Numerosos ambientalistas pediram urg\u00eancia \u00e0 Confer\u00eancia da ONU no sentido de tomar medidas imediatas para frear o desmatamento de selvas importantes e conter o com\u00e9rcio ilegal de seus produtos derivados. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bonn, 28\/05\/2008 &ndash; L\u00facio Flores, ind\u00edgena terena do Brasil, viajava de caminh\u00e3o pela Amaz\u00f4nia com um fazendeiro que, ao observar a selva, comentou: \u201cVeja isto. N\u00e3o h\u00e1 nada aqui\u201d. 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