{"id":3962,"date":"2008-06-11T16:02:06","date_gmt":"2008-06-11T16:02:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3962"},"modified":"2008-06-11T16:02:06","modified_gmt":"2008-06-11T16:02:06","slug":"brasil-agroenergia-pode-ampliar-producao-de-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/06\/america-latina\/brasil-agroenergia-pode-ampliar-producao-de-alimentos\/","title":{"rendered":"BRASIL: Agroenergia pode ampliar produ\u00e7\u00e3o de alimentos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11\/06\/2008 &ndash; As \u201cverdades e mentiras\u201d que se confundem na pol\u00eamica sobre os agrocombust\u00edveis ignoram ou invertem certos efeitos, como o fato de que empregar soja para fazer biodiesel n\u00e3o reduz a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, pelo contr\u00e1rio, aumenta, segundo especialistas. <!--more--> Quem procura resolver a equa\u00e7\u00e3o, destacando que nem sempre h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o de alimentos e agroenergia, \u00e9 Segundo Urquiaga, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>O \u00f3leo, que representa entre 18% e 20% da soja, foi sempre um \u201csubproduto\u201d que agora ganha maior valor por sua convers\u00e3o em biodiesel, afirma Urquiaga. O derivado principal dessa leguminosa \u00e9 a prote\u00edna, que constitui cerca de 40% e que est\u00e3o concentrados na casca, destinada, sobretudo, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o do gado. Assim, quando mais \u00f3leo se destinar ao combust\u00edvel mais aumentar\u00e1, e em propor\u00e7\u00e3o maior, a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna que, no final da cadeia, servir\u00e1 para a alimenta\u00e7\u00e3o humana, explica o pesquisador \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, por sua capacidade de fixar o nitrog\u00eanio do ar, a soja \u00e9 um cultivo ideal para recuperar pastagens degradadas, em um sistema integrado de semeadura e pecu\u00e1ria, acrescenta o especialista. A inocula\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias para potenciar essa capacidade de fixa\u00e7\u00e3o do fertilizante \u00e9 uma tecnologia desenvolvida pelo centro de Agrobiologia da Embrapa, onde trabalha Urquiaga. Essa faculdade fixadora, caracter\u00edstica das leguminosas, j\u00e1 foi incorporada a algumas variedades de cana-de-a\u00e7\u00facar e h\u00e1 possibilidade de estend\u00ea-la a alimentos cotidianos da popula\u00e7\u00e3o brasileira, como arroz, milho e mandioca, e de ampli\u00e1-la aos feij\u00f5es, o que indica o \u201ccaminho longo e prometedor\u201d que a ci\u00eancia deve percorrer, reconhece o pesquisador.<\/p>\n<p>O investimento em ci\u00eancia oferece \u201cos melhores retornos\u201d e pode encontrar novas \u00e1reas agr\u00edcolas, como ocorreu com o cerrado, a extensa savana que ocupa todo o centro do Brasil e que era considerado \u201cimprodutivo\u201d at\u00e9 a d\u00e9cada de 70, recorda Urquiaga. Estes s\u00e3o aspectos esquecidos nas distorcida pol\u00eamica sobre a agroenergia, atropelada pela crise mundial dos alimentos, lamenta o cientista. A discuss\u00e3o tende a incriminar de maneira simplista os biocombust\u00edveis, refinados de cultivos que tamb\u00e9m servem para a alimenta\u00e7\u00e3o humana, pois lhes \u201croubam\u201d terras cultiv\u00e1veis, sem admitir a possibilidade de sinergias, acrescenta.<\/p>\n<p>A resposta brasileira, tanto do governo quanto dos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio, \u00e9 que a exist\u00eancia de pelo menos 50 milh\u00f5es de hectares de pastagens degradadas, cuja produtividade poderia ser recuperada, permite expandir os biocombust\u00edveis sem afetar os alimentos nem as selvas amaz\u00f4nicas. Trata-se de uma \u00e1rea equivalente a quase toda a que hoje \u00e9 destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os neste enorme pa\u00eds, o que permitiria, em teoria, duplic\u00e1-la. O problema \u00e9 que esse reaproveitamento das velhas pastagens n\u00e3o se materializa at\u00e9 agora de maneira significativa, e a pecu\u00e1ria segue sua marcha sobre a Amaz\u00f4nia, provocando desmatamento, que \u00e9 a maior fonte de gases causadores do efeito estufa no Brasil. Os ambientalistas se preocupam com o efeito domin\u00f3.