{"id":397,"date":"2005-03-11T00:00:00","date_gmt":"2005-03-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=397"},"modified":"2005-03-11T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-11T00:00:00","slug":"argentina-kirchner-exorta-boicote-contra-a-shell","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/argentina-kirchner-exorta-boicote-contra-a-shell\/","title":{"rendered":"Argentina: Kirchner exorta boicote contra a Shell"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 11\/03\/2005 &ndash; Em um gesto sem precedente, o presidente da Argentina, N&eacute;stor Kirchner, conclamou os consumidores a boicotarem os produtos da companhia de petr&oacute;leo brit&acirc;nico-holandesa Shell, como demonstra&ccedil;&atilde;o de rejei&ccedil;&atilde;o a um aumento injustificado no pre&ccedil;o dos combust&iacute;veis. &quot;Os argentinos n&atilde;o devem comprar nada da Shell. Fa&ccedil;amos uma causa: n&atilde;o compremos nada deles, nem uma lata de &oacute;leo, que saber&atilde;o o quanto n&atilde;o suportamos mais esse tipo de atitude, prop&ocirc;s o mandat&aacute;rio nesta quinta-feira diante do aumento entre 2,6% e 5,2% determinado esta semana pela empresa nos pre&ccedil;os de seus produtos. A empresa justificou o reajuste pela alta internacional do petr&oacute;leo. No momento, suas competidoras no mercado argentino se abst&ecirc;m de tomar uma atitude semelhante.<br \/> <!--more--> <br \/> A presidente do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o do Consumidor, Sandra Andrada, disse &agrave; IPS que o boicote &eacute; &quot;uma estrat&eacute;gia madura, a melhor que se utiliza nos pa&iacute;ses onde vigora o livre mercado, para regular os pre&ccedil;os&quot;, e considerou uma novidade que, neste caso, a campanha seja convocada pelo presidente do pa&iacute;s. &quot;N&atilde;o fomos consultados previamente, mas nos parece uma decis&atilde;o muito oportuna, porque servir&aacute; como advert&ecirc;ncia para que outras empresas saibam o que pode acontecer com elas se aumentarem seus pre&ccedil;os compulsivamente&quot;, ressaltou Sandra. O economista Cl&aacute;udio Lozano, da Central de Trabalhadores Argentinos, disse &agrave; IPS que o boicote &eacute; &quot;uma estrat&eacute;gia interessante, j&aacute; que as empresas que aumentam os pre&ccedil;os injustificadamente, em um contexto de lucros extraordin&aacute;rios, necessitam de alguma forma de disciplina&quot;.<\/p>\n<p> Para Lozano, deputado da oposi&ccedil;&atilde;o, os aumentos &quot;n&atilde;o se justificam&quot;, porque a estrutura de custos n&atilde;o sofreu altera&ccedil;&otilde;es, a demanda interna se mant&eacute;m estreita e ainda existe capacidade instalada ociosa na maioria das empresas. Tampouco considerou que a alta de pre&ccedil;os se deva a press&otilde;es salariais. Ao contr&aacute;rio, o poder aquisitivo dos sal&aacute;rios est&aacute; 15% abaixo do que valia antes do colapso econ&ocirc;mico e social do final de 2001, e as grandes empresas possuem margens para aumentar os sal&aacute;rios. Mas, se o governo est&aacute; decidido a pressionar as empresas multinacionais para que mantenham os pre&ccedil;os deveria dar um status org&acirc;nico &agrave;s suas medidas e, al&eacute;m de exortar ao boicote, propor leis antimonop&oacute;lios ou de abastecimento em setores-chaves. &quot;A regulamenta&ccedil;&atilde;o estatal deve acompanhar a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os&quot;, disse Lozano.<\/p>\n<p> Kirchner fez sua convoca&ccedil;&atilde;o de maneira surpreendente, durante um ato na Casa Rosada para anunciar a distribui&ccedil;&atilde;o de uniformes escolares aos estudantes mais pobres. Nesse contexto, disse que &quot;de maneira pac&iacute;fica&quot; os consumidores devem rejeitar os produtos da marca Shell em protesto pela alta de pre&ccedil;os. &quot;N&atilde;o h&aacute; melhor a&ccedil;&atilde;o do que, entre aspas, este boicote nacional do povo contra quem est&aacute; abusando do povo&quot;, acrescentou o presidente, agradecendo &agrave;s competidoras como a Petrobr&aacute;s e a espanhola YPF-Repsol &quot;por n&atilde;o seguirem&quot; a Shell nos reajustes. A alta dos combust&iacute;veis, como a registrada nos pre&ccedil;os de outros produtos (carnes e material de constru&ccedil;&atilde;o), est&aacute; no centro da preocupa&ccedil;&atilde;o governamental devido ao impacto que tem no custo de vida.