{"id":395,"date":"2005-03-11T00:00:00","date_gmt":"2005-03-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=395"},"modified":"2005-03-11T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-11T00:00:00","slug":"direitos-humanos-banco-mundial-adverte-governo-do-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-banco-mundial-adverte-governo-do-nepal\/","title":{"rendered":"Direitos humanos: Banco Mundial adverte governo do Nepal"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 11\/03\/2005 &ndash; O Banco Mundial examina a possibilidade de suspender seus projetos no Nepal caso o governo local n&atilde;o respeite as liberdades constitucionais, anunciou a institui&ccedil;&atilde;o financeira sob press&atilde;o de grupos de desenvolvimento e direitos humanos. Estas organiza&ccedil;&otilde;es afirmaram que a comunidade internacional e as institui&ccedil;&otilde;es financeiras multilaterais financiam mais de 60% do or&ccedil;amento de desenvolvimento do Nepal e 28% de seu or&ccedil;amento total, portanto, t&ecirc;m sobre esse reino himalaio uma enorme influ&ecirc;ncia que podem usar para proteger os direitos humanos.<br \/> <!--more--> <br \/> No dia 1&ordm; de fevereiro, o rei Gyanendra assumiu poderes absolutos depois de destituir o governo do primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba, com o argumento de que isso era necess&aacute;rio para combater a insurg&ecirc;ncia mao&iacute;sta que j&aacute; causou mais de 11 mil mortes. Momentos depois de seu discurso &agrave; na&ccedil;&atilde;o transmitido pela televis&atilde;o, o soberano suspendeu as liberdades civis fundamentais, incluindo a liberdade de express&atilde;o, o que gerou uma forte condena&ccedil;&atilde;o da comunidade internacional. Dias depois, o rei determinou a pris&atilde;o domiciliar de todos os l&iacute;deres pol&iacute;ticos e juramentou seu pr&oacute;prio gabinete.<\/p>\n<p> Em uma declara&ccedil;&atilde;o cuidadosamente redigida, o Banco Mundial assinalou na quarta-feira que est&aacute; vigiando de perto os acontecimentos no Nepal e que poderia adotar medidas no prazo de dois meses. Soube-se que o pessoal do Banco havia escrito anteriormente uma carta &agrave; Junta de Governadores dizendo que precisaria de mais tempo para realizar uma &quot;avalia&ccedil;&atilde;o no terreno&quot; sobre a possibilidade de continuar com os projetos atuais no Nepal. A Junta expressou preocupa&ccedil;&atilde;o com a situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a e a possibilidade de levar adiante os projetos do banco nesse pa&iacute;s e, ainda, quanto &agrave; capacidade do governo de continuar a implementa&ccedil;&atilde;o de reformas econ&ocirc;micas &quot;na aus&ecirc;ncia de mecanismos representativos para construir amplos consensos&quot;.<\/p>\n<p> Entretanto, a Junta apoiou o enfoque cauteloso proposto pelos diretores-executivos. &quot;O Diret&oacute;rio Executivo leva em conta as preocupa&ccedil;&otilde;es da Junta e continuar&aacute; realizando consultas com outros s&oacute;cios de desenvolvimento para avaliar o progresso do governo na aplica&ccedil;&atilde;o das reformas, bem como outros assuntos relacionados com a governabilidade do pa&iacute;s, inclu&iacute;do o Estado de direito e a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos&quot;, afirmou o Banco Mundial. Na quarta-feira, o diretor nacional dessa institui&ccedil;&atilde;o para o Nepal, Ken Oshashi, deu ao governo prazo de um a dois meses para demonstrar um compromisso com as reformas e a governabilidade. O Banco observar&aacute; se o governo demonstra um compromisso aut&ecirc;ntico com a vis&atilde;o nacional de desenvolvimento expressa em seu Documento Estrat&eacute;gico para a Redu&ccedil;&atilde;o da Pobreza, um plano de reformas econ&ocirc;micas promovido pela institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Grupos observadores do desenvolvimento e dos direitos humanos aprovaram a nova postura do Banco. &quot;Creio que esta &eacute; uma amea&ccedil;a muito importante do Banco Mundial&quot;, disse Mark Schneider, vice-presidente do Grupo Internacional de Crise, com sede em Washington. &quot;Na ess&ecirc;ncia, esta advert&ecirc;ncia coloca em risco a principal fonte de recursos do Nepal&quot;, acrescentou. Aproximadamente 40% dos 27 milh&otilde;es de nepaleses s&atilde;o pobres. Com uma renda per capita de apenas US$ 230 anuais, o Nepal &eacute; um dos pa&iacute;ses mais pobres do mundo. <\/p>\n<p> Desde o golpe de estado do m&ecirc;s passado, os abusos aumentaram e muitos ativistas pol&iacute;ticos desapareceram, conforme den&uacute;ncias de grupos de direitos humanos. &quot;Aonde quer que vamos, encontramos uma profunda sensa&ccedil;&atilde;o de medo, incerteza e inseguran&ccedil;a entre as pessoas&quot;, disse a secret&aacute;ria-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, ap&oacute;s visitar o Nepal. &quot;O estado de exce&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a o poder das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, reduz a perspectiva de um processo pol&iacute;tico em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; paz e aumenta as probabilidades de ocorrer uma escalada no conflito&quot;, advertiu a Anistia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 11\/03\/2005 &ndash; O Banco Mundial examina a possibilidade de suspender seus projetos no Nepal caso o governo local n&atilde;o respeite as liberdades constitucionais, anunciou a institui&ccedil;&atilde;o financeira sob press&atilde;o de grupos de desenvolvimento e direitos humanos. 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