<\/p>\n<p>Os produtores de etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar, com maior poder econ\u00f4mico, adquirem as melhores terras deslocando os cultivos de soja e outros gr\u00e3os que, por sua vez, empurram a pecu\u00e1ria, menos rent\u00e1vel e que necessita de grandes \u00e1reas, para terras amaz\u00f4nicas mais baratas ou inclusive gratuitas, em virtude da posse fraudulenta de terrenos p\u00fablicos. Mais grave \u00e9 o \u201cefeito exponencial\u201d, porque com um hectare vendido ao plantador de soja o pecuarista poder\u00e1 comprar cinco hectares ou mais de floresta para desmatar, disse \u00e0 IPS S\u00e9rgio Guimar\u00e3es, coordenador do Instituto Centro de Vida, que atua no Mato Grosso, o Estado que mais produz soja no Brasil e o que mais desmata a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Os biocombust\u00edveis foram propostos para mitigar o aquecimento global, pois sua queima emite menos gases causadores do efeito estufa do que os derivados dos hidrocarbonos. Mas, perderam a batalha pela opini\u00e3o p\u00fablica, responsabilizados por parte da crise alimentar e por danos ambientais e sociais, como o desmatamento amaz\u00f4nico e o trabalho em condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o no Brasil. O governo parece ter conseguido \u2013 pelo menos perante boa parte dos governantes e autoridades presentes na C\u00fapula Alimentar Mundial realizada na semana passada em Roma \u2013 absolver seu etanol de cana, distinguindo-o do similar produzido os Estados Unidos a partir do milho e \u00e0 custa de altos subs\u00eddios.<\/p>\n<p>A cana apresenta uma efici\u00eancia energ\u00e9tica muitas vezes superior ao milho, e o a\u00e7\u00facar \u00e9 hoje uma exce\u00e7\u00e3o de baixos pre\u00e7os no mercado mundial, al\u00e9m do que o Brasil exporta crescentes excedentes de gr\u00e3os e outros alimentos, apesar da grande expans\u00e3o de seu etanol nos \u00faltimos anos. Mas, cerca de 80% do biodiesel brasileiro s\u00e3o feitos a partir da soja, plantada pelos grandes produtores, embora o governo conceda est\u00edmulos \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o a partir de outras oleaginosas, como o r\u00edcino, pinh\u00e3o, girassol e algumas palmeiras, que quase n\u00e3o s\u00e3o consumidos como alimentos e que contemplam o cultivo de pequenos agricultores.<\/p>\n<p>A soja e a cana preocupam por seu papel na seguran\u00e7a alimentar, pois s\u00e3o planta\u00e7\u00f5es em terras que poderiam produzir alimentos populares, como arroz e feij\u00e3o, mas, principalmente por reter insumos e cr\u00e9dito, enquanto a recupera\u00e7\u00e3o das pastagens degradadas carece de est\u00edmulos, avalia Adriano Campolina, diretor da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental internacional ActionAid nas Am\u00e9ricas. De todas as formas, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, deveria estar promovendo, em lugar do etanol, \u201cos programas brasileiros de maior \u00eaxito, como o Fome Zero, o Bolsa Fam\u00edlia e o cr\u00e9dito \u00e0 agricultura familiar, que s\u00e3o um caminho efetivo para reduzir a fome\u201d, disse Campolina \u00e0 IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11\/06\/2008 &ndash; As \u201cverdades e mentiras\u201d que se confundem na pol\u00eamica sobre os agrocombust\u00edveis ignoram ou invertem certos efeitos, como o fato de que empregar soja para fazer biodiesel n\u00e3o reduz a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, pelo contr\u00e1rio, aumenta, segundo especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/06\/america-latina\/brasil-agroenergia-pode-ampliar-producao-de-alimentos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-3962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3962"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3962\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}