<\/p>\n<p> De acordo com proje&ccedil;&otilde;es oficiais e privadas, no final deste m&ecirc;s o &iacute;ndice de infla&ccedil;&atilde;o do primeiro trimestre pode ser quase igual ao de todo o ano de 2004, que foi de 3,7%. Entre janeiro e fevereiro, os pre&ccedil;os subiram 2,5% e se espera outro ponto percentual adicional para o final de mar&ccedil;o. Um morador do distrito de Arroyito, na prov&iacute;ncia de C&oacute;rdoba, disse &agrave; IPS que nessa pequena cidade onde fica a f&aacute;brica de alimentos Arcor, que exporta doces, os aumentos de sal&aacute;rio determinados pelo governo em dezembro foram absorvidos pela poderosa companhia. &quot;Cobramos o aumento e, em seguida, notamos a alta de pre&ccedil;os dos alimentos que a companhia fabrica. Os comerciantes disseram que era por causa das festas de Natal e Ano Novo, mas, depois os pre&ccedil;os n&atilde;o baixaram&quot;, disse esse morador que n&atilde;o quis dar seu nome porque trabalha na Arcor.<\/p>\n<p> A infla&ccedil;&atilde;o, controlada desde in&iacute;cios da d&eacute;cada de 90, dessa maneira voltou &agrave; agenda de preocupa&ccedil;&otilde;es oficiais, sobretudo depois de ter fechado com &ecirc;xito a reestrutura&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida p&uacute;blica, que estava sem ser paga desde dezembro de 2001. quase a metade dos 37 milh&otilde;es de argentinos s&atilde;o pobres. A quest&atilde;o dos aumentos de pre&ccedil;os esteve nesta quinta-feira nas primeiras p&aacute;ginas dos jornais. O presidente havia criticado a busca de uma &quot;rentabilidade desmedida&quot; por parte de algumas empresas, havia se manifestado &quot;indignado&quot; com setores &quot;monop&oacute;licos&quot; e acusou concretamente a Shell de &quot;falta de colabora&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Do mesmo modo, disparou contra os pecuaristas que aumentaram o pre&ccedil;o da carne para consumo interno. &quot;Me parece certo que o setor da carne vai muito bem e aumente suas exporta&ccedil;&otilde;es, mas que n&atilde;o aumentem os pre&ccedil;os para o consumo interno&quot;, advertiu Kirchner na quarta-feira. Mais tarde, advertiu que n&atilde;o toleraria uma volta da infla&ccedil;&atilde;o. &quot;Vamos trabalhar com toda a firmeza e tomar medidas de maneira paulatina. N&atilde;o vamos ver como os pre&ccedil;os sobem sem fazer nada&quot;, advertiu.<\/p>\n<p> Quase ao mesmo tempo, dirigentes do movimento de desempregados se dirigiram &aacute; sede da Shell em Buenos Aires para expressar seu rep&uacute;dio aos aumentos. O dirigente Luis DELIA, da Federa&ccedil;&atilde;o de Terra e Moradia, considerou que a empresa &quot;quer sabotar o processo de sa&iacute;da da crise&quot; argentina. D&acute;&Eacute;l&iacute;a anunciou que o movimento de desempregados convidar&aacute; todos os cidad&atilde;os a n&atilde;o comprarem produtos da Shell, e se os pre&ccedil;os n&atilde;o baixarem bloquear&aacute; os acessos a todos os postos de gasolina de bandeira da empresa, &quot;por atentar contra o conjunto dos argentinos, especialmente contra os mais pobres&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 11\/03\/2005 &ndash; Em um gesto sem precedente, o presidente da Argentina, N&eacute;stor Kirchner, conclamou os consumidores a boicotarem os produtos da companhia de petr&oacute;leo brit&acirc;nico-holandesa Shell, como demonstra&ccedil;&atilde;o de rejei&ccedil;&atilde;o a um aumento injustificado no pre&ccedil;o dos combust&iacute;veis. &quot;Os argentinos n&atilde;o devem comprar nada da Shell. Fa&ccedil;amos uma causa: n&atilde;o compremos nada deles, nem uma lata de &oacute;leo, que saber&atilde;o o quanto n&atilde;o suportamos mais esse tipo de atitude, prop&ocirc;s o mandat&aacute;rio nesta quinta-feira diante do aumento entre 2,6% e 5,2% determinado esta semana pela empresa nos pre&ccedil;os de seus produtos. A empresa justificou o reajuste pela alta internacional do petr&oacute;leo. 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