{"id":3944,"date":"2008-06-04T16:54:24","date_gmt":"2008-06-04T16:54:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3944"},"modified":"2008-06-04T16:54:24","modified_gmt":"2008-06-04T16:54:24","slug":"alimentacao-america-latina-e-os-13-viloes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/06\/america-latina\/alimentacao-america-latina-e-os-13-viloes\/","title":{"rendered":"ALIMENTA\u00c7\u00c3O: Am\u00e9rica Latina e os 13 vil\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 04\/06\/2008 &ndash; Os vil\u00f5es da hist\u00f3ria do encarecimento dos alimentos s\u00e3o 13 e passam por raz\u00f5es estruturais e conjunturais, associadas \u00e0 oferta e \u00e0 demanda, segundo o Sistema Econ\u00f4mico Latino-americano e do Caribe. <!--more--> Para enfrent\u00e1-los, a coopera\u00e7\u00e3o regional \u00e9 imprescind\u00edvel. \u201c\u00c9 preciso atuar em diferentes frentes, a partir de uma coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que defenda os interesses regionais\u201d, disse \u00e0 IPS o secret\u00e1rio permanente do Sela, o mexicano Jos\u00e9 Rivera, \u00e0s portas de uma reuni\u00e3o regional que diagnosticou o problema durante o final de semana.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o buscou subs\u00eddios para adotar uma posi\u00e7\u00e3o concertada da Am\u00e9rica Latina e Caribe enquanto acontece em Roma a Confer\u00eancia de ato N\u00edvel sobre Seguran\u00e7a Alimentar Mundial. \u201cAs reuni\u00f5es se multiplicam porque existe a conscientiza\u00e7\u00e3o de que a crise alimentar afeta com mais for\u00e7a os que t\u00eam uma vida mais prec\u00e1ria\u201d, disse \u00e0 IPS o franc\u00eas Gerard G\u00f3mez, chefe do escrit\u00f3rio para a regi\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Dez milh\u00f5es de pessoas na regi\u00e3o poder\u00e3o somar-se aos 80 milh\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o podem procurar os alimentos m\u00ednimos que necessitam, disse G\u00f3mez lembrando um estudo da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Por que os pre\u00e7os sobem? Um estudo do Sela identificou 13 raz\u00f5es, estruturais e conjunturais e que est\u00e3o relacionadas tanto com a oferta quanto com a demanda de alimentos. A primeira \u00e9 o aumento do investimento financeiro em commodities (mat\u00e9rias-primas). Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, enquanto o investimento em ouro e metais se manteve est\u00e1vel, em outras commodities cresceu sete vezes. Analistas do Banco Internacional de Pagamentos da Basil\u00e9ia, na Su\u00ed\u00e7a, estimam que 30% da incid\u00eancia nos pre\u00e7os dos alimentos por parte da especula\u00e7\u00e3o financeira, a partir dos US$ 7 trilh\u00f5es investidos em \u201coutras commodities\u201d entre 2004 e 2007, frente a menos de um trilh\u00e3o nos quatro anos anteriores.<\/p>\n<p>Esta causa esta causa est\u00e1 associa com a segunda, que a debilidade do d\u00f3lar e as baixas taxas internacionais de juros, que leva os agentes financeiros em busca de ref\u00fagio na aquisi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas impulsionando seus pre\u00e7os. A terceira \u00e9 o aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, que n\u00e3o \u00e9 apenas um insumo para a produ\u00e7\u00e3o e o transporte, pois tamb\u00e9m gera aumento no consumo em paises que produzem hidrocarbonos, lembrou Rivera. Quando o petr\u00f3leo estava na casa dos US$ 30 o barril, em 2000, uma tonelada de leite em p\u00f3 era comprada por UAS$ 1.500. Agora que o petr\u00f3leo passa dos US$ 130 o barril, a tonelada do leite em p\u00f3 \u00e9 cotada acima dos US$ 4.500.<\/p>\n<p>As restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de alimentos s\u00e3o outra raz\u00e3o, pa\u00edses da \u00c1sia, com o Equador na Am\u00e9rica Latina, restringiram as exporta\u00e7\u00f5es de arroz, enquanto outros, como a Argentina, impuseram restri\u00e7\u00f5es e cobram tributos sobre as vendas externas de carnes e gr\u00e3os. O quinto motivo conjuntural \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o dos estoques, em particular de cereais, que desde 1995 diminuem \u00e0 raz\u00e3o de 3,4% ao ano. Historicamente, as exist\u00eancias de cereais eram 30% da produ\u00e7\u00e3o global, e agora est\u00e3o em torno de 20%.<\/p>\n<p>Entre as causas estruturais est\u00e1 o aumento da demanda na \u00c1sia. Por exemplo, o consumo de milho no sul, leste e sudeste dessa regi\u00e3o, somados, ficou em 200 milh\u00f5es de toneladas no per\u00edodo 2003-2004, e em 227 milh\u00f5es de toneladas em 2007-2008. Tamb\u00e9m cresce a demanda por alimentos para uso animal, sobretudo milho. Os Estados Unidos destinaram para esse fim 47% das 332 milh\u00f5es de toneladas que produziu no ano passado.