{"id":4040,"date":"2008-07-01T16:49:20","date_gmt":"2008-07-01T16:49:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4040"},"modified":"2008-07-01T16:49:20","modified_gmt":"2008-07-01T16:49:20","slug":"china-eua-a-caca-no-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/economia\/china-eua-a-caca-no-oriente-medio\/","title":{"rendered":"CHINA-EUA: \u00c0 ca\u00e7a no Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 01\/07\/2008 &ndash; Nem o encarecimento da energia, nem as san\u00e7\u00f5es contra seus s\u00f3cios comerciais Birm\u00e2nia e Sud\u00e3o, nem a perspectiva de um Ir\u00e3 nuclear parecem por freio \u00e0 sede de petr\u00f3leo da China. <!--more--> Enquanto a demanda chinesa de energia cresce a um ritmo maior do que a de qualquer outro pa\u00eds, o mesmo ocorre com suas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com as na\u00e7\u00f5es produtoras de petr\u00f3leo do Golfo P\u00e9rsico ou Ar\u00e1bico. Como ocorreu com os Estados Unidos h\u00e1 mais de 60 anos, a China \u00e9 vista hoje como uma pot\u00eancia comercial nova em refrescante, que felizmente possui poucos la\u00e7os sentimentais com a regi\u00e3o e \u2013 o que \u00e9 crucial \u2013 nenhum interesse por seus assuntos internos.<\/p>\n<p>\u201cSua principal vantagem na regi\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o carrega equipagem pol\u00edtica\u201d, disse Adbulaziz Sager, do Centro de Pesquisas do Golfo. Com os Estados Unidos envolvidos em sua \u201cguerra contra o terrorismo\u201d, preso nas redes que ele mesmo teceu e necessitando desesperadamente sair do Iraque enquanto preserva sua influ\u00eancia, a China parece determinada a desafiar a superpot\u00eancia na regi\u00e3o. Washington n\u00e3o deveria se preocupar com isso, disse Jon B. Alterman, do Centro para os Estudos Estrat\u00e9gicos e Internacionais (CIS), com sede na capital norte-americana.<\/p>\n<p>Alterman \u00e9 co-autor, junto com John Garver, de um novo estudo sobre os interesses da China na regi\u00e3o, intitulado \u201cThe Vital Triangle: China, the Unitede States, and the Middle East\u201d (O triangulo vital: China, Estados Unidos e Oriente M\u00e9dio). \u201cA tend\u00eancia norte-americana \u00e9 ver a China como uma amea\u00e7a ou contrapeso aos seus interesses\u201d, disse em uma confer\u00eancia em Washington. O envolvimento da China na regi\u00e3o destaca sua pr\u00f3pria vulnerabilidade em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a nacional. \u201cOs chineses perdem o sono pensando que sua depend\u00eancia energ\u00e9tica est\u00e1 nas m\u00e3os do Oriente M\u00e9dio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A China, que importa a metade do petr\u00f3leo que consome do Oriente M\u00e9dio, v\u00ea sua maior amea\u00e7a na instabilidade pol\u00edtica da regi\u00e3o. Frequentemente, s\u00e3o as pol\u00edticas de Washington que precipitam essa inseguran\u00e7a, que Pequim \u2013 sem nenhuma presen\u00e7a pol\u00edtica ou militar pr\u00f3pria ali \u2013 \u00e9 incapaz de frear. Segundo o embaixador Chaz Freeman, diplomata norte-americano de carreira e interprete principal na visita do presidente Richard Nixon \u00e0 China em 1972, os chineses \u201cn\u00e3o v\u00eaem a si mesmos rivalizando com os Estados Unidos\u201d na regi\u00e3o. Mas, \u00e9 improv\u00e1vel que \u201cse subordinem aos nossos ou ap\u00f3iem nosso predom\u00ednio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o torna ainda mais atraente uma rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre Estados Unidos e China. Existem oportunidades para criar um contexto de trabalho multilateral em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a para reduzir as tens\u00f5es e manter o fluxo de petr\u00f3leo. Mas a China est\u00e1 reticente em assumir \u2013 para usar o termo cunhado pelo ex-subsecret\u00e1rio de Estado Norte-americano e atual presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick \u2013 o papel de \u201cacionista respons\u00e1vel\u201d no cen\u00e1rio internacional. E apela \u00e0 sua m\u00e1xima cautela ao abordar a principal preocupa\u00e7\u00e3o imediata dos Estados Unidos no Oriente M\u00e9dio: o programa nuclear do Ir\u00e3 e as rela\u00e7\u00f5es cordiais de Pequim com esse pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA China reconhece o Ir\u00e3 como importante pot\u00eancia regional, de id\u00e9ias afins, com a qual a coopera\u00e7\u00e3o serviu e servir\u00e1 aos seus interesses em muitas \u00e1reas\u201d, afirma, Alterman e Garver. O Ir\u00e3 exporta 340 mil barris de 159 litros de petr\u00f3leo por dia para a China. \u00c9 seu terceiro fornecedor, depois de Angola e Ar\u00e1bia Saudita. Os investimentos chineses em infra-estrutura petrol\u00edfera iraniana incluem US$ 100 bilh\u00f5es para desenvolver o bloco de Yadavaran e a constru\u00e7\u00e3o de um oleoduto de 386 quil\u00f4metros atrav\u00e9s do vizinho Cazaquist\u00e3o. Do ponto de vista de Washington, o mais problem\u00e1tico \u00e9 a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de Pequim com o programa nuclear civil iraniano.<\/p>\n<p>A venda ao Ir\u00e3 pela China do que os Estados Unidos consideram produtos qu\u00edmicos que podem ser usados no desenvolvimento nuclear tanto civil quanto militar levou o governo de George W. Bush a sancionar algumas empresas estatais chinesas. \u201cUm Ir\u00e3 nuclear mudar\u00e1 o jogo no Oriente M\u00e9dio\u201d, disse o ex-subsecret\u00e1rio de Estado para Assuntos Pol\u00edticos, Nicholas Burns. Os europeus reduziram seu com\u00e9rcio com o Ir\u00e3 em resposta aos pedidos de isolamento feitos por Washington, mas a China preencheu esse vazio, disse Burns.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia intensificou no m\u00eas passado sua suas san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3, ao congelar a\u00e7\u00f5es do iraniano Banco Melli e proibir a entrada no bloco de especialistas envolvidos no programa nuclear do pa\u00eds do Golfo. Enquanto isso, a China uniu-se aos outros quatro membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia) e \u00e0 Alemanha para oferecer ao Ir\u00e3 um pacote revisado de incentivos, se abandonar suas atividades de enriquecimento de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o oficial da China diz que as san\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolver\u00e3o a quest\u00e3o nuclear, pois constituem apenas um meio de persuadir o Ir\u00e3 a negociar sob condi\u00e7\u00f5es estabelecidas pelo Conselho de Seguran\u00e7a. Como a R\u00fassia, op\u00f5em-se a qualquer medida que possa levar a uma escalada das tens\u00f5es \u00e0 custa de seus interesses econ\u00f4micos no Ir\u00e3. Mas Pequim tamb\u00e9m quer evitar um enfrentamento por causa do programa iraniano, disse Alterman. \u201cquanto mais os Estados Unidos se inclinam para a guerra, mais alinha-se com China e Ir\u00e3. Se o Ir\u00e3 \u00e9 amea\u00e7ador, Pequim se inclina mais para os Estados Unidos. \u00c9 uma pol\u00edtica sutil, n\u00e3o tanto pelo que se faz, mas como se faz\u201d, explicou Alterman.<\/p>\n<p>Para Freeman, a queda da influ\u00eancia dos Estados Unidos no Oriente M\u00e9dio significa que este pa\u00eds n\u00e3o poder\u00e1 fixar a agenda ou controlar o curso dos acontecimentos, como fez em tempos passados. Mas, isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma coisa ruim. \u201cO que estamos presenciando \u00e9 parte de uma ampla discuss\u00e3o do predom\u00ednio dos Estados Unidos. Se n\u00e3o se pode dizer \u00e0s pessoas o que fazer, ent\u00e3o se deve convenc\u00ea-la, e \u00e9 isto o que os diplomatas supostamente sabem fazer\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 01\/07\/2008 &ndash; Nem o encarecimento da energia, nem as san\u00e7\u00f5es contra seus s\u00f3cios comerciais Birm\u00e2nia e Sud\u00e3o, nem a perspectiva de um Ir\u00e3 nuclear parecem por freio \u00e0 sede de petr\u00f3leo da China. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/economia\/china-eua-a-caca-no-oriente-medio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,10,11],"tags":[14,17,16],"class_list":["post-4040","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-energia","category-politica","tag-america-do-norte","tag-asia-e-pacifico","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4040\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}