<\/p>\n<p>Agrocombust\u00edvel no banco dos r\u00e9us<\/p>\n<p>Outro vil\u00e3o \u00e9 o aumento da demanda para biocombust\u00edveis. O dedo do Sela aponta o milho para produzir etanol nos Estados Unidos e a colza para o biodiesel na Europa. \u201cDos 48 milh\u00f5es te toneladas de aumento do total do consumo dom\u00e9stico de milho em 2007, quase 30 milh\u00f5es foram destinados exclusivamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de etanol\u201d. A FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o), por princ\u00edpio, recha\u00e7a o uso dos alimentos para a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel\u201d, recordou \u00e0 IPS seu representante na Venezuela, o salvadorenho Francisco Arias. \u201cDevemos desenvolver pesquisas para produzir biocombust\u00edveis que n\u00e3o derivem de alimentos\u201d, disse \u00e0 IPS o delegado do M\u00e9xico e embaixador na Venezuela, Mario Chac\u00f3n. \u201cEm nosso pa\u00eds temos uma planta chamada higuerilla (Jatropha curcas, tamb\u00e9m conhecida como pinh\u00e3o) que \u00e9 oleaginosa, e pode-se usar palha e res\u00edduos vegetais em lugar de produtos aliment\u00edcios\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outro fator estrutural com peso sobre os pre\u00e7os dos combust\u00edveis \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que levou fortes secas a pa\u00edses que s\u00e3o grandes produtores de alimentos, como Austr\u00e1lia, Estados Unidos e Ucr\u00e2nia. Na Am\u00e9rica Latina, as tempestades tropicais Noel e Olga e o furac\u00e3o F\u00e9lix afetaram a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em Cuba, Haiti, Nicar\u00e1gua e Rep\u00fablica Dominicana. As inunda\u00e7\u00f5es castigaram zonas produtoras na Bol\u00edvia e no Equador. Por outro lado, houve incid\u00eancia dos maiores custos na produ\u00e7\u00e3o (fertilizantes, sementes, inseticidas e maquin\u00e1rio), no transporte e na log\u00edstica (armazenamento e distribui\u00e7\u00e3o) dos alimentos, associados aos altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Um fator de escassa incid\u00eancia na Am\u00e9rica Latina ainda s\u00e3o as limita\u00e7\u00f5es da terra e da \u00e1gua existentes para uso agr\u00edcola, e que em outras regi\u00f5es do mundo competem com demandas para outros usos, principalmente urbanos. Tamb\u00e9m h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es para o uso de novas tecnologias, produto em pa\u00edses como os latino-americanos de um baixo investimento e desenvolvimento. Rivera recordou a respeito que \u201ca melhor maneira de reduzir os pre\u00e7os dos alimentos ser\u00e1 atrav\u00e9s de aumentos na produtividade, mais do que a superf\u00edcie semeada\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, as pol\u00edticas protecionistas nos pa\u00edses industrializados do Norte \u201cdistorceram por mais de cinco d\u00e9cadas o mercado mundial agr\u00edcola\u201d, disse o Sela. Por exemplo, o Haiti produzia h\u00e1 30 anos quase todo arroz que consumia, mas teve de reduzir tarifas alfandeg\u00e1rias para obter empr\u00e9stimos multilaterais nos anos 80. O resultado foi uma maci\u00e7a importa\u00e7\u00e3o de arroz dos Estados Unidos, que por ser subsidiado podia ter seu valor reduzido, e os produtores deixaram de trabalhar a terra, perderam seus trabalhos e foram para as cidades. Rivera disse que as pol\u00edticas de pa\u00edses do Norte, tais como apoio dom\u00e9stico, subs\u00eddios \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es para o acesso a mercados \u201cimpedem o investimento e a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio em pa\u00edses produtores eficientes\u201d.<\/p>\n<p>As delega\u00e7\u00f5es presentes \u00e0 reuni\u00e3o do Sela, que re\u00fane 26 pa\u00edses latino-americanos e caribenhos, concordaram que a regi\u00e3o deve responder \u00e0 crise de pre\u00e7os dos alimentos com um programa regional de seguran\u00e7a alimentar. Os governos interessados poderiam reativar um Comit\u00ea de A\u00e7\u00e3o sobre seguran\u00e7a alimentar, uma figura em voga nos primeiros tempos do Sela (anos 70 e 80) para examinar tarefas pr\u00e1ticas conjuntas ou coordenadas. \u201cDisse a eles que a Col\u00f4mbia com apenas quatro milh\u00f5es de hectares destinados a produzir alimentos, e a Venezuela com apenas dois milh\u00f5es, poderiam acertar um plano para ativar outros tr\u00eas milh\u00f5es de hectares nas bacias dos rios compartilhados Orenoco e Meta\u201d, disse \u00e0 IPS o embaixador de Bogot\u00e1 em Caracas, Fernando Mar\u00edn.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o indicou que \u00e9 necess\u00e1rio um fundo econ\u00f4mico especial para ajudar pa\u00edses da regi\u00e3o em conting\u00eancias alimentares, tomando por base a disposi\u00e7\u00e3o da Alternativa Bolivariana das Am\u00e9ricas formada por Bol\u00edvia, Cuba, Nicar\u00e1gua e Venezuela, para criar-se um fundo com US$ 100 milh\u00f5es destinados a esse fim. Por \u00faltimo, os representantes da regi\u00e3o pedira ao Sela que depois da atual Confer\u00eancia de Roma convoque uma reuni\u00e3o para analisar seus resultados e avan\u00e7ar na estrat\u00e9gia latino-americana e caribenha sobre seguran\u00e7a alimentar. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 04\/06\/2008 &ndash; Os vil\u00f5es da hist\u00f3ria do encarecimento dos alimentos s\u00e3o 13 e passam por raz\u00f5es estruturais e conjunturais, associadas \u00e0 oferta e \u00e0 demanda, segundo o Sistema Econ\u00f4mico Latino-americano e do Caribe. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/06\/america-latina\/alimentacao-america-latina-e-os-13-viloes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-3